4 de out de 2013

[Mini Fic] Enjoy the Silence


Capítulo 6

Acordei assustado. 4:15 AM. A chuva havia parado, isso eu podia ouvir. Sentei na cama e esperei até escutar o barulho que tinha me acordado. Nada. Fui até a janela e me deparei com o céu ainda escuro, algumas estrelas e sem nuvem alguma. Fiquei alguns minutos olhando os campos de ervas, até pensei em tirar uma foto, mas o barulho de algo batendo na água me fez olhar para a esquerda. 

Lua estava boiando na piscina, os braços e pernas relaxados, parecendo uma boneca de pano. Era impossível parar de olhá-la, tão linda, tão calma... Tão parecida com a minha Lu.
A casa estava completamente mergulhada no silêncio quando passei pela sala de estar. Abri a enorme porta de vidro que dava para o quintal; cheguei à piscina e ela continuava lá, flutuando de olhos fechados. Agora pude vê-la com mais detalhes, desde o leque que seus cabelos formavam debaixo d’água até sua calcinha branca e o sutiã rosa claro. Só percebi que estava parado no mesmo lugar, quando ela abriu os olhos e se mexeu rapidamente, assustada por me ver ali.

- Você é retardado? – era engraçado o jeito que ela tentava tampar seus seios com os braços – Quase me matou de susto.
- Achou que fosse um pedófilo? – sorri me aproximando da beira da piscina, onde sentei.
- Achei que fosse um tarado e estava certa – ela disse ironicamente e nadou para o lado oposto ao que eu estava – O que veio fazer aqui, afinal?
- Te vi pela janela e achei que estivesse morta – eu finalmente estava aprendendo a jogar com as palavras, o novo jogo preferido dela – Queria eu estar certo.
- Entre aqui e faça você mesmo o serviço – o que ela falava não ia de acordo com o que fazia: puxava para perto suas roupas que estavam no chão, pronta para sair da água. De repente ela riu e virou para me olhar – Parabéns, Arthur, expressando sentimentos ruins. Gostei de ver que você não é mais o sentimentalista de antigamente.
- As coisas mudam, Lua – coloquei os pés na água morna – Você mudou e isso fez com que os meus sentimentos por você mudassem.
- O que você sentia por mim? - mal as palavras saíram de sua boca, ela já havia mergulhado, cruzando a piscina em poucos segundos e submergiu perto de onde eu estava.
- Eu te amava – respondi sem pensar e não me arrependi. Era passado, não era? Ela fez uma cara de admiração e sorriu ao se aproximar mais, se apoiando em meus joelhos. O corpo estava todo dentro d'água e eu sabia que era proposital, ela estava me distraindo para evitar que eu a olhasse seminua. O que não fazia sentido algum.
- Ok... Você me amava – ela disse pausadamente enquanto se encaixava entre minhas pernas, ensopando minha boxer xadrez – E hoje? O que você sente por mim?
- Nada – respondi sem sorrir, olhando nos olhos dela. Lua me olhou desconfiada e se apoiou na beira da piscina, até seu rosto estar na mesma altura que o meu.
Nada? – ela perguntou baixinho, molhando toda a camiseta branca que eu usava.
- Talvez um pouco de... – eu caí em sua armadilha e baixei os olhos, sua boca tão perto da minha. Então tudo ficou fora de foco. A única coisa que eu via com clareza era ela, como antigamente – Não... Eu te desejo.
Deseja? – ela continuou falando daquele jeito sexy. Ela estava ajoelhada entre minhas pernas, sem me tocar, somente me olhando... Esperando o primeiro passo, como sempre.
- Desejo... E muito – disse num sopro perto dos lábios dela, eu estava desistindo de tentar jogar o jogo dela. Eu a queria, não do jeito que queria antes... Meu corpo queria Lua. Meu coração estava fechado a ela. Há muito tempo.
- Não é o que parece – ao dizer isso, Lua deu um dos seus repentinos, irritantes sorrisos, como se o ligasse e desligasse instantaneamente. Num movimento rápido, eu a segurei antes que voltasse para a água.
- Você provoca e quando consegue, me tira do sério... Acha mesmo que eu vou te deixar sair assim? – ela estava praticamente sentada em meu colo e estávamos a ponto de cair dentro da piscina.
- Sua imaginação é fértil demais, Aguiar – Lu parecia nervosa, sem saber o que fazer com suas mãos e evitando me olhar nos olhos – Eu não te provoco, só faço perguntas... A imagem que essas perguntas causam na sua cabeça, é problema seu.
- Você não fica curiosa? Sobre as imagens que passam pela minha cabeça? – eu nem me reconhecia, nunca imaginei falar com Lua daquele jeito tão... Malicioso? 
- Eu já vi essas imagens – tirou minhas mãos de sua cintura, pronta para fugir de novo – E não achei nada interessante. – ela não esperava que quando se jogasse de costas na água, eu a puxasse contra mim e caísse junto dela. Ainda submersos, eu a abracei pela cintura e Lu passou seus braços pelo meu pescoço.
- Eu duvido que se lembre daquelas noites e não as ache interessantes – disse baixo assim que voltamos à superfície; eu tinha uma mão em sua cintura e a outra em sua coxa, mantendo-nos colados um ao outro.
- Arthur... – ela disse num sussurro, as duas mãos em meu pescoço e olhando nossos corpos distorcidos pela água – Já passamos dos limites...
- Que limites? – senti um arrepio ao dizer isso e percebi que nós realmente não estávamos mais jogando, as brincadeiras tinham ficado pra trás. Naquele momento ela quase voltara a ser a Lua de antes, aquele jeito de me olhar e o modo que ela mexia nos cabelos em minha nuca.
- Limites que eu estabeleci... Você é só um brinquedinho, lembra? – acho que ela pensou que falando aquilo eu ficaria bravo e a deixaria ir. Ledo engano.
Então aprenda a brincar direito – sussurrei algo sem sentido contra a boca dela antes de colar nossos lábios; passei a ponta da língua e ela aceitou o toque, abrindo a boca e me abraçando com força. As sensações que tive ao beijá-la depois de tanto tempo longe foram indescritíveis, ou melhor, posso apenas dizer que eu senti aquele beijo por todo o corpo, especialmente em uma parte.

A água morna não ajudava em nada a minha tentativa de ficar comportado. Depois de alguns minutos beijando a Lu, eu já não tinha noção de onde estávamos eu só queria senti-la cada vez mais perto... Cada vez mais minha.
Quando nossas respirações se tornaram altas e descompassadas, comecei a beijar o pescoço da Lu, enquanto ela passava as pernas ao redor da minha cintura, coloquei as duas mãos em sua bunda e pressionei seu corpo contra o meu.

- Arthur... – ela suspirou alto. Ela suspirou alto o meu apelido? Sorri contra seu pescoço. É, eu estava de volta ao controle. 
Suas mãos foram até a barra da minha camiseta, que estava completamente transparente, e a puxou para cima, levantei os braços e agradeci mentalmente por estarmos na piscina, isso deixava tudo mais fácil. Ela olhou meu peito e braços durante alguns segundos e ficou levemente corada quando viu o sorriso irônico que eu tinha nos lábios.
- Que é? – a voz dela era baixa e um pouco falha – Eu não sabia que você tinha ficado... Gostoso assim. – era engraçado ver a antiga timidez dela vindo à tona e atrapalhar sua pose de descolada.
- Digo o mesmo – sorri de lado e comecei a andar lentamente até a beira da piscina, onde fiz com que as costas de Lua ficassem encostadas – Você ficou muito gostosa, pra falar a verdade.

Encarei seus seios parcialmente submersos, cobertos pelo sutiã de renda rosa e não pensei duas vezes antes de envolver um deles com a mão, Lu arfou e mordeu o lábio inferior; meu desejo só multiplicou ao ouvi-la gemer baixinho quando massageei seus dois seios com as mãos, alternando meu olhar entre o que eu fazia e o rosto de Lua, que tinha uma expressão de puro prazer. Vê-la daquele jeito foi demais pra mim. Inclinei a cabeça para alcançar com a boca o que até então estava em minhas mãos, Lu gemeu um pouco mais alto e pressionou sua pélvis contra a minha.

- Arthur… - a voz dela saiu entrecortada enquanto eu dava pequenas mordidas em seu seio esquerdo e massageava o direito. Eu conseguia sentir o coração dela batendo descontrolado, quase tão frenético quanto o meu. Subi meus lábios pela pele molhada dela, mordi o lóbulo de sua orelha e sussurrei:
- Diz... Com todas as letras... – fiz força contra seu corpo, espremido entre o meu próprio e a parede, e ela gemeu, dessa vez de dor – Diz que quer isso... Que me quer... – ela fincou as unhas nas minhas costas e eu não contive uma careta. Doeu, porra!
- S-sonha – ela disse baixinho e mordeu meu pescoço – Você quer... Não eu.
- Não estou te obrigando a ficar aqui e ceder aos meus caprichos – me afastei dela, tirando suas pernas de minha cintura – Pode ir embora quando quiser.
- Você não sabe mentir, nunca soube – Lu sorriu e se aproximou lentamente, colocou os polegares no elástico da minha boxer e ameaçou tirá-la – Lembra quando dormimos juntos pela primeira vez? Você não conseguia olhar o Will no dia seguinte, culpado por ter deflorado a irmãzinha do seu amigo... Ele soube antes do que deveria pelo simples fato de Arthur Aguiar não saber mentir.
- Cala a boca – disse pausadamente e segurei seus dois pulsos – Você é uma covarde, quer tanto quanto eu e não admite... – nem tomei fôlego para continuar meu discurso. Aquela garota era maluca! Ela simplesmente soltou seus pulsos e me puxou pelo pescoço, deixando nossos rostos bem próximos, mas não me beijou.
- Mas que inferno, Aguiar! – ela disse baixo, as duas mãos em minha nuca e a respiração ofegante. Minhas mãos estavam em suas costas, a caminho do feixe de seu sutiã, esquecendo completamente do nosso desentendimento segundos antes – Acha mesmo que eu ficaria aqui... Assim... Se eu não quis... – as palavras da Lu foram interrompidas pelo barulho de pneus freiando na terra. Ela me olhou assustada e disse baixo – Ah, merda, eles voltaram! – se afastou de mim num flash e saiu da piscina, recolheu suas roupas antes mesmo que eu chegasse perto da beira, me olhou de um jeito estranho antes de dizer. – Boa noite, Arthur – e então saiu correndo silenciosamente.

***

2 comentários:

  1. posta maissss to amando essa mini fic

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  2. OMG poste maiis, eu adoro essa mini fic ela simplesmente é viciante oO

    Kaah

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Não vai sair sem comentar, né?! xD

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