23 de dez de 2014

Dangerous Woman - Capítulo 20




Aquilo foi um baque. Eu fui pego totalmente de surpresa. Uma criança?
Uma criança não, o meu filho. E agora por causa de algum filho da puta
eu não poderia vê-lo crescer. Meu coração ficou pequenininho, eu nunca
senti uma sensação tão ruim e isso não era só por minha causa, era por
pensar em como Lua estava se sentindo. 

- Eu posso ver ela? - perguntei e o médico fez que sim com a cabeça. 

- Ela está no quarto 284. 

- Obrigado. 

Eu nem olhei para Kenny e para Joe, eu só sai andando rapidamente, eu
tinha que chegar o mais rápido possível no quarto. Apertei o botão do
segundo andar seguidas vezes para ver se a porta fechava mais rápido. O
elevador apitou avisando que eu tinha chego no segundo andar e eu sai
apressado. Andei com passos largos até que cheguei em frente ao quarto
284. Eu travei em frente a porta. Respirei fundo e abri a porta com
cuidado. Lua estava deitada tomando soro e estava em silêncio. Parei
ao lado da cama. 

- Linda - falei com dor na voz por ver o jeito que ela estava - Eu...

- Shh - ela falou colocando o dedo na minha boca e deu um meio sorriso
me olhando de baixo. 

Eu não sabia como reagir, eu apenas a puxei para perto de mim a
abraçando e ela deixou as lágrimas escorrerem e eu não consegui segurar
e algumas me escaparam
também, mas eu as sequei rápido, eu tinha que ser forte. Por ela. Ela
foi para o canto da cama e eu subi, sentando ali e a puxei, a colocando
no meu colo, como se eu tivesse com um bebê em meus braços, eu a aninhei
e nós ficamos ali em silêncio, enquanto eu fazia carinho em sua cabeça e
ela ficou brincando com os meus dedos. Ela puxou meu rosto para baixo
fazendo com que eu a olhasse e ela ficou olhando para o meu rosto um bom
tempo, apenas passando a mão por ele e contornando a minha boca com os
dedos.

- Eu amo você - ela disse baixinho me olhando nos olhos. 

Por um momento toda aquela dor que eu estava sentindo antes foi
substituída parcialmente por um calor bom no meu coração. Era uma
sensação nova, mas boa, boa demais. 

- Eu também te amo, marrentinha. Muito - beijei sua testa e ela me
abraçou forte - Olha, eu sei que isso é difícil, eu também estou
sentindo um vazio imenso com o que aconteceu e sei que você, como
mulher, deve ser uma sensação bem pior, mas Lua - eu segurei seu
rosto fazendo com que ela me olhasse - eu estou do seu lado pra tudo.
Você tem ideia de que eu já tomei um tiro por você? Entrar na frente de
uma bala pra salvar alguém não é pouca coisa, mas eu nem pensei quando
foi com você, foi praticamente um instinto. Tudo vai ficar bem e eu vou
estar aqui, do seu lado. 

Ela ficou meio que sem saber o que me responder e sorriu em meio as
lágrimas, mas agora era um sorriso de verdade, e não um falso só pra
tentar parecer forte como ela sempre fez. Eu retribui o sorriso a
beijando e ela se agarrou mais em mim. Ficamos ali até o soro acabar e
depois eu apertei o botão para chamar a enfermeira. A baixinha que tinha
me ajudado na entrada veio, passou todos os remédios que Lua devia
tomar e passar nos machucados. Antes de sair ela deu um sorriso para nós
e Lua retribuiu com outro encostando a cabeça no meu ombro. 

- Vamos sair daqui, é o melhor que a gente faz - falei a ajudando a se
levantar e ela apenas concordou. 

Passei meu braço por seu ombro e nós saímos daquele quarto. Eu liguei
para Luz e pedi para ela ir na farmácia comprar os remédios necessários
e ela não sossegou enquanto eu não disse que Lua estava realmente
bem. Encontramos Joe e Kenny no saguão do hospital e eles a abraçaram. 

- Tudo certo? - Kenny perguntou com cuidado quando a soltou. 

- Sim Kenny, eu estou ótima. Você sabe que eu sou dura na queda - ela
falou brincando, só que com a voz ainda sem vida. 

Ela voltou para perto de mim e eu passei meu braço novamente por seu ombro. 

- A Luz me disse que preparou AQUELA janta, vamos pra casa galera - Joe
falou passando a mão na barriga. 

Concordamos e saímos dali. Os caras tinham trazido a BMW para o
hospital, então eu abri a porta para Lua e ela sentou no banco do
passageiro e eu tratei de pegar logo meu lugar no banco de motorista. Eu
segurei a mão dela o caminho todo, mas não trocamos nenhuma palavra, só
que ela segurava minha mão bem apertada. Assim que chegamos na casa,
Lua não quis ir comer e eu fui com ela para o quarto. Chegando lá,
Karma apareceu todo feliz e lua sorriu por um momento ao pega-lo no
colo. Ela se sentou na cama com o animal nos braços e o abraçou forte.
Sentei ao lado dela e a puxei para sentar no meio das minhas pernas. 

- Bom trabalho campeão - falei passando a mão na sua cabeça e ele se
ajeitou no colo de Lua para tirar um cochilo - Vai ficar tudo bem -
eu falei a abraçando. 

- Eu sei que vai, porque eu tenho você - ela passou a mão no meu rosto
com ternura e eu beijei sua mão. 

- Eu vou encher a banheira, nós dois precisamos de um bom banho. 

Dei um beijo na bochecha dela e fui para o banheiro ligar as torneiras.
Quando já estava na altura certa, eu joguei uns sais de banho e
desliguei o registro. Voltei para o quarto só com a toalha e dei a mão
para Lua se levantar. Ela deixou Karma na caminha e nós fomos pro
banheiro. Eu a ajudei a se despir, sentei na banheira primeiro e depois
dei a mão para que ela entrasse e Lua se sentou de costas para mim
no meio das minhas pernas. Eu peguei a bucha e comecei a lavar as costas
dela de leve. Algumas partes do seu corpo estavam num tom de azul e
outras em verde por conta das pancadas que ela tomara na queda. A virei
de frente para mim para poder ensaboa-la e ela continuou em silêncio.
Limpei o sangue seco que ela tinha no canto do nariz e ela fez uma cara
feia. 

- Desculpa. 

- Está tudo bem, só ardeu um pouco, nada de mais. 

- Eu vou cuidar de você. Só que pra eu poder fazer isso, você tem que me
responder uma coisa. 

- O que? - ela perguntou franzindo o cenho. 

Fiz uma pausa analisando seu rosto. 

- Olha, eu te conheço não faz muito tempo, eu sei disso, e também sei
que você é uma mala quando quer, é birrenta, teimosa além da conta e
marrenta mais do que tudo, mas esse seu jeito conseguiu me pegar de
jeito, dona Lua - ela me olhou franzindo o cenho - Você não sai da
minha cabeça e isso não é novidade pra ninguém, nem pra você. Eu queria
saber se... bom - cocei a cabeça fazendo uma pausa - eu queria saber se
você quer namorar comigo?

Ela ficou me olhando por alguns segundos em silêncio, até que ela abriu
aquele sorriso lindo que só ela tem. 

- E você acha mesmo que precisa perguntar? - ela se aproximou de mim e
começou a me dar vários selinhos - Claro que sim. 

Eu sorri e espirrei água na cara dela quando ela voltou a se sentar e de
volta ela jogou água em mim, começando uma guerra no banheiro. 

- Ta bom, ta bom! Chega, eu me rendo! - ela falou rindo e tossindo água
ao mesmo tempo - Cara, a Luz vai nos matar quando vir esse banheiro. 

Começamos a rir juntos. Saí da banheira, me sequei mais ou menos por
cima e enrolei a toalha na cintura. Peguei a outra e enrolei Lua
quando ela ficou de pé. Voltamos para o quarto, eu vesti a minha cueca e
uma calça de moletom, agora eu deixava algumas roupas minhas no closet
de Lua, e ela vestiu a blusa de basquete que eu tinha dado para ela.
Lua se sentou na cama e eu peguei os remédios pra passar nos
ferimentos e um copo d'água para ela tomar os analgésicos. Comecei a
passar o remédio nos roxos e ela se retraia a cada vez que eu encostava
o algodão em seus hematomas. 

- Eu vou matar ela Arthur. Eu juro que vou. Agora virou questão de honra
pra mim - ela disse séria. 

- De quem você está falando, Lua?

- Da sua querida amiguinha ruiva. Foi ela quem me empurrou e me fez
rolar escada a baixo. Foi tudo culpa dela - Lua estava com uma raiva
nos olhos que eu nunca tinha visto antes. 

- A Anne? Você tem certeza disso? Lua, ela pode até gostar de mim,
agora, ela tentar te matar, eu acho que é muito difícil. 

- Arthur, eu não estou inventando, eu tenho as câmeras da boate pra
provar e isso aqui também - ela abaixou a alça da camiseta deixando a
mostra um arranhão. 

- Filha da puta - foi a única coisa que eu consegui dizer.

Aquela garota era mais surtada do que eu poderia imaginar. Eu olhei para
Lua de novo e ver ela toda machucada só fez a minha raiva crescer.
Agora quem queria matar aquela garota era eu. 

- Vamos esquecer isso por enquanto? Pelo menos só hoje? - perguntei
tentando fazer ela esquecer daquele assunto um pouco. 

- Tudo bem - ela deu um meio sorriso e pulou no meu colo me fazendo sorrir. 

Me encostei nos travesseiros e ela deitou ao meu lado apoiando a cabeça
no meu peito. Liguei a TV e coloquei um filme de ação pra distrair ela.
Depois que o filme acabou, nós ficamos brincando com Karma que ficava
levando a sua bolinha toda babada para que jogássemos para ele ir
buscar. Bateram na porta umas três vezes e eu levantei para ir abrir.
Luz estava parada na porta com uma badeja na mão, em que continha um
sanduíche e um copo de suco. 

- Achei que a dona Lua pudesse estar com fome - ela disse. 

- Obrigado Luz, eu vou fazer com que ela coma - falei sorrindo e peguei
a bandeja. 

Luz saiu e eu fechei a porta com o pé. Coloquei a bandeja no colo de
Lua e peguei Karma, o colocando no chão antes que ele abocanhasse o
sanduíche. 

- Eu estou sem fome - ela disse torcendo o nariz. 

- Qual é Luh? Vai, faz um esforço - falei a encarando. 

Ela olhou para mim e depois olhou para o prato no seu colo. Ela bufou e
pegou o lanche dando uma mordida. Sentei mais perto dela a incentivando
a comer e consegui fazê-la ingerir até a ultima migalha de pão. Peguei a
bandeja e a coloquei na estante ao lado da cama. Arrumei os travesseiros
e me deitei, puxando Lua para perto de mim. Fiquei passando a mão em
suas costas, enquanto ela mexia no meu cabelo com as unhas. 

- Sabe, agora nós somos mesmo namorados, não é uma invenção como quando
os dois foram parar no hospital ou como naquela vez na boate. Chega a
ser engraçado. 

- Finalmente eu vou poder falar para aqueles babacas que te rodeiam que
você já tem dono - falei rindo. 

- E quem disse que você é o meu dono, moço? - ela falou rindo. 

- Eu disse e você concordou quando aceitou meu pedido. 

- Era só essa que me faltava. 

- Para de onda vai - falei fazendo cócegas em sua barriga e ela tentou
fugir, mas eu a abracei por trás. 

- ME SOLTA ARTHUR EU TO FALANDO SÉRIO EU ODEIO COSQUINHA - ela falou se
debatendo. 

- Sério? - perguntei e comecei a beijar seu pescoço e depois sua orelha,
fazendo ela dar alguns berros. 

Eu não aguentei e comecei a rir, parando de encher ela. 

- Não tem a menor graça quando você faz isso - ela falou cruzando os
braços e fazendo carinha de brava. 

- Tem sim, eu acho divertidíssimo - falei e dei um selinho nela, que
fechou a boca não querendo que eu a beijasse - Ah, então é assim agora?
Então eu acho que posso voltar a me divertir. 

Quando eu fiz menção de apertar sua barriga de novo ela se esquivou. 

- Parou, parou. Você venceu - ela me deu um beijo - Seu chato. 

- Chato nada - segurei sua cintura a deixando mais perto e continuei a
beijando. 

Nenhum dos dois estava com muito ânimo para fazer qualquer coisa a mais,
então nós apenas deitamos e dormimos juntos, com Lua enroscada em
mim. Agora ela era oficialmente minha. 


Lua P.O.V


Como de costume, quando acordei Arthur ainda estava dormindo. Me
levantei fugindo dos seus braços. Fui até o banheiro, lavei meu rosto,
escovei meus dentes e fiz um rabinho no cabelo para segura-lo. Voltei
para o quarto e Arthur ainda dormia pesadamente e agora Karma tinha ido
se encostar deitado ao lado dele. Peguei meu celular em cima da cômoda e
voltei para o banheiro. Eu precisava fazer isso, mas Arthur não poderia
me ouvir. Disquei e depois de alguns toques eu fui atendida. 

- Antony?

- Oi chefe - ele era um dos caras que trabalhavam para mim. 

- Eu preciso que você encontre uma garota para mim e eu quero ela aqui
até no máximo na hora do almoço - falei olhando o relógio, eram 8:36. 

- Qual o nome da garota?

- Anne. Eu vou mandar a ficha dela para você por mensagem. Lembre-se, eu
quero ela aqui até a hora do almoço. 

- Tudo bem chefe. Nós vamos encontrar a garota. 

- Ah, não a machuquem - falei olhando o machucado no canto da minha boca
pelo reflexo do espelho - Eu mesma farei isso. 

Finalizei a chamada, mandei as informações para Antony por mensagem e o
deixei carregando no banheiro. Quando abri a porta e dei dois passos
para fora do banheiro, dei de cara com Arthur que abriu um sorriso ao me
ver. 

- Se sente melhor?

- Sim, muito melhor - dei um selinho nele e o puxei de volta para o quarto. 

- Que bom, eu fico bem mais calmo assim. Que tal se fizermos alguma
coisa hoje de tarde? - ele perguntou vestindo a blusa que antes estava
no chão. 

- Nossa amor - foi estranho e bom ao mesmo tempo chamá-lo assim - eu
tenho tanta coisa pra resolver hoje a tarde, nem vou ter tempo pra você.
Eu ia até falar pra você ir ver sua mãe e seus irmãos e ia dar folga pro
Joe e pro Kenny. Dai você volta mais tarde e dorme aqui comigo, que tal?
- propus passando o braço por seus ombros e segurando em seu pescoço. 

- Bom - ele fez uma cara de desconfiado - se você prefere assim, pode
ser. Minha mãe queria mesmo que eu fosse ajudá-la em algumas coisas. 

- Então fechou. Passa em algum lugar e traz alguma coisa pra gente
comer, ok?

- Essa é a minha gordinha - ele riu e me deu um selinho - Eu vou avisar
os caras sobre a folga e depois já vou lá pra casa. Te vejo mais tarde. 

Ele colou nossos lábios mais uma vez antes de sair e eu sorri acenando
quando ele fechou a porta. Fiquei olhando pelas câmeras no meu celular e
quando me certifiquei que ele já havia saído de casa, fiquei até mais
relaxada. Agora eu podia fazer o que deveria ser feito. Aquela vadia
iria pagar caro pelo o que havia feito. 

(...)

Passei a manhã inteira inquieta, perambulando de um lado para o outro,
tentando conter a minha ansiedade. Eu separei pagamentos, despachei
encomendas, até treinar pontaria eu treinei. Eu estava em casa só com os
seguranças da casa, os meninos tinham ido para casa ver a família e
Arthur iria passar a tarde toda ajudando Pattie. 

Eu estava almoçando sozinha na cozinha. Na realidade eu estava mais
brincando com a minha comida do que realmente comendo, eu não conseguia
me concentrar direito em nada. Coloquei outra garfada de comida na boca
e Antony apareceu na porta da cozinha. 

- Ela está no porão - ele disse. 

- Demorou - limpei a boca com o guardanapo e me levantei deixando meu
prato ali mesmo. 

- Foi fácil de encontrá-la, só demoramos porque fomos cautelosos para
que ninguém nos visse a pegando. 

- Tanto faz. 

Saí da cozinha em disparada e a cada passo que eu dava meu coração batia
mais forte e meu sangue fervia cada vez mais. Entrei no meu escritório e
apertei o botão em baixo da gaveta da minha mesa. Meu espelho foi para o
lado, revelando a porta que dava acesso ao porão e eu entrei, sendo
seguida por Antony. 

Desci as escadas com passos apressados. Assim que coloquei os pés no
ultimo degrau dei de cara com quem eu passei a manhã toda esperando para
ver. 

- Ora, ora. E não é que a vagabunda está aqui mesmo? - falei andando e
parando de frente a ela. 

- EU QUERO SAIR DAQUI AGORA! QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA ME PRENDER AQUI?
- ela gritou se debatendo, mas os meus homens haviam a amarrado em uma
cadeira e ela dificilmente conseguiria se soltar por conta própria. 

- Quem eu penso que eu sou? - ri sarcástica - Quem VOCÊ pensa que é? -
perguntei segurando suas bochechas entre meu polegar e meu dedo
indicador - Quem você pensa que é pra ter feito o que fez? Quem você
pensa que é pra tentar me matar dentro da minha própria boate? Quem você
pensa que é pra ter feito eu perder o meu filho? - falei chegando bem
perto do seu rosto. 

Ela olhou para mim por alguns segundos e depois começou a dar uma risada
doentia. 

- Olha só, dessa eu ainda não havia tido o prazer de tomar conhecimento.
Não me livrei de você, mas me livrei de um pedacinho de lixo que eu nem
sequer sabia da existência - ela riu se divertindo. 

Minha raiva subiu mais ainda e eu dei um tapa tão forte no rosto dela
que a cadeira foi empurrada para o chão com o impacto, fazendo um estrondo. 

- Escuta aqui - falei colocando meu pé sobre o seu pescoço a enforcando
- você olha bem o que você fala que o único pedaço de lixo, o mais podre
que existe é você sua vadia. 

- Verdade, seu filho não resistiu para competir comigo - ela falou
tossindo enquanto eu me virava e os rapazes levantavam a sua cadeira. 

Lágrimas de raiva quiseram brotar nos meus olhos, mas eu não iria dar
esse gostinho para ela. 

- Pois é. Agora, Anne querida, quem vai vingar a morte do meu filho,
bom, sou eu - falei sorrindo amarelo. 

Ela continuou rindo. Caminhei até a parede esquerda do porão e ascendi a
lâmpada que ficava em cima de um armário. Assim que a lâmpada iluminou o
espaço pude ver meus xodós. Meu arsenal de armas. Eu tinha desde soco
inglês até explosivos naquele armário. Abri o primeiro compartimento e
peguei uma faca que tinha ali. Voltei para a frente de Anne e assim que
ela viu a faca sua risada cessou. 

- O que... O que você está pensando em fazer? - ela perguntou com a voz
trêmula. 

- Você achou que ia fazer o que fez e não ia te acontecer nada?Eu disse
que eu ia vingar meu filho, Anne - falei deslizando a faca de leve na
perna dela - E eu não estava brincando. 

Quando ela menos esperava eu cravei a lâmina em sua coxa fazendo ela
soltar um grito alto e escandaloso. 

- Pode gritar vadia, ninguém vai te escutar. Isso eu te garanto - sorri
para ela - E eu estou apenas começando. 


Arthur P.O.V


Vou confessar que eu achei bem esquisita a atitude da Lua hoje mais
cedo quando ela resolveu me dar uma folga, ainda mais depois de tudo que
aconteceu. Eu pensei que ela fosse querer que eu passasse bastante tempo
com ela, mas por outro lado sei que ela deve querer ficar sozinha um
pouco, pelo menos para reorganizar os pensamentos. 

- E aí, como a Lua está? - minha mãe perguntou enquanto almoçávamos.
As crianças estavam na escola. 

Eu fiquei um pouco tenso. Não havia contado para ela ainda sobre o filho
e nem que Anne havia sido a responsável, só que Lua havia caído. 

- Ela está bem. Mãe... eu preciso te contar alguns detalhes sobre o
acidente da Lua que eu ainda não disse. 

- Fala meu filho - ela falou parecendo apreensiva. 

- A queda da Lua não foi um acidente... Quem a empurrou foi a Anne -
minha mãe deixou o talher cair da mão no mesmo instante - E... a Lua
estava grávida, só que a criança não aguentou a queda - falei quase
engasgando, aquilo doía demais. 

Minha mãe levou a mão na boca e ficou parada alguns segundo me
encarando. Depois se levantou e veio me abraçar. Eu não recusei, eu
precisava daquele abraço. Até agora eu não queria mostrar fraqueza,
porque se não Lua não suportaria, mas minha mãe estava ali e não
existe nada melhor do que o abraço dela. 

- Eu sinto muito meu amor - ela disse beijando o topo da minha cabeça.
Eu não estava vendo seu rosto, mas sabia que ela estava chorando, assim
como eu deveria estar, mas todas as lágrimas pareciam ter secado. 

- Está tudo bem mãe. A Lua está bem e isso é o que mais importa -
falei a acalmando. 

Terminamos de comer e eu ajudei minha mão com a louça, o que não é uma
coisa lá muito comum, mas eu tenho passado tão pouco tempo com ela é com
as crianças que desisti que não iria me matar ajudá-la um pouquinho.
Assim que terminamos tudo, ela me pediu de se eu poderia a levar para
comprar algumas coisas para a casa e eu concordei, afinal, eu só
voltaria para a casa de Lua no fim da tarde. 

Minha mãe rodou por milhares de lojas atrás de roupas novas para Mitch e
Alex, uns três mercados pra fazer compras para a casa e foi em outros
lugares que eu nem me dei o trabalho de prestar atenção. Nossa contas
estavam certas agora que eu estava trabalhando com Lua e dava para
gastar um pouquinho com minha mãe e meus irmãos. Eu já não estava mais
gostando da ideia de receber para ficar por perto de Lua, ainda mais
agora que eu tinha pedido ela em namoro, me parecia totalmente errado,
mas eu tinha que manter minha mãe e meus irmãos, então eu pensaria no
caso e resolveria mais para frente. Olhei no relógio e já estava quase
marcando quatro da tarde. 

- Vamos, está no horário de buscar as crianças na escola - falei
chamando minha mãe enquanto ela olhava uma vitrine. 

- Meu Deus eu quase me esqueci - ela disse colocando a mão na testa e eu
ri. 

Peguei o carro e fomos em direção a escola. Demorou alguns minutos de
onde estávamos até lá, mas eu consegui chegar bem na hora que o sinal
tocou e as crianças começaram a sair. Desci e fiquei na frente do carro
na calçada esperando que eles aparecessem, até que vi Mitch puxando
Alex pela mão e ao me verem, ambos vieram correndo e cada um agarrou
uma de minhas pernas. 

- E aí baixinhos - falei pegando um em cada braço. 

- Kid você veio buscar a gente! Fazia tempo que você não vinha - Mitch
disse enquanto eu colocava ela e Alex nas cadeirinhas no banco de trás. 

- Você sabe que eu trabalho, princesa, mas eu sempre vou vir ver vocês -
disse e tomei o volante. 

- A gente sabe Arthur, ela só fica emburrada porque você não fica mais
dando bola pra ela o tempo todo - Alex falou e vi Mitch pelo retrovisor
mostrando a língua para ele e ri. 

Chegamos em casa e os dois saíram correndo para dentro arrastando as
mochilas de rodinha e trombando um no outro para ver quem chegava
primeiro. Abri a porta para a minha mãe e ela desceu e fomos entrando
juntos dentro de casa. Assisti TV com as crianças e até joguei um
joguinho de tabuleiro daqueles de criança que eu não tenho ideia de qual
fosse o nome. Minha mãe queria que eu jantasse em casa, mas eu havia
prometido levar comida para Lua e eu não queria a deixar muito tempo
sozinha. Deixei minha mãe dando banho nas crianças e sai de casa por
volta de umas 18:15. No caminho parei no drive tru de uma lanchonete e
peguei qualquer coisa para comer, eu só queria ver Lua logo e ver
como ela estava.

Dirigi depressa e logo estava na mansão. Deixei o carro no jardim e
desci com o pacote com os lanches na mão. 

- Lua? - chamei ao chegar na sala e não ver ninguém. 

Tudo estava muito silencioso e o número de seguranças que eu vi era
menor do que o habitual. Fui até a cozinha e não encontrei ninguém, Luz
pelo jeito já havia se retirado. Rodei a casa toda e não encontrei
ninguém. Fui até a parte de fora e indaguei o primeiro cara que apareceu
na minha frente. 

- Aonde está a Lua? - perguntei começando a ficar desesperado. 

- Eu não poss... - eu o cortei. 

- ME FALA AONDE ELA ESTÁ AGORA - agarrei-o pelo colarinho. 

- No porão! No porão! 

- Como eu chego no porão? - eu não sabia nem da existência desse lugar. 

- No escritório dela, é por lá. 

- Então você vai vir comigo e vai me mostrar - comecei a arrasta-lo
junto comigo e ele nem protestou. 

Chegamos no escritório e ele foi direto para a mesa de Lua, se
inclinou um pouco e apertou algo, porque o espelho se locomoveu,
mostrando uma porta que eu nunca imaginei que existisse. 

- Cai fora agora - falei e ele saiu rápido do escritório. 

Ouvi gritos e corri até a porta a abrindo e desci as escadas em um
piscar de olhos. Fiquei chocado com a cena. Anne toda machucada,
amarrada em uma cadeira e  Lua de frente a ela, com uma arma na mão,
pronta para apertar o gatilho. 


Lua P.O.V


Eu estava extasiada. Passei a tarde fazendo aquela vadia sofrer e
algumas vezes ela tinha a audácia de rir tentando me intimidar, o que só
foi fazendo crescer. Agora eu iria fazer o que eu havia esperado a tarde
inteira para fazer. Eu iria matar ela. Destravei a arma. Estava pronta
para atirar. 

- LUA NÃO! - um grito desviou minha atenção e eu abaixei a arma e vi
Arthur correndo na minha direção. 

Quando ele se aproximou, apontei a arma para ele, o que o fez se afastar
com as mãos levantadas. 

- O que você está fazendo? Lua, para com isso. 

- Você está tentando defender ela? Eu disse que eu iria matá-la Arthur e
é o que eu vou fazer. 

- Lua. - ele fez uma pausa e deu um passo em minha direção e eu
continuei parada com a arma apontada para ele - Não faz isso - ele
encostou o tórax na arma e continuou chegando perto, até aue conseguiu
segurar meu rosto entre as mãos - Lua, você não precisa fazer isso.
Você é melhor do que ela. 

- Ela chamou o meu filho de pedaço de lixo e rio quando soube que eu o
perdi. O nosso filho - falei começando a ter os olhos mareados. 

- Eu sei que ela é uma completa louca, mas você não é assim Lua.
Você já se vingou, você já machucou ela. Pode parecer que não é
suficiente, mas chega. Por favor. Meu amor - ele disse me olhando no
fundo dos olhos. 

Minhas mãos tremeram e eu deixei a arma cair. Arthur se aproximou e me
envolveu em seus braços e eu o apertei. Eu me sentia segura ali, ele era
a minha segurança. 

- Me desculpa - falei baixinho - eu perdi a cabeça. 

- Shh, está tudo bem - ele disse me apertando mais contra o seu peitoral. 
Me soltei dele e cheguei perto de Anne de novo. 

- Eu vou deixar você ir, mas não pense que eu esqueci do que aconteceu -
enfio o dedo no corte que fiz em sua coxa e ela grita - e espero que nem
você. Levem-na - digo para os seguranças - E Anne, não se atreva a me
denunciar oi você sabe o que vai acontecer, além de eu poder te culpar
de tentativa de homicídio com os vídeos da boate - sorri e os seguranças
a levaram. 

Minha raiva passa momentaneamente. Eu me sinto parcialmente saciada, mas
eu sei que se Arthur não tivesse chego eu teria passado dos limites. Eu
teria feito uma grande besteira. Olho para ele e seus olhos não são de
julgamento, são apenas de compreensão. 

- Eu agi mal - falo abaixando a cabeça. 

- Eu já disse, está tudo bem - ele disse levantando meu rosto pelo queixo. 

Eu dei um sorriso para ele e o beijei. Ele é a minha segurança.



  
        Eu ainda vou terminar aquela maratona que prometir pra vcs 

3 comentários:

  1. To amando,espero q vc consiga postar o mais rapido possivel,vc ta de parabens!!!!!!!<3. By:maah

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  2. mds posta mais pfv
    by:gaby

    ResponderExcluir

Não vai sair sem comentar, né?! xD

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