31 de mai de 2015

Dangerous Woman - Capitulo 25




Lua P.O.V.


A manhã havia passado rastejando. Eu não consegui comer ou beber
qualquer coisa. Eu não sentia come alguma para isso de qualquer forma.


Arthur não estava facilitando as coisas para mim fazendo o que fez, mas
eu não podia voltar para ele. Eu não podia estragar sua vida. Até mesmo
passou pela minha cabeça que eu poderia ser parcialmente culpada por

Jake ter se tornado o que era. Eu tinha culpa naquilo também.

Ele tinha passado por todos os meus seguranças de alguma forma só para
conseguir falar comigo. Eu amava aquele homem mais do que tudo, ele
havia tomado conta de mim como ninguém nunca tomou desde a morte dos
meus pais. Nem Jake havia conseguido eu me sentir tão segura como ele
conseguia. Eu tinha aquela imagem de forte para todos, mas no fundo
aquela adolescente assustada com a perda dos pais e que fugiu do
orfanato tendo que aprender a se virar nas ruas sozinha ainda estava
ali, bem escondida, mas dentro de mim.

 Eu havia feito muita coisa errada para chegar aonde eu cheguei. Eu
fazia bicos em comércios para conseguir comprar comida e dormir em
bancos era algo normal até eu conhecer o Max. Max me ajudou, ele me
apresentou o mundo dos racha e consequentemente o mundo das drogas, mas
eu não fui burra a ponto de começar a usá-las, eu fiz coisa melhor, eu
me meti nos negócios. Max no começo me cedeu um apartamento minúsculo
que ele tinha e esse era um dos motivos de eu ser grata a ele até os
dias de hoje. Eu sempre soube que o tráfico não era algo certo, mas o
que eu poderia fazer? Eu não tinha grana para poder pagar minha tão
sonhada faculdade de direito, eu não tinha nada e nem ninguém. A maioria
dos meus parentes viviam nos Estados Unidos e ninguém pareceu muito
animado em cuidar de uma adolescente de 17 anos, que aos olhos de todos
certamente seria só mais um problema em suas vidas. As coisas mais
importantes que eu tinha na mochila que eu levava sempre comigo eram
alguns dos meus livros. Livros sempre conseguiram me fazer viajar e
esquecer do tumulto que minha vida se tornou, eles me ajudavam q ter
ideias e conseguir progredir cada vez mais nos negócios. A única época
em que eu passei a não ler mais tanto foi quando Arthur entrou em minha
vida, digamos que ele passou a não deixá-la mais tão "cinzenta".


Era isso! Levantei da cama e enfiei uma calça jeans em minhas pernas,
vesti uma blusa regata e coloquei um moletom de zíper por cima. Vesti
meus tênis, coloquei uma touca na cabeça já que o tempo havia dado uma
esfriada, nada de mais, mas Toronto era Toronto. Fui até o canto do meu
closet e abri a última gaveta que tinha ali, encontrando minha velha
companheira. Minha mochila que eu carregava para todos os lados levando
minhas pequenas coisas quando fugi do orfanato que o governo havia me
enfiado. Não era nada de maravilhoso, era uma bolsa de couro marrom de
tamanho médio e que eu a colocava lateralmente em meu corpo. A peguei,
coloquei meu celular, minha carteira e minha arma ali dentro, eu não
poderia sair desarmada. Quando eu andava sozinha eu carregava uma faca
que era a única coisa que eu tinha.


A época em que eu comecei a fazer isso eu perdi totalmente o contato com
Mel, ela era a minha irmã e até ofereceu para que eu ficasse em
sua casa, que eu fosse morar com ela, mas eu não queria encomendar, eu
iria me sentir uma intrusa, por isso preferi fugir e sumir. Nós voltamos
a nos encontrar quando eu já estava com os negócios nas alturas e eu já
conseguia me manter sozinha. Mel ficou chocada no princípio quando eu
contei tudo o que havia acontecido, mas ela era minha melhor amiga, ela
não me deixou, mas eu sabia que ela não achava o que eu fazia a coisa
mais correta do universo, mas ela entendeu. 


Arthur também entendia, mas era diferente. Eu me sentia egoísta o
suficientemente pelo simples fato de não querer perder Mel para sempre,
mas ela não era tão envolvida comigo como Arthur era, ela tinha uma vida
com sua família e consequentemente eu não interferia nela. Eu não podia
fazer isso com Arthur, ele não merecia.


Chacoalhei minha cabeça tentando ficar com a mente limpa. Eu sabia que
só havia um jeito de eu conseguir isso. Sai do meu quarto e desci pelas
escadas da lavanderia, saindo direto no jardim. Eu precisaria sair pelo
portãozinho do fundo que dava acesso ao terreno vizinho. Por sorte,
apenas eu, Kenny e Joe tínhamos a chave daquele portão, então eu
conseguiria sair. Fui me esgueirando por trás das árvores do jardim de
casa tentando não ser vista por nenhum de meus seguranças, eu não queria
perguntas ou qualquer pessoa seguindo meu rastro. Eu precisava de um
pouco de paz. Cheguei no portão e o abri com cuidado. Ele rangeu pouco
alto. Merda. Pude perceber alguns dos seguranças olhando em direção ao
portão e respirei fundo. Sai rápido o fechando e o trancando novamente.
Apertei meus passos e sai andando rápido.

Cada passo que eu dava meu coração batia forte. Andei com pressa e assim
que virei a esquina consegui respirar melhor. Fechei meu moletom até
mais ou menos o meio do peito e coloquei o capuz dele, andando com as
mãos nos bolsos. Algumas quadras depois eu cheguei em uma loja de
conveniência que tinha por ali e parei mais a frente no ponto de táxi.
Fiquei uns bons 15 minutos esperando algum táxi aparecer, até que um
apontou na esquina e eu estendi meu braço o chamando. Logo ele
estacionou na minha frente e eu entrei, relaxando meu corpo no estofado
do banco de trás.

 - Para onde, senhorita? - o senhor que dirigia o táxi me perguntou
simpático.

 - Eu quero que você me leve até o Kingston, por favor.

 - Para já.


Ele deu partida no carro e saiu, deixando o ponto de táxi para trás.
Kingston era o meu antigo bairro, da época em que eu ainda vivia com os
meus pais. Era um bairro bem familiar e não era a toa que ele se
localizava longe de onde eu vivia agora, minha mansão ficava
praticamente fora da cidade e eu raramente voltava ao Kingston. Bem, só
quando eu queria fazer o que estava indo fazer naquele momento, aquelas
eram exceções.

 - Então... - O que está indo fazer no Kingston, criança?

 - Ah, faz tempo que eu não vou lá, era meu antigo bairro. Da época de
quando eu era criança, sabe?

 - Entendi. Algum motivo especial para ir lá justamente hoje?

 - Ah, não é nada de mais. Só vou dar um passeio por lá e ver como as
coisas estão - falei olhando a cidade passar pela janela.

 - Entendo - ele percebeu que eu não estava muito afim de conversa e se
calou.


O taxista era simpático, o problema era que eu só queria ficar quietinha
na minha, sem conversar muito com ninguém. Passaram-se alguns minutos,
eu estava distraída olhando a cidade quando senti o carro parar.


- Aqui estamos, senhorita. Você não me disse exatamente aonde queria
ficar, então decidi deixar você aqui na praça principal do bairro mesmo
- o taxista disse me chamando.

 Assenti sorrindo, paguei a corrida e desci do táxi. Parei ali mesmo na
calçada e olhei em volta. Aquele bairro me trazia tantas memórias.
Resolvi dar uma volta por aquela praça primeiro um pouco. Quando eu fugi
do orfanato, aquele havia sido o primeiro lugar para onde eu tinha
fugido. Eu dormi por ali durante uns dois dias e depois achei melhor ir
para outro lugar, o pessoal do juizado deveria estar atrás de mim e
provavelmente logo me procurariam no meu antigo bairro, isso era óbvio e
eu não era burra. Andei pelos ladrilhos de pedra que revestiam o chão da
praça até chegar ao banco que se encontrava em baixo de uma grande
árvore que tinha por ali. Me sentei nele e olhei para o encosto na ponta
esquerda do banco. Ainda estava ali. Passei o dedo por cima de um "L"
talhado no concreto do banco, eu havia feito aquilo com a minha faca.
Sorri por não terem a tirado dali de alguma forma.
 Soltei a respiração de forma pesada e me levantei dali. Caminhei pelas
calçadas do Kingston e quando eu estava passando por uma antiga doceira
que tinha ali eu ouvi alguém chamar meu nome.

 - Lua!

 Me virei encontrando o sr. Brown vindo ao meu encontro com os braços
abertos e sorrindo. Eu sorri de volta e abri meus braços o abraçando de
volta. O sr. Brown era meu puxa saco e puxa saco do meu irmão quando
éramos mais novos, ele sempre acabava nos dando algum doce de graça.

 - Sr. Brown! Que saudades!

- Sim, Lua! Você simplesmente sumiu aqui do Kingston. Senti sua
falta, menina. Suas risadas pelo bairro fazem falta - ele disse sorrindo
para mim.

 - Que exagero, sr. Brown - falei rindo - Mas sim, eu ando sumida. Me
desculpe. E como está Carrie? - me referia a sua esposa.

 - Oh, ela está com os nossos netos já que minha filha viajou. Estão
cada vez maiores, você precisava vê-los.

 - Eu lembro quando eles eram bebês, uns anjinhos.


- Mas me diga, princesa, o que te trouxe aqui? - ele sempre me chamou
assim.

 - Eu precisava esfriar a cabeça, me acalmar um pouco.

 - Ainda bem que decidiu vir para cá!

 Nós conversamos por mais alguns minutos e me despedi do sr. Brown com
um abraço, mas não ante de ele me dar uma sacola com um de seus famosos
muffins de chocolate que ele insistiu em me dar de presente. Segui meu
caminho até chegar aonde eu queria.

 "Livraria Kings"

 Ah, meu precioso refúgio. Subi os poucos degraus que tinham ali e
adentrei na biblioteca. Meus olhos brilharam quando olhei ao redor. Eu
lembrava todos os detalhes daquele lugar, era tão grande. Tinham os
livros para serem escolhidos e comprados e espaços para leitura. Quando
mais nova, mensalmente eu dava um certo prejuízo para os meus pais, mas
como papai sempre me incentivava a ler, ele deixava paga uma cota fixa
mensal para que eu sempre pudesse pegar os livros que eu quisesse.


Comecei a andar entre as prateleiras tentamos encontrar algum livro que
me chamasse a atenção. Peguei alguns e fui fazendo um monte de livros em
minhas mãos. Quando me dei mais ou menos por satisfeita com o que tinha
comigo, fui até o último corredor e caminhei até  o fim dele. Tirei
minha bolsa a colocando no chão e me sentei ao lado dela. Aquele sempre
havia sido o meu cantinho. Comecei a folhear um dos livros que eu havia
escolhido e me perdi no meu mundinho particular. Eu lia cada palavra com
muita atenção e consegui finalmente me manter calma. Do nada "Fancy" da
Iggy começou a tocar alto e eu dei um pulo lembrando que aquilo era o
toque do meu celular. Ta, vamos concordar, eu admito que meu toque era
um pouco escandaloso demais. Abri a bolsa correndo e atendi o celular
sem nem olhar no visor quem era, eu só precisava parar aquela música.

 - Lua? - aquela voz rouca me chamando fez meus pelos ouriçarem.

Arthur. Merda, eu deveria ter lido o nome no visor.

 - Meu amor... - ele suspirou - Por favor, fala comigo, princesa.


Mordi meu lábio inferior com força segurando um soluço. As lágrimas
estavam querendo começar a cair.

 - Lu... Eu te amo, eu te amo demais. Eu...

 Não deixei ele terminar e desliguei o celular. Fechei o livro que
estava em meu colo o colando de lado e conto meu rosto com as mais
tentando abafar os meus soluços.

 - Hm, acho que você deveria pagar os livros primeiro antes de chorar em
cima deles. Eu sei que romances podem ser pesados as vezes, mas seja
forte, garota!


Olhei para cima e vi uma garota de cabelos negros e uma pele morena me
encarando divertida com um sorriso no rosto. Ela olhou mais atentamente
para mim e percebeu que minhas lágrimas eram pouco prováveis de serem
causadas por uma história de algum livro. Ela franziu a testa e se
aproximou de mim se agachando em minha frente. A garota se sentou ao meu
lado e me olhou com cuidado.

 - Ei, você está bem? O que aconteceu com você? - ela parecia realmente
preocupada.

 - Não é nada demais. Minha vida só está uma merda, só isso - falei essa
última frase quase como um sussurro e funguei.

 - Venha aqui.


Ela sem aviso algum me puxou para os seus braços me apertando e afagando
meus cabelos. Eu não aguentei e comecei a chorar novamente. Eu precisava
daquilo, eu precisava ser consolada e incrivelmente, uma estranha
conseguiu me confortar de uma forma que eu jamais conseguiria imaginar.
Apenas ficar ali sem dizer nada, apenas podendo chorar sem julgamento
algum, já era o suficiente para mim. Levaram alguns minutos para o meu
choro cessar e eu conseguir me acalmar. Quando eu estava conseguindo
respirar melhor, eu me levantei limpando meu rosto e me encostando na
estante de livros.

 - Mais calma? - a garota perguntou.

 - Sim. Obrigada - sorri fraco para ela e a garota devolveu um sorriso
largo.


- Bem - ela olhou o relógio - meu turno acaba agora, que tal se fossemos
no café aqui perto e tomássemos um expresso para você melhorar um
pouquinho mais?


Aquilo não me parecia nada de absurdo, então apenas assenti. A estranha
fez um gesto com a cabeça indicando que eu a seguisse. Fomos até perto
de uma porta que estava com as escritas "Entrada permitida apenas para
funcionários. Ela entrou dizendo que levaria apenas um segundo e eu
aproveitei para pagar os livros que eu havia pego. Guardei-os em minha
bolsa e quando me virei quase trombei com a garota.

 - Vamos?


Assenti e ela saiu dali acenando para os outros funcionários que
sorriram de volta

 (...)

 Eu acabei por contar toda a minha história para a garota, eu precisava
desabafar, e ela me ouvia atentamente. Quando terminei ficando esperando
o batalhão de julgamentos e acusações mas ela apenas soltou um:

 - Você tem algum outro segurança que é gato?


- Como é que é? - eu perguntei rindo e ela me acompanhou.

 - É sério! Menina eu estou em uma seca, que olha, ta difícil.


Ri mais ainda. Ela era divertida e só estava tentando me distrair de
tudo. Pela primeira vez eu não me importei de contar para alguém sobre o
fato de ser traficante, e se ela me denunciasse também, não faria muita
diferença, minha vida já estava fodida de qualquer forma. Além de que, a
garota parecia diferente das outras pessoas, e eu apreciei isso. Ela
havia encontrado uma garota chorando feito uma idiota no fundo de uma
livraria e tinha a ajudado sem nem sequer fazer uma pergunta sobre o
assunto. Eu contei tudo a ela porque eu quis.


- A propósito, desculpe minha falta de educação - ela riu e me estendeu
a mão. Meu nome é Rebeca.

Notas Finais

 MEUS AMORES,QUE SAUDADES!!! Porra. Sei que vocês querem me matar pela demora, mas MIL DESCULPAS! Eu JURO que não demoro mais desse jeito. Eu vou voltar a postar não diariamente, mas vou postar. Dangerous Woman ja tem seu caminho para o final, mas calma! Vai demorar um pouco :')
Coloquei meu nome na historia. Porque amor próprio é tudo :')

4 comentários:

  1. Amoooo essa web..... Perfeita será que rebeca vai ser uma nova amiga??!! Ansiosa pelo proximoo!!!

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  2. Beca posta mais logo essa sempre foi minha favorita

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  3. Amei Que Você Voltou Com a Web Rebeca ♥

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  4. Necessitooo de mais. E LuAr tem q voltar logo poxa. By Lela

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