6 de out de 2013

[Mini Fic] Enjoy the Silence


Capítulo 7


- Ah, gente, larga o Aguiar aí! – ouvi a voz da Lua assim que terminei de descer as escadas da mansão. O dia amanhecera muito quente. Antes do almoço, eu já me sentia cansado. 

A noite anterior tinha sido uma tortura, depois de ser largado naquele estado na piscina e ter de subir correndo até meu quarto só pra chegar lá e perceber que estava mais excitado do que tinha percebido. Levei algumas horas para conseguir dormir, mesmo depois do banho gelado. Parecia que eu mal tinha fechado os olhos e o Will já estava batendo na minha porta, dizendo que o senhor Hansen, administrador da fazendo dos Blanco, iria nos levar aos campos de plantação. Vesti uma bermuda jeans, um tênis qualquer e uma camiseta azul, sem vontade alguma de ir, coloquei óculos escuros e fui me encontrar com o pessoal na entrada principal da casa.

- Fugindo de mim, Blanco? – sorri de lado com a careta que Lua fez ao me ver – As pessoas vão começar a desconfiar que você nutre sentimentos por mim.
- Cala essa boca e entra no carro – ela tentava esconder um sorrisinho ao falar. Fiz o que ela disse logo depois de dar um soquinho no braço do Will e um beijo na testa da Ane, e sentei ao lado de Lua, que usava um short jeans minúsculo, regata branca com uma camisa xadrez vermelha por cima e botas pretas que iam quase até seus joelhos e, claro, os óculos escuros.  O carro seguia rápido pela estrada de terra, criando uma nuvem de poeira inclusive dentro dele, fazendo Ane rir das caretas de Lua durante uma crise de espirros.
- Do outro lado da cerca ficam os campos de erva doce – o velho senhor Hansen explicava para um interessado Will e uma Ane que não parava de tirar fotos, enquanto Lu e eu íamos mais atrás, andando devagar pelo imenso campo verde, nossas mãos se roçando por estarmos lado a lado – Essas que vocês estão vendo são Camellia Sinensis, que são conhecidas como Chá.

Me desliguei do que a voz rouca do senhor falava, quando senti a mão da Lu segurar a minha e entrelaçar nossos dedos. Olhei para ela sem entender. Lua era doida, eu sabia, mas quando ela me puxou e começou a correr entre as folhas que batiam na altura da minha cintura, eu comprovei que ela realmente não era normal. Nos afastamos rapidamente do grupo sem fazer barulho. Quando descemos um pequeno morro, Lu começou a rir e parou de correr, respirando descompassadamente.

- Meu Deus! O senhor Hansen fica mais chato com o tempo! – ela prendeu o cabelo num coque mal feito, levantou os óculos escuros e começou a se abanar com as mãos – Nossa, que calor dos infernos! Que é, Aguiar? Tá me olhando com esse sorriso bobo na cara por quê?
- Já percebeu como está tagarela? – sorri mais ainda, quando ela ficou sem graça e recolocou os óculos, tirando minha visão de suas bochechas rosadas não só pelo intenso sol. – Até me lembra a antiga Lu.
O Anjinho do Reino Unido? – ela fez careta e eu ri.
- Também... Mas principalmente a... Minha Lu – ela deu dois passos para trás ao ouvir o que tinha dito, eu me xinguei mentalmente. Não devia ter falado nada.
- A sua Lu não existe mais, Arthur – ela disse sem emoção, virada para a plantação que aparentemente não tinha fim. Estávamos isolados no meio daquelas fileiras de mar verde.
- Por que não? – me aproximei, guardei meus óculos no bolso da bermuda e segurei o queixo da Lua, retirando também os seus óculos – Para de fugir, de se esconder nessa pose de estrela, de se refugiar nessa máscara que você criou, Lu...
- Você... – ela me interrompeu e sorriu. Era o seu sorriso triste, o que eu não via desde nosso último encontro antes dela pirar.
- Eu o quê?
- Você me fez mudar... A imagem que você fazia de mim... O jeito que falava de mim para as pessoas... – ela parecia não querer dizer aquelas coisas, como se doesse pensar naquilo – E depois, quando eu te vi... Eu não aguentava... Não podia suportar...
- Do que você está falando? – o que eu podia ter feito pra ser culpado pela mudança dela? Justo eu?
- É… Nada, não é nada – ela se afastou de mim, virando de costas e começou a caminhar na direção em que tínhamos vindo – Esquece isso, Arthur.
- Eu não vou esquecer... Como assim eu te fiz mudar? – fui andando atrás dela, que apertou o passo, mas eu a segurei pelo braço e a virei de frente para mim – Ei, olha pra mim enquanto eu falo!
- Uh, o gatinho Aguiar ataca novamente? – ela disse de um jeito completamente cínico, sabendo que me irritaria profundamente.
- Não! Não, Lua, nem vem! Pode tirar esse sorriso do rosto! Não funciona mais comigo! – fiquei puto quando ela sorriu inclinando a cabeça para o lado, como se achasse minha raiva algo meigo – O que você quis dizer com “você me fez mudar”?
- Eu não quis dizer nada, Aguiar, nada! – ela tentou se soltar e pegar os óculos que eu segurava, mas eu não me movi, esperando uma explicação. – Ah, que merda! Me solta!
- Não vou soltar. Não até você me explicar essa historia direitinho!
- Vamos ficar aqui, no meio do mato até eu falar?
- Vamos!
- Que seja, o sol está ótimo, vou pegar um bronzeado – Lua sorriu e fechou os olhos, como que apreciando o calor em sua pele.
- Você é tão patética! – apertei com mais força seu braço e a puxei para mais perto; passei um braço por sua cintura e entrelacei a outra mão em seus cabelos, ela deixou as suas em punho contra meu peito, me olhando sem expressão – Você é infantil, medrosa e bipolar! – disse baixo, meus lábios tocando os dela, sem quebrar o contato visual. Lu ficou na ponta dos pés e me deu um selinho, se afastou sorrindo de um jeito... Fofo. Um jeito que eu não a via sorrir há tempos. Sorri também e encostei minha testa na dela, nossas respirações estavam aceleradas pela corrida e pela situação como um todo. Lu levou as mãos até minha nuca e a arranhou sem dó, soltei o ar pesadamente pelo nariz, mas não gemi. 
- A gente não vai se pegar aqui no meio do mato, na terra! – ela riu se afastando de mim e recomeçando a andar pelo estreito de terra vermelha entre as arvorezinhas de chá.
- Ah, Lu! – reclamei e fiz careta, rindo ao segui-la pelo caminho – Volta aqui.
- Não, Arthur! Nós dois sabemos onde vamos parar... E não quero que seja na terra! Que nojo! – isso não havia mudado, sempre fresca.
- Então você quer que aconteça... Só não aqui? – a abracei por trás e continuamos andando assim por alguns metros até eu começar a beijar o pescoço dela, que se arrepiou e começou a rir – Responde o que eu perguntei.
- O que você perguntou? – ela colocou suas mãos por cima das minhas, que estavam espalmadas em sua barriga, encostou a cabeça no meu ombro deixando seu pescoço livre para receber meus beijos.
- Se quer que aconteça... – repeti com a boca colada em sua pele, dei uma leve mordida fazendo Lu apertar minhas mãos contra si.
- Aconteça? O quê? – a voz dela estava fraca quando paramos de andar.
- Você sabe o quê – subi a mão direita até o seio esquerdo dela, sentindo seu coração bater forte e sua respiração mais uma vez estava descompassada.

Podia ser o calor, o sol, o fato de que para qualquer lado que olhasse não visse nada além de plantas, mas não. Eu estava agindo daquele jeito porque era ela... Era a Lua que estava ali. Isso mudava tudo. Todas as regras desapareciam.

Não esperei uma resposta dessa vez. Apalpei o seio com força e prensei mais seu corpo contra o meu, fazendo Lu suspirar. Ela ficou de frente e me puxou pela nuca, grudando nossos lábios sem pensar duas vezes. Quando nossas línguas se encontraram, foi como se não houvesse nada além da Lua no mundo. Segurei seus cabelos intensificando o beijo e mantive a outra mão na base de sua coluna. Ela colocou os dedos indicadores nos passantes do cinto da minha bermuda, deixando nossos corpos completamente unidos durante o beijo que ganhava mais velocidade a cada segundo, nos deixando sem fôlego mais rápido do que o previsto. Desci minha mão até sua coxa e a puxei até minha cintura, enquanto beijava seu pescoço; Lu se empolgou ao passar os braços pelo meu pescoço e nos fez perder o equilíbrio... Cai de bunda no chão, com ela desajeitadamente em cima de mim.

- Para de rir, sua desastrada! – mesmo a repreendendo eu gargalhava junto; coloquei-a em meu colo, as pernas ao redor da minha cintura, deixando-a de frente pra mim. O tombo não havia sido de todo mal. Aquela posição me agradava. E muito.
- Ah, Arthur! Eu avisei sobre a terra e... – falar pra quê, Lua? Quando o que estávamos fazendo era tão melhor? Puxei-a pela nuca e dei alguns selinhos demorados em sua boca; nenhum de nós ousou fechar os olhos. Ela me encarava um pouco séria, até que em um dos selinhos, Lu mordeu meu lábio com força me fazendo ofegar. – Não reclama, fofinho, só vou te fazer pagar por me trazer pro meio do mato. – dei o meu melhor sorriso cafajeste ao ouvir o que ela disse e aos poucos fui tirando a camisa xadrez que ela usava, a deixando somente com a regata branca, que mostrava um pouco seu sutiã.

A partir dali, não dissemos uma palavra sequer.
Suspiros e gemidos eram ouvidos o tempo todo... 
Quando Lu puxou a barra da minha camiseta e eu a ajudei a jogá-la longe. Quando eu tirei sua regata e beijei, segurei e mordi seus seios ainda escondidos pelo sutiã preto muito sexy que ela usava. 

Quando ela começou a se mover lentamente sobre mim, como se estivéssemos realmente no ato, me deixando em um estado quase entorpecido de tanto êxtase.
Não sei como ninguém ouviu o alto gemido que escapou do fundo da minha garganta quando ela, inesperadamente (ok, não tão inesperadamente assim), abriu o zíper da minha bermuda e colocou a mão lá dentro. Lua sorriu. Não o seu novo sorriso cínico, nem o pervertido. Ela simplesmente sorriu e me deu um selinho no exato momento em que sua mão encontrou o que tinha dentro da minha boxer. 

Era surreal. Lu ali, sentada no meu colo, seminua e me levando ao delírio com os movimentos lentos que fazia com a mão. Tortura, era isso. Ela estava me fazendo pagar por tê-la levado para o meio do mato.

Espalmei minhas mãos em sua bunda, puxando a Lu pra mais perto ainda, ao mesmo tempo em que mordia seu lóbulo; sem perceber nós dois nos movíamos de acordo com a velocidade que ela envolvia meu amiguinho, que de “inho” não tinha nada. 
Estávamos suando debaixo do sol forte, mesmo com as sombras que a plantação projetava no chão, o calor era quase insuportável. Quase. 
Tenho certeza que deixei a Lu marcada, tamanha era a força que apertava suas coxas e bunda. Afinal, foi o meio que eu encontrei de retribuir o que ela fazia comigo. Ela mordia o lábio inferior, numa expressão entre prazer e concentração. Linda, ela estava mais linda que o normal.

Consegui me segurar por mais alguns minutos, arfando e gemendo baixo devido aos movimentos rápidos que ela fazia, e então cobri sua mão com a minha, fazendo Lu me olhar com uma sobrancelha arqueada.

– Não aguento mais – sussurrei falhamente e ela deu um sorrisinho, me deixando guiá-la; me esforcei para não fazer muita bagunça e Lua riu disso. Depois se afastou de mim, começando a juntar nossas roupas enquanto eu me recompunha.
- Acho que eles estão aqui! – ouvimos Ane gritar segundos depois de terminarmos de vestir as roupas. Lua arrumou o cabelo num rabo de cavalo bem alto e colocou os óculos. Eu tentava tirar um pouco de terra que ainda estava grudada na bermuda quando a namorada do Will chegou em passos rápidos até onde estávamos. – Graças a Deus, estão vestidos... Tive que correr e gritar feito doida pra vocês me escutarem antes do Will encontrá-los – as bochechas dela estavam coradas e ela parecia sem fôlego – E pelo visto eu estava certa sobre o desaparecimento dos dois... – ela sorriu de um jeito acusador e eu gargalhei.
- Valeu, Ane, você salvou meu p... Minha vida! – corrigi a frase na hora certa e até Lua riu.
- Obrigada, cunhadinha – ela disse, caminhando na direção da voz do irmão e do senhor Hansen. A acompanhei com os olhos, impressionado com o fato de quem a olhasse, jamais imaginaria o que ela fazia poucos minutos antes.
- Por isso ela é assim – a voz de Ane me despertou do transe que era olhar Lu andar. Fiz cara de desentendido e ela sorriu – A Lua só age desse jeito por sua causa... Pra chamar sua atenção. E quando consegue, te deixa aí... Babando.


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