20 de jul de 2014

Your Bed Or Mine? - Part.2


                                                     Heey amores, comentem muuito! <3 Bjks! 





CAPÍTULO 1 - SURVIVOR / Part.2
— Mas, mas... — balbuciou Lua, olhando para Carla. — Um juiz não pode adiar um divórcio só para provar um ponto de vista! Pode?
— Ele acabou de fazê-lo — respondeu a advogada.
— Mas Arthur e eu jamais conseguiremos chegar a um acordo! Nem em noventa dias. Nem nunca. O que acontecerá quando não tivermos chegado a um acordo ao final dos três meses? O juiz Parkins poderá nos atirar na cadeia por desobediência?
— Tecnicamente, não, mas isso não significa que Parkins não possa surgir com alguma outra acusação que poderia levá-los à prisão. Não corra esse risco. Faça o que o homem disse, ou talvez você tenha de trocar o seu vestido de "arrasar" por um uniforme de presídio não tão sedutor.
Carla apanhou sua valise e deixou a sala de audiências.
Lua seguiu-a rapidamente.
— Mas podemos entrar com um recurso, certo?
A velha amiga não respondeu. Segurando o braço de Lua, con­duziu-a pelo corredor. Quando estavam a uma distância segura da sala de audiências, puxou-a de lado, afastando-a do fluxo contínuo de pessoas em ambas as direções.
— Você pode apelar o quanto quiser, mas arranje outro advogado primeiro. De maneira alguma vou enfurecer ainda mais o juiz Parkins entrando com um recurso.
Lua encarou-a, boquiaberta.
— Está me dispensando como sua cliente?
— Não, estou aconselhando-a como sua advogada a levar a decisão do juiz Parkins a sério. Pare com essa infantilidade. Aceite a oferta de Arthur. Eu disse a você, quando ele se ofereceu para lhe comprar uma nova residência, que o homem estava sendo bastante generoso. Mesmo que você o forçasse a vender a casa, as benfei­torias que você fez ao longo do último ano e meio são mínimas. Aceite a oferta dele. É sua única escolha.
— De modo algum! — Lua sacudiu a cabeça com obstinação. — Foi Arthur quem não teve a coragem para ficar e tentar fazer nosso casamento dar certo. Não eu. Por que eu deveria ser punida quando foi ele que abandonou o lar?
Carla estudou-a com ar pensativo por um momento.
— Você ainda o ama, não é?
— Amor não tem nada a ver com isto. Quero meu divórcio!
— Então, aja de acordo. Quebre seu tolo voto de silêncio e tenha, finalmente, aquela longa e necessária conversa com Arthur . Diga-lhe o que acabou de me dizer. Que você não acha justo ser punida abrindo mão de seu lar e de Simon, sendo que foi ele que a abandonou.
Lua revirou os olhos.
— Dizer a Arthur como se sente não é sinal de fraqueza — falou Carla, lendo-lhe os pensamentos. — Aliás, você não teve o menor problema em dizer ao juiz Parkins como se sentia minutos atrás. Se tivesse ficado de boca fechada como eu a aconselhei, talvez ele houvesse assinado seu divórcio hoje.
Lua jogou os cabelos longos para trás com ar de desafio.
— Não foi o caso, infelizmente, mas o fato é que não pretendo morar em nenhum outro lugar. Exceto na minha casa. Com meu cachorro.
— Bem, eu fiz tudo que podia. Dependerá de você conseguir chegar a um acordo com Arthur.
E falando nele...
Arthur acabara de sair da sala de audiências. Embora estivesse de costas para elas, era evidente que se encontrava em meio a uma acalorada discussão com seu advogado.
Carla acompanhou o olhar de Lua e sorriu.
— Vamos ficar por aqui mais alguns minutos. Se conheço Pedro Peixoto, ele deve estar desnorteado. O arrogante achou que já havia ganhado o caso. Agora, terá de elaborar um plano B.
...
— Muitíssimo obrigado, Pedro. Por nada — disse Arthur, desgostoso. — Acreditei em você quando me disse que o juiz tomaria uma decisão a meu favor. O que vou fazer agora? Você até me encorajou a abrir mão do meu apartamento esta manhã!
— Juro que estou tão chocado quanto você. Nunca aconteceu de eu não ter vencido um caso perante o juiz Parkins antes.
— E isso deve fazer com que eu me sinta melhor? O fato de ser seu primeiro caso perdido no tribunal de Parkins?
— Não foi uma perda. Você ainda tem chance.
— Tolice! Nós perdemos. Chegar a um acordo com Lua em noventa dias é impossível.
Pedro franziu o cenho.
— O que quer dizer? Que está disposto a desistir? Que vai deixar Lua ficar com a casa e Simon? Ora, esse não é o Arthur Aguiar que conheço. Vamos, reaja! Não consegue pensar em nada que talvez possa fazer Lua mudar de ideia e lhe devolver a casa?
A pergunta fez Arthur soltar um riso.
— Além de me mudar de volta para lá? Não.
Pedro estudou-o por um momento. O largo sorriso que abriu em seguida indicou que tinha uma ideia.
— Oh, nem venha... — Arthur ergueu as mãos na defensiva. — Já vi esse sorriso antes. É sempre sinal de encrenca.
— Acha realmente que Lua sairia da casa se você se mudasse de volta para lá?
— Nem sequer siga por essa linha de pensamento. De maneira alguma eu submeteria a mim mesmo ou a Lua ao pesadelo de tentarmos viver juntos outra vez.
— Nem mesmo que isso significasse ficar com Simon e a casa?
Diante da hesitação de Arthur , Pedro prosseguiu:
— Não faria mal ao menos ameaçar voltar. Quem sabe? Talvez bastasse apenas isso para fazer Lua reconsiderar a situação e se mudar de lá.
— Não se iluda. Você viu como Lua se exaltou no tribunal. Ela nunca abre mão de nada.
— A exaltação dela no tribunal é o motivo de você estar parado neste corredor sem lugar para morar. Se não fosse por ela, você já estaria de saída para começar sua nova vida em sua antiga casa.
— Talvez. Mas duvido que Lua tenha sido a única responsável pela decisão do juiz. Parkins já estava aborrecido com o fato de não termos chegado a acordo algum.
— De qualquer modo, a explosão de Lua no tribunal só piorou as coisas. E eu não seria um bom advogado se não usasse isso a seu favor.
Ele lançou um olhar pelo corredor e tornou a sorrir.
Arthur virou-se.
Lua.
Parada um pouco além no corredor com a própria advogada.
E olhando diretamente para ele.
— Vou dar a notícia de que você vai se mudar de volta para casa — anunciou Pedro. — Espere alguns minutos e depois, vá até lá para reforçar minha ameaça. E desempenhe bem seu papel. Faça Lua estremecer diante da simples ideia de você se mudar de volta para a casa com ela.
— Droga, Pedro, espere!
Tarde demais. Pedro já se adiantava pelo corredor com ar deter­minado, indo direto até Lua.
...
— Aí vem o plano B. — Com um gesto de cabeça, Carla indicou o advogado de Arthur, que se aproximava pelo corredor.
Lua observou Pedro com frieza, sabendo que o ho­mem só perderia seu tempo se tentasse persuadi-la a desistir com alguma estratégia qualquer.
Sua calma, porém, só durou até o instante em que percebeu que Arthur seguia o advogado. Até vê-lo parar a poucos passos dela. Até que seus intensos olhos a atraíram com seu magnetismo.
Não!, disse a si mesma abruptamente. Não iria ceder ao poder que Arthur lhe exercia. A inexplicável sensação de não conseguir viver sem ele. Aquele sentimento desesperador fora sua maior per­dição... E não sucumbiria outra vez.
A maneira como Arthur a afetava fora o principal motivo para ter se recusado a vê-lo ou falar com ele durante o período inteiro de seis meses de separação. Não podia confiar em si mesma na presença do marido. Seu coração sempre sobrepujava a razão. Sa­bia que as consequências podiam ser desastrosas.
Ela estava com seis anos quando o pai saíra de casa e pusera um rápido fim a sua feliz infância. Se a mãe não tivesse caído em depressão profunda, culpando a si mesma porque o marido deixara a família por causa de outra mulher, talvez Lua não tivesse ficado tão arrasada também. Mas ter de cuidar de si mesma e da irmã caçula, enquanto a mãe ficara de cama por dias a fio, ensinara-lhe uma valiosa lição em tão tenra idade: a única pessoa de quem al­guém podia depender realmente na vida era de si mesmo.
Uma lição dura, para uma garotinha, mas bastante útil. Ela sem­pre fora capaz de contar apenas consigo mesma. Podia até comprar sua própria residência, se quisesse. Não precisava que Arthur Aguiar lhe comprasse uma!
— Receio que a explosão de raiva de sua cliente no tribunal irá lhe custar caro, Dra. Sommers — dizia Pedro a Carla com ar confiante.
Ela deu de ombros com indiferença.
— O que quer dizer exatamente?
— Que o comportamento rude de sua cliente deixou meu cliente numa situação difícil. Ele abriu mão de seu apartamento hoje de manhã.
— É um problema seu, Dr. Peixoto. A situação difícil de seu cliente não tem a menor importância para minha cliente.
— Oh, mas é aí que se engana. Uma vez que o juiz não tomou decisão alguma a favor de ninguém, a casa ainda é uma propriedade em comum. E, sendo assim, meu cliente exercerá seu direito de se mudar de volta para lá ainda esta tarde.
Lua ouviu a exclamação de aturdimento. Levou um segundo para perceber que era sua.
Pedro observou-a, o sorriso triunfante que mantivera nos lábios alargando-se.
— É claro que... — prosseguiu, fincando o punhal um pouco mais — Se sua cliente decidir ficar ou sair quando meu cliente se mudar de volta, dependerá unicamente dela.
Carla soltou um riso, mas não havia humor em sua voz quando retrucou:
— Se seu cliente for tolo o bastante para pisar de volta na pro­priedade que deixou por livre e espontânea vontade quando aban­donou minha cliente, ele será preso por invasão de domicílio.
“Preso?” pensou Lua, preocupada. Jamais faria com que Arthur fosse preso. Mas também não o deixaria mudar-se de volta! Seria uma tortura... Uma tentação grande demais para ela.
Estava prestes a puxar Carla de lado, perguntar se não haveria alguma lei que o impedisse de se mudar de volta para casa. Qual­quer coisa exceto mandá-lo para a cadeia.
Quase prestes a entrar em pânico, a voz de Arthur à fez recobrar-se de imediato.
— Lua não pode se arriscar a deixar com que eu me mude de volta. Não é mesmo, Luinha?
A pergunta apanhou-a de surpresa. Ele a fitava diretamente ago­ra, com um sorriso presunçoso que fez o sangue dela ferver.
— E o que isso quer dizer?
Arthur teve a audácia de rir.
— Acha mesmo que sou tão obtuso? — provocou-a. — Pensa que não sei exatamente por que você se recusou a me ver durante os seis meses inteiros em que estivemos separados?
— Vejamos. — Lua pousou o dedo indicador no queixo com ar zombeteiro. — Estaria se referindo ao fato de que você morreu para mim no minuto em que saiu pela porta da frente?
— Essa é sua versão. Gostaria de ouvir a minha?
— Não, não estou interessada em nada do que você tenha a dizer. Pensei ter deixado isso claro o bastante.
Arthur prosseguiu assim mesmo:
— Sexo. É por isso que você não pode se arriscar a deixar com que eu me mude de volta. Sempre achamos um ao outro irresistí­veis. Bastaria ficarmos cinco minutos a sós e acabaríamos na cama. Você sabe disso.
Lua sentiu a raiva se alastrando. Mas que cretino arrogante! Como ele se atrevia? Apesar de furiosa, conseguiu reagir com um sorriso zombeteiro.
— Pobre Arthur . Só pode estar delirando. Para sua informação, eu já o havia esquecido enquanto você ainda estava deixando a casa em seu jipe.
— Prove — desafiou-a ele.
O coração de Lua quase parou. Quando ia aprender a manter sua "boca voluntariosa" fechada?
— Você sabe que jamais conseguiremos chegar a um acordo no que diz respeito à casa e Simon — continuou Arthur. — Se realmente já me esqueceu, vamos transformar esta situação em algo que pos­samos resolver entre nós.
Uma voz na mente de Lua lhe dizia para correr. Para tirar os sensuais sapatos vermelhos e correr como nunca.
— Eu a aconselho a ignorá-lo — interveio Carla. — Esses dois estão tentando apanhar você numa armadilha. Não deixe que a pressionem.
Lua olhou de volta para Arthur, que tinha uma expressão triunfante agora. Era de enfurecer!
Não devia demonstrar medo, disse a si mesma. Era só desmas­cará-lo, expor seu blefe.
— O que tem em mente? — ouviu-se perguntando.
— Um jogo da vida real, do tipo Survivor — propôs Arthur. — Seu reality show favorito. O vencedor leva tudo.
— Você odeia reality shows.
— Porque não há nada de real nos programas da tevê. Mas isto é a realidade. A sua e a minha. Você quer Simon e a casa. É o que eu também quero. O primeiro a derrotar o outro fica com tudo.
— Lua, não faça isso — avisou-a Carla.
— Continue falando — disse Lua.
— Já provamos que não conseguimos viver juntos — prosseguiu Arthur. — É por isso que o fato de eu me mudar de volta será um desafio digno de resolver nossa disputa pela propriedade. Se eu me mudar da casa primeiro, você vencerá. Se você se mudar primeiro eu vencerei.
— Espere um minuto — interveio Carla e olhou para Lua. — Não se arrisque a violar seu acordo de separação permitindo que Arthur se mude de volta. Se deixar que ele volte, terá de começar seu período de separação novamente.
— Nada disso — corrigiu-a Pedro. — A lei determina que as duas partes ainda podem viver separadas na mesma casa, enquanto estão dando entrada no divórcio. As partes apenas não podem dividir a mesma comida, nem a mesma cama.
— E dividir a mesma comida certamente não será um problema para nós, não é, Lua?
Ali estava outra vez aquele sorriso sardônico no rosto de Arthur.
Lua desejou poder apagá-lo à força!
— Dividir a mesma cama tampouco — retrucou. — Na verdade, eu preferiria comer um de seus aviltantes hambúrgueres de soja a deixá-lo voltar para minha cama.
Pronto! O Senhor Irresistível não estava mais sorrindo tanto...
— Bem — falou Pedro, esfregando as mãos. — Todos concordaram, então? Finalmente descobrimos uma maneira de resolver a disputa?
Carla ergueu a mão, objetando.
— O que irá acontecer ao final de noventa dias se nenhum dos dois tiver se mudado da casa?
— Acho que teremos de renegociar — sugeriu Pedro.
— Não haverá necessidade de renegociarmos — declarou Arthur confiante, desafiador.
— É exatamente o que eu penso — declarou Lua com a mesma confiança. — Tenho certeza de que sair de casa pela segunda vez será ainda mais fácil para você do que na primeira vez.
O sorriso dissipou-se do rosto de Arthur, e ela abriu o seu.
Carla guiou-a pelo corredor para conversarem a sós.
— Não percebe que Arthur está jogando com você? Ele conhece sua fraqueza, sabe que você não recua de um desafio.
Carla entendera tudo errado. Arthur era a fraqueza dela. Resistir a ele seria seu desafio, sabia Lua.
— Por favor, não faça isso. Diga a Arthur para esquecer. Se ele tentar se mudar de volta, nós mandaremos prendê-lo.
— Não. Eu jamais faria com que Arthur fosse preso e ficasse com uma mancha em sua ficha impecável. Ele poderia perder seus con­tratos com o governo se eu fizesse isso. Além do mais, não perderei esse jogo. Dou duas semanas a Arthur , no máximo. Acredite, ele sairá correndo e gritando da casa depois de ter vivido sozinho e em plena organização durante os últimos seis meses. Sem mencionar que não vejo alternativa para acatarmos a decisão do juiz e resolvermos essa disputa em apenas noventa dias.
— Nesse ponto você tem razão. Mas, se insiste mesmo em levar isso adiante, terá de se preparar para o jogo, estipular algumas regras. Arthur pode decidir jogar sujo para obter o que quer.
— Como assim?
— Ele conhece você bem demais. Qual é a única coisa que Arthur poderia fazer que levasse você a deixar a casa para nunca mais voltar?
Lua piscou. Várias vezes. Outra mulher! Tê-la abandonado já fora ruim o bastante, mas se Arthur levasse outra mulher para sua casa, Lua sairia no mesmo instante.
A simples ideia já lhe revirava o estômago.
— Lembre-se do que está em jogo — avisou-a Carla nova­mente. — O vencedor leva tudo.
...
— Uau! — exclamou Pedro, dando um tapa nas costas de Arthur. — Esse, sim, é o Aguiar que eu conheço. Esse seu desafio ao estilo Survivor foi um golpe de mestre.
Arthur não se deixou contagiar por todo aquele entusiasmo. Ainda estava chocado com a encrenca em que se metera. E inconformado por ter deixado Pedro envolvê-lo numa situação em que a vitória parecia estar bem longe do alcance.
Mas por que deveria estar?
Ora, não aprendera ao longo de sua vida que o controle era a chave em qualquer situação? Através do controle alcançava-se o poder. E, do poder, a vitória. Aprendera aquelas palavras com seu pai e ouvira-as a cada dia enquanto crescera. Vitória. Aquele era seu objetivo: ficar com Simon e a casa. A principal razão que o levara a fazer o desafio a Lua.
Agora, se fora um golpe de mestre, ou pura insanidade, não tinha certeza.
O fato fora que decidira fazer o jogo de Pedro quando vira a expressão no rosto de Lua diante do anúncio de sua mudança de volta para casa. Em vez do esperado ar beligerante, vira pânico rosto dela e aquilo lhe dissera algo que não percebera até aquele momento.
Lua não o detestava. Ao contrário; ainda se sentia atraída por ele. Fora por aquela razão que o estivera evitando ao longo dos seis meses anteriores!
Numa fração de segundo, Arthur decidira fazer sua jogada.
Forçando a questão, realmente esperara que Lua , enfim, pu­sesse um fim àquela loucura, que aceitasse sua oferta de lhe com­prar uma nova residência e lhe entregasse Simon e as chaves da casa.
Eles precisavam prosseguir com suas vidas; terminar o casa­mento era a única solução. Os dois estavam ciente daquilo.
Ainda assim, ele não conseguia parar de pensar no severo ser­mão que o juiz Parkins lhes passara no tribunal.
Se tivessem se empenhado o suficiente, ambos poderiam ter resolvido suas diferenças, se tivessem sido mais tolerantes com as pequenas manias do outro, até descoberto possíveis afinidades... Feito aquele casamento dar certo.
Ele observou Lua, conversando com a advogada mais adiante no corredor e teve de aquietar sua própria libido. Ela era linda, sexy, irresistível. Não havia dúvida. Tudo em seu corpo o excitava. Tudo em sua personalidade o enlouquecia. Infelizmente, sabia que Lua se sentia do mesmo modo a respeito dele.
Apesar de ter negado, ela ainda o desejava. Arthur também estava ciente, porém, de que seu gosto por ordem e disciplina a enlouque­cia. E era o mais frustrante na situação toda.
Os dois se amavam. Os dois se desejavam. Simplesmente, não havia meio termo. Ou ambos estavam fazendo amor de maneira arrebatadora, ou gritando um com o outro.
Lua, na verdade, estivera tentando chegar a um consenso quan­do levara adiante a ideia maluca de Pedro. Esperando que Lua se sentisse da mesma maneira que ele. Que também achasse que vi­veriam juntos outra vez... Mesmo temporariamente... Não era uma alternativa viável.
Tornou a olhar ao longo do corredor, esperando que Carla estivesse conseguindo fazer Lua enxergar a razão. Convencendo-a a aceitar sua oferta de compra de uma casa para colocarem um fim àquela disputa de uma vez por todas.
De repente, Lua começou a caminhar de volta em sua direção e, pelo brilho em seus olhos, um acordo favorável não pareceu muito próximo.
...
— Eu aceito o seu desafio do tipo Survivor — anunciou Lua. — Desde que você concorde com algumas condições.
Arthur pareceu perplexo.
— Quais? — perguntou com ar cauteloso.
— Nada de outras mulheres na minha casa.
Ele não respondeu; apenas continuou encarando-a com aquele ar aturdido.
Foi Pedro quem, enfim, falou:
— Meu cliente concorda com essa condição. Mas exige a mesma cortesia de sua parte. O acesso a casa também ficará proibido a qualquer um de seus amigos.
— Concordo. — Lua continuou explicando suas condições a Arthur. — Uma mudança hoje está fora de cogitação. Preciso de algum tempo para reorganizar minhas coisas. Você terá de esperar até amanhã para voltar para a casa.
Pedro olhou para Carla e franziu o cenho.
— Sua cliente deveria ter estado com suas coisas arrumadas para se mudar de lá hoje.
Arthur interveio:
— Amanhã está bem. Ficarei no centro de treinamento hoje à noite. Mas pode me esperar bem cedo. Algo mais?
Lua pensou por um momento e sacudiu a cabeça.
— Acho que isso é tudo.
Notando que Arthur pareceu aliviado, ocorreu-lhe que deveria ter imposto mais algumas condições só para irritá-lo, mas estava aba­lada demais com a ideia de ele se mudar de volta para conseguir pensar com clareza. Apanhando seu chaveiro da bolsa, removeu a chave da nova fechadura da porta da frente e entregou-a a Arthur.
— Uma vez que minha ideia do que é "bem cedo" é bastante diferente da sua, provavelmente ainda estarei dormindo quando você chegar. Leve suas coisas para o quarto de hóspedes no final do corredor. Você sabe qual é. O quarto que fica o mais longe possível da minha suíte principal.
— Acontece que é a minha confortável cama de casal que está no quarto principal. Eu já a tinha antes de nos casarmos. Acho que devemos tirar a sorte para ver quem fica com a suíte.
Lua ergueu o queixo com altivez.
— Nem pensar. É a minha cama. E a minha suíte.
— Por enquanto — prometeu Arthur por entre os dentes.
— Que o jogo comece. — informou Lua, estreitando os olhos.
Antes que ele tivesse chance de ficar com a última palavra, ela girou nos calcanhares e se afastou com um ar confiante que só o deixou ainda mais exasperado.
Sim, que o jogo começasse, pensou Arthur, embora sem o menor entusiasmo. O que, afinal, estivera pensando? Lua desistindo?
Nem em noventa dias.
Nem em noventa anos!

8 comentários:

  1. +++++++++++++++++++++++++++++++++++

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  2. os primeiros dias vão ser difíceis kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Ana

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  3. posta mais pf, eles dois na mesma casa vai ser fogo kkkkkkkk

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  4. Quero só ver no que vai dar essa convivencia u_U kkkk
    Adoreeii =)

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  5. Kkkkkkk omg! Não dô mais dois capítulos para eles estarem na mesma cama novamente. Kkkkkkkk ^-^
    #Amando!

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  6. Q divooo!!! Posta maiiiiiiiis!!!
    Xx Beca

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