29 de nov de 2013

68ª Capitulo - "Tudo por uma promessa"


POV NARRADOR
Passar as horas sem uma pessoa que agente ama, é difícil. Agora imagina passar o dia sem um filho seu? Aquela coisa pequena que agente amava ouvir chorar ou ver dormir?
Era difícil ter aquela sensação de vazio… sim, vazio. A casa dos Blanco de Aguiar não se encontra em outro estado se não no vazio.



Arthur: vamos caminhar um pouco pela praia?
Lua: isso vai trazer de volta o meu filho?
Arthur: Lua… - ele suspirou – Não podemos nos fechar num quadrado, enquanto a vida passa lá fora – ele esticou o braço apontando para a porta aberta da sala
Lua: você não entende que sem o meu filho, eu não sou exatamente nada?
Arthur: voce acha que é só para voce que está sendo difícil? – encarou ela – Se voce bem se lembra, ele também é meu filho. Está me custando muito a ausência dele e para piorar, na minha mente está presente a ideia de que eu sou o culpado
Lua: não se faça de vitima Arthur – ela a encarou dessa vez – Agente já te falou mil vezes que voce não tem culpa de nada
Arthur: eu? Vitima? – ele interrogou incrédulo – Desde quando eu me faço de vitima?

Lua suspirou… aquele suspiro que as pessoas dão na tentativa de fazer sair os problemas. Mas não deu certo.
A loirinha estava tão cansada de não ter os seus por perto que descarregava em tudo. Como Arthur era quem estava mais perto, era o que ouvia tudo.

Lua se levantou do sofá, onde passou a manha toda, e subiu para o quarto. Enquanto se arrumava para sair, chorava, mais um vez, a ausência do Rodrigo, ainda mais hoje que era para o Rodrigo fazer aquela sessão de fotos para os bebés mais bonitos do mês. Infelizmente, não será possível.

Quando ela chegou na sala, viu Arthur que antes estava arrumado também para sair, mas agora ele já estava sem blusa, deitado no sofá a ver tv. Ele estava com um ar aborrecido e triste, como é claro.
Lua chegou perto e passou as mãos de leve pelo cabelo dele, pescoço, passando pelo braço e pegando a sua mão. Ele sorriu ao ver que a mulher estava de melhor humor e olhou para ela.

Arthur: mudou de ideias?
Lua: hum hum… acho que ambos estamos precisando de passar o dia fora.
Arthur: vamos então…

Arthur pegou de novo a sua blusa que tinha tirado e voltou a vestir. Antes de saírem, ambos se viram ao espelho enorme que tem ao lado da porta de entrada e assim foram para a rua, onde entraram no carro e seguiram até à praia mais próxima, de areia branca e agua bem clara.
Enquanto passavam pelas ruas, Lua, ao ver mulheres com os seus filhos, sentia um aperto no peito, uma saudade impossível de explicar. Cada vez que via um bebé, tratava logo de conseguir ver o rosto dele, para ser se era o seu pobre Rodrigo.

Arthur: amor, relaxa um pouco – disse, enquanto dirigia ao sentir a mulher tensa – Tenho a certeza que o barulho das ondas vai te fazer muito bem.
Lua: espero que sim… estou a precisar de uma alegria na minha vida.
Arthur: eu não chego?
Lua: voce sabe que sim – ela sorriu, finalmente – Mas voce sabe também qual é a alegria que eu preciso
Arthur: eu sei… mas também sei que não deve demorar. Eu vou fazer os possíveis para trazer o nosso bebé de volta!

Ele estava certo do que dizia e essa certeza dava uma certa tranquilidade à Lua.
Quando chegaram à praia, de mãos dadas, e calados, foram os dois molhando os pés à beira mar enquanto admiravam o mar. Ele estava calmo hoje. Só de vez em quando é que vinha uma onda maior que o normal, mas nada de invulgar.

Lua: vamos mergulhar? – interrompeu o silêncio
Arthur: agora? – ele estranhou
Lua: sim… - ela mordeu o lábio e olhou para o céu
Arthur: mas porque?
Lua: porque assim… - ela suspirou – Assim eu vou conseguir esconder melhor as minhas lágrimas. – dessa vez, não aguentou e começou a chorar
Arthur: Lua… - ele abraçou ela, mas antes limpou as suas lágrimas – Poxa loira, dói te ver assim. Eu to aqui tentando não chorar, não pensar… mas voce não deixa, sabe? Chega a ficar difícil para mim ter de esconder o que eu sinto, porque quero me fazer de forte perante voce, para que voce não chore, mas com voce chorando desse jeito, eu não consigo – ele lacrimejou também

(…)

O passeio à beira mar fez bem a eles. Fez eles esquecerem por segundos a falta do essencial que sentem em casa, fizeram eles ver novas coisas e ver rostos de pessoas diferentes. Passando por lojas de frutas e doces, Lua se lembrou das vezes que mandava o Arthur ir até à pastelaria mais próxima ou à gelaria para comprar o seu desejo do momento. Tinha vezes que era um bolo, outras que eram um gelado ou então aqueles negócios estranhos que só as mulheres gravidas sentem a necessidade de comer ou de ter.

Quando chegaram a casa, parece que aquele frio que sentiam antes de sair, tinha voltado. A casa se encontrava sem cor, sem vida, sem alegria. E fazia-se sentir de novo aquela tristeza toda em cada detalhe do rosto de Arthur e Lua.

Foi precisamente depois do lanche que o celular tocou.

Lua: é o seu
Arthur: pode atender – respondeu enquanto bebia o resto do suco de maça
Lua: mas é número privado
Arthur: privado? – ele estranhou – Deixa que eu atendo então.

LIGAÇAO ON

Arthur: alô? – ele começou uma conversa longa, ou não
Xx: alô mané…
Arthur: Chay? Você tá doente? – perguntou  por escutar uma voz diferente
Xx: que chay o quê mané? Se liga compadre! O papo aqui é com outra pessoa
Arthur: quem exatamente?
Xx: isso já é outro negocio… digamos que é uma pessoa que voce quer muito descobrir.
Arthur: eu não tenho tempo para jogos, tá? – falou sem paciência – Fala logo quem voce é!
Xx: sou a pessoa que está com um bebé aqui mesmo… será que tá interessado?
Arthur: voce o que? Que bebé?
Xx: caraio, como voce é burro droga! – disse irritado – Eu sequestrei o seu filho, dá para entender ou voce precisa que eu mande um desenho?
Arthur: filho da mãe! – gritou desesperado pelo celular – Me devolve o que não te pertence!
Xx: isso digo eu seu filho da mãe. Voce e a sua loira azeda roubaram o meu dinheiro. Eu quero o meu dinheiro!
Arthur: que dinheiro? Voce tá louco?
Xx: eu quero o meu dinheiro pra ontem entendeu? Ou isso, ou voce nunca mais verá o seu mais que tudo!
Arthur: eu te dou! Mas me diz quanto e onde…
Xx interrompeu: isso é fácil… anota ai!

(…)

Quem for de mente aberta, conseguirá logo perceber de quem é que o sequestrador se trata, certo?

Lua: o que ele disse? Voce ouviu o Rodrigo? – Lua perguntava desesperada e chorosa
Arthur: eu não ouvi… ele apenas disse a quantia de dinheiro e me falou que era para eu ir a um barracão abandonado entregar o dinheiro. E tinha de ir sozinho.
Lua: voce reconheceu a voz?
Arthur: logico… - ele baixou o rosto
Lua: mas espera… - ela começou a andar de um lado para o outro, com a mao na cintura – Essa quantia de dinheiro é exatamente três partes do dinheiro que agente recebeu da herança da minha avó. Como é que ele acertou nesse numero exato?
Arthur: porque ele é o Thiago Lua…

Lua ficou branca, rosa, roxa e verde ao mesmo tempo. Ela não conseguiu nem falar à primeira. Foi preciso ela se mentalizar do nome que o Arthur tinha falado para ela começar a falar besteiras…

Lua: esse $%#$%$## - eram essas as besteiras que eu falava – Como é que ele está aqui de novo?
Arthur: tem uma coisa que eu não te contei… que eu soube à uns dias.
Lua: o que?

Arthur: o Thiago saiu da prisão...

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