23 de mar de 2014

Mini Fic - Sonho de Verão

 

Capítulo 3 - Último capítulo.



Pov Lua

  - Porque você fez isso pai?- Eu gritei tentando socorrer o Arthur.
  - Como você tem coragem de sair com qualquer um que você conhece?
  - Não é qualquer um, é meu namorado!
  - Como é que é?- Ele arregalou os olhos para mim.
  - É meu namorado!!- O coloquei sentado no sofá e meu pai veio na minha direção.
  - Como você começa a namorar qualquer um que você acha e sai pelas ruas parecendo uma desembestada agindo como uma criança?- Tomei um ar num suspiro profundo e tomei uma coragem para enfrentar ele também.
  - E o senhor está agindo como? Como um pai dos anos 50 em que a filha não pode conhecer ninguém, nem sequer num verão, como em todo o ano e tentar viver bem porque o pai acha simplesmente que ela tem que se dedicar a atividade “lúdica” de lavar pratos, cozinhar e arrumar casa para conseguir um “bom partido”.- Ele arregalou mais os olhos para mim e eu o encarei.- Eu não sou mais criança! Eu quero viver o que eu acho de bom, se é para aprender, eu vou aprender com meus erros! E vou viver cada minuto da minha minúscula vida fora de casa como um sonho! Todas as experiências, seja lá o que for e ninguém vai me impedir!- Ele me deu um tapa na cara e o Arthur levantou do sofá. Meu pai o pegou pelo braço e o botou para fora de casa. Eu ouvi ele me chamando e tentei ir atrás, mas já era tarde e meu pai já vinha em minha direção.
  - SUBA AGORA! LIGUE PARA SUA MÃE E AVISE QUE ESTÁ VOLTANDO.
  - Pai... Por favor...- Estava aos soluços já, sem saber do Arthur, nem o que ele ia fazer comigo. Eu o amava! Sim! Eu o amava! Amava tanto meu pai quanto o Arthur, mas ele não tinha o direito de me privar de ser feliz, era uma única oportunidade de viver com quem eu tinha certeza de que nunca me faria mal, que era o meu sonho de verão, era meu sonho terno e eterno. Lembrança guardada com carinho inigualável no meu coração. Subi degrau por degrau. Tranquei a porta do quarto e disquei o número da minha agenda, que com certeza era o mais preciso.

xx  Começo da Ligação  xx

- Amigaa! Como tá aí?
- Oi Sô.- Falei fraca.
- O que houve?
- Quando chegar eu te falo, estou chegando aí hoje, no final da tarde, me espera no aeroporto?
- Claro amiga, mas o que houve, porque estava chorando?
- Prometo que te explico, beijos e até.
- Até...

xx  Fim da Ligação  xx

  Arrumei minhas malas e mandei uma mensagem para minha mãe dizendo que estaria de volta daqui a algumas horas. Lavei meu rosto, para ver se desinchava, mas infelizmente não funcionou. Desci do mesmo jeito e encontrei meu pai, já com minha passagem impressa na mão a minha espera:

  - Nunca mais se envolva com qualquer um.
  - ELE NÃO É QUALQUER UM!- Gritei defendendo.
  - Não vou mais discutir com você, não tem porque.
  - Não tem porque o que o senhor fez, tudo isso porque estava namorando.
  - Eu disse que não vou mais discutir, vá para o carro e eu levo a mala.- Desobedeci e eu mesma a levei. Fomos o caminho em silêncio e quando chegamos ele foi me dar um abraço. Empurrei sua mão e saí a pisadas firmes. Fiz o check-in e entrei no avião com 5 minutos de atraso. Sentei-me ao lado de um garoto, um garoto não, um jovem, aparentava a mesma idade do Arthur e olhou para mim:
  - Houve alguma coisa?
  - Não te interessa.
  - Não precisa ser grossa.
  - Não precisa falar nada.
  - Só queria ajudar.
  - Então fica quieto.- Assim que a comissária de bordo permitiu que ligássemos os celulares no modo avião, o fiz. Estava sem paciência para escutar ninguém com seus conselhos, eu queria o Arthur comigo, mas depois de um tempo eu fiquei com remorso do jeito que eu falei com o meu “vizinho” e virei-me a ele.- Desculpe, eu não estou muito bem.
  - Não, tudo bem.- Ele sorriu.- É assim mesmo que acontece, a gente fica de cabeça quente e não quer conversar com ninguém, mas de qualquer forma, tudo vai se resolver.
  - Brigada.- Chegou em meu destino. Acenei para ele que continuaria, porque era só uma escala e desci. Peguei minhas malas e quando abri a porta a Sophia estava a minha espera toda Polly Pocket, rosa neon e verde neon.
  - Amiga...- Ela me lançou um olhar acolhedor e me abraçou.- O Mica tá aí para levar a gente, em casa você me conta tudo o que aconteceu. Ah! Sua mãe pediu desculpa, mas ela teve de ir a uma reunião e mandou avisar que daqui a alguns dias vocês vão se mudar para aquele apartamento.- Íamos nos mudar mesmo, não fiquei espantada, e além do mais, era só de casa, não de cidade.
  - Tudo bem.- Saímos abraçadas e entramos no carro do Micael.- Oi Mica!
  - Oi Lu! Tudo bem?- Ele olhou pelo retrovisor. Sorri.
  - Sim.- O caminho todo essa foi a única conversa. Quando chegamos em casa ele se despediu da Soph e nós duas entramos. Fomos para meu quarto, eu tomei um banho e começamos a guardar as minhas roupas sujas e limpas e a arrumar o guarda-roupa:
  - Fiquei preocupada Lu... O que houve?
  - Lembra-se daquele menino que contei para vocês que eu tinha conhecido?
  - Sim.
  - Então, meu pai só ia voltar do trabalho amanhã no final da tarde, aí a gente começou a namorar e eu dormi na casa dele, sem segundas intenções Sophia!- Olhei para ela e voltei a arrumar as coisas e ao mesmo tempo contar.- Quando eu voltei, meu pai deu um soco na cara dele, me deu um tapa na cara e colocou ele para fora só porque não queria que eu namorasse, e blá blá blá. Foi aí que eu liguei para você, arrumei minhas coisas e fui para o aeroporto.- Meus olhos já estavam marejados.
  - Amiga...- Nos abraçamos forte.- Tudo vai se resolver. E vamos esquecer isso e arrumar suas coisas.- E o fizemos.- Fomeeee!
  - Sophia sua draga.- Rimos. Descemos, nos lambuzamos de bolo de chocolate e refrigerante e depois subimos de novo.
  - Vamos sair hoje para o calçadão e ficar colocando apelidos no povo?
  - Essa é minha atividade preferida! Eu vou me arrumando enquanto você liga para o pessoal tá bom?
  - Ok dona Lua, coloca rosa hein!
  - Nunca! Preto é vida!- Gritei do banheiro.
  - Vida do Drácula!
  - Então meu nome agora é DracuLua!- Gargalhamos.
  - Então seu pretendente é o Drácula?!
  - Não!
  - E quem é?
  - O DracuThur!- Rimos.

(...)

“Querido diário,
Hey! Última folha! Há quanto tempo hein?! 5 anos! Quando me mudei acabei perdendo você e nem sequer save das “novs”. Deu tudo errado naquele tempo, o meu pai bateu no Arthur porque não queria que eu namorasse com ninguém e eu voltei para casa. Três dias depois me mudei para um apartamento e foi aí que eu perdi você. E olha onde eu te encontrei! No meio das minha velharias, e aqui vai o relato mais lindo, na sua última folha, eu e o Arthur nos reencontramos! É... Alugamos um apartamento e moramos juntos. Na verdade foi um acaso, quando eu estava a procura de emprego e adivinha quem se sentou ao meu lado à procura da mesma coisa? Pois é... É como dizem, sonho que é sonho não acaba, somente pede uma pausa, um momento de reflexão, e eu refleti e escolhi minha opinião (rimou!), ele sim é o dono do meu coração, dos meus sonhos profundos, dos meus carinhos guardados e de todo o meu amor. Enquanto a Sophia e a Mel... engravidaram! E eu sou madrinha das filhas delas, eu e o Arthur, meu DracuThur (ainda lembro dessa piada). Eu e o Arthur ainda não pensamos em ter filhos nem nada, cedo ainda, MUITO cedo! Mas nos amamos muito.
Beijos,
Lua."

2 comentários:

Não vai sair sem comentar, né?! xD

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