16 de nov de 2013

Cap. Único - Um sonho de Natal.


* Natal chegando.. se divirtam com essa web fofa *



- Eu nem acredito que estamos comprando uma árvore de Natal - dizia Arthur animado, saltitando ao meu lado. - Sério, se a gente fosse usar aquela árvore de novo...
- Amor, sossega - falei rindo. Arrumei as sacolas em meus braços, tentando chamar a atenção dele para o peso que eu carregava. - Não vamos mais usar aquela árvore velha, está bem? Já a montamos duas vezes juntos, podemos comprar uma melhor.
- Arthur, seu animal, - ralhou Mica ao se aproximar de nós - sua mulher está grávida, quase parindo e você fica aí, preocupado com as árvores de Natal ao invés de ajudar a carregar as compras?

Meu marido pareceu sem jeito ao ver seu amigo tirando as sacolas dos meus braços. Estávamos casados há dois anos e pela primeira vez a festa de Natal do McFLY seria em nossa casa. Nossa recém-comprada casa. Depois de tanto tempo de procura, eu quase implorando para sairmos do apartamento onde ele morava, encontramos um imóvel do jeitinho que nós dois queríamos. Três quartos, uma ampla sala, que fora dividida entre sala de estar, sala de jantar e sala de TV, uma cozinha imensa e um quintal maior ainda. Arthur logo tratou de ocupar uma parte do quintal com um estúdio novinho em folha que ele mandara construir. Era ali que os quatro homens mais famosos da Inglaterra passavam quase todas as tardes. Sim, homens. Eles haviam crescido e, de adolescentes inconsquentes, jovens adultos irresponsáveis, passaram a quatro homens maduros e bem resolvidos. Ou quase.

- Meninos, por favor, vocês vão quebrar isso! - falei me arrepiando ao ver Thur fazer malabarismos com três bolinhas brilhantes.
- Eles não crescem nunca, cara - disse Sophia, esposa de Mica e minha grande amiga.

Nos conhecemos no Brasil, ainda jovens. Fui a primeira a me mudar para Londres, onde conheci Arthur e seus três amigos malucos. Em seguida, um ano depois, Sophia se mudou e caiu nas garras de Mica . O casamento deles fora belíssimo, digno de um conto de fadas. 
Diferente do meu e de Arthur, que foi mais simples, mas que aproveitamos horrores e não nos preocupamos tanto. Saíamos sempre juntas quando morávamos mais próximas, mas agora, com a mudança para a nova casa, nem tudo era fácil.
Sophia, no entanto, não tivera a mesma sorte que eu. Apesar do marido incrível que ela arrumou, um problema de saúde a atingiu e ela não podia ter filhos. Isso não foi problema para os . Pouco tempo depois, eles adotaram um garotinho oriental, por quem tinham um amor imenso e cuidavam com todo carinho e zelo que se podia imaginar. Kevin estava passando o dia com a avó, mãe de Mica, enquanto seus pais acompanhavam eu e Arthur nas últimas compras para a festa.

A casa estava toda decorada. Se não fosse por Arthur e sua teimosia, não teríamos saído em meio a nevasca que atingia Londres para comprarmos uma árvore natural. Eu não me incomodava, mas ele cismou que queria. Depois dizem que mulher grávida que é cheia dos desejos e das frescuras.
Horas se passaram até que ele conseguisse escolher uma árvore que o agradasse. Meus pés já estavam enormes e eu não aguentava mais andar.

- Você podia ter mais consideração por mim, sabe? - reclamei entrando em casa.
- O que eu fiz, Lua? - perguntou ele parando na minha frente.
- Acha que é fácil carregar essa barriga imensa, as compras de Natal e ficar em pé esperando você escolher uma árvore?
- Você é linda, sabia? - Ele deslizava a mão carinhosamente por minha barriga - As duas são. Minhas duas princesas!
- Ah não...
- Eu amo você - ele me cobria de beijos. Sempre me ganhava fácil desse jeito. - Eu amo a nossa pequena que logo vai nascer, eu amo a vida que estamos construindo, eu amo todos os finais de turnê, que é quando eu volto correndo para você.
- Tá, tá - falei rindo. - Me convenceu. Não estou mais brava, ok?
- Perfeito! - Thur disse e me beijou.

- As long as you love me so - cantava Arthur saindo do banheiro. - Let it snow, let it snow, let it snow...

Um cheiro delicioso de loção pós barba e sabonete invadiu o quarto. No andar de baixo, tudo pronto, somente a espera de Mica,Sophia,Harry e Chay, que chegariam em poucos minutos. Observei meu reflexo no espelho. Algo estava diferente com a minha barriga. Parecia mais baixa. Talvez fosse impressão minha. Desde quando eu saberia diferenciar a altura da minha barriga, que mais parecia um balão?
Pedi a Soph que amarrasse a fita de meu vestido vermelho. Um pequeno laço de cetim atrás e eu estaria perfeita para comemorar mais um Natal com o homem da minha vida.

- Ai - gemi colocando a mão na minha barriga.
- Desculpa, amor - ele disse preocupado. - Acho que apertei demais, né?
- Não é isso, Thur - falei respirando fundo. - Essa dor toda... só pode ser uma coisa.
- Poxa, Lua, eu falei para você maneirar no salto. Agora tá aí, toda dolorida! -
Quando a gente casa, devia vir um certificado de QI junto com o marido, sabe?
- Arthur, pelo amor de Deus, nossa filha vai nascer!

E a partir daí foi uma correria só. Enquanto eu me concentrava em apenas fazer os exercícios de respiração e me manter calma, ele corria de um lado ao outro, tentando ligar para meio mundo. Não sei por que ele ficou naquela euforia toda, mas achei que ele estava mais perigoso do que mulher de TPM, então nem abri minha boca. Quero dizer, abri para gritar de dor quando uma contração me atingiu em cheio. 

- Vamos, vamos, vamos - disse ele me arrastando para o carro.
- Wow, calma. Ela não vai nascer assim tão rápido!

Eu até entendia o por quê de Arthur estar tão ansioso. Bem, não foi muito legal da minha parte ter mandado ele escolher um nome, mas não garantindo que aquele fosse ser o nome da nossa menina. Ele escolheu Alicia. Eu tinha uma idéia em mente e não pretendia esquecê-la tão rápido. Sem contar que ele era louco para ter uma filha. Eu queria um menino, mas ele pediu tanto, tanto, tanto que bum! Era uma menina!
Depois de quinze sinais vermelhos que ele passou, chegamos ao hospital. Harry, Chay e Mica, que seria padrinho, já estavam lá. Não sei se Arthur reparou nos amigos, mas ele correu para dentro da maternidade, pedindo afobado para chamarem toda a equipe do hospital. Mandou chamar até mesmo do hospital vizinho, vejam só que coisa!

- Arthur - gritei e ele me olhou assustado. - Você está me deixando mais nervosa ainda. Será que dá para se acalmar?

Quase quarenta minutos se passaram até que o obstetra achasse que a hora havia de fato chegado. Eu, a essa altura, quase pari meus olhos. A dor aumentava a cada minuto e eu não conseguia respirar direito. 

- Vamos lá, , está acabando... - dizia ele repetidamente.
- Vai meu amor, você vai conseguir - Thur apertava a minha mão. 

Eu jurava que ele estava falando isso mais para ele do que para mim. Eu só rezava em meios as contrações para que ele não desmaiasse. Seria o maior mico do ano e minha filha não merecia um pai molenga. Ninguém merece na verdade! Em um último grito, a dor passou de repente e um choro manhoso invadiu a sala. Ela estava ali, berrando com toda sua força, avisando que havia chegado.

- Ah meu Deus - falei sentindo as lágrimas escorrerem por meu rosto.

Thur foi chamado pelo médico e pude ver suas mãos tremendo ao cortar o cordão umbilical. Depois veio para o meu lado com um pequeno pacotinho, envolto em uma coberta branca.

- Dê oi para a mamãe, Alicia - disse ele sorrindo.
- O nome dela não é Alicia - falei emburrada, pegando minha filha em meus braços. - Ainda não.

O médico riu de nossa discussão besta no meio da sala de parto. Em meio aos meus protestos, a enfermeira levou nossa bebê para o berçário e Thur a acompanhou. Um sono pesado me invadiu e eu não me lembro de mais nada.

Acordei já no quarto que Arthur havia reservado para mim na maternidade de Londres. Ainda estava meio sonolenta quando ouvi um resmunguinho baixo vindo da janela. Olhei rápido e mal pude acreditar. Meu marido e minha filha ali, os dois me olhando. Estendi os braços e ele a depositou cuidadosamente em meu colo.

- Ela é linda, Lu - disse ele carinhoso. 
- Quero ver a cor dos olhinhos dela - falei beijando a testa da bebêzinha.
- São azuis. Por quê?

Meu sorriso só não foi maior porque meu rosto não permitia. Minha filha tinha olhos azuis. Azuis como o de...

- Joanna... little Joanna.

Thur me olhava perplexo, entendendo o por quê de eu ter falado que o nome que ele quisesse só seria escolhido quando eu a visse. Ele se aproximou e nos abraçou, todo protetor e bobo com a filha que acabara de ganhar.

- Foi o melhor presente de Natal que eu já ganhei, sabia? - disse ele com os olhos marejados.
- Ah não - falei rindo. - Não vai chorar, hein?

Ouvimos a porta se abrir e, por cima do ombro dele, vi imensos balões verdes e vermelhos entrando no quarto.

- Bem, - disse Harry - já que não vamos ter a ceia na casa da família Aguiar, então teremos aqui.

Em poucos minutos, o quarto inteiro estava decorado para o Natal. Soph tirou Joanna dos meus braços e a vestiu com uma roupinha especial, com direito até a tiara com chifres de rena. 

- Vocês são malucos - eu disse rindo.
- Maluca é você se pensou que deixaríamos de comemorar o Natal porque a sua filha é apressada demais - respondeu Chay.
- É, acho que não vamos ter o Natal na casa nova tão cedo - zombou Mica.
- Ei, vamos sim. No próximo ano - disse Arthur.

O falatório continuou, cada vez mais baixo conforme Thur brigava com eles por causa da bebê, que dormia tranquilamente. Eu apenas observava, me sentindo a pessoa mais feliz do mundo.

- E você, não fala nada? Me ajuda a defender a nossa casa - reclamou meu marido.
- Ah, amor, deixa disso - falei segurando sua mão. - Contanto que eu passe o Natal com vocês sempre, qualquer lugar tá valendo.
- É isso aê - comemorou Harry mostrando a língua para o amigo.
- Mas - continuei - eles podem até tentar. O Natal nunca vai ser melhor do que seria lá em casa.
- Ha - brincou Thur.
- Eu só queria agradecer a vocês por tudo isso. Por estarem aqui. Eu não podia pedir um Natal melhor. Meu marido, minha filha, meus amigos. Esse sim é o Natal dos meus sonhos. O Natal com a minha família.

Foi um "oun" geral, abraços e beijos de todos os lados. Mas era a verdade. O Papai Noel não podia me trazer presente melhor do que o amor e o carinho de todos eles.

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