15 de out de 2013

[Mini Fic] Enjoy the Silence


Capítulo 12 - Penúltimo capítulo. 


- Arthur querido, bom dia – Claire me recebeu na sala de jantar da fazenda no dia seguinte com um sorriso carinhoso. Depois que Lua saiu do meu quarto no hotel, levei quase três horas para dormir. Não conseguia parar de pensar nela. Então quando acordei no dia seguinte, funcionários do hotel me deram o recado que Will e Ane haviam voltado com Lua para a fazenda logo cedo. Ela havia recebido uma ligação de Londres e a queriam num filme de Quentin Tarantino! Quando cheguei à propriedade dos Blanco, Ane estava reservando uma passagem para Lua no próximo voo para Heathrow, Will estava ao telefone contando para os pais que essa era a oportunidade perfeita para Lua se reerguer. Claire me obrigou a tomar café da manhã mesmo estando perto da hora do almoço e comentou que Lua tinha recusado qualquer comida e se trancou no quarto – Ela parecia tão abatida. Nem parecia que tinha acabado de ser convidada pra fazer um filme de um diretor que ela gosta tanto.
- Estranho, né? – comentei sem prestar atenção a senhora que servia suco de laranja para mim.
- Lua! Vamos! Se demorar mais dois minutos, você vai perder seu voo! – Will gritava ao pé da escada, enquanto eu levava as malas de Lua para o carro. Tínhamos almoçado, depois eu assisti algumas partidas de Ane contra Will no Guitar Hero, e durante todo esse tempo Lua ficou em seu quarto, só recebendo Claire.
- Lu? Querida? – Claire começou a subir as escadas quando Lua apareceu no topo dela. 

Estava com um vestido azul comportado, chinelos brancos e os cabelos estavam soltos. Do jeito que eu sempre elogiei. Ou elogiava. Will a olhou perplexo, assim como Ane. Claire sorria abertamente 

– Está linda, meu bem.
- Obrigada – a voz dela saiu tão baixa que eu quase não percebi que ela havia agradecido. Ela usava óculos escuros tão grandes que eu não podia dizer se ela estava com aquela cara esnobe de sempre ou não. Ela foi até Claire e a abraçou, falando baixinho só para a senhora ouvir, a mais velha sorriu feliz e beijou a testa da garota. – Vamos, irmãozinho? – Lua apertou a bochecha de Will ao passar por ele. Sua voz estava estranha, rouca. Blanco me olhou sem entender a mudança da irmã e eu dei de ombros.

Ane queria passear pela cidade e acabou me convencendo a “velar” o namoro dela e de Will depois que deixássemos Lua no aeroporto. No caminho até a cidade, Lua sentou no acento do passageiro e eu fui atrás com Will e Ane. O casal conversava sem parar com o motorista Jeremy, enquanto eu olhava as paisagens do dia muito ensolarado e quente passar rapidamente pela janela e Lua parecia imóvel em seu banco.
Chegando ao aeroporto de Carlisle, Jeremy tirou as malas de Lua do carro e as levou para dentro do prédio, enquanto ela se despedia da cunhada.

- Desculpa por ter sido uma vaca – ela falou baixinho com Ane na calçada do aeroporto – Você não tem culpa de nada, eu não posso descontar em você...
- Lua – a namorada de Will interrompeu –, eu namoro seu irmão há anos, eu sabia que essa era só uma fase pela qual você estava passando.
- Me desculpa, de verdade – ela ainda estava de óculos, então não sei se seus olhos acompanharam o pequeno sorriso que apareceu em seus lábios. Ane a abraçou rapidamente e desejou boa sorte no filme. Então Lua se aproximou de Will, visivelmente sem jeito.
- Vem aqui, sua pirralha – ele sorriu e abraçou a irmã com força – Por que está agindo assim? Você só está voltando pra casa. Não é como se não fosse te ver nunca mais e você precisasse pedir perdão por ser um pé no saco.
- Will! – Lua exclamou rindo fraco, mas sem se soltar dos braços do irmão – Eu só sinto que tenho que pedir desculpa pelo jeito que andei me comportando... Cansei desse personagem, acho que quero voltar a ser a Lua que não ligava para o que os outros pensam...
O Anjinho do Reino Unido? – Will perguntou rindo e ela franziu o nariz negando com a cabeça.
- Só se for um anjo bem sexy, estilo Victoria’s Secret – Lua sorriu de lado, fazendo Will e Ane rirem. Então chegou minha vez. Ela parou diante de mim e não disse nada. Agradeci mentalmente por também estar de óculos escuros e ela não conseguir ler o que se passava na minha cabeça.
- Tchau, Arthur – ela falou rapidamente, ficou nas pontas dos pés e me deu um abraço rápido. Era óbvio que ela só estava fingindo estar tudo bem entre nós porque Will e Ane estavam olhando. Não respondi nada. Ela pegou sua bolsa e foi procurar Jeremy dentro do aeroporto. 
- Então, dona namorada, o que vamos fazer primeiro? – Will perguntou ao abraçar Ane pelos ombros e começar a andar pela calçada nada movimentada. Os segui em passos lentos, sem realmente olhar por onde andava. Faltando dois passos para virarmos a esquina, ouvi alguém gritar meu nome. Tive medo de ser alguma fã, mas ao virar... 

All I ever wanted
All I ever needed
Is here - in my arms
Words are very unnecessary
They - can only do harm

- Espera! – Lua vinha correndo em minha direção. Isso mesmo. Lua Blanco, em toda sua pose de celebridade, correndo até mim. Will e Ane falaram alguma coisa que não ouvi, mas percebi que continuaram andando. O que Lua queria? Ela parou na minha frente e tirou os óculos escuros... Seus olhos estavam vermelhos e inchados, como se tivessem... Chorado a noite toda?
- Esqueceu alguma coisa? – parabéns, Aguiar, você fez tudo parecer um filme de meninas. Lua ofegava ao passar a mãos pelos cabelos antes de começar a falar num ritmo rápido, despejando tudo em mim sem me dar chance abrir a boca... Do jeito que fazia antigamente.
- Eu não dormi com o cara da tequila! Não dormi! Eu só achei que você tinha ficado com aquela garota, então eu menti! E... E... Você uma vez perguntou o motivo de eu ter deixado de ser aquela menina que todo mundo adorava... É que... Eu achei que você... – ela fechou os olhos com força, e eu percebi que ela tomava coragem pra me contar aquilo – Eu te vi transando com uma garota no ônibus de turnê da banda! – ela falou rapidamente e eu tirei meus óculos, os olhos arregalados. O que ela disse? – Eu vi! E... Eu ouvi a garota perguntar se você não era meu namorado e você responder que eu era anjinho demais pra namorar alguém como você... Então eu não quis mais ser um anjinho. O Anjinho.

Mas de que tipo de bosta eu sou feito? Lembrava vagamente da cena queLua havia descrito... E... Mas que porra! Tudo estava tão óbvio que chegava a ser ridículo! Depois da tal noite, Lu voltou pra casa e não atendeu ao telefone quando liguei pra contar sobre os shows.
Nos meses seguintes estava sempre ocupada, se afastava quando eu chegava perto demais e passou a dar respostas secas a qualquer pergunta que repórteres faziam sobre seu irmão ou sobre a banda.

– As pessoas me tratavam como criança, aquilo me tirava do sério – ela continuou falando com os olhos enchendo de lágrimas – Então ouvir você falar aquilo me fez ver que eu tinha que mudar... Mas acho que fui longe demais... Eu sinto muito se... – os lábios dela tremeram e ela respirou fundo quando duas lágrimas caíram de seus olhos, limpando-as rapidamente com as pontas dos dedos e continuou falando – Eu sinto muito se te magoei. Hoje eu vejo que se estava cansada de ser tratada como criança, eu não deveria ter agido feito uma. Eu deveria ter te falado o que estava errado e...
- Lu... – a interrompi quando mais lágrimas escorreram por suas bochechas. Tentei limpá-las, mas Lua deu um passo para trás sem me olhar – Esquece isso. E me desculpa por ter dito aquilo... Naquela noite no ônibus... Eu estava confuso. Você consegue imaginar como é estar apaixonado pela irmãzinha do seu melhor amigo, ser o cara com quem ela decide transar pela primeira vez... Mas eu não podia ser nada, te dar nada naquela época... 
- Mas eu não queria nada! – a voz dela saiu um pouco estridente enquanto passava as duas mãos pelo rosto e respirava fundo.
Você não queria, mas o mundo sim! – passei a mão pelo cabelo, começando a perder o controle da situação – Você mesma disse que a imprensa ia se matar por fotos nossas, todo mundo só ia falar disso! Eu não conseguiria...
- Eu sabia... Eu sempre soube... – Lua sorriu de um jeito triste e se afastou mais um pouco – Não sei por que estamos falando disso. Eu só vim pedir desculpas. Já o fiz, então posso ir.
- Me responde uma coisa antes – a calçada continuava vazia, algumas pessoas na praça do outro lado da rua nos olhavam, mas não achavam possível ser Arthur Aguiar e Lua Blanco, discutindo na frente do aeroporto – O que te fez mudar de ideia? Até ontem você parecia bem sendo... A nova Lua. O que aconteceu hoje de manhã? Foi o filme do Tarantino?
- Não... – ela negou com a cabeça e mordeu o lábio, como se fosse chorar de novo, mas não deixou nenhuma lágrima cair – Foi você... Na verdade, nada mais justo, né? Você foi a chave de ignição pra primeira mudança, nada mais justo que você causar o retorno da... Antiga Lua?
- Quando você diz que eu causei... Você quer dizer ontem? Quando... – nós transamos, eu acrescentei mentalmente, sem querer falar isso em voz alta, em público. 
- Não... Não nessa parte exatamente... – novas lágrimas aparecem nos olhos de Lu, e ela faz um biquinho antes de continuar – Foi quando... Você disse... Disse que me odiava... – aquilo me acertou em cheio. Foi como se ela tivesse me dado um soco no estômago. Como eu podia ter dito isso a ela? Ok, eu tinha dito aquilo para a Lua Cínica, mas agora era a Lu que eu amava diante de mim, chorando. 

Bem rápido, antes que ela se afastasse mais, me aproximei e segurei seu rosto com as duas mãos e limpei as lágrimas com meus polegares.

- Esquece aquilo... Esquece. – encostei nossas testas e fiz carinho em seu nariz com o meu – Eu odiava a Lua Material de Paparazzi. Não você. Você é... A Lu... A minha Lu.
- Isso não faz diferença... – ela fechou os olhos e apertou a frente da minha camiseta com as mãos – A imprensa não vai te deixar em paz do mesmo jeito... Pode até ser pior e...
- Eu não ligo! – a interrompi sorrindo e ela me olhou incrédula – Eu não ligo pra nada disso! Hoje eu já sei lidar com eles... Eu quero lidar com eles, se você também quiser... E...
- Se eu te beijar agora... Você vai falar que me odeia de novo? – ela atrapalhou o que eu falava, usando aquele biquinho lindo e me olhando de um jeito tímido. Eu ri e passei meu nariz pelo dela mais uma vez.
- Eu vou... – Lu arregalou os olhos e eu ri mais alto – Eu vou falar, se você não me beijar. – então ela sorriu. O sorriso mais lindo de todos que ela tinha. O sorriso que ela só dava pra mim. O sorriso que era a marca registrada da minha Lu.

Sorri de volta e afastei o rosto, esperando que ela cumprisse o combinado e me beijasse. Lu cerrou os olhos de brincadeira e passou os braços por meu pescoço e me deu um selinho.

– Mas que pobreza é essa...? – Lua gargalhou e me puxou pela nuca e dessa vez me beijou de verdade. Do jeito que tudo ficava claro, sem precisarmos dizer nada, apenas aproveitando um ao outro e o silêncio. Ela era tudo que eu queria, tudo que eu precisava. Com ela ali, nos meus braços, tudo parecia se encaixar, tudo parecia estar do jeito que deveria ser sempre, o jeito certo.Ou errado. Não importava. Era o nosso jeito.


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