6 de out de 2013

[Mini Fic] Enjoy the Silence

 

Capítulo 8

O resto da tarde passou tranquilamente... Fiquei um pouco na piscina, enquanto Will e Ane saíram para cavalgar (sim, eu fiz algumas piadas sobre isso, mente poluída). Fiquei sozinho na piscina; assim que voltamos para casa, ela entrou em seu quarto e não saiu mais.

***

Os dias passaram sem maiores eventos... Will e Ane saiam sempre para passear.
Lua e eu? Bem... Ela estava diferente. A cada dia eu percebia uma mudança. Pode parecer muita prepotência, mas ela parecia, aos poucos, voltar a ser a Lua de antes quando estava perto de mim.

Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And unforgettable

Estava derrotando o Will no Wii na sala de jogos, os dois gritando feito crianças, quando vi Lua encostada no batente da porta, nos observando. Ela, na verdade, olhava o Will se desdobrar pra dar uma tacada… Quando percebeu que eu a olhava, ela sorriu de lado e saiu andando devagar pelo longo corredor. Inventei uma desculpa qualquer para o Will, que não ligou nem um pouco já que esse seria o momento perfeito pra ele trapacear no jogo, e fui atrás da Lu. A encontrei na sala de TV, diante da imensa estante de DVD’s e de costas para a porta; ela estava nas pontas dos pés na tentativa de alcançar o filme escolhido, eu ri do esforço inútil que ela fazia.

- Quer ajuda? – perguntei quando ela bufou ainda sem me olhar.
- Não. Eu consigo sozinha – apoiou uma das mãos na prateleira e se esticou toda... Mesmo assim não conseguiu.
- Deixa, eu pego – entrei na sala e parei ao lado dela – Qual você quer?
- Eu consigo pegar sozinha – Lu era mesmo uma resmungona! – Não quero que o incrível Arthur Super Herói Estrela do Rock Aguiar ajude a pobre e indefesa Lua Anjinho do Reino Unido Blanco.
- Qual o seu problema? – a pergunta certa seria: como ela conseguia me tirar do sério tão rápido? – Sempre falando desse jeito? Detestando o apelido carinhoso que seus fãs te deram?
- Carinhoso? Isso sempre foi uma forma de jogar na minha cara como eu era vista: nada mais que uma criancinha famosa. Que ninguém nunca me veria com outros olhos... – enquanto falava, Lu estudava a estante e quando eu menos esperei, aquela maluca tentou escalar o móvel de madeira.
- Lu! Tá doida?! – segurei sua cintura a coloquei de volta no chão, ela virou e me deu um empurrão.
- Sai, Aguiar! – outro empurrão - Eu não pedi sua ajuda – mais um empurrão – Eu disse que conseguia sozinha! – ela apontou o dedo e disse – E eu não deixei você me tocar – tentou me empurrar com as duas mãos ao terminar o chilique, mas eu a segurei pelos pulsos.
- Ei, chega! Cansei dessas suas revoltas e dessa mania de falar em código! – disse sério, sem soltá-la – Vamos conversar direito, de uma vez por todas e resolver todas essas porcarias que você guarda pra si mesma!
- Eu não tenho nada pra falar – ela disse calmamente – Eu não quero conversar com você!
- Então o que você quer, afinal de contas? – a forcei a me olhar nos olhos e então soltei seus pulsos.
- Eu quero assistir Ao Entardecer, é isso que eu quero – aquele sorrisinho irônico apareceu no rosto dela e eu tive que respirar fundo pra não reagir a ele. Olhei a estante e achei o filme que ela queria, peguei sem dificuldade alguma e o coloquei na mão da Lu.
- Toma essa merda, garota irritante – disse baixo sem olhá-la, já na porta da sala. A ala da mansão onde estávamos era praticamente deserta, os únicos barulhos ouvidos vinham do fim do longo corredor onde Will ainda jogava Wii e meus pés descalços contra o mármore frio do chão. Estava irritado comigo mesmo, por mais uma vez deixar Lua me provocar e sair ilesa, sem responder nenhuma das minhas perguntas. Faltando poucos passos para abrir a porta da sala de jogos, ouvi a voz dela me chamar bem baixinho. E lá estava ela, com um vestido azul marinho (que algo me dizia ser de alguma grife famosa) e descalça, parada na outra ponta do corredor, parecendo tão pequena e frágil. 
- Que é, Lua? – disse sem emoção alguma, enquanto ela se aproximava lentamente.
- Eu não odeio o apelido – ela parecia tímida, como se fizesse uma confissão – Eu só queria que as pessoas... – ela parou diante de mim e deu um longo suspiro – Eu queria que você parasse de me ver como um Anjinho.
- Lua... – passei a mão pelos cabelos... Porra! Ela tava dizendo que mudou por minha causa?!
- Em todas as entrevistas que te perguntavam algo sobre mim... Você respondia “ela é um amor de menina, eu a conheço de verdade e posso dizer que ela é um verdadeiro anjo” – Lu fez uma ótima imitação do meu jeito de falar e rolou os olhos – Percebe como é contrastante? O que você queria que eu pensasse? Você me dava um beijo na testa antes de sair, falava essas coisas em entrevista e quando voltava... Você me beijava pra valer, Arthur.
- Lu... Eu nunca vi as coisas dessa maneira – era verdade, por mais que ela me olhasse daquele jeito duvidoso – Sério! Eu... Sempre disse a verdade, você era mesmo um anjo, um amor... – mordi a língua pra não dizer “meu amor” – E o seu contrato com a WB não deixava que você assumisse um namoro naquela época e...
- Arthur... – ela deu um passo para trás quando eu quis tocar seu rosto – Eu não podia ter um namorado para a mídia, mas também não precisava ver o cara que eu gostava dizer nas entrelinhas que eu era uma criança e esquecer do fato quando ele transou comigo, sabendo que era minha primeira vez.
- Lua, as coisas não são bem assim... Eu não fiz por mal. Me desculpa, sério... – o jeito que ela narrava os fatos me deixava como o vilão da história, mas eu não sabia que ela se sentia assim, se eu soubesse...
- Não quero suas desculpas, isso tudo é passado... Não me afeta mais – fingir indiferença? Justo naquele momento? Lua não percebia que não me enganava mais. Ela deu mais alguns passos para trás, pronta pra fugir de mim.
- Não tão rápido – andei até ela e a fiz encostar-se na parede, ficando entre meus braços que estavam apoiados um de cada lado de seu corpo – Você precisa parar com essa mania de jogar essas bombas em mim e depois sair correndo.
- Eu não... – abaixei meu rosto para olhá-la bem nos olhos.
- Fica quieta – coloquei um dedo em seus lábios, fazendo-a ficar calada pelo menos por um minuto – Você deveria ter me dito tudo isso há muito tempo. Eu nunca adivinharia, sabe? Poderíamos ter evitado tanta coisa. Nós poderíamos estar...
- Juntos? – ela terminou a frase por mim, nossos rostos estavam muito próximos um do outro e eu sentia a respiração da Lu bater no meu queixo – Não, Arthur, não estaríamos... 
- Como você pode ter certeza? – inclinei a cabeça, deixando minha boca tocar a dela enquanto falava.
- Você teria me traído ou terminado comigo pouco tempo depois que a imprensa soubesse do nosso namoro – Lu parecia triste, mas não se afastou de mim um milímetro sequer.
- Não teria – ok, eu parecia um garotinho mimado ao negar o que ela disse.
- Teria sim... Ficar perto de mim já era horrível naquela época, a imprensa não dava uma folga – senti suas mãos em minha cintura quando ela ficou nas pontas dos pés e passou seu nariz pelo meu – Ser meu namorado, então? Seria o fim. Você não aguentaria todos aqueles fotógrafos se matando pra conseguir uma foto nossa de mãos dadas, outra abraçados e principalmente, uma preciosa foto onde o casal do momento se beija.
- Por você eu teria suportado – que tudo se danasse, não ligava se estava fazendo papel de idiota pra ela e por ela de novo.
- Eu sabia que você diria isso... – Lu sorriu sem mostrar os dentes e apoiou o rosto no meu peito, respirando fundo contra meu pescoço e abraçando minha cintura – Que droga, Arthur!
- Que foi? – a apertei contra mim, um braço em volta do corpo dela e a outra mão fazendo carinho em seus cabelos.
- Por que você sempre torna as coisas mais difíceis pra mim? – ela disse bem baixinho.
- O que eu fiz de errado? – agora eu tornava as coisas difíceis? Pra ela? 
- Você é bonzinho demais... Pessoas normais me odiariam depois de tudo que eu fiz e falei... Mas não, Arthur Aguiar sempre vai contra a maré e surpreende a todos, inclusive a idiota da Lua Blanco – confesso que demorei a entender o que ela estava falando. 
- Lu? – esperei até que ela levantasse a cabeça e me olhasse – Para de tentar ser alguém que você não é. Eu conheço você.

É, e depois dessa minha frase de efeito, ela me olhou por algum tempo e então saiu andando sem dizer nada. Bela tentativa, Aguiar.

2 comentários:

Não vai sair sem comentar, né?! xD

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