1 de out de 2013

[Mini Fic] Enjoy the Silence

 


Capítulo 2


- Will Blanco, pode considerar a si mesmo como uma bicha morta. – Rosnei o mais baixo que consegui, quase esmagando o braço do meu amigo, tamanha a raiva que eu sentia – Eu te ajudo e você faz isso?
- Isso o quê? – ele se fez de besta. Apontei com a cabeça e ele sorriu – A Ane? O que tem ela?
- Seu filho da puta! – sussurrei irritado – Estamos no aeroporto, esperando sua irmã... E você não me conta que sua namorada também vai?
- Ah, você tá com ciúme – eu poderia esganar o Blanco naquele momento.
- Ciúme o caralho. Se a Ane vai, pra que você precisa de mim? Acho que ela consegue te impedir de matar a Lua...
- Eu sabia que vocês me amavam, mas nem tanto – ouvi a voz sarcástica dela vindo das minhas costas, na fila do check-in. Totalmente diferente e totalmente linda. Cara, eu quase comi a garota com os olhos! Calça preta muito justa, que me fez secar as pernas dela. Uma regata vermelha, belo decote! E salto alto, como sempre. E de Ray Ban, que ficava extremamente sexy nela – Aguiar, acho bom você disfarçar... Suas fãs não vão gostar de te ver me engolindo com os olhos – aquela voz irônica dela me irritava. Mas ela tinha razão, vários paparazzi estavam do lado de fora do aeroporto. Respirei fundo e tentei parecer indiferente.
- Adorável como sempre, Lua – sorri e fui ajudar Ane com as malas, deixando o Will com a mala dele, digo, com a irmã dele.

Arthur Aguiar, a pessoa mais sortuda do mundo, certo? Errado.
Eu tentei mudar de lugar, até ir de classe econômica. Mas nada deu certo. Por quê? Eu era um cara de muita sorte, por isso. E fui obrigado a ficar horas dentro daquele avião. Sentado ao lado da Lua. Eu queria matar o Blanco.

Quarenta minutos depois que decolamos do aeroporto de Heathrow, e aquele alien, não, porque aquela coisa do meu lado não podia ser uma garota... Continuando, mais de quarenta minutos desde que deixamos Londres e ela não disse uma palavra. Ignorou as comissárias de bordo, colocou os fones do iPod, tirou os óculos (ela estava de maquiagem bem escura, diferente do que eu estava acostumado a vê-la usando, mas ficou bonita de todo jeito) e fechou os olhos. Acho que ela acabou dormindo já que... Ah, merda. Merda. Merda. E merda. 
- Lua – tentei falar normalmente, mas minha voz saiu num sussurro, ao tentar desencostar a cabeça dela do meu ombro. Não podia acreditar que ela havia dormido e estava caindo pra cima de mim. E eu agindo feito uma bicha, cara! E parando para olhá-la... Ela dormindo, até que lembrava a minha Lu. Desisti de acordá-la, no exato momento em que ela se aconchegou mais na poltrona, colocou uma das mãos na minha perna e deixou o nariz encostado no meu pescoço.

Só tínhamos mais meia hora de voo e, enfim, chegaríamos ao aeroporto de Carlisle, daí mais uma hora de carro até a fazenda da família do Will, em Penrith.
Eu estava morrendo de sono, e meu braço estava ficando dormente em volta do corpo magro da Lua, que ainda dormia. Eu já tinha olhado todas as músicas no iPod dela... Ela tinha Carry On My Wayward Son do Kansas! Fiquei impressionado de achar músicas desse tipo, e não músicas da moda, como da Lady Gaga e Katy Perry.
Senti a respiração da Lua começando a ficar mais pesada contra o meu pescoço e, merda, eu senti meu corpo arrepiar. Até os lábios dela encostarem na minha pele, eu não tinha percebido que ela tava acordada. Sem querer, muito sem querer, eu a puxei pra mais perto, ela riu baixinho e deu uma mordida bem perto da minha orelha.

- Será que o que dizem sobre banheiros de avião é verdade? – ela sussurrou enquanto subia a mão pela minha perna até chegar à minha virilha, me deixando sem reação. O quê?! – Vai me dizer que nunca pensou em transar em lugares diferentes? – senti meu corpo todo congelar.
- Eu não transo com estranhas – disse bem seco e a tirei de perto de mim.
- Nossa, desde quando eu sou estranha? – a vi fazer um biquinho, que se fosse em outros tempos, eu não conseguiria evitar morder.
- Desde o momento em que você parou de agir como uma pessoa normal – como ela conseguia não demonstrar emoção alguma? Ela parecia um robô, um lindo robô – Desde que você deixou de ser aLua que eu conhecia, que eu gostava, que eu...
- Que você tirou a virgindade – ela me cortou, sorrindo de um jeito, digamos, venenoso. Se ela não fosse uma garota, eu teria quebrado a cara dela naquele exato momento – Vai me dizer que esqueceu? Ah, você não esqueceu, certo, Arthur? Eu lembro como se fosse hoje... A sua cara de felicidade, de admiração... Se achando o melhor por ser o primeiro homem na vida da queridinha da Grã-Bretanha – ela falava baixo, se aproximando de mim de novo, com aquele olhar cínico.
- Eu não vou ter esse tipo de conversa com você dentro de um avião – levantei antes que ela falasse mais alguma idiotice, ou fizesse alguma. 

- Vai ao banheiro? – a ouvi perguntar, mas ignorei – Quem sabe eu não te encontre lá?

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