4 de jun de 2015

Dangerous Woman - Capitulo 27




Jake P.O.V.


Ouvi batidas na porta do meu escritório. Ainda era bem cedo, mas eu não
havia conseguido dormir de qualquer forma, então meu escritório me
parecia o lugar apropriado para ficar. Bruce entrou no cômodo e fechou a
porta atrás de si. As juntas de seus dedos estavam marcadas, o que
indicava que ele havia surrado alguém. Alguém não, Arthur Aguiar. Sorri
satisfeito e ele se sentou na cadeira a minha frente depois que a
indiquei com a cabeça.


- E então? Como foi? - perguntei me recostando em minha cadeira.

 - O garoto deve ter aprendido a lição, a surra foi pesada. Quando
saímos ele estava inconsciente...

 - Maravilha!


- Mas... - ele continuou.


- Mas o que? - perguntei franzindo o cenho.

 - Mas depois que saímos eu ainda deixei alguns dos caras para ficarem
de olho por lá e ele viu a Lua chegando e ajudando a mãe do garoto a
levá-lo para casa. E parece que ela levou algum tempo para deixar o local.

A raiva em mim voltou a borbulhar e fechei as minhas mãos em punho.
Aquilo não deveria ter acontecido, mas eu deveria ter previsto isso
conhecendo como conheço Lua. Era óbvio que ela iria ir correndo
vê-lo. Não. Eu precisava de mais. Eu precisava acabar com aquele cara.
Só não sabia de que jeito. Era a minha vez de entrar em cena, mas eu não
deveria me precipitar. Eu deveria agir com cautela e precisão.

 (...)

 Zapeava alguns canais na televisão do meu quarto, mas não conseguia
encontrar nada que me interessasse, não era dia de jogo e nesses dias a
programação se tornava monótona. Encontrei um filme qualquer e resolvi
deixar passando. Peguei meu celular e respondi algumas das mensagens que
eu tinha por ali. A noite não estava nada produtiva e eu odiava isso, eu
não tinha o que fazer, mas minha vontade de sair de casa estava nula. 


A porta do meu quarto foi aberta com violência batendo de encontro com a
parede e eu me assustei vendo a garota ruiva entrar no meu quarto com
uma expressão furiosa nos olhos, acho que ela conseguiria me derreter se
houvessem lasers no lugar de suas órbitas. Franzi o cenho a olhando e
ela pegou o travesseiro que tinha na beirada da minha cama e o atirou em
minha direção.

 - QUE MERDA VOCÊ TEM NA CABEÇA PARA MANDAR FAZEREM AQUILO COM O ARTHUR,
SEU PANACA? - ela gritou vindo para o meu lado e parando com as mãos na
cintura.


A fitei e depois de alguns segundos soltei uma risada ao olhar para a
cara vermelha de raiva dele.

 - Esse tom de pele cai bem a você, Anne.

 - Minha mão que vai cair bem no meio da sua cara se você não me
explicar agora, neste exato momento, qual a merda que você aprontou e o
motivo de você ter mandando darem uma surra no Arthur! Isso nunca esteve
no combinado, Jake! 


Ri sarcástico e me levantei ficando em sua frente e segurei seu rosto
com meus dedos, formando um leve bico em seu rosto, mas eu não estava a
segurando da forma mais delicada.


- Anne, eu só vou dizer uma vez e quero que você preste bem atenção - a
encarei ainda segurando o seu rosto - Você não dita regra NENHUMA. Quem
decide o que faz ou não faz sou eu, você só está aqui como uma ajudinha
que eu tenho. Não tente mandar em mim ou tentar me dizer como agir,
garota. Fui claro?

 Ela balançou a cabeça positivamente e se soltou raivosa de mim. Seu
temperamento não era dos mais fáceis, mas ninguém mandava em mim, muito
menos uma ruivinha desmiolada feito Anne.


- Não faça mais nada com Arthur, ou eu posso resolver mexer com a sua
piriguetinha também, Jake - ela me desafiou cruzando os braços.

 - Você ouviu o que eu acabei de te falar? - perguntei alterando meu tom
de voz.

 - Você pode dizer o que quiser, eu não estou te impondo nada, só estou
fazendo uma pequena observação, nada de mais. Me testa, Jake. Me testa.


Ela deu meia volta e saiu do meu quarto batendo a porta com tudo.

Arthur P.O.V.


Estar com Lua era tudo o que eu mais queria, mas ela continuava me
evitando e eu não podia fazer nada. Jogar baseball com Alex pelo menos
me distraia um pouco e eu ficava um tempo com o meu pequeno.


Parei o carro em frente ao campo que havia no bairro, peguei a mochila
com as nossas coisas e ajudei ele a descer do carro. Coloquei meu boné e
vesti o dela, que era uma versão menor do meu, em sua cabeça.

 - Arthur, você me ensina a rebater igual a você? - ela perguntou
animada puxando minha mão e me acordando de mais um dos meus desvaneios.


- Am? Ah, claro que sim, campeã.

 - Eba!


Alex saiu correndo na minha frente e eu ri a seguindo. Eu estava
procurando algum emprego e precisava encontrar um o mais rápido
possível. Eu não havia aceitado aquele envelope que Lua tinha me
mandando com o dinheiro e o dia de pagar as contas do mês estava
próximo. Eu havia deixado meu currículo para ser professor de muay thai
em algumas academias, mas ainda não tinha obtido resposta alguma.

 Cheguei aonde Alex estava assistindo os outros garotos brincarem e
sentei na arquibancada. Tirei o bastão e a luva e os coloquei no meu colo.

 - Ale - chamei e ela se virou para mim - O que você quer fazer
primeiro? Lançar ou rebater?

 - Rebater! - ela disse pulando e eu sorri me levantando.

 Deixei minha mochila na arquibancada e abri o portão da grade do campo.
Alex entrou e eu o fechei. 

 (...)

 - Ok, Ale. Agora vamos lá, eu vou jogar a bola para você e você faz
como eu te ensinei. Combinado?

 Ela assentiu e segurou o bastão o mais firme que pôde com suas
mãozinhas. Eu não lancei a bola muito forte, afinal ela era bem pequena,
mas também não a lancei fraquinha. Assim que a bola chegou no local
certo no ar,Alex usou toda sua força e rebateu a bola a fazendo voar
para longe. Ela pulou levantando os braços e eu me ajoelhei abrindo os
meus e ela veio correndo em minha direção e chocando seu corpo contra o
meu tronco. Levantei com ele nos braços e a joguei para cima fazendo-o
gargalhar.

 - Muito bem, Ale!

 - Eu consegui! Consegui!

- Isso mesmo! Você vai ser o melhor igual a mim - falei me gabando e ela riu ainda eufórica.


Coloquei Alex no chão e limpei a poeira da minha roupa, não adiantaria
muita coisa, já que eu estava imundo e minha irmã não se encontrava em um
estado muito diferente. Minha mãe nos mataria e depois nos jogaria na
máquina de lavar roupas, mas eu não estava me importando muito com a
quase certa possibilidade.

 - Quer comer um cachorro quente? - perguntei tirando a luva da mão.

- E um sorvete também!


- Vai devagar, gordinha - falei rindo e Lua surgiu em meio aos meus
pensamentos, mas tratei de afasta-los logo - Eu vou ali no carrinho
buscar. Por que você não pega a base de apoio da bola e treina algumas
rebatidas? Ou até mesmo lançamentos. Você quem escolhe, mas NÃO saia
daqui, me espere quietinha.

 Ela assentiu e pegou o bastão novamente ajeitando seu boné na cabeça. O
carrinho de cachorro quente estava perto e eu fui até ele comprar os
lanches, depois eu buscaria o sorvete antes de irmos embora. Enquanto o
cara preparava meu pedido meu celular começou a tocar e eu o puxei do
bolso o atendendo.


- Arthur falando.

 - Sr. Aguiar? - uma voz que eu não conhecia falou do outro lado da linha.


- Eu mesmo.

 - Aqui é Daniele da academia Maraton. Eu estou ligando para avisar que
querem fazer uma entrevista com você para o cargo de professor.

 - Sério? - falei animado - Quando eu posso ir?

 - Venha amanhã as 14:30.

 - Tudo bem então.

 - Estamos esperando por você.

 Desliguei o celular e o guardei no bolso um pouco mais animado por
conta da entrevista. Paguei e peguei os lanches e voltei até o campinho.
Parei no meio do caminho olhando ao redor e Alex não estava ali. Entrei
de novo no campo.


- ALEX! - gritei - Alex, cade você?


Vi seu boné caído no chão e cada célula do meu corpo começou a entrar em
alerta. Sai correndo e comecei a procurar por ela.

 - Alex! Alex!


Continuei olhando ao redor e eu não a via.

 - ARTHUR!

 Me virei tentando achar qual a direção vinha a sua voz e vi seus
cabelos loiros um pouco mais a frente. Corri até ela é quando fui o
pegar em meus braços tudo ficou escuro. Alguém havia colocado algo na
minha cabeça e agora estava me segurando. Fui jogado em algum lugar,
provavelmente um carro e eu podia ouvir os gritos da minha irmã e isso só
me deixava mais puto. Eu tentava me mover, mas minhas mãos haviam sido
amarradas. Eu chutava tudo o que havia ao meu redor, mas o espaço era
pequeno. Chegou um momento em que eu desisti de chutar as coisas e só
permaneci parado sentindo os solavancos que o carro dava. Passou um bom
tempo até que o veículo parou. Voltei a ouvir Alex chamar o meu nome e
eu estava ficando impaciente. Se fizessem qualquer coisa com o minha irmã aqueles caras estariam mortos. Ouvi uma porta abrir e logo fui puxado
para fora de onde eu estava. Me colocaram de pé e começaram a me
empurrar para não sei aonde. Eu andei por alguns metros e depois de um
tempo fui empurrado e cai no chão, me desamarraram mas sem ainda soltar
meus braços e depois tiraram o saco da minha cabeça. A porta da sala
vazia foi fechada e após alguns segundos ouvi passos correndo em minha
direção. Alex. Meu corpo se aliviou quando a vi e a puxei a abraçando.

 - Alex, caramba, o que aconteceu no parque? Por que você sumiu?

 - Eu estava rebatendo as bolas e do nada apareceram uns homens grandes.
Eu tentei correr porque fiquei com medo deles, mas eles me pegaram e
disseram que se eu gritasse iriam machucar você - ela disse abaixando a
cabeça.

 Soltei o ar pesado e mexi em seus cabelos loiros os bagunçando.


- Está tudo bem, campeã. Nós vamos ficar bem.

 Parei para analisar melhor o lugar aonde estávamos e era um quarto mal
iluminado por uma lâmpada pendurada por um fio, a única janela que havia
estava pintada de preto e coberta por tábuas. Não havia nada no quarto
além de um colchão velho e um cobertor surrado. Tateei meu bolso a
procura do meu celular, mas era óbvio que eles haviam o tirado de mim.
Me encostei na parede tentando pensar em algo, quando a porta do cômodo
foi aberta. Me desencostei da parede e o rosto nojento de Jake apareceu.
Mas é claro que aquilo só podia ser coisa daquele merda. Ele riu me
olhando, eu ainda estava com o rosto pouco marcado por conta da surra
que havia levado a mando dele.


- Aguiar, Aguiar. Até que enfim nos encontramos.

 Andei até ele e o empurrei contra a parede. Ouvi passos atrás de mim,
mas Jake fez sinal para que se afastassem ainda com aquele sorrisinho no
rosto.

 - Qual é a merda do seu problema, hein? Mexer comigo eu até aceito,
mandar me surrar também porque eu sei o quão frouxo você é para fazer
isso comigo e você ainda se lembra no estrago que eu fiz em você da
última vez. Mas mexer com a minha família? Jake, você é mais burro do
que eu pensava.

 - Relaxa aí, Aguiar. Eu só queria acertar as contas com você
pessoalmente. Te fazer sofrer um pouquinho por uns dias. Não tive culpa
de essa pivetinha estar junto com você na hora, foi consequência ele
acabar vindo junto - ele disse apontando para  minha irmã e eu segurei a
gola de sua camisa mais forte batendo seu corpo contra a parede.

 - Não mexa com a minha família. Você vai pagar caro por isso, Jake.

 - É o que veremos. Daqui a pouco eu volto para termos uma conversinha,
só eu e você.

 Ele tirou minhas mãos de sua camisa e saiu fechando a porta. Chutei a
mesma com raiva e o som do metal da estrutura soou alto. Alex me olhava
assustada, mas não dizia nada. Sentei no chão colocando minhas mãos em
meu rosto tentando respirar para manter a calma.

 - Arthur - minha irmã chamou, mas eu mantive a cabeça baixa - Ei - ela me cutucou e eu levantei o rosto para olhá-lo - Eu vi que aqueles homens
maus quebraram o seu celular, mas não fica triste, você pode ficar com o
meu. É aquele que você me deu para o caso de emergências comigo ou a Mitch.

Alex puxou o aparelho de dentro do bolso da calça e colocou na minha
mão. Eu não sabia o que dizer. Eu havia me esquecido daquele celular!
Era um modelo bem simples e atrás tinha o desenho do Power Rangers
gravado, aquele aparelho era só para se elas precisassem de mim
mesmo,Mitch  tinha um cor de rosa com detalhes roxos. Abracei Alex com
força e o soltei ligando o telefone rapidamente. A bateria não estava
tão fraca, daria para aguentar mais um tempo. Disquei o número que eu já
sabia de cabeça. Demorou alguns toques até que eu fosse atendido.

 - Alô? - Lua perguntou com a voz confusa.

 - Lu! Lua é o Arthur! - falei baixo, mas alto o possível para que
ela pudesse me escutar.

 - Arthur, por que está me ligando e por que raios está cochichando?

 - Lua, me escuta. Eu...

 - Arthur, eu já não te pedi para não me ligar? - ela perguntou
parecendo cansada.

 -Lua, não desliga.

 - Arthur eu... - a interrompi.

 - EU ESTOU TENTANDO DIZER QUE FUI SEQUESTRADO PORRA - falei um pouco
mais alto do que deveria, mas voltei a controlar meu tom de voz.


- Sequestrado? Como assim, Arthur?

 - Sim, por aquele babaca. O problema é que dessa vez a Alex está
comigo. Eu preciso da sua ajuda o mais rápido possível.

 - Aonde vocês estão? Eu vou achar vocês, você sabe aonde vocês estão?

 - Eu não tenho ideia, Lu.

 - Eu vou rastrear esse celular que você está me ligando. Aliás, como
conseguiu um celular?

- Longa história, mas eles subestimaram crianças e seus truques.

- Eu não vou demorar. Só fiquem calmos, eu vou buscar vocês!

 - Lua - chamei.

 - Oi?

 - Eu amo você - era bom dizer aquilo.

 Pude sentir Lua vacilar do outro lado da linha e ela ficou quieta
por alguns segundos.

 - Eu não vou demorar.

 Então ela desligou. Suspirei e apoiei a cabeça na parede.

 - Ale - chamei e ela veio até mim - Vou guardar seu celular de volta no
seu bolso, não deixe ninguém ver que ele está aí, ok?

 Ela assentiu e eu o puxei para que ele ficasse no meu colo, pelo menos
assim eu sentia que poderia protege-lo melhor. O tempo parecia não
passar naquele quarto. Alex havia cochilado no meu peito há algum
tempo. A porta foi aberta novamente e Jake entrou, fazendo Alex pular
no meu colo de susto.

 - Peguem a garota - ele disse e dois caras vieram até mim puxando Alex
do meu colo.

 - O que? Não! Que merda é essa? - gritei furioso e minha irmã chorava e
se debatia nos braços do cara.

 Ela saiu e um outro cara me segurou pelos braços os mantendo para trás.

 - Relaxa, Aguiar. Na verdade, eu estou até sendo bonzinho. Eu evitei
que seu irmãozinha visse o irmão mais velho apanhar. Seria
traumatizante, especialmente para uma criança.

 - Me ver apanhar? Vai ser assim de novo? Com a ajuda dos seus capangas?
Grande homem você é, Jake. Mas ainda bem que você sabe que no mano a
mano não consegue nem encostar em mim direito - desafiei.

 Ele me encarou e depois começou a subir as mangas da camisa que vestia.
Aquilo foi hilário, ele vestido praticamente de uma forma social. Eu
podia ver seus olhos faiscando de ódio.


- Solta ele, Jordan - ele ordenou.

 - Você tem certeza, chefe? - o grandão que estava me segurando perguntou. 


- Eu te mandei soltar ele, Jordan.

 O cara me soltou e foi para trás de Jake.

 - Resolveu virar homem? - perguntei rindo.

 - Vou te mostrar o homem, Aguiar. Hoje você vai apanhar de novo, só que
dessa vez vai ser de mim.

Jake avançou em minha direção e já veio tentando me chutar. Segurei na
gola de sua camisa e o atirei no chão. Soquei o seu nariz fazendo sua
cabeça virar para o lado e quando fui repetir meu ato ele segurou meu
braço e me deu uma cabeçada me jogando para trás. Bati com as costas no
chão duro e meus ossos doeram, eu ainda não estava cem por cento
recuperado da surra que havia tomado, mas me levantei ficando frente a
frente com ele novamente. Jake me acertou um soco no maxilar e eu chutei
sua barriga o fazendo perder o ar por alguns segundos. Jake agarrou meu
tronco e empurrou seu corpo contra o meu nos jogando na parede. Minhas
costas latejaram. Jake socou a lateral do meu corpo atingindo as minhas
costelas e eu berrei de dor, aquele havia sido o local mais machucado
durante a surra. Ele percebeu o impacto que aquele golpe tinha me
causado e quando meu corpo deslizou para o chão, ele chutou a região
novamente  e eu apertei minha barriga tentando me proteger.

 - Quem não é homem agora, hein Aguiar?

 Não respondi e apenas gemi de dor, minhas costelas estavam me causando
dores agudas e tinha sangue escorrendo da minha boca. Me levantei com
dificuldade, mas levantei. Fiquei de pé na frente dele e endireitei
minha postura mesmo com meu corpo clamando por descanso. Jake riu do meu
estado e aquela foi a minha deixa, pulei em cima dele o derrubando e nós
rolamos no chão. Parei em cima dele e soquei seu nariz seguidas vezes
arrancando sangue dele. Eu queria quebrar aquele cara. Ele socou minhas
costelas mais uma vez, mas dessa vez eu não deixei que a dor me
abalasse, continuei socando o seu rosto e só parei quando um dos
capangas de Jake me puxou de cima dele pelos braços.

Jake se levantou ainda meio bambo e se apoiou na parede recobrando o
equilíbrio. Mesmo com a dor eu sorri vitorioso, mais uma vez eu havia
conseguido derrubar ele.

 - Viu como você não é páreo para mim? Você mais uma vez precisou ser
salvo. Você é frouxo - cuspi as palavras nele.

 Ele veio em minha direção raivoso e socou minhas costelas mais uma vez
me fazendo perder o ar e cuspir sangue.

 - Abaixe o tom para falar comigo, seu merdinha - ele disse e me deu as
costas saindo do cômodo.


O segurança me soltou e eu caí no chão. Novamente cada músculo do meu
corpo latejava, mas pelo menos dessa vez eu havia conseguido descontar a
raiva em Jake. Rastejei com dificuldade até o colchão e soltei o corpo
em cima dele, não era a melhor coisa do mundo, mas era mais confortável
que o chão. A porta foi aberta de novo e pude ouvir passos leves
correndo em minha direção. Minha irmã se abaixou ao meu lado me olhando
assustada.


- Arthur, você ta bem?

 - Estou sim, campeã. Só um pouquinho machucado. Se lembra quando eu
lutava no muay thai? - ele assentiu - Então, eu acabei de lutar, mas vou
ficar bem. Nós vamos ficar bem.


Ela assentiu novamente e se sentou ao meu lado passando a mão na minha
cabeça.


Lua P.O.V.


- Qual é Mika, você consegue fazer isso mais rápido! - falei impaciente
andando de um lado para o outro no quarto dele.

 - Lua, calma! O celular está em uma área complicada e você chegou
não fazem nem 10 minutos! - ele resmungou continuando a mexer em seu
notebook.


- Eu sei, Mika, mas eu preciso achar o Arthur o mais rápido possível,
ainda mais com o Alex junto com ele. Katia já está surtando!

 Ele me ignorou e continuou mexendo em seus programas. Eu demorei para
lembrar de Mika, eu havia passado o dia todo correndo de um lado para o
outro tentando achar alguém para rastrear o celular e agora já havia
passado das duas da madrugada.


- Encontrei! - Mika exclamou e eu voei para perto dele.


- Aonde eles estão?

 - Já mandei a localização para o seu celular. Eles estão no caminho da
interestadual, tem uma estrada de terra que leva até uma região de casas
de campo, eles estão na mais afastada. Está aqui - ele apontou com o
dedo para um ponto no mapa exibido na tela do computador.

 - Mika, você é um deus! - dei um beijo em sua bochecha e sai correndo
para fora do seu quarto.

 - Me dê notícias quando os encontrar! - Mika gritou de seu quarto e eu
berrei de volta apenas um "Pode deixar!".


Quando saí da casa de Mika, Kenny e Joe já estavam a minha espera na
Range. Entrei no carro e abri a localização que Mika havia me enviado a
conectando ao GPS. Eu já conhecia a maior parte do trajeto, eu só
precisaria da ajuda do GPS quando chegássemos na estrada de terra. Kenny
dirigia o mais rápido que podia e mesmo com a madrugada, ainda haviam
diversos carros transitando devido ao feriado que havia terminado.
Desviamos de muitos carros e demoraram por volta de 20 minutos para que
chegássemos na tal estrada de terra. Liguei o GPS enfim tendo que usá-lo
para nos orientarmos em meio àquele breu. Seguimos em linha reta por um
longo tempo até que as casas de campo começaram a aparecer e eu dei
graças aos céus. A maioria delas parecia sombria naquela hora da
madrugada, mas deveriam parecer bem mais convidativas durante o dia,
pois eram gigantescas.

"Destino a 500 metros" a voz do GPS anunciou e eu apertei os olhos para
enxergar uma casal mal acabada logo mais passar frente.

 - Acelera, Kenny - falei apreensiva - Precisamos chegar logo.

 Ele fez o que eu pedi e acelerou o máximo possível naquela lamaceira
que estava a estrada. Kenny parou o carro em uma parte mais escondida da
estrada em meio a alguns arbustos altos e árvores e nós devemos.
Engatilhei a minha arma e os garotos fizeram o mesmo.


- Todo cuidado é pouco, não se esqueçam que tem uma criança lá dentro e
que eles irão usar isso contra nós. Se preocupem em me dar cobertura e
proteger o garoto e Arthur. Nós vamos sair com os dois inteiros e eu
ainda vou dar uma lição naquele merda do Jake - falei me virando para os
dois num tom baixo.

 Os dois assentiram em silêncio e nós voltamos a nos aproximar da casa.
Eu podia sentir o cheiro de mofo de longe. Olhei pelo canto da janela e
vi Jake sentado em uma cadeira atrás de uma mesa mexendo em alguns
papéis. Fiz sinal com o dedo para que os rapazes me seguissem. Andamos
ao redor até que encontrei a porta dos fundos que dava acesso a cozinha
da casa. Olhei ao redor por dentro e não me pareis ter ninguém. Tentei
abrir a porta, mas ela estava trancada. Eu queria derrubar ela, mas
faria muito barulho. Coloquei as mãos na cintura tentando encontrar uma
solução, até que meus olhos bateram na abertura do cachorro na parte de
baixo da porta. A entrada era relativamente grande, provavelmente para
um cão de grande porte. Era a minha única opção. Respirei fundo e me
abaixei ficando de quatro. Engatinhei por aquela portinhola e ela rangeu
um pouco, mas nada de alarmante. Quando consegui passar completamente o
meu corpo para dentro da casa, me coloquei de pé batendo a poeira do meu
corpo e ficando de pé. Destranquei a porra para que os garotos entrassem
e eles a fecharam com cuidado logo em seguida. A casa só tinha um andar,
o que restava era encontrar qual o cômodo Arthur e Alex estavam. Saímos
da cozinha com cuidado e fomos parar em um corredor. Mais a frente havia
uma passagem para algum tipo de sala da casa e nós teríamos que passar
por ali, se meus cálculos estivessem certos, aquela era a sala em que
Jake estava. Fui na frente com cuidado e olhei pelo canto se eles
estavam virados para aquele lado da abertura, mas Jake ainda olhava os
papéis virado em direção a janela e seus capangas limpavam suas armas
sem prestar muita atenção ao redor. Contei até três tentando manter a
calma e pisei devagar até passar pela abertura. Respirei mais aliviada
quando consegui alcançar o outro lado da abertura. Kenny e Joe teriam
que passar agora. Minha visão da sala era mais privilegiada de onde eu
me encontrava agora e fiz sinal para que um deles passasse. Kenny acabou
pisando em uma tábua e fez ela ranger. Fechei os olhos praguejando e
Kenny voltou para onde estava. Jake levantou a cabeça e seus seguranças
também, passaram-se alguns segundos e Jake fez sinal para que voltassem
ao que estavam fazendo. Kenny foi por outro lado afastado daquela tábua
e Joe se posicionou ao seu lado, seria melhor mesmo se eles passassem ao
mesmo tempo, a probabilidade de serem vistos era maior mas ao mesmo
tempo menor. Eles contaram até três em silêncio e passaram sem fazer
barulho algum. Primeira fase completa, agora precisávamos encontrar o
quarto.

 Andamos até o fim do corredor e ele tinha uma curva para a direita.
Parei na ponta da parede e olhei. No final do corredor havia uma porta e
um cara estava sentado em uma cadeira ao lado dela lendo um jornal.

 - Vocês trouxeram o silenciador como eu pedi? - perguntei me virando
para eles e Joe assentiu - Você atira então, Joe.

 Ele ficou em meu lugar e segurou a arma a colocando na mira. Segundos
depois ouvi algo caindo no chão, o corpo do cara. Seguimos pelo corredor
até a porta e o cadáver estava esparramado no chão em frente a ela.
Empurrei-o com o pé e tentei abrir a porta. Trancada.

 - Procurem a chave, ele deve estar com ela.

 Kenny e Joe levantaram o corpo do cara e começaram a vasculhar. Kenny
puxou do bolso da jaqueta um molho com chaves e me entregou, largando o
corpo no chão novamente. Maravilha! Um monte de chaves. Fui testando uma
por uma até finalmente achar a certa. Empurrei a porta com cuidado para
que não fizesse barulho e entrei. Alex estava cochilando e Arthur
estava ao seu lado todo machucado. De novo não, Jake tinha o machucado
de novo. Corri até ele e o virei para cima.


- Arthur! Acorda, vai! - chacoalhei seu corpo e ele gemeu abrindo os olhos.

 Alex acordou ao meu lado e abraçou meu tronco.

 - Lu! Você vai nos tirar daqui, não vai? - ela perguntou me olhando
assustada.

 - Claro que sim, meu amor, eu vim aqui para isso - passei a mão em seus
cabelos - Kenny, pegue Alex e a tiria daqui. Leve-a até o carro, Joe vai
me ajudar a tirar Arthur daqui.


Kenny assentiu e pegou Alex no colo. Kenny segurou Alex em um braço e
uma arma por proteção na outra e saiu dali.

 - Joe, me ajude aqui.

 Joe pegou o braço de Arthur e o jogou por cima do ombro o levantando.
Engatilhei minha arma e nós saímos do quarto, comigo na frente e Joe
carregando Arthur. Quando fui virar o corredor, deu de cara com Jake e
seus dois capangas apontando armas em nossa direção.

 - Hey, morena - ele sorriu me olhando.

 - Eu vou matar você - apertei a arma entre as minhas mãos.

 - Ei, pra que tanta violência? Nós podemos resolver isso. O garoto não
ficou nem um dia inteiro comigo, Lu. Você faz perder a graça assim.

 - Cale a boca - rosnei.

 Ele riu e ainda apontava a arma para mim.

 - Você sabe que não vai sair daqui com ele, não sabe? - ele perguntou
abaixando a arma, mas seus capangas continuaram na mira.

 - É o que veremos.

 - Bom, vou ter que matar você então. É uma pena, morena. Um grande
desperdiço - ele voltou a apontar a arma para mim - Mas fazer o que.


Numa fração de segundos Joe soltou Arthur no canto da parede e ele
escorregou para o chão e atirou em um dos capangas de Jake o acertando
no peito e o cara caiu no chão agonizando. Pulei em Jake o fazendo cair
no chão e rolei com ele. Joe pulou no outro cara e eles começaram a se
socar.Jake era mais forte do que eu e acabou ficando por cima de mim,
segurando meu pescoço e começando a me enforcar. Eu tentava tirar suas
mãos de mim, mas o ar estava começando a ficar escasso e meus movimentos
começaram a enfraquecer, eu mal podia me mover. Minha garganta estava
sendo cada vez mais apertada e minha visão começava a ficar turva. Jake
também tinha jogado seu peso contra o meu corpo, meus sentidos estavam
se esvaindo. Eu estava a ponto de apagar quando Jake foi tirado de cima
de mim com violência e atirado no chão. Eu levantei meu corpo tossindo e
sugando todo o ar que eu podia, tentando respirar desesperadamente. Me
apoiei no chão e quando olhei para o ladoArthur estava socando Jake sem
dó e nem piedade. Eu nunca o tinha visto com tanta raiva. Me levantei on
dificuldade, mas já melhor recuperada e segurei Arthur pelos braços
tentando o tirar de cima de Jake. O cara já estava apagado e seu nariz
escorria sangue.

 - Arthur chega! Você não está em condições para fazer isso! Por favor,
eu não quero que você se machuque mais! - choraminguei e ele acertou
mais um soco no meio do nariz de Jake antes de finalmente parar.

 O ajudei a se levantar e abracei ele com toda a força que eu podia. Ele
me apertou contra o seu corpo e eu consegui me acalmar um pouco, mas a
calma sumiu assim que escutei um tiro. Me soltei de Arthur e olhei para
o lado vendo Joe caído no chão com a mão no ombro. Puxei minha arma e
acertei o cara que tinha sobrado o matando de uma vez.

 - Vamos sair daqui - falei soltando a arma no chão, eu não aguentava
mais ouvir tiros.

 Ajudei Joe a se levantar e assim que ele ficou de pé dispensou minha
ajuda, apontando para que eu desse apoio para Arthur andar. Fui até
Arthur e abracei seu tronco com cuidado, eu sabia que suas costelas
estavam fraturadas. Ele apoiou seu braço no meu ombro e nós seguimos
para fora daquela casa. Quando chegamos no carro Alex estava cochilando
no banco de trás e eu ajudei Arthur entrar e se sentar ao lado da irmã.

 - Hoje você não escapa, mocinho. Nós vamos para o hospital - falei me
sentando ao seu lado e fechando a porta.

 - Ah não, Lua. Eu estou - ele gemeu de dor - bem. Só me leve para
casa.

 - Nem nos seus mais conturbados sonhos, meu querido - falei puxando o
celular e mandando uma mensagem para que Katia fosse ao hospital nos
esperar.

 Liguei para Mika avisando que já estava com Arthur e pedindo para ele
avisar os outros garotos que estávamos indo para o hospital e ele fez
questão de ir nos esperar lá também. O caminho não demorou muito e
minutos depois já estávamos na entrada da emergência. Kenny abriu a
porta dando apoio a Joe em um de seus ombros e eu ajudei Arthur a
descer. Katia nos viu e veio ao nosso encontro correndo.

 - Ah meu Deus, eu fiquei tão preocupada com vocês todos - ela disse me
abraçando e tocando o rosto do filho com cuidado.

 - Eu vou ir entrando com ele, pegue Alex. Ela está dormindo no banco.

 Ela assentiu e eu me encaminhei para dentro do hospital com Arthur. A
enfermeira nos olhou assustada e correu em nossa direção.

 - O que aconteceu com o rapaz? - ela perguntou me ajudando e dando
apoio a Arthur do outro lado.

 - Nós fomos assaltados e os ladrões acabaram batendo nele. Prefiro não
comentar, só me ajude. Ele precisa fazer alguns exames.

 Ela assentiu e um outro cara logo apareceu com uma cadeira de rodas.
Eles levaram Arthur, me deixando apreensiva na sala de espera. Logo
junto com Katia apareceram Mika, Bernardo e Chay sendo acompanhado por
Mel. Minha irmã correu até mim me abraçando e eu a apertei com força.

 - Você está bem? - ela perguntou se afastando e me olhando e eu assenti
- Lua, o que aconteceu com o seu pescoço? Ah meu Deus!

 - Não foi nada - disse jogando meus cabelos por cima, mas Mel me olhou
brava não convencida.

 - Como ele está? - Ryan perguntou.

 - Eu não sei, ele já estava machucado antes e agora bateram nele de
novo. Espero que não tenha acontecido nada de grave - respondi segurando
um soluço.


Beca apareceu correndo na sala de espera e veio direto me abraçar. Era
bom vê-la. Ela sabia do que havia acontecido, por isso não me fez
pergunta alguma e assim que me soltou foi se sentar perto dos garotos.
Passou por volta de meia hora e nada de alguém nos dar notícias. Eu
estava sentada no sofá entre Beca e Mel, ambas tentando me acalmar e
Chay trouxe um café para mim. Sorri agradecida e ele se sentou no braço
do sofá ao lado de Mel, passando um de seus braços por seu ombro.
Katia estava com Alex sentada em outro sofá e ela estava sentada
observando ao redor. É, aquele pequena era duro na queda.

 - Arthur Aguiar? - o médico apareceu e eu e Katia nos levantamos indo
até ele.


- Como ele está? - ela perguntou com Alexnos braços.


- Ele está com algumas fraturas, especialmente nas costelas, mas já
cuidamos disso. Ele vai ter que ficar "de molho" por volta de uma semana
e tomando alguns analgésicos. Queiram me acompanhar.

 Eu e Katia assentimos e o seguimos até o quarto de Arthur. Deixei
Katia abraçar o filho primeiro e ele sorriu devolvendo o abraço.


- Eu fiquei tão preocupada.

 - Eu estou bem, mãe. Fique calma.

 Eu estava no canto do quarto observando os dois quando os olhos de
Arthur caíram sobre mim. Katia beijou a testa no filho e piscou para
ele, depois passou por mim.

 - Eu vou avisar o pessoal que ele está bem - ela disse e saiu do quarto.

 Permaneci aonde eu estava ainda em silêncio.

 - Não vai perguntar como eu estou? - ele perguntou sorrindo para mim.


Eu não aguentei e corri até ele o abraçando. Eu precisava daquilo. Ele
me apertou e segurou meu rosto levando sua boca até a minha. Eu não pude
resistir e o beijei, cada célula do meu corpo implorava por aquele
contato. Separei nossas bocas e beijei seu pescoço o abraçando mais uma
vez.


- Deus, como eu senti sua falta  - falei ainda sem o largar.

 - Confesso que fiquei surpreso e feliz por você não fugir de mim mais
uma vez - ele disse puxando meu rosto e fazendo eu o olhar.

 - Eu não vou mais fugir de você. Eu não consigo. E você tem que
confessar, assim como eu, que você só se ferrou longe de mim - falei
rindo e ele mordeu a minha bochecha.


- Então, não vai mais evitar? - neguei com a cabeça e beijei sua
bochecha - Nem impedir a minha entrada na sua casa? - neguei mais uma
vez e ele sorriu.


- Saindo daqui você vai para a minha casa, eu já conversei com a sua mãe
e ela também já concordou em deixar que alguns dos meus homens façam a
segurança dela e das suas irmãs.


- Sim senhora - ele respondeu rindo e eu não resisti em beija-lo mais
uma vez.

 Ele não negou o ato e segurou na lateral do meu pescoço de leve  eu
gemi de dor e ele parou o beijo me empurrando para trás devagar e tirou
o meu cabelo de cima do meu pescoço franzindo o cenho.

 - Aquele filho da... Eu vou matar aquele merda, Lua - ele disse
olhando as marcas das mãos de Jake na minha pele.

 - Nós vamos resolver isso, fique calmo, ok? Ele não vai sair ileso dessa.

 - Eu não vou me esquecer disso. Pode apostar que não.


Abracei ele sentindo o seu cheiro e afundei meu rosto em seu pescoço.
Ele era o meu ponto de paz em meio a guerra que era a minha vida.

Notas Finais 
LUAR PORRA!!! As coisas vão melhora prometo. A antes que eu me esqueça web tem 34 capítulos, tá?

5 comentários:

  1. OMG , elew voltaraam uhuul , Hah *--*
    LuAr e vida crlh , ;*
    Ah mds , ainda nao acredito que eles voltaraam *--*
    #MelhorFanficQueJaLi
    Xx Yasmin D

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  2. Own't aki é LuAr, mas jah tah acabando :( mas tah valendo a pena, mto top os capítulos... Ansiosa pela vingança ao Jake.... Posta maiis logo amore....

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  3. So não to entendendo uma coisa, Alex é uma menina ou um menino?

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Não vai sair sem comentar, né?! xD

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