2 de jun de 2015

Dangerous Woman - Capitulo 26





Jake P.O.V.

 - EU DISSE! EU DISSE QUE IRIA DAR CERTO, PORRA! - Anne berrou mais uma
vez comemorado o sucesso de seu pequeno plano para separar Arthur e
Lua.

 - É, até que você serve para alguma coisa, ruivinha - debochei e ela
revirou os olhos.

 - Não vou nem responder você, porque estou de ótimo humor, Jake.
Finalmente! Mal posso acreditar que eles finalmente se separam e foi tão
rápido. Se eu soubesse, teria usado Katia nos meus planos há muito mais
tempo.

 - Não sei se seu namoradinho vai desistir tão facilmente da Lua -
cruzei os braços me recostando na minha cadeira.

 Estávamos no meu escritório e Anne só sabia falar sobre finalmente ter
separado aqueles dois. Mas eu não estava tão confiante quanto a isso.
Meus homens estavam observando a casa e viram aquele segurançazinho
querendo entrar na casa de Lua. Ele não iria desistir tão fácil. Uma
ideia me ocorreu como um estalo em minha cabeça e eu me levantei da
cadeira chamando a atenção de Anne para mim.

 - O que foi? - ela me perguntou com as sobrancelhas arqueadas.

 - Ahm? Ah, não é nada demais. Só me lembrei de uma coisa.

 - E precisava pular desse jeito da cadeira, Jake? Fale a verdade,
querido - ela cruzou os braços me olhando.

 - Não foi nada, garota. Agora anda, vai para a sua casa, volta pra sua
vidinha que quando eu tiver qualquer novidade eu te aviso.

 - Ei! Por que está me expulsando desse jeito? Está maluco, é? - Anne
colocou as mãos na cintura chocada.

 - Anne, eu preciso resolver coisas minhas, negócios. Você poderia por
favor sumir da minha frente antes que eu chame os meus seguranças para
te tirarem daqui?

 Ela ficou em silêncio me encarando por um tempo, até que bufou cedendo
ao meu pedido. Ela saiu do meu escritório pisando forte e bateu a porta
com tudo. Por que toda garota que me aparece é temperamental desse jeito?


Peguei o rádio do chefe da segurança da minha casa na gaveta da minha
mesa e o liguei.

 - Bruce? - chamei.

 - Sim, chefe? - ele respondeu alguns segundos depois.

 - Preciso que você venha até o meu escritório.

 - Ok. Chego aí num segundo.

 Desliguei o rádio e o guardei de volta na gaveta, relaxando na cadeira.
Não deram nem dois minutos e Bruce apareceu no meu escritório. Não era a
toa que Bruce era o chefe de segurança do meu pessoal, o cara era um
verdadeiro armário, ele dava dois de mim (e digamos que eu não era lá
muito pequeno) e tinha quase dois metros de altura. Bruce fechou a porta
atrás dele e veio até a minha mesa. Apontei para que ele se sentasse na
cadeira a minha frente e ele assim o fez.

 - Por que me chamou, chefe? Algum dos homens fez algo de errado ou algo
do tipo?

 - Não, não foi por isso que eu te chamei, Bruce - fiz uma pausa me
ajeitando na cadeira e me escorando na mesa com os cotovelos - Se lembra
do segurança, Arthur Aguiar, que eu mandei que vocês seguissem? - ele
assentiu - Então, eu estou querendo dar uma lição nesse babaca já tem um
tempo e eu vou precisar que vocês me ajudem com isso.

 - O que quer que façamos? - ele perguntou num tom animado.

 Esqueci de dizer, Bruce era meio que bastante fissurado em violência.
Os olhos dos cara chegaram a brilhar quando eu disse a palavra "lição". 

 - Eu quero que vocês dêem uma surra nele, mas não uma surra qualquer.
Não quero pena, eu quero uma surra da qual ele vai se lembrar pelo resto
da vida e se lembre de se manter afastado da minha mulher.

 - E quando podemos fazer isso?
 Olhei meu relógio verificando as horas. 17:30.

 - Vocês ainda estão o seguindo, não estão?

 - Sim, como o senhor mandou.

 - Ótimo. Esperem escurecer e ele sair de casa, não importa para onde
ele esteja indo, contanto que esteja sozinho.

 Bruce assentiu se levantando e antes que ele saísse o chamei.

 - Não se esqueça das minhas recomendações.

 Ele assentiu mais uma vez e se retirou do escritório. Estendi minhas
pernas as colocando em cima da mesa e sorri de escárnio. Aquele
playboyzinho iria pagar caro por se meter aonde não deveria.

Arthur P.O.V.

 Desanimado.

 Era assim que eu me sentia. Sem vontade de fazer nada. Sem vontade de
sair da cama. Sem vontade de sair de casa. Sem vontade de comer. Sem
vontade de fazer qualquer coisa que não tivesse Lua Blanco no meio. 

 Ela não retornava as minhas chamadas, não respondia as minhas mensagens
e tinha dado ordens expressas para não me deixarem nem me aproximar da
casa.

 Eu me encontrava deitado no sofá de casa, assistindo um canal de TV
aleatório. Durante os últimos dias eu tinha passado 90% do tempo ali
tentando pensar em algo para conseguir Lua de volta.

 - Filho?

 Minha mãe apareceu com uma bandeja com comida e se sentou na beirada do
sofá em que eu estava deitado. Ela estava se sentindo culpada pelo meu
término com Lua, e ela relativamente era, mas eu entendia o lado
dela, ela era a minha mãe e só queria me proteger.

 - Come um pouquinho, meu amor - ela disse passando a mão pela minha
bochecha com ternura.

 - Eu já disse que estou sem fome, mas. E além do mais, já comi uma maçã
hoje cedo e já está ótimo.

 Me arrumei no sofá tentando ficar confortável. Minha mãe soltou um
suspiro longo e se sentou mais encostada no sofá, me puxando para o seu
colo e eu deitei minha cabeça em suas pernas. Ficamos daquele jeito por
um bom tempo, em silêncio, apenas com o barulho da TV e ela mexendo em
meu cabelo.

 - Mãe.

 - Hm?

 - A senhora acha... - fiz uma pausa - A senhora acha que a Lua vai
voltar atrás com tudo isso?

 - Eu não sei, filho. Vocês dois se gostam tanto, eu não deveria ter
dito aquelas coisas, mas agora já foi. Me desculpe, ok?

 - Está tudo bem. Eu te entendo. Eu só não queria ter perdido ela.

 - Vai dar tudo certo, você vai ver - ela me abraçou e beijou minha
cabeça - Agora, que tal dar uma saidinha para a mamãe?

 - O que você quer, dona Katia? - perguntei risonho.

 - Vai buscar ovos no mercado para mim? Eu vou precisar deles para
amanhã cedo.

 Soltei o ar afundando meu rosto no colo dela. Me obriguei a me levantar
e minha mãe bateu palmas comemorando.

 - Você vai em qual mercado?

 - No que é aqui perto de casa, não vou muito longe.

Ela assentiu e foi para a cozinha e eu me levantei indo até o meu
quarto. Vesti meus tênis, peguei minhas chaves e meu celular e fui para
a garagem e entrei no meu carro o ligando e tomando rumo ao mercado.
Dirigi despreocupado até o mercado mais próximo e deixei o carro em uma
vaga qualquer em uma parte vazia do estacionamento do mercado. Desci do
carro e o travei guardando a chave no bolso. Quando estava na metade do
caminho me lembrei que havia deixado minha carteira no carro. Dei meia
volta e destravei o carro. Procurei um pouco e a encontrei no consórcio
do carro. Assim que fechei o carro de novo e me virei meu corpo foi
jogado no chão. Meu nariz havia sido atingindo.

 Tentei levantar meu corpo, mas recebi um chute nas costelas que me
fizeram levar a mão sobre elas com a dor aguda que surgiu. Tentei
enxergar alguma coisa, mas minha visão estava turva. Meu corpo foi
levantado por alguém por trás e logo que eu estava de pé recebi outro
soco, dessa vez na boca. Eu mal podia reagir, eu havia sido pego de
surpresa. Eu só sabia que era mais de uma pessoa, alguém que estava me
segurando e alguém me golpeando. Recebi vários socos seguidos no meu
abdômen, me fazendo envergar para frente, mas meu rosto subiu novamente
quando recebi uma joelhada no nariz. A pessoa que estava por trás me
levantou me deixando reto e eu recebi mais socos no maxilar. Levei uma
joelhada na barriga dessa vez e meu corpo pendeu para frente e eu cai no
chão,  já que o cara que me segurava não conseguiu me segurar depois do
impacto.

 Tossi e sangue espirrou no chão a minha frente. Meu corpo estava
dolorido em todas as partes. Tentei novamente me levantar, mas a lateral
do meu corpo foi chutada e eu me virei ficando de barriga para cima
pressionando a região para tentar amenizar a dor, mas não tive tempo nem
para respirar. Literalmente. Um dos caras colocou o pé na minha garganta
e riu.

 - Lembranças do Jake, garoto.

 Depois disso, tudo apagou e a última coisa que senti foi outro soco no
rosto.



Lua P.O.V

 Beca era uma garota bem divertida e eu não poderia reclamar de sua
companhia, ela tentava me distrair de todas as formas possíveis. Desde o
dia que nós havíamos nos conhecido na livraria tínhamos conversado
bastante. Ela me mandava mensagens sempre é uma vez ou outra nós nos
encontrávamos quando eu não estava resolvendo alguma coisa dos meus
negócios. Agora eu e ela estávamos sentadas conversando e rindo em um
restaurante durante o jantar e já estava ficando tarde.

 - Cara, me diz que você não fez isso - falei rindo e me seguramos para
não cuspir o suco que eu havia acabado de beber.

 - Eu fiz! O babaca tentou me agarrar, não pensei duas vezes em meter um
tapa no meio da cara dele e depois virar minha garrafa de água na cara
dele - ela se defendeu rindo.

 Dei outra garfada na minha comida ainda rindo e ela deu um gole no meu
suco. Meu celular começou a vibrar no meu bolso e eu o puxei. Franzi o
cenho estranhando quando vi o nome "Katia" na tela. Deslizei o dedo
pela tela colocando o telefone no ouvido.

 - Alô? - falei engolindo a comida.

 - Lua! Pelo amor de Deus, Lua me ajuda!

 - O que aconteceu, Katia? - perguntei começando a ficar desesperada.

 - O Arthur... - ela fez uma pausa segurando um soluço.

 - O que tem o Arthur? - perguntei me levantando e pegando minha
bolsa - Pelo amor de Deus me fala o que aconteceu!

 Rebeca me olhou com uma cara de confusão e eu fiz um sinal dizendo que
teria que sair. Tirei o dinheiro da carteira e joguei em cima da mesa.

 - Ele... Ele... Por favor vem aqui no mercado perto da minha casa,
rápido. Eu te explico quando você chega aqui.

 - Já estou chegando.

 Comecei a andar depressa para fora do restaurante e percebi que Rebeca
estava atrás de mim.

 - Eu preciso resolver uma coisa, Beca. Você não precisa vir comigo... É
complicado - falei destravando o carro.

 - É o Arthur, não é? Ah, mas eu vou junto sim. Você não vai encontrar
ele sozinho.

 Eu não estava disposta a discussão, precisava sair dali o mais rápido
possível. Entrei no carro e ela entrou junto e eu arranquei com o carro.
Eu dirigi tão rápido e tive sorte de conhecer um caminho rápido e sem
semáforos alguns. Cheguei no bairro de Arthur e logo achei o mercado que
Katia havia indicado. Derrapei o carro o estacionando de qualquer jeito
e desci do carro tropeçando. Procurei ao redor e vi o carro de Arthur
parado um pouco a frente. Corri até ele e dei a volta indo para o lado
do motorista e eu quis gritar. Katia estava sentada no chão segurando a
cabeça de Arthur em seu colo e passando a mão delicadamente por seu
rosto. Ou melhor, o que havia sobrado do seu rosto. Me aproximei me
abaixando e toquei seu rosto com cuidado.


- O que aconteceu? Katia, o que aconteceu com ele? - perguntei sentindo
as lágrimas brotarem no canto dos meus olhos. 


- Eu não sei. Eu pedi para ele vir ao mercado para mim, mas ele começou
a demorar e não atendia o celular. Eu achei estranho e vim procurá-lo é
quando cheguei aqui ele estava desse jeito. Eu só consegui pensar em
chamar você, por favor me ajuda - ela disse com a voz embargada.

 - Claro que eu vou te ajudar! - olhei para o lado e vi Rebeca parada ao
meu lado chocada - Beca, me ajuda aqui por favor.

 Ela assentiu e veio para perto de mim. Passei o braço de Arthur ao
redor do meu pescoço e Rebeca pegou o outro. Contei até três e nós o
levantamos do chão. Katia se levantou e ajudou abrindo a porta do carro
de Arthur. Entrei primeiro e Beça me ajudou a colocar Arthur para
dentro. Coloquei a cabeça dele no meu colo e ela fechou a porta. Katia
se sentou no lugar do motorista e Beca se sentou ao lado dela no lugar
do passageiro.

 Katia dirigiu até sua casa que era o local mais perto que tinha e eu
puxei meu celular mandando uma mensagem para o Dr. Donavan e passando o
endereço da casa de Katia. Passei o caminho todo segurando Arthur com
cuidado e tentei controlar minhas lágrimas, mas estava complicado, ele
estava tão machucado. Quando o carro parou em frente a casa de Arthur eu
me ajeitei no banco. Beca abriu a porta me ajudando a tirar Arthur de
dentro do carro e Katia correu abrir a porta da casa. Carregamos Arthur
para dentro e o deitamos no sofá da sala, que por sorte era bem grande.

 - Katia, pegue um kit de primeiros socorros, um pano limpo e uma bacia
de água. Preciso limpar o rosto doArthur enquanto o Dr. Donavan não chega.

 - Certo. Seu nome? - ela perguntou se virando para Beca.

 - Rebeca.

 - Me ajude por favor a pegar as coisas.

 - Claro!

 As duas foram buscar as coisas e eu fiquei com Arthur. Ele ainda estava
desacordado, mas estava vivo e isso era o mais importante. Logo Katia
voltou com Beca para sala trazendo as coisas e colocaram perto de mim.

 Molhei o pano na água e passei devagar pelo rosto de Arthur.
Involuntariamente seu rosto de retraiu e eu fui com mais cuidado. Tirei
todo aquele sangue do rosto dele e finalmente pude voltar a ver o seu
rosto. Ele estava cheio de hematomas e com a boca toda cortada. Abri a
boca dele com cuidado e agradeci a Deus por ele não ter quebrado nenhum
dente. Peguei uma pomada e passei por cima dos cortes, ele estava com um
corte relativamente grande no supercílio e provavelmente o Dr. Donavan
teria que dar alguns pontos ali. Sua camiseta estava rasgada e eu pude
ver hematomas pelo seu tronco todo. Mordi minha boca com dor no coração
por ver ele naquele estado.

 A campainha soou e Katia foi até a porta para abri-la. Dr. Donavan
estava parado com o habitual sorriso simpático no rosto e Katia deu
espaço para que ele entrasse e fechou a porta em seguida. Ele andou até
o sofá e colocou sua maleta na mesa, parando para analisar o estado de Arthur.

 (...)

 - Pelo que pude ver ele não tem nenhum osso quebrado, só tem uma
fratura na costela, mas com esse enfaixamento que fiz no tronco dele,
dou 90% de chance que irá resolver e ele ficará bem com repouso. Compre
os analgésicos que eu receitei e passe as pomadas nos machucados para
que cicatrizem. Vou deixar meu telefone para que me liguem se precisarem
e eu volto para tirar o ponto do supercílio dele. Arthur teve um choque
traumático forte por conta de terem batido bem forte dele e o cérebro
dele entrou no estágio para se manter desligado, uma forma de tentar
amenizar a dor, então não se preocupem por ele estar desacordado - Dr.
Donavan disse se direcionado para mim e Katia e nós assentimos.

Katia acompanhou ele até a saída e ele se despediu acenando para mim
de longe. Voltei minha atenção novamente para Arthur e ele se movimentou
pela primeira vez desde que havíamos nos encontrado. Ele se virou
tentando ficar mais confortável. Katia voltou até a sala e me viu
olhando fixamente para Arthur e percebeu o clima.


- Rebeca - Pattie chamou e Beca a olhou - Vamos comigo na cozinha fazer
um café e preparar um lanche?

 Beca me olhou, percebeu o clima também e assentiu sorrindo e seguindo
Katia até a cozinha. Fiquei sozinha com Arthur na sala. Toquei seu
rosto com cuidado e subi meus dedos para o seu cabelo, fazendo carinho
na região. Arthur pareceu relaxar a expressão fechada que antes estava
em seu rosto e aos poucos ele começou a abrir os olhos. Ele gemeu de dor
e quando fui tirar minha mão di seu rosto ele a segurou a mantendo ali.

 - Lu? - ele disse quase como um suspiro - É você mesma? Você está aqui
- ele sorriu fraco.

 - Sim, eu estou aqui. Eu estou aqui com você - falei sorrindo de volta
em meio a lágrimas.

 Meu coração relaxou e toda a tensão do meu corpo sumiu quando eu vi ele
sorrindo. Aquele sorriso teria poder para acabar com todas as guerras do
mundo e eu sabia disso. Ele estendeu a mão tocando o meu rosto. Arthur
contornou meus lábios com o dedo e tirou uma mecha de cabelo que caía no
meu rosto. Eu estava sentada na beirada do sofá. Ele se encostou no sofá
ficando um pouco mais ereto e né puxou para perto, envolvendo meu corpo
com os braços e fazendo com que eu deitasse minha cabeça em seu peito.

 - Quem fez isso com você? - perguntei sem olhá-lo.

 - Eu não consegui ver bem, os caras me pegaram de surpresa, eu estava
um pouco aéreo na hora. Só me lembro de antes de apagar um cara dizendo
que eles tinham ido a mando do Jake.

 - Como é? - levantei o rosto chocada.

 - É, foi aquele filho da puta. Mas isso não vai ficar assim, ele vai se
ver comigo. Nem homem o suficiente ele foi para me enfrentar, mandou
aqueles capangas de merda dele. Quero ver quando nos encontrarmos, cara
a cara. Vamos ver se ele é macho o suficiente.

 - Não faz nada, eu vou resolver isso.

 - Ei, não vamos falar disso agora. É irrelevante - ele disse e me puxou
novamente para deitar a cabeça em seu peito.

 Ficamos em silêncio por minutos seguidos, apenas aproveitado o calor do
corpo um do outro.

 - Eu só conseguia pensar em você enquanto me surravam - ele disse com o
som abafado com a boca no meu cabelo.

 - Eu fiquei tão preocupada - falei levantando minha cabeça e
encontrando seus olhos me encarando.


Arthur alternava o olhar entre a minha boca e os meus olhos. A distância
entre nossas bocas era mínima, eu mal conseguia raciocinar, eu só queria
acabar com aquele espaço que separava meus lábios dos dele, eu precisava
sentir ele e ele parecia estar pensando o mesmo. Ele segurou minha nuca
e tentou quebrar a distância, mas o pouco de sanidade que ainda me
restava me fez acordar e eu coloquei a mão em sua boca antes que ele me
beijasse.

 - Eu não posso fazer isso. Me desculpa - falei abaixando minha cabeça.

 Ele beijou minha testa e puxou meu rosto para cima de leve.

 - Claro que pode. Pare com isso, Lu. Volta pra mim, por favor - ele me
encarava com aqueles olhos amendoados suplicantes.

 - Eu não posso. Não posso - suspirei e segurei seu rosto - Está vendo
todos esses machucados? Eles são minha culpa. Jake não teria feito isso
se não fosse por minha causa.

 - Esses machucadas são consequência da falta de coragem de um babaca, e
se eu apanhei por sua causa, quer saber? Valeu a pena. Você está aqui
comigo e eu não poderia estar mais feliz.

 Engoli o seco e dei um beijo em sua bochecha.

 - Se cuida - sussurrei em seu ouvido e me levantei.

 Ele tentou me segurar, mas eu neguei com a cabeça. Quando me virei
Katia e Beca voltavam da cozinha com xícaras nas mãos.

 - Vamos indo, Beca? - perguntei querendo sair logo dali antes que toda
a sanidade que eu ainda tinha voasse pelos ares e eu voltasse e pulasse
no colo de Arthur, voltando para os seus braços.

 Ela percebeu minha expressão e assentiu.  - Adorei te conhecer, Katia
- ela disse sorrindo e abraçou a mãe de Arthur.

 - Eu também, querida! Volte sempre que quiser para me ver! Digo o mesmo
a você, Lua - Katia disse sorrindo e eu sorri de volta.

 - Tchau, Arthur! Melhoras! - Beca acenou para ele e ele deu um sorriso
triste para ela.

 Me virei para ele e internamente a vontade de chorar só crescia. 

 - Tchau, Arthur - falei e acenei para ele e ele acenou ainda triste.

Katia nos acompanhou até a porta e antes que eu me dirigisse para o
carro ela segurou o meu braço me fazendo a encarar.

 - Eu queria agradecer você, Lua e... - ela fez uma pausa - Eu
queria me desculpar com você, por tudo o que eu disse. Você não merecia
ouvir tudo aquilo e eu não tinha o direito de afastar você e o meu
filho. Ele está acabado desde que vocês terminaram, por favor volte
atrás na sua decisão. Ele precisa de você.

 - Katia, você me fez enxergar coisas que eu me negava a ver. Eu não
vou voltar com o seu filho, ele merece alguém melhor. Cuide dele, ok?

 Não deixei ela terminar, sorri para ela e me virei indo para o carro e
sendo seguida por Beca. Entrei no carro e saí dali o mais rápido que pude.

 - Você tem certeza disso? - Beca perguntou depois de um tempo que
estávamos no carro.

 - Certeza de que? - perguntei sem desviar o olhar da rua.

 - Não se finja de boba, Lu. Eu vi como vocês dois se olham e sei que
você está doida para voltar com o Arthur. Ele parece um cara incrível e
olha que eu conheci ele hoje.

 - Eu já te disse o motivo de não estar mais com ele, você sabe bem.

 - Lua,não vem com essa. Você merece sim ser amada. Não é porque o
seu trabalho não é o mais correto do mundo que você não pode ficar com ele.

 - Você viu como ele estava? Aquilo foi culpa minha! Meu ex-namorado
maluco fez aquilo. Perto de mim ele só vai se machucar cada vez mais.

 - Mas Lua... - a interrompi.

 - Eu já tomei a minha decisão, Beca.

 Ela suspirou e se calou. Eu queria Arthur de volta, mas eu não podia
fazer isso. Eu não podia.

Notas Finais
Eu falei que não ia demorar, cumpri! :D
Calma, a Lua tá passando por uma fase difícil, tentem entender ela, logo ela abrirá o olhos ;)

5 comentários:

  1. Tomara que essa fase passe rápido, não aguento mais esse sofrimento ;( amandooo a web :D. São quantos capítulos amore?

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  2. Lindo.Posta mais para compensar.

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  3. Posta Mais ♥

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  4. Nao vejo a hora

    ResponderExcluir

Não vai sair sem comentar, né?! xD

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