1 de nov de 2014

Mini Fic - Need You - Capítulo 1


Muitas vezes a lembrança do passado faz reviver a dor adormecida nos corações

Voltar para casa depois de anos fora é muito difícil, pensar que antes eu daria tudo para ficar o resto da minha vida longe dessa cidade, e agora a única coisa que eu quero é o aconchego do meu antigo quarto.  As lembranças do que vive vem em minha mente, dos momentos felizes que passei naquela casa, as risadas, as tardes de domingo com meu pai, e é claro ele. Cinco anos longe dele, e ainda me pergunto se ele teria mudado ou me perdoado.

Respiro fundo tentado não me deixar levar pela mistura de emoções. Eu tinha escolhido assim, e agora não dava para se arrepender, o passado não volta.

Suspiro me aconchegando mais na poltrona do avião, dormir agora era minha ultima saída, pensar no Chay não vai me ajudar em nada, só me atormentava mais.

Minutos depois sinto minhas pálpebras ficarem  pesadas, isso é efeito do remédio que tomei, depois disso não me lembro de mais nada.
...
Acordo com alguém me cutucando, abro os olhos lentamente. Vejo a minha frente uma linda garotinha, loira, aparentemente com uns 5 anos.

– Olá, em que posso te ajudar princesinha? – Perguntei passando a mão no rosto.
– Moça já chegamos. – A menininha apontou para janela, olhei para onde ela apontava e vejo o aeroporto de Porto Alegre.  – Minha mamãe pediu pra avisar você. – Completou abraçando um unicórnio de pelúcia.
– Obrigada princesinha.  – Agradeço sorrindo. A menina sai saltitando em direção a mãe.

Pego minha bolsa e vou a área de desembarque pegar minhas malas. Depois de pegar minhas coisas, tento lembrar onde pego o ônibus para Gramado.

Procuro para senhora ao meu lado que me informa direitinho o que fazer, e lá vou eu, e que seja o que Deus quiser.
***

Depois de duas longas horas em um ônibus consigo chegar em gramado. Olho ao meu redor e vejo que nada aqui mudou, continua tudo da mesma forma de quando fui embora.
Pego o primeiro taxi que vejo pela frente.

– Onde deseja ir senhorita. – O taxista pergunta assim que entro no veiculo. Só agora eu paro para pensar. Não sei se devo ir para a casa da minha mãe ou do meu pai.

Ninguém sabia que eu estava voltando para cidade de que um dia eu fugi.

– Segue para Rua Madre Verônica por favor. – peço encostando no banco. Iria primeiro visitar meu pai, nossa relação sempre foi ótima. Ele morava na Rua Madre Verônica que é próxima de uma das ruas mais movimentadas da cidade.


Em menos de vinte minutos o carro para em frente a minha antiga casa. Respiro e inspiro, será que papai estava bravo comigo? Tomo coragem e toco a campainha, só vou saber se tentar. Não demora muito e abrem a porta, acabo me surpreendendo ao ver quem me recebe.

– Mel? – Indagou espantada. Ficamos dois segundos nos encarando, digerindo as informações, como ela havia crescido e estava linda, agora seus cabelos estavam castanhos. Ela sorriu pra mim. – Você voltou. – sussurro caindo na real, eu apenas balancei a cabeça confirmando.
Sem pensar duas vezes ela me abraçou. Ai senhor como eu senti falta dessa pirralha! Sinto minha blusa molhada, e só ai percebo que Lua estava chorando, sinto uma aperto no peito, éramos melhores amigas, mesmo eu sendo a namorada do irmão mais velho dela , e ela sendo apenas uma menina de doze anos, sempre fomos muito amigas. Ela era como uma irmã mais nova pra mim, e eu falhei com ela. A deixei da mesma forma que sua mãe fez.
– Eu senti tanto a sua falta! – Ela disse entre soluços. – Aconteceu tantas coisas enquanto você esteve fora. Eu precisei tanto de você. – Suspirou, aquilo parecia uma acusação, mais eu sei que não era, Lua só estava desabafando.
– Vamos entrar e você me conta o que aconteceu ok? – Digo limpando suas lagrimas. – Me ajuda aqui, toma. – Entrego minha nécessaire e pego minha mala.
Colocamos as malas próximas a escada e fomos para sala, quando cheguei na sala tive outra surpresa, uma menininha loira sentada no sofá vendo desenho.
– Quem ela Lulu. – A menina disse meio embolado, acho que ela estava perguntando quem era que havia tocado a campainha. – Quem é voxe? – A garotinha perguntou quando me viu.
– Ela é a Mel, Anne. – Lua respondeu.
– A da foto? – Perguntou com um bico lindo me fazendo rir.
– Sim Anne. – Lua sentou-se do lado da menina.
– Quem é ela Lua?
– Ela é minha irmã. – Respondeu acariciando os fios loiros da menina e riu quando viu minha expressão confusa. – Calma, calma eu vou te explicar. – Eu suspirei. – Dois anos depois que você foi embora minha mãe apareceu. – Disse sem enrolação e eu me assustei, desde que eu namorava com o Chay ela nunca tinha ido visitar os filhos. – Ela e meu pai tinham se reconciliado, logo depois subitamente ela engravidou da Anne, depois que Annelise nasceu, uns dez dias depois meu pai faleceu. E adivinha? – Indagou com lagrimas nos olhos novamente.
– Ela deixou a pequena com a dona Laura. – Respondo sabem que tinha sido isso que havia acontecido.
– Pois é. – Limpa as lagrimas. – Não tinha nem passado um dia que ele tinha partido ,e ela largou a Annelise com a minha avó e sumiu no mundo de novo. – Disse mordendo os lábios. – Meu pai podia não ser o mais presente, mas era meu pai! My Daddy. Eu o amava e ver a forma que ela lidou com a morte dele, me deixa indignada Melanie, ela nem se importou com o que eu e meu irmão estávamos sentido, simplesmente foi embora. – Seus olhos transbordavam de rancor. – Minha avó mesmo desconfiando que Annelise não fosse filha do meu pai, cuidou dela como neta. Mais ela .. . – Lua parou no meio da frase e começou a chorar compulsivamente. – Mas ela morreu no final do ano passado. – Coloco a mão no peito espantada, então dona Laura tinha morrido. Não pode ser. – E para completar eu quase perco meu irmão a algumas semanas atrás. – Sinto meu coração acelerar ao ouvir isso, então quer dizer que Chay tinha quase morrido a umas semanas atrás. – Calma, ele ta bem. – Ela sorriu tentando me tranquilizar, suspiro me sentindo aliviada. – Ouve um incêndio na minha antiga casa. Eu e Annelise tínhamos saído e Chay estava em casa, ouve um vazamento de gás parece, eu não sei direito como foi, só sei que a casa pegou fogo e por pouco não perco meu irmão. E por isso que estamos passando alguns dias aqui na casa do seu pai, ate meu irmão comprar outra casa.
– Nossa, aconteceu muitas coisas enquanto eu estive fora ne? –Ela assentiu olhando para o nada. – Parece roteiro de novela isso. – Digo sem pensar e ela ri. – Amiga meus pêsames pelo seu pai e pela sua avó, e desculpa não estar com você nesse momento.
– Ta tudo bem entre a gente Mel, o pior vai ser você conseguir o perdão do meu irmão. – Avisou. E ela tinha razão.
– Falando nele, onde ele esta?
– Na empresa, meu pai deixou tudo que ele tinha para o Chay.
– E o meu pai?
– Esta lá também.
– Amiga acho que vou embora, afinal não quero encontrar seu irmão ainda. – Digo tentando não mostrar minha insegurança.
– Ok, você vai pra casa da sua mãe? – Ela pergunto.
– Sim. – Digo me levantando.
– Me liga, pra combinarmos de sair. – Ela se levantou também.
– Ok. – Sorriu. – Tchau Anne.
– Tchau Memis. – Ela grita feliz meu apelido de infância, algo que me deixa paralisada, poucas pessoas me conhecem assim só o Chay e meu pai me chamam assim.
– Ela vive ouvindo seu pai te chamar assim. Desculpa. – Lua se desculpou.
– Que isso, sem problema. – Asseguro abrindo a porta.
– Por favor não some. – Ela pediu e eu me virei para abraça-la.
– Pode deixar. – Quando me viro de novo para ir embora dou de cara com meu passado, coração acelerado? Ok. Frio na Barriga? Confere. Medo? Muito
– Melanie. – Foi a única coisa que ele disse.

4 comentários:

  1. Chamel *-* Ta perfeito amiga, continua <3

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  2. O capitulo fico lindo....Maiss quero ver a reação

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  3. mirella vasconcelos04/11/2014 11:53

    Amei

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Não vai sair sem comentar, né?! xD

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