21 de fev de 2015

Dangerous Woman - Capítulo 24








- Anne? - Katia disse surpresa ao abrir a porta e me encontrar ali
parada com um sorriso no rosto - O que faz aqui?

- Katia! Eu vim fazer uma surpresa para você e te visitar.
Percebi que ela estava arredia comigo. - Katia estava só com um lado do
corpo para fora da porta e não parecia disposta a abri-la e me deixar
entrar.

- Algum problema, Katia? - perguntei colocando uma mexa do meu cabelo
atrás da orelha.

- É... - ela fez uma pausa desviando o olhar do meu - Eu já sei sobre o
que você fez com a Lua, Anne.

Entreabri a boca. Merda! Eu havia me esquecido completamente sobre
Katia. Era óbvio que ela ficaria sabendo do que havia acontecido. Mas
isso poderia até me ajudar no meu plano, o real motivo de eu estar ali.
Eu poderia jogar Katia mais facilmente contra aquela vagabunda.

- Katia, me dê uma chance de me explicar.

- Tente - ela disse cruzando os braços e me encarando.

- Você sabe no que a Lua trabalha?

- Na verdade, eu nunca parei para pensar nisso - ela franziu o cenho -
Por que?

- Katia, a Lua é traficante. Ela é a famosa "Blanco" - falei de
uma vez e Katia arregalou os olhos - Eu descobri e queria proteger o
Arthur, afastá-lo dela. No dia em que ela caiu da escada, eu fui lá para
mandar ela sair de perto de Arthur, demiti-lo, qualquer coisa. Nós
discutimos, ela partiu para cima de mim e como reflexo eu acabei a
empurrando, estávamos muito próximas a escada, Lua tropeçou e acabou
rolando escada abaixo.

- Mas por que você não a ajudou? O Arthur disse que a encontrou sozinha
e jogada, sem ajuda de ninguém.

- Os seguranças delas viriam atrás de mim se me vissem, eu precisava fugir.

- Anne, isso ainda não é uma justificativa plausível.

- Bom, Katia, eu já fiz o meu papel te avisando sobre aquela marginal.
Vou indo embora. Até mais - acenei para ela, a deixando com uma cara de
pensativa e um pouco chocada.


Arthur P.O.V.


Eram por volta de quatro da tarde, eu estava encostado no sofá separando
malotes de dinheiro para Lua, enquanto ela fazia algumas ligações.
Mais cedo ela havia insistido para ir cuidar pessoalmente de alguns
acordos e eu a levei, mesmo com o ombro machucado. Marrenta.

- Hora de trocar o curativo, Lu.. - falei olhando meu relógio.

Me levantei deixado os malotes de lado na mesinha em frente ao sofá, fui
até o armário da parede perto da porta, peguei o kit de primeiros
socorros e fui até a mesa de Lua.

- Vai doer - ela resmungou tirando o cabelo de cima do ombro e o
colocando do outro lado.

- Prometo tomar cuidado.

Tirei o curativo o jogando no lixo. Abri o kit, peguei o iodo e joguei
um pouco no algodão e passei em cima do ferimento. Lua torceu o
nariz e eu ri baixo. Passei a pomada cicatrizante que o dr. Donavan
tinha receitado, ela era gelada então supus que aquilo melhoraria a dor.
Terminei colocando outro curativo por cima do machucado, o deixando
protegido.

- Prontinho - falei e dei um beijo na cabeça de Lua, que abraçou
minha cintura.

Meu celular começou a tocar e eu o puxei, vendo que era minha mãe no visor.

- Fala, dona Katia - falei ao atender.

- Arthur, será que você e a Lua poderiam vir aqui para casa depois?
- sua voz estava séria.

Olhei para Lua silabando se poderíamos ir para casa mais tarde e ela
assentiu sorrindo.

- Claro, mãe. Mais tarde a gente aparece por aí para jantar, pode ser?

- Pode sim, filho.

- Mãe, a senhora está bem?

- Estou sim. Eu vou indo que tenho que ver como estão as crianças. Até
mais tarde.

- Até mais tarde.

Desliguei o celular e fiquei pensativo por um momento. Minha mãe estava
esquisita, não era o normal dela ser tão séria, algo havia acontecido e
não deveria ser nenhuma bobagem.

- Arthur? - Lua me chamou me tirando dos meus pensamentos - Está
tudo bem? Aconteceu algo com a sua mãe?

- Não. Bom, eu acho que não aconteceu nada. Só que... ela estava um
pouco estranha, não sei.

- Deve ser o cansaço, ela fica atrás das crianças o dia inteiro, amor.
Dá um desconto para ela, vai - Lua disse fazendo carinho com as
unhas nas minhas costas por baixo da camiseta.

- É, você deve ter razão - falei ainda pensativo e fiz carinho em seu
cabelo.

Guardei o kit de primeiros socorros de volta no armário e voltei a me
sentar no sofá para terminar de separar os malotes e Lua continuou
resolvendo suas coisas em sua mesa. Ficamos no escritório até mais ou
menos 18:30. Guardei o último malote no envelope e Lua fechou o
notebook. Ela se levantou vindo até mim e ficou nas pontas dos pés para
tocar meus lábios. Segurei sua cintura a fazendo chegar mais perto é a
beijei com calma.

- Vamos tomar um banho para irmos para a sua casa.

Assenti e saímos do escritório ido para o quarto de Lua.

(...)

Eu estava terminando de arrumar meu topete em frente ao espelho e
Lua estava terminando de amarrar seus tênis. Ela tinha colocado uma
jeans e uma camisa de botões branca com as manhãs dobradas até o cotovelo.

- Pronto? - ela perguntou me abraçando por trás e ficando na ponta dos
pés para apoiar o queixo no meu ombro.

- Sim, senhora.

Me virei e dei um selinho nela. A peguei pela mão e saímos do quarto,
descendo a escada. Peguei as chaves da Range e fomos até ela. O caminho
até a minha casa foi tranquilo, nem eu e nem Lua estávamos com
pressa, eu estava dirigindo com toda a calma do mundo.

- Arthur, pare no mercado. Vamos pegar algum doce para levar para a sua
casa. Uma sobremesa não faz mau a ninguém.

- Lá vem você e suas coisas de gordo - falei rindo.

Avistei um mercado logo a frente e levei a Range em direção ao
estacionamento do mercado. Estacionei e antes que eu pudesse falar para
Lua ficar no carro ela já tinha tirado o cinto de segurança e já
estava descendo do carro. Nada que me surpreendesse, teimosa. Desci do
carro também e o travei com o alarme e peguei a mão de Lua para
entrarmos no mercado. Ela foi indo na frente me guiando enquanto ia
pelos corredores do mercado a procura de algum doce. Lua chegou na
parte da padaria e soltou minha mão indo olhar os bolos que tinham por
ali prontos. Por fim, Lua acabou escolhendo um bolo branco com
recheio de doce de leite e nozes e uma caixa de cookies. Pagamos e
saímos dali, já estava quase na hora do jantar.
Deixei o carro na garagem de casa e desci, dando a volta e ajudando
Lua com as sobremesas.

- Mãe? - chamei entrando na sala e não vendo ninguém.

- Estou na cozinha! Chamem as crianças para jantar - ela gritou da cozinha.

Lua deixou as caixas em cima da mesa e nós dois fomos até o quarto
das crianças. Chegando lá, Mitch e Alex estavam deitados em suas camas
assistindo aquele desenho da porquinha Peppa, as duas nem sequer
piscavam. Lua pigarreou e Alex desviou o olhar por um segundo.

- Lu! - ela falou feliz e se levantou correndo vindo em direção a ela.

- E aí, meu amor? - ela disse o pegando no colo e o enchendo de beijos,
o que me fez revirar os olhos.

- Atiar! Lu! Vocês vieram mesmo! - Mitch veio correndo ao nosso
encontro e se chocou com minhas pernas as agarrando.

- Claro que viemos, princesa. Agora, vamos comer que eu estou morrendo
de fome. E é Aguiar não Atiar.

Coloquei Mitch sentada em cima do meu ombro e voltei para a sala de
jantar, sendo seguido por Lua que ainda brincava com Alex em seu
colo. Aquela espertinha nem se lembrava de mim quando Lua estava
junto. Chegando lá minha mãe já havia colocado tudo na mesa e estava
sentada, com uma expressão séria e ao mesmo tempo perdida em seu rosto.

- Mãe - chamei - A senhora está bem? No telefone eu já havia notado que
você estava estranha, o que aconteceu?

- Oi? Ah, não é nada filho. Podemos falar sobre isso depois do jantar?
Eu acho que é melhor.

- Se a senhora diz.

Coloquei as crianças sentadas e me senti junto a Lua, que já estava
se servindo.

- Deixa um pouco pra mim, gordinha - ri.

Ela nem me deu bola e começo há comer, ajudando Mitch que estava ao seu
lado.

- Está tudo muito gostoso, Katia- Lua disse sorrindo para minha mãe.

- Obrigada, querida - minha mãe disse gentil, mas era possível notar a
tensão em sua voz.

O resto do jantar foi silencioso e minha mãe continuava aérea. As
crianças se empanturraram de doces e logo já estavam começando a
reclamar de sono.

- Por favor, coloquem eles para dormir e depois voltem para cá. Nós
precisamos ter aquela conversa - minha mãe disse se levantando e
começando a recolher as coisas de cima da mesa.

- Tudo bem - falei.

Peguei Alex, que já estava roncando em sua cadeirinha e Lua pegou
Mitch em seus braços.
Fomos para o quarto das crianças, Lua colocou pijama nos dois e os
colocamos cada um em sua cama.

- Sua mãe está realmente esquisita - Lua disse se levantando da cama
de Mitch

- Eu te disse. A pior parte é que eu não faço a menor ideia do que possa
ser.

- Espero que não seja nada de mais - ela disse vindo me abraçar e eu a
envolvi.

- Vem, vamos lá encarar a fera vulgo dona Katia

Lua assentiu e saímos do quarto tentando fazer menos barulho
possível. Quando chegamos na sala, minha mãe estava sentada na poltrona
com as mãos juntas em cima do colo. Engoli o seco e puxei Lua pela
mão para que nos sentássemos no sofá. O silêncio da sala estava
agonizante, resolvi enfim dar início a tal conversa.

- Mãe - comecei - Estamos aqui, as crianças já estão na cama dormindo.
Pode dizer o que a senhora queria.

- Tudo bem - ela disse soltando as mãos uma da outra e batendo com cada
uma em uma perna - Eu vou ser bem direta quanto a esse assunto.

Olhei para Lua e nós dois assentimos esperando que minha mãe
dissesse algo.

- Por que nenhum de vocês pensou que seria relevante me contar que,
você, Lua, é o famoso Blanco, traficante de Toronto? Ou melhor, a
famosa. Hein? Lua? Arthur?

Lua P.O.V.

Eu não sabia quem se encontrava mais em estado de choque. Eu ou Arthur.
Eu tentava formular alguma frase, mas eu mal conseguia soltar sequer uma
palavra devido a surpresa.

Na verdade, eu nunca havia parado para pensar em como Katia poderia
reagir com o fato de eu ser uma traficante. Talvez meu cérebro tivesse
considerado que não era algo com o que se preocupar, já que Arthur havia
aceitado numa boa, mas eu deveria ter pensando que Katia e Arthur podem
ser mãe e filho, mas são pessoas relativamente diferentes em alguns pontos.

- Então? Alguém pode me fazer o favor de me dar uma explicação? -Katia
insistiu ainda olhando para mim e Justin.

- Eu... Eu... - eu gaguejava mais do que nunca.

- Mãe... Como a senhora descobriu sobre isso? - Arthur interrompeu.

- Como eu descobri? A Anne veio aqui me fazer uma visitinha e de bônus
me contou esse detalhe que vocês dois fizeram o favor de não mencionar.

- Aquela vagabunda - Arthur começou mais eu apertei seu braço fazendo
com que ele se calasse.

- Katia, me perdoe. Eu só... Eu só não queria que você ficasse como
está agora - falei com a garganta seca.

- Porque você sabe que o que faz é errado. Lua, essas coisas que
você vende destrói famílias, destrói vidas. Como pode vender isso? Ah
meu Deus - ela colocou as mãos na boca - O dinheiro do seu salário
Arthur! Meu Deus, o dinheiro que nós estamos usando é dinheiro sujo.

Aquilo fazia meu coração latejar. É claro que eu sabia que o que eu
fazia não era correto e que Katia estava certa no que dizia, mas alguém
me falar isso diretamente era para dar um peso ainda maior em minha
consciência.

- Arthur, eu quero que você arranje um outro emprego - ela me olhou de
soslaio - E eu gostaria muito que vocês dois se afastassem. Lua, não
me entenda mal, eu te adoro, mas eu só quero o melhor para o meu filho.

Aquelas palavras cortaram completamente o meu coração. Meus olhos
começaram a marejar. Eu não era boa para Arthur, Katia estava certa.
Ele merecia alguém muito melhor, ele merecia uma garota digna, como ele
era. Eu nunca havia parado para pensar nisso, meu estilo de vida só
colocava Justin em risco. Ele já havia tomado um tiro por minha causa e
se colocado em diversas situações de risco por minha causa. Não, ele não
merecia isso. Ele não merecia a minha vida. */Eu não merecia ele./*

- Eu vou mandar alguém vir acertar o dinheiro que falta para eu te
pagar. Está dispensado do seu cargo, Arthur. Me perdoe por qualquer
coisa que eu possa ter causado de ruim na vida de vocês,Katia. Eu...
Eu preciso sair daqui. Obrigada por tudo - falei me levantando e pegando
a chave do carro.

- Como é que é? Lua, você não está falando sério? - Arthur perguntou
incrédulo.

- Nunca falei tão sério como agora - o encarei segurando para que minhas
lágrimas não caíssem.

- Não... - ele falou baixo - Lu...

Eu virei as costas e andei rápido para sair dali. Pude ver Katia
segurando o braço de Arthur para que ele me seguisse e isso me deu tempo
de correr para o meu carro. Mas não tempo o suficiente. Quando eu liguei
o carro, Arthur apareceu na frente do meu carro.

- Lua, você não vai embora desse jeito. Se você sair daqui, vai ser
só comigo junto.

- Arthur, não torne as coisas mais difíceis - falei deixando um soluço
escapar.

- Lua, porra, eu te amo. Você não pode sair daqui desse jeito. Você
não pode me deixar - ele gritava suplicante do lado de fora do carro.

- Desculpe - silabei e dei ré com o carro.

Virei desviando dele, Arthur tentou entrar na minha frente outra vez,
mas eu fui rápida e consegui sair dali.

Eu podia ouvir ele gritar para que eu voltasse e realmente era isso o
que eu queria fazer, mas eu não podia. Eu dirigia enquanto soluçava
compulsivamente. Aquela dor era insuportável.

Parei o carro em uma rua qualquer. Comecei a socar o volante com ódio.
Ódio por ser quem eu era. Ódio por fazer o que eu fazia. Eu chorei tudo
o que eu tinha para chorar, gritei tudo o que eu tinha para gritar.
Quando eu consegui respirar da forma mais compassada que era possível
para o meu estado, liguei o carro e dirigi até casa. Eu chorava em
silêncio enquanto dirigia e alguns soluços ainda escapavam da minha
garganta.

Assim que cheguei com o carro em frente aos portões de casa, eles foram
abertas instantaneamente e eu passei por ali rápido. Quando desliguei o
carro, limpei as lágrimas que escorriam por minhas bochechas, abri o
porta-luvas e peguei ali meus óculos escuros que eu deixava ali. Era
noite, mas era melhor aquilo do que milhares de perguntas. Entrei em
casa e nem sinal dos meninos. Ótimo. Subi as escadas em silêncio indo
direto para o meu quarto, que tranquei assim que entrei. Arranquei minha
roupa e corri para o banheiro. Abri o registro e deixei a água escorrer
pelo meu corpo e levar todas as lágrimas que eu tinha para derramar.


Arthur P.O.V.



- Mãe, a senhora não tinha o direito de fazer isso! - entrei em casa
enfurecido.

- Claro que eu tinha! Eu sou sua mãe e meu dever é zelar pela sua
segurança e o seu bem estar, Arthur Aguiar! - ela rebateu brava.

- Mãe, você não podia ter feito isso! Você viu o estado que a Lua
saiu daqui de casa? Só Deus sabe como ela dirigiu!

- Arthur, a Anne me explicou o que aconteceu e foi um acidente, ela
estava tentando te afastar da Lua, para o seu bem!

- Mãe, pelo amor de Deus! A Anne é louca! Completamente surtada! Você
sempre adorou a Lua e agora ficou com essa paranoia pelo o que a
Anne te contou!

- A questão é que o que ela faz não é certo, Arthur. Não tente dizer o
contrário.

- Eu não estou dizendo que o que ela faz é certo, mas você tratou ela de
uma forma horrível. Vai me dizer que você não gostava dela antes de
descobrir tudo isso?

Minha mãe fez uma pausa desviando os olhos dos meus sem conseguir me
encarar.

- Mãe, a senhora sabe pelo o que a Lua passou. Eu já te contei a
história toda. Já pensou se eu tivesse escolhido fazer a mesma coisa? A
senhora iria me tratar dessa forma como você a tratou?

- Claro que não, Arthur. Você é meu filho, eu amo você - ela disse
franzindo o cenho.

- E eu amo a Lua, mãe. Você lembrou disso quando disse tudo aquilo?

Minha mãe pareceu sentir a consciência pesar por um momento.

- Eu ainda acho errado o que ela faz.

- Eu sei que é errado. Mas eu a amo e se eu preciso ficar nesse meio
para poder estar perto dela. Eu sabia aonde eu estava me metendo quando
aceitei o emprego, foi um momento de desespero, eu pretendia sair quando
arrumasse algo melhor, mas dai... - fiz uma pausa - Dai eu me envolvi
com a Lua. Mãe - ela me olhou - Tente entender. Por favor.

Minha mãe ficou em silêncio e evitava me olhar.

- Eu vou dormir. Depois nós conversamos, Arthur

Ela se levantou e foi para o quarto me deixando sozinho na sala. Eu não
poderia simplesmente ficar ali deitado e deixar Lua sair da minha
vida. Dei um pulo do sofá, peguei minhas chaves e corri para o meu
carro. Eu dirigi o mais rápido que consegui e parei o carro em frente a
casa de Natalie. Desci correndo e parei em frente ao portão esperando
que abrissem para que eu entrasse. O portão nem se moveu.

- Johnson - chamei um dos seguranças que cuidava da entrada - Abra o
portão para mim, o que está acontecendo?

- Arthur, sua entrada está barrada. Ordens da chefe - ele disse me
olhando com certa pena.

- Barrado? Não, a Lua não teria feito isso comigo. Ela sabia que eu
viria atrás dela.

- LUA - berrei do lado de fora da casa - LUA, VOCÊ NÃO PODE
FAZER ISSO COMIGO, PORRA!

- Arthur, é melhor você sair daqui ou eu vou ser obrigado a chamar o
resto do pessoal para te mandar embora - Johnson disse se aproximando de
mim.

- Ordens da chefe também? - perguntei irônico e ele assentiu em silêncio.

Virei as costas indo para o carro pisando forte e dei a partida saindo
dali cantando pneu. Quando cheguei em casa, larguei o carro de qualquer
jeito na garagem e fui direto para o meu quarto. Joguei as coisas que
estavam em cima da minha escrivaninha no chão e as lágrimas quentes
começaram a escorrer em meu rosto. Ouvi batidas leves na porta.

- Quem é? - perguntei grosso.

- Boo, você ta legal? - era Mitch

- Estou sim, princesa - suavizei a voz - Volte a dormir, ok?

- Tudo bem - ela disse baixinho.

Ouvi a porta do quarto dela bater e chutei a lixeira que tinha ao lado
da cama. Me joguei na minha cama e me deitei de barriga para cima
encarando o teto e tentando organizar meus pensamentos.

(...)

O dia amanheceu e eu continuava acordado. Eu não havia conseguido pregar
o olho por nem sequer um segundo durante a madrugada. Me levantei e fui
até o banheiro, lavei meu rosto e troquei de roupa, o que eu não havia
feito na noite anterior. Por hábito eu me vesti para ir ao trabalho, até
me lembrar de Lua. Não, eu não ia deixar isso acontecer. Saído meu
quarto para ir para a cozinha, mas parei no meio do caminho quando me
deparei com Kenny sentado no sofá da sala conversando com a minha mãe.
Ela parecia mais calma.

- Filho - ela disse ao me ver - O Kenny chegou agorinha. Eu já ia te
chamar.

- Já estou aqui. Mãe, me deixe a sós com o Kenny. Eu preciso conversar
com ele.

- Tudo bem - ela se levantou e parou quando chegou por mim - Filho, eu
estava conversando com o Kenny... Me desculpe. Vá atrás da Lua, ok?
Eu amo você e quero que saiba que mesmo eu não apoiando o que Lua
faz, ela é uma boa garota e ficarei feliz de ver vocês juntos.

Minha mãe sorriu para mim, deu um tapinha em meu ombro e saiu.

- Seja lá o que você tenha feito, Kenny, eu te amo, cara - falei rindo e
bati na mão dele dando um toque.

- Eu não fiz nada de mais, falar da Lua é fácil, você sabe o quanto
aquela garota consegue ser incrível - ele disse rindo.

- Sei bem - parei por um momento - Mas espera aí, o que você veio fazer
aqui Kenny?

Ele puxou um envelope de dentro do bolso da jaqueta e estendeu para mim.
Aquilo só podia ser brincadeira.

- Kenny, eu não vou pegar essa merda de dinheiro.

- Eu estou cumprindo ordens, Arthur. Eu também não entendi o motivo de a
Lua ter resolvido deixar você assim, ela me contou o que aconteceu,
mas eu não entendi ela fazer isso com você.

- E você acha que eu entendi? Cara, eu só quero minha namorada de volta
- falei cabisbaixo.

Kenny me olhou em silêncio e bateu em meu ombro.

- Eu não deveria fazer isso, mas... vou te ajudar a entrar na mansão
para que você possa conversar direito com a Lua

- Sério? Kenny, cara eu já te disse que te amo? - pulei no pescoço dele
o abraçando.

- Epa, epa. Pode parar com essa viadagem, Arthur - ele disse rindo - Vai
ser assim, você vai se esconder no chão do banco de trás do carro, nós
vamos entrar na casa e dai é com você para chegar até ela.

- Combinado.

- Bora lá então, irmãozinho.

Peguei meu celular e segui Kenny. Eu fui sentado normalmente no banco de
trás até chegarmos a um quarteirão da mansão, aonde eu deitei no chão do
carro e Kenny seguiu caminho. Senti o carro parar por um segundo e
voltar a se mover. Já havíamos passado pelos portões. O carro foi
desligado.

- Arthur, eu deixei o carro aqui nos fundos da casa. Você vai ter que
entrar pela cozinha. A Lua está no quarto, ela não saiu de lá desde
ontem. Boa sorte.

- Valeu, Kenny. Valeu mesmo.

Demos um toque e eu me levantei do chão do carro e sai dali indo rumo a
casa. Abri a porta da cozinha com cuidado e entrei. Quando eu já estava
quase saindo Luz apareceu na minha frente de repente me dando um susto e
ela só não soltou um berro porque fui rápido e tapei sua boca.

- Luz, não grita, por favor. Sou eu, Arthur

- A dona Lua disse que você não ia mais voltar, menino - ela disse
assim que eu tirei a mão da boca dela.

- Luz, por favor não chame nenhum segurança. O Kenny me ajudou a entrar
aqui, eu só preciso ver a Lua. Só isso - juntei as mãos em súplica
para ela.

Luz me olhou e acabou concordando com a cabeça. Eu a abracei forte
fazendo ela rir.

- Eu ia levar o café da manhã dela agora mesmo. Pode fazer isso se
quiser - ela disse pegando uma bandeja e me oferecendo.

- Mas é claro que eu quero. Luz, você é o máximo!

Lancei um beijo para ela e peguei a bandeja. Olhei para todos os lados
me certificando de que não havia ninguém e fui o mais rápido que era
possível se ir com uma bandeja na mão para o quarto de Lua. Bati na
porta três vezes.

- Pode entrar, Luz - Natalie falou de dentro do quarto.

Assim que abri a porta vi que ela estava deitada de costas para mim.
Fechei a porta e quando ela ouviu o barulho da chave trancando a mesma,
se virou dando um pulo na cama.

- Arthur, como você entrou aqui? - ela perguntou se levantando e se
afastando.

- Isso não importa - coloquei a bandeja em cima da peça que havia ali -
Eu precisava conversar com você.

- Saia daqui. Agora. Eu não quero conversar com você, Arthur

- Lua, eu conversei com a minha mãe, ela disse que não se importa de
estarmos juntos.

- Mas eu me importo. Chega, Arthur. Chega.

- Como chega? Lua, não tem porque não ficarmos juntos.

- Arthur, por favor - ela disse baixinho se segurando para não chorar.

- Por favor digo eu, Lua. Qual é, é claro que podemos ficar juntos.
Eu te amo, você me ama. Não tem o que nos impeça.

- Thur...

- Me dê um, mas só um bom motivo para nós ficarmos juntos e eu juro que
pare de rebater.

Ela abaixou a cabeça e se encolheu abraçando a si mesma.

- Eu não mereço você.

Eu praticamente não ouvi, porque ela falou bem baixo, quase um sussurro.

- Como é que é? Lua de onde você tirou essa ideia estúpida? -
perguntei me aproximando e levantando seu rosto para fazê-la me encarar
- Lua, eu nunca ouvi você dizer uma besteira tão grande.

- Não, Arthur - ela tirou seu rosto de minhas mãos - Você não merece
essa vida que eu levo. Você merece alguém que faça algo de decente, não
uma traficante. Você é uma pessoa maravilhosa, um cara realmente
incrível. Vai encontrar alguém bem melhor do que eu, disso eu tenho
certeza - ela sorriu com lágrimas nos olhos - Não dificulte mais as
coisas para mim.

- Você ainda me ama? - perguntei a encarando.

- Arthur... - a interrompi.

- Lua, só me responda isso.

- É claro que eu te amo, Arthur- ela respondeu deixando de vez as
lágrimas escorrerem por seus olhos - Mas nós não podemos ficar juntos,
entenda isso.

- Eu nunca vou conseguir entender como duas pessoas que se amam podem
não ficar juntas.

- Por favor - ela disse abrindo a porta do seu quarto.

- Eu não vou desistir de você.

- Arthur.

Ao passar por ela, a puxei para perto de mim e selei nossos lábios. Ela
me afastou e eu passei meu nariz de leve no dela.

- Eu amo você - falei e lhe dei um selinho.

Ela me empurrou para fora e fechou a porta na minha cara.

Eu não tinha ideia do que eu iria fazer.


                                                ********* **********
                                                              Desculpa...

15 comentários:

  1. QUE ISSOOOO, LUA NÃO SEJA IDIOTA !!
    Posta ++++++++
    Ameeii *-*

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  2. Ah não amore eles tem que ficar juntos...

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  3. Ameii... Muito booom... Estou cada vez amando mais sua fic, obrigado por não demorar quase piro quando vi o capitulo 23!!!

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  4. Posta mais ,to amando,
    A lua nao pode fazer essa besteira, em q cap eles vao voltar ?

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  5. Lua pelo amor de deus .... Para de lokura .... Por favor .... ❤❤❤❤❤

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  6. Aaaaah qe triste.....qro maaaais

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  7. Aiii eles tem que ficar juntos
    Posta maiss +++++

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  8. Ah , mds como assim ?
    tudo cupa daquela "Filhote De Cruz credo'' (anne)
    :( , Lua volta cm o Thur , :(
    Eu ja falei o quanto essa web eh , prft ?
    Eu ainda ñ , acredito que a lua e o arthur brigaraam , :(
    Tudo por caaausa daquela piriga : @
    #MelhorWebQueJaLi
    Paraaabens [][] ``
    Xx Yasmin D

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  9. Anne é uma desgraçada né... Arthur tem que fazer uma surpresa pra Lua, e ela está sendo uma boba em fazer tudo isso... Posta maisss

    (Fer)

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  10. Af mano, sempre a Anne. Eu até entendo a Lua, ela ama muito o Thur e só quer o melhor pra ele, mas ela tem que entender que o melhor pra ele é ficar com ela.
    Amando cada dia mais web *----*

    Ass: Carol

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  11. Assim eu vou morrer já tem 3 semanas sem postar, eu vou pirar, sei que vc fez um capitulo enorme, mas não abandona a fic, por favor, posta mais, quero LuAr de volta!

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  12. Posta maissss ,faz tempo q vc nao posta

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  13. vc posta essa web em outro lugar? com outro casal??

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  14. VOOOOOOLTA A POSTAR PELO AMOR DE DEUS. E FAZ A LUA DA UM TIRO NA TESTA DA ANNE E FAZ ELA DEIXAR DE SER IDIOTA E VOLTAR LOGO COM O ARTHUR

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Não vai sair sem comentar, né?! xD

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