4 de out de 2013

[Mini Fic] Enjoy the Silence


Capítulo 5

Legal. Meia-noite. E ninguém havia voltado. Já tinha visto três filmes, comido pipoca, uns salgadinhos, tomado mais de oito latas de cerveja. A doida, digo, a Lua passou pela sala em algum momento da noite, depois a vi voltar com uma garrafa. Tomara que seja veneno. Garota maluca.

- Aguiar? Aguiar?! Que merda! Aguiar, seu inútil. Aguiar, acorda!
- Com toda a sua delicadeza, é claro que eu acordo – abri os olhos ao ouvir os berros da Lua. Por que estava tudo escuro? – Por que você apagou a luz?
- Pra te molestar enquanto você dormia – ela disse impaciente, estava completamente escuro, mas eu sabia que a voz dela vinha da minha frente, provavelmente estava sentada na mesinha de centro – Deixa de ser idiota, garoto. Escuta só o temporal que tá caindo. Acabou a energia. Eu tentei ligar o gerador, mas não consegui.
- Eu ligo, onde fica? – levantei do sofá, tentando me localizar no breu total.
- Lá fora, perto do celeiro – a voz da Lua estava bem perto agora, estiquei o braço e toquei algo molhado – É, você vai ter que ir lá na chuva.
- Tudo bem, eu vou – subi a mão por seu braço, constatando que ela estava totalmente encharcada – Pode subir, eu já vou ligar o gerador e vai logo tomar um banho quente, você tá pingando.
- Obrigada pela preocupação, Arthur – a voz dela saiu sem emoção alguma – Mas eu preciso te mostrar onde fica o gerador, já estou molhada mesmo, não faz diferença. Vamos.
- Não sabe onde tem um guarda-chuva? – me ouvi dizendo pro nada, andando devagar, ouvindo os passos da Lua um pouco mais a frente.
- Acha que se eu soubesse estaria molhada assim? – me assustei quando ela pegou minha mão e colocou em seus cabelos, mostrando o quão molhados estavam. O que me assustou na verdade, foi ela ter acertado onde minha mão estava. No escuro! Apertei os cabelos dela, sentindo a água escorrer entre meus dedos; ela estava de frente pra mim, a respiração entrecortada, provavelmente de frio – Anda logo, aqui tá tão quentinho que eu estou pensando em desistir de ir lá fora de novo.
- Quando você fica com frio, seus lábios ficam arroxeados – disse sem pensar, me arrependendo rapidamente; Lua deu uma risada anasalada, mas não disse nada, só me puxou pela porta da cozinha. 

O cenário fora da casa era um dos mais incríveis de todos os tempos: o céu estava completamente negro, somente quando os inúmeros relâmpagos cruzavam o espaço era possível ver os tons de roxo e azul escuro das nuvens carregadas. Ali do lado de fora, consegui ver o estado de Lua: a calça do pijama verde quase caindo por estar ensopada, uma regata preta, galochas coloridas e a franja colada na testa; ela me olhou de um jeito estranho, como se estivesse com vergonha da minha análise. 

- Vem, Aguiar, o gerador fica atrás do celeiro – mal entendi o que ela tinha dito, e já vi Lua correndo pelo terreno lamacento que tinha virado o gramado em frente à cozinha. Tomei fôlego e corri atrás dela; a chuva estava fria, mas era agradável. Não conseguia ver mais que poucos metros diante de mim, quando ouvi Lu gritar, assim que ela entrou no meu campo de visão, fui obrigado a parar de correr para dar uma imensa gargalhada.
- Para de rir, seu imbecil! – ela gritou irritada, sentada no chão, cheia de lama. Quando vi o tamanho da poça em que ela tinha caído, ri mais ainda – Eu já mandei você parar, Aguiar!
- Primeiro: você não manda em nada – não parei de rir, para irritá-la – E segundo: é impossível não rir! Só você pra cair num buraco minúsculo assim!
- Eu escorreguei, ok? – Lua levantou, toda nervosinha e saiu pisando fundo pela chuva – Você não costumava ser assim.
- Assim? Assim como? – fui atrás dela.
- Irritante e insensível! 
- Eu só aprendi dançar conforme a música – sorri irônico ao chegar onde o gerador estava, ele ficava debaixo de uma pequena cobertura e tinha cara de muito velho – Como se liga isso?
- Tem que girar essa alavanca – ela se abraçava, numa tentativa ridícula de se aquecer – Esse negócio é da época em que meu avô não usava dentadura, só pode ser!
- Você só é fraca, Anjinho – usei o apelido que ela odiava e tentei fazer a geringonça funcionar. Nada. Não mexeu nem um centímetro.
- Quem é fraco agora, querido? – fiz mais força na segunda tentativa, enquanto Lua me olhava encostada na mureta de cimento que protegia o gerador.
- Está emperrado – eu já estava ficando com dor nos braços e nada daquela porcaria funcionar, até que... A alavanca girou descontroladamente, me jogando no chão. O barulho que aquele negócio fazia era ensurdecedor. Eu só pude ver a crise de risos que aquela praga teve – Ah, dá um tempo! – nem eu mesmo pude ouvir minha voz, tentei gritar – Não foi engraçado! – ela nem me olhou, continuava rindo sem parar. Ela ficava linda rindo daquele jeito. Irritado, me aproximei dela e entrelacei com força meus dedos nos cabelos molhados dela e finalmente ela me olhou um pouco assustada – Eu disse que não tem nada de engraçado nisso, Blanco – não falei muito alto perto de seu ouvido, mas tenho certeza de que ela ouviu, já que parou de rir no mesmo instante e virou a cabeça para me olhar melhor. Levantei a sobrancelhas sem entender o motivo daquela cara de espanto.

Ela respirou mais fundo e eu entendi... Nossos corpos estavam unidos e completamente molhados, eu a tinha deixado presa entre o meu corpo e o abrigo de cimento onde o gerador era guardado. Com todo aquele barulho, a única coisa que poderíamos fazer era nos comunicar por olhares. E o olhar dela dizia claramente: me beija. Mas eu não cederia tão fácil... Ela gostava de brincar, certo?

Pressionei mais ainda meu corpo contra o dela e segurei firme em seus quadris, vi quando ela abriu a boca e respirou fundo. Um gemido, tão rápido? Bom trabalho, Aguiar. Mesmo que estivéssemos fora da chuva, nossos corpos ainda pingavam. Sorri de lado quando senti as mãos dela, trêmulas, devo dizer, puxarem meu rosto pra perto do dela, quando estava prestes a encostar nossos lábios, eu me afastei. Ela estava a ponto de reclamar ou sair andando, não sei, não deu tempo suficiente pra saber; a puxei de volta pra mim, com força, beijando seu pescoço de um jeito um tanto desesperado.Lua inclinou a cabeça pra trás, dando livre acesso aos meus beijos e pegou minhas mãos as levando novamente a parte inferior de seu corpo, entendi o recado e segurei seus quadris, a levantei até deixá-la sentada no abrigo de cimento do gerador comigo entre suas pernas; ver aquele sorriso malicioso nela era... estranho. Estranho e excitante.

Comecei a dar mordidas no pescoço da Lu, enquanto ela puxava meus cabelos e me envolvia com suas pernas. Dei mais alguns chupões, eu realmente queria deixá-la marcada, então comecei a subir meus lábios, primeiro por seu queixo, por sua bochecha, puxei o lóbulo de sua orelha com os dentes; as mãos dela estavam em minha nuca, pressionando mais minha boca contra sua pele; quando afastei meu rosto, após roçar meus lábios nos dela, Lua abriu os olhos rapidamente, questionando meu ato... Eu sorri de um jeito, digamos, maligno. E me afastei, balançando a cabeça em negação. Andei pela chuva de volta à casa, sem olhar uma vez sequer para trás.

Ela me queria? Que aprendesse a me tratar como um homem, não como um objeto qualquer.

All I ever wanted
All I ever needed
Is here - in my arms
Words are very unnecessary
They - can only do harm

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