23 de mar de 2014

Mini Fic - Sonho de Verão

 

Capítulo 1 - Lembranças e te conhecendo



“Querido diário,
Estou indo passar uns dias na casa do meu pai. A casa dele uma casa de praia, é linda! Meu quarto tem uma janela muito grande de vidro que dá para o mar, na verdade quase a parede inteira é a tal janela. A vista é incrível! Você acredita que mamãe me disse que não sabe que dia eu vou voltar? Bom, mas tudo bem. É um paraíso, e claro que você vai junto. A Sophia e a Mel já disseram que morrerão de saudades (exagero, né?), mas que ficarão bem com seus namorados. Já falei deles para você? Acho que nem delas falei muito, então aí vai um relatório:

Chay:
Namorado da Mel. É muito engraçado, às vezes meio desleixado, muito comilão, até isso nos faz rir, mas é uma pessoa ótima, e a faz muito feliz.
Micael:
Namorado da Sophia. É bem livre, bem ele. Tem um jeito bem molecão, mas também a faz muito feliz.
Sophia:
A mais patricinha, k! Ama rosa e branco, nunca vi igual! É a minha maior confidente.
Mel:
Faz o estilo romântico e bem country. Com ela é puro risos e diversão.
Deu para ver que as duas se completam né? E enquanto as duas estão namorando, eu ainda estou aqui. Nunca achei um cara certo para mim, um “Esse Cara Sou Eu!”. Já beijei? Sim, sim! Mas namorar mesmo, nunca. Depois escrevo para você, mamãe está me chamando para arrumar minhas malas, acho que vou demorar um pouquinho para escrever de novo.
Beijos,
Lua.”

Lua nunca foi uma garota insociável ou difícil, mas era rebelde para as coisas certas. Certa de si, do que queria, nunca sentiu inveja de ninguém, achava que se foi feita assim, era assim que viveria. Levantou-se de sua cadeira e pegou seu caderno já um pouco antigo e com poucas folhas brancas e o fechou. Foi a primeira coisa que colocou em sua mala, seguido por muitas roupas de verão, sandálias, bolsinhas em que guardava seus objetos pessoais e tudo o que precisaria. Deixou um pijama e uma roupa já separados para dormir e ir viajar. Ela, logo após, sentou-se em uma cadeira e a colocou perto da janela para admirar a cidade. Realmente era tudo lindo, mas o cheiro do mar superava todas aquelas buzinas, luzes e faróis que se mantinham presos todos os dias naquela atividade rotineira. Perdida em seus pensamentos cheios de gases e luzes, um toque de realidade lhe veio assim que sua mãe tocou-lhe seu ombro:

 - Filha, seus amigos estão aí. Vem descer!
  - Obrigada mãe.- Ela calçou suas sandálias e encontrou os amigos sentados no sofá na maior bagunça.- Oi gente!- Cumprimentou cada um.- Houve alguma coisa para virem aqui?
  - Amiga! A gente já está morrendo de saudades de você.
  - Sophia! Não é para tanto.
  - É claro que é... Fica vai... A gente vai morrer de saudades de você! Vamos no cinema juntos, no shopping, na praia, tem a sorveteria, o calçadão, e muito mais coisas. A gente combinava isso desde o começo do ano, fica vai...- Sophia fazia parecer como se fosse um ano, mas ela não iria morar lá, era só um tempo. Mesmo assim, todas aquelas promessas, rotinas para cada dia das férias, o último iriam estar sozinhos, cada um em suas casas para descansarem se tornavam constantes em sua memória.
  - Gente...- Tentou amenizar a situação.- Não é a vida inteira, é só alguns dias. Não fiquem assim, prometo que quando voltar vamos fazer tudo isso viu pessoal? Agora vamos comer uma pizza que eu mesma vou fazer tá? Alguém quer me ajudar?
  - Todos!- Responderam e foram para a cozinha. Bagunça para todos os lados, mas no final deu tudo certo e ficou uma delícia.

(...)

  Já eram 00:00 e estavam todos ainda na maior conversa, mas Maria Cláudia resolveu detê-los, sua filha acordaria cedo amanhã para a viagem:

  - Meninos, acho melhor irem para casa descansarem.
 - É mesmo tia, já estamos indo.- Micael foi o primeiro a se levantar, seguido pelos outros que também se despediram de Lua. Ela, que subiu para o seu quarto e foi dormir com o peso das memórias de promessas que pareciam que não poderiam ser realizadas, não por enquanto. Tinha um aperto no coração, um pressentimento de que nada daquilo aconteceria, de que aquelas férias seriam diferentes de qualquer uma das que já teve.

Pela manhã, acordou cedo e se vestiu. Encontrou Maria Cláudia sentada na mesa já a esperando para tomar café:

  - Bom dia filha, você está atrasada, coma rápido enquanto eu vou lá em cima pegar minha bolsa.- E o fez, quando desceu, Lua já estava no carro a sua espera. Quando chegaram, ela disse que ainda não sabia o tempo que ela passaria lá, mas não moraria, claro! Abraços e choros à parte, a viagem correu muito bem, e quando chegou foi recebida com o sorriso de seu pai em frente ao portão de desembarque a sua espera:
  - Pai! Que saudade!- O abraçou forte.
  - Também estava filha, como está?
  - Bem e o senhor?
  - Ótimo. Vamos?
  - Claro.- Seguiram para casa cantando as músicas locais e rindo muito. Ainda conhecia um pouco daquela cidade. Quando chegaram, ela foi direto ao seu quarto para arrumar suas malas e enviar uma mensagem para os amigos e a mãe:

xx  Cheguei bem. Já estou com saudades. Amo vocês.
Roberta  xx

 Tomou um banho e desceu:

  - Oi filha!
  - Oi.
  - O que quer fazer?
  - Não sei. Alguma sugestão?- Falou brincalhona e deitou no sofá.
  - Você pode dar um passeio, uma caminhada aqui pela praia, abriu novos quiosques, acho que vai gostar. Pode dar um mergulho ou na piscina ou no mar, pode tomar sol.
  - Quanta opção!- Falou ainda brincando.
  - É. 
  - Só uma pergunta.- Falou relembrando de sua dúvida.- Porque não me disseram que dia eu vou voltar para casa?
  - Nós decidimos isso enquanto você viajava, vai passar aqui, acho que mais ou menos cinco dias, não está certo, pode ser mais ou menos.
  - Hm... 
  - Filha, outra coisa também, eu vou precisar trabalhar, a comida já está pronto e tudo limpinho. 
  - Tudo bem pai. Eu vou dar uma volta. Beijo e bom trabalho.- Deu um beijo na bochecha do seu pai e foi caminhar à beira do mar. Tão gostoso ali, não era uma praia movimentada, mal, mal passavam pessoas caminhando. Viu ao longe uma fila de quiosques, realmente eram muitos novos, na última vez que esteve ali só tinha dois, se bem que já haviam se passado anos. Pensava nos seus amigos, saudades de estarem ali com ela, por um momento se sentiu sozinha.

Enquanto isso, Arthur trabalhava rapidamente para atender todos os pedidos correndo de um lado ao outro com os pés descalços na areia. Só haviam dois garçons e o outro ainda era novato, ou seja, a maioria do trabalho para ele. Mas não reclamava, melhor isso para se sustentar sozinho do que viver numa casa em que seu pai o reclama o dia inteiro, até quando não fazia nada. Somente essas lembranças às vezes passavam em sua cabeça no momento de trabalho.

Lua teve a ideia de começar a correr, passaria mais rápido o tempo e poderia encontrar logo os quiosques, mas esqueceu-se de seus graves problemas respiratórios. No meio do caminho sentiu o ar faltar e as pernas ficarem bambas, a fazendo cair sentada sobre a areia. Com a testa sobre as mãos esperou desesperadamente aquela sensação passar.
10... 20... 30 minutos...
Foi o tempo que levou para se recuperar. Pegou as sandálias nas mãos e andou até o quiosque mais perto, sentando-se numa mesa e esperando ser atendida. Nada de ninguém chegar e ela começou a ficar impaciente. Abanou as mãos e falou um pouco alto:

 - GARÇOM!!- Um garoto atordoado veio correndo em sua direção com copos de suco de uva cheios em sua bandeja que acabaram por cair em sua cabeça roupa, pernas e braços.
  - Desculpe! Deixa eu limpar isso!- Pegou um lenço em seu bolso e esfregou, só que piorou a situação, a roupa ficou mais manchada e Lua tentava acalmá-lo. De repente o gerente saiu de dentro de uma sala fechada:
  - VOCÊ ESTÁ DEMITIDO PEDRo! JÁ NOS TROUXE MUITO PREJUÍZO! ARTHUR!- Gritou para um garoto que estava entregando pedido. - AJUDE ESSA GAROTA E DEPOIS TIRE O DIA DE FOLGA! E O QUIOSQUE ESTÁ FECHADO PARA MAIS QUALQUER PESSOA!
  - Sim senhor.- Ele tirou o avental e veio falar com ela. - Oi, desculpa pelo Pedro, ele é novo aqui.
  - E já foi demitido?- Falou com pena do novato.
  - O nosso chefe é assim mesmo, bem duro. Eu acho que você vai precisar lavar a blusa.
  - É. Eu vim aqui para fazer um pedido, mas acho que já tá fechado.
  - Quê isso! Eu pego para você. O que quer?
  - Uma água, por favor.
  - Tá bom, já volto.- "Que fofo! Todo prestativo!", pensou com olhar de boba. Assim que ele chegou com sua água, a bebeu. Levantou-se e virou-se a Arthur:
  - Agora eu preciso ir. Obrigada.
  - Não por isso, mas será que posso levar a "menina sem nome" para casa?
  - Hm... Que tal levar a Lua para casa?
  - Então o Arthur vai levar a Lua para casa, pode ser assim?
  - Claro.- Seguiram pela beira do mar.
  - Vamos fazer um jogo de perguntas? Eu te faço uma pergunta, você responde, eu respondo a mesma e vice-versa tá bom?
  - Tá bom.
  - Idade?
  - 17 anos.
  - 20 anos.
  - Aniversário?
  - 2 de setembro.
  - 10 de outubro.
  - Signo?
  - Libra.
  - Virgem.
  - Mora aonde?
  - Aqui.
  - Porto Alegre.
  - Tem filhos?
  - Não! - Ele riu com a ênfase na resposta.
  - Também não.
  - Curiosidade?
  - Moro sozinho.
  - Moro com minha mãe. 
  - Acho que acabou as perguntas né?
  - Também já chegamos. 
  - É aqui sua casa? Você é filha do Billy?- Disse impressionado.
  - É...
  - Posso almoçar com você?
  - Claro! Meu pai não está em casa, e nem tem secretária. Então eu vou fazer a comida, por isso vai demorar um pouquinho, mas não sai ruim.- Brincou enquanto iam até a cozinha após terem entrado na casa.- E de onde conhece meu pai?
  - Ele é muito conhecido, sua rede de supermercados é grande por aqui.- Sentou-se na cadeira que tinha de um balcão lateral.
  - Nem sabia disso. Estava pensando, a gente mal, mal se conheceu e você já veio almoçar aqui né?
  - A gente daqui é assim, fazemos amizade fácil- Sorriu torto
  - Pois é, bem que já vi. E é verdade que você mora sozinho?
  - É, eu tenho alguns problemas com meu pai e preferi. E você, mora em Porto Alegre?
  - É, vim só passar um tempo com meu pai.
  - Legal, quer uma ajuda aí?- Se referiu a comida e ficou impressionado ao vê-la levantar uma travessa com macarronada.
  - Não, obrigada. Já terminei, vamos?- Sentaram na mesa e almoçaram em meio a gargalhadas.- Vai fazer alguma coisa hoje à tarde?- Sentia-se íntima. Ele era tão doce, gentil e educado que a fez se sentir bem.
  - Não, porque?
  - Podíamos assistir um filme.
  - Eu topo.
  - Que tal Up! Altas Aventuras?
  - Pode ser.- "Como posso me sentir tao a vontade, ter tanta confianca em alguem que conheci em menos de 24 horas?". Assistiram e quando terminou olharam um para o outro.- Preciso ir para casa arrumar tudo, obrigada pela tarde.- Deu-lhe um beijo na bochecha e ela o levou ate a porta. Quando ja estava um pouco longe ela gritou:
  - Quando vamos nos ver de novo?
  - Amanha moça bonita!- Gritou e acenou.

"Querido diario,
voce nao acredita no garoto que encontrei hoje? Se brincar posso dizer que ele... perfeito?! "Lua! Voce falando isso?!", pois e, nem eu acredito. Ele e fofo, educado, amoroso, carinhoso, resumindo, tudo de bom! E tãããããão bonito! Usa um topete todo arrumadinho e trabalha num dos quiosques aqui perto. Fui correr hoje de manhã e passei mal, cheguei lá e levei um suco de uva em cima de mim, o garoto era novato. Aí o Arthur veio me ajudar, almoçou aqui em casa, assistimos um filme e quando ele saiu eu perguntei quando iríamos nos ver de novo e ele gritou:

  - Amanhã moça bonita!- Surtei na hora, entrei em casa e fiquei gritando feito uma (desculpe, mas é a verdade diário) RETARDADA! Eu estou apaixonada! AAA! Se a Mel e a Sophia souberem vou ouvir gritos histéricos até minha próxima vida. KK! E conversamos sobre cada um de nós, foi mágico!
Beijos.
 Lua"


Enquanto isso Arthur abria a porta do seu pequeno apartamento, aquela princesinha de cachinhos dourados não lhe saía da cabeça. Signo, Libra, 17 anos de pura beleza, juventude e meiguice. Linda, linda, linda... E amanhã? O que iria fazer? Praia, cinema, passeio? Que tal tudo junto?Ou algo especial?


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