3 de jul de 2013

Jogos Vorazes - Cap 12




Sai do campo enxugando minhas lágrimas, mas toda vez que eu pensava em alguma coisa feliz o sorriso de Mel me vinha à cabeça me sentei um pouco longe e fiquei encarando minhas mãos. Onde será que Arthur estava? A última vez que tive noticia ele estava no rio, mas porque no rio? Um lugar tão fácil de ser pego... Fiquei tostando meus neurônios  já sem esperanças até que a voz de Claudius Templesmith soou me dando um baita alivio.

“Atenção tributos. As regras que nomeavam apenas um vencedor foram... suspensas. De agora em diante dois poderão ser declarados vencedores, dês de que sejam do MESMO - ele reforçou a palavra enquanto eu abria e fechava a boca ainda tentando acreditar - distrito. Este é o único recado. Obrigado."

Levantei-me e sai correndo em direção ao rio. Pelo menos eu poderia cumprir minha promessa. Os galhos finos atrapalhavam um pouco e eu nem liguei só continuei correndo. Arthur e eu poderíamos vencer. Os dois. Assim que avistei a água correndo no rio, comecei a saltar de pedra em pedra como eu fazia quando criança. A felicidade era tanta que nem liguei para minhas roupas molhadas e grudentas. Pelo menos uma coisa boa não? Assim que cheguei às pedras mais altas comecei a andar mais devagar e a prestar mais atenção no ambiente a minha volta, mas algo me fez parar, me abaixei ao lado da enorme poça de sangue seco e esfreguei meus dedos ali, o sangue ainda não havia secado completamente, esfreguei meus dedos sujos na calça e continuei a andar. Arthur estaria ferido? Ou o sangue era de outra pessoa?

Continuei andando e algumas gotas de sangue faziam uma trilha. Será que poderia ser uma armadilha... Ignorei e foquei em Arthur apenas, atravessei o rio à procura de mais pistas, cai em cima de umas pedras e me levantei batendo na jaqueta para tirar a sujeira. Continuei andando agora apontado o arco para todas as direções. Sangue e mais sangue a trilha parara em frente a uma cachoeira, bufei e quando ia começar a voltar algo segurou meu pé. 

- Ah! - exclamei olhando para baixo, pude ver um sorriso branco e lindos olhos castanhos  - Ai meu Deus Arthur! Arthur?!

- Ah - ele gemeu baixinho e notei que estava em cima do que seria seu corpo só que coberto por lama e folhas. Ele realmente parecia parte do local impossível se ser notado a não ser por seu sorriso extremamente branco.

- Oi! - comecei a retirar algumas pedras de perto de seu corpo e a empurrar os galhos, ele levantou a cabeça e eu o abracei com toda a minha força. 

- Tá tudo bem, ah Arthur! 

- Lua... Lu ta me suf-ocando...

- Ah me desculpe, ai meu Deus o que houve com você? - o puxei para outro abraço agora menos apertado segurando sua cabeça entre meus braços e a balançando levemente 

- Ivo me feriu e eu não recebi nenhum paraquedas dês do dia das borboletas 

- Desculpa, foi minha culpa.

- Tudo bem 

- Posso... Posso ver?

- O que? O machucado pode só na TOOOOCAAUTCH - sem querer apoiei a mão em sua perna em cima do machucado

- Me desculpa!  Desculpa descuuuuulpa! 

- Hãhãhã, não podia ser na outra perna... - ele falou de olhos fechados
(lê-se trincados)

Olhei para onde minha mão estava e comecei a puxar o tecido enquanto ele gemia baixinho parei o que fazia e olhei para ele, tava feio, muito feio.

- Como ele te feriu?

- Uma espada... Tá horrível né - ele me soou triste e eu fiz que não com a cabeça 

- Tá tudo bem... Eu tenho que limpar primeiro, e você ta imundo, espera - fui até a beirada do rio e enchi minha mão de água, após fazer isso por três vezes notei que não daria certo. 

- Rhg desisto, Arthur deita. 

- Por quê?

- Deita!

- Ta achando que eu sou cachorro?! - ele falou rindo e eu bufei batendo os pés

- Arthur que droga deita na droga do chão antes que eu deite você nele só que inconsciente

- Calma estressadinha eu já to deit.

- Deita droga - empurrei seu corpo contra o chão e ele fez careta - Vou rolar você até a margem. Pronto?

- Huhum 

- Ok lá vai - comecei a empurrar ele até a margem mais o quanto ele gritava eu parei 

- PARA EU VOU FICAR ALEJADO, HÃHÃHÃ! MANHÊ! LUA BLANCO PAAAAARA! - ele falava berrando e eu tapei sua boca 

- Para de drama! Tá bem não vai rolar já entendi agora para de berrar antes que matem a gente... Já sei tira a roupa 

- Como é? 

- Quer que eu te ensine a tirar a roupa Aguiar - bufei pondo as mãos na cintura 

- Eu sabia que você gostava de mim e tal, mas isso é amor-platônico.

- Cala a boca idiota tira logo a roupa e me dá - virei de costas estendendo as mãos 

-  Eu não me importo de você me ver nu não - ele falou rindo e me jogou a jaqueta e a blusa enquanto eu sentia meu rosto fervilhar

- Toma ô mandona - ele jogou a calça 

- Continua com a roupa debaixo

- Aff, fresca 

- Valeu a fresca aqui te deixa aqui pra morrer bye- sai carregando as roupas dele enquanto o ouvia fazer birra 

- Lua, não me deixa aqui! Então devolve minhas roupas 

- Vai pedir desculpas - eu o olhei e ele suspirou 

- Ok, desculpa Lua Blanco. 

- Desculpado Arthur Aguiar 

- O que ta fazendo - ele esticou o pescoço para ver o que eu fazia na borda do rio 

- Lavando - sacudi sua camisa molhada e ele fez um "hum" assim que acabei as estendi nas pedras e entrei no rio pra dar uma refrescada. Soltei minha trança e deixei meu cabelo secar solto 

- Lua, tá doendo - ele choramingou e eu fui pra perto dele. 

- Me deixa ver isso direito - agachei ao seu lado e peguei um pouco de água da garrafa e a enchi com a água um pouco mais fresca do rio, assim que comecei a despejar, Arthur começou a se contorcer no chão e a emitir grunhidos dolorosos. 

- Lua - ele levantou um pouco a perna e eu delicadamente a abaixei terminado de tirar os resquícios de plantas, lama e tecido. 

- Lua! Eu...

- Não! 

- Eu não vou te deixar... Não vou fazer isso

- Porque não? - Olhei para ele e sem surpresa  me olhava, eu suspirei. Agora não era só por patrocinadores ou pela promessa ao irmão dele, eu sentia que devia protegê-lo com a minha vida.

- Descansa um pouco... Bebe ai enquanto eu pego suas roupas - ele balançou a cabeça pensativo e segurou a garrafa, quando eu acabei de ajudar ele a se vestir ele pediu pra dar uma limpada no rosto. Peguei um paninho que estava na mochila de Mel e esfreguei com um pouco de água em seu rosto. Levantamos-nos, eu sentia seu corpo febril, mas preferi não deixa-lo mais preocupado que já estava ela se levantou apoiado nos meus ombros e andamos até uma gruta mediana. Quando entramos ele se soltou no chão e eu solucei de susto achei que ele tinha desmaiado ou até morrido 

- Desculpe, mas eu... Eu não consigo, mas andar dói tanto - ele se apoiou na parede de pedra enquanto eu balancei a cabeça. Fui até o lado de fora e peguei umas folhas de bananeira e uns pedaços de cipó só por precaução. 

- Ninguém vai te achar aqui - eu repetia pela décima vez tentando acalma-lo 

- Eles já me acharam - ele olhou para a perna e o sangue ainda escorria da ferida.

- Fica calmo a gente só precisa achar algum remédio 

- Lua eu não recebo muitos paraquedas - ele falou com a voz meio arrastada e eu mexi no seu cabelo retirando algumas folhas que ali estavam.

- A gente vai dar um jeito...

- Que jeito - ele me olhou triste e eu olhei para o chão, seria ótimo um paraquedas agora Haymitch! Pensei invocada.

- Algum jeito. - Me abaixei e beijei o canto se sua boca, vamos tentar na teoria, ele me olhou meio assustado pelo meu gesto e eu pus meu cabelo de lado e comecei a trança-lo tentando ao máximo não olha-lo e não explodir de vergonha, eu mencionei que nunca beijei na vida? Pois é...

Quando ele estava cochilando o coloquei no saco de dormir e fui procurar o jantar. Consegui três peixinhos médios. Logo um som se aproximou e eu procurei de onde vinha, o som era de um paraquedas, mas onde... Ah que ótimo ele ferido e vocês me põem o paraquedas no alto da árvore. Perfeito. Subi bem rapidinho e fui descendo de dois em dois, logo risadas se aproximaram e eu xinguei. Nina e Ivo vinham no maior Love. OMG,
"De agora em diante dois poderão ser declarados vencedores, dês de que sejam do mesmo distrito”. Lembrei-me do recado de Claudius e pus a mão na boca, eles eram do mesmo distrito e quando eles se beijaram eu quase e digo quase mesmo vomitei. Ele deu a ela uma flor e ela colocou atrás da orelha e eu até acharia a cena fofa se a irmã dela não tivesse matado a minha irmã e Ivo tivesse esfaqueado Arthur. Quando tive certeza de que eles não estavam mais por perto saltei da árvore e entrei correndo na gruta. Ele ainda dormia tranquilamente mais o suor escorria, fui até o fundo da gruta e acendi uma fogueira. Quando os peixes estavam cozidos me aproximei de Arthur e o balancei levemente pelo peito 

- Arthur? Arthur... Thur acorda Arthur - ele abriu os olhos sonolentos e murmurou alguma coisa que eu não entendi - Arthur mandaram alguma coisa pra você, acorda garoto - eu ri da sua cara de coitada e ele mordeu o lábio se sentando. 

- Tá frio - ele falou 

- Huhum, acho que eles vão mudar o tempo um pouco, tá muito calor. 

- O que é - ele apontou pro paraquedas ao seu lado e eu dei de ombros 

- Eu não sei, eu não abri. 

- Por quê?

- Não vai acreditar no que eu vi - falei me lembrando da cena de mais cedo - ouviu o recado de Claudius mais cedo né?

- O dos vencedores, claro e eu e você né? - ele riu sacolejando minha mão pelo dedo indicador 

- Para isso é irritante mais voltando, Nina e Ivo estão juntos... Tipo juntos mesmo - ele me olhou e puxou meu braço e falou no meu ouvido 

- Vamos ter que melhorar na atuação 

- Conta uma novidade - dei uma risadinha completamente forçada e mordi sua orelha 

- Entra aqui, não quero você doente - ele chegou para o lado e nesse minuto um trovão explodiu no céu e eu dei um gritinho, eu tenho pavor, PAVOR de tempestades.

- Obrigada - me aconcheguei no saco de dormir ficando sentada ao seu lado - abre logo isso, to curiosa.

- Ah é, tinha esquecido, porque não abre? - ele me deu o paraquedas e olhou para o machucado - Cara eu daria tudo por um remédio - ele riu 

- Nhuf, não é remédio  , mas parece que eles sabiam que o tempo ia mudar. 

- Por quê?

- Sopa... - ele estendeu a mão para o bilhete e lemos juntos “Chama aquilo de beijo? Melhora um pouquinho - H”.

- Lua 

-Oi 

- Quero beijo - ele falou no meu ouvido 

- Arthur eu acho que você ficou tempo demais na terra, ficou maluco foi? - ele riu e apontou com o rosto disfarçadamente o bilhete e eu bufei 

- Toma a sopa vai, ou melhor, eu te dou - sorri sarcástica e enfiei uma colher cheia na boca dele. 

- Blé - ele contorceu o rosto numa careta e eu ri eram leguminosas, eu e ele odiávamos, na capital quando o jantar era legumes nós fugíamos para a cozinha de madrugada  pra roubar comida.  Obrigada Misha! 

- Pode ficar você é mulher é toda frágil - ele empurrou o pote e eu coloquei mais um colher cheia na sua boca

- Para de reclamar Arthur. 

- E você vai ficar sem jantar?

- Não meu jantar ta bem aqui e outra se não comer de cara feliz e dengoso, fica sem paraquedas e sem beijo - sussurrei e ele beijou minha bochecha. 

- Linda, isso é muito bom - ele abriu a boca e comeu o resto de cara vamos dizer menos enojada. - Acabeeeei! - ele levantou a s mãos na última colher e quando ele foi me dar  um beijo eu comecei a comer - Também gosto muito de você Lua - ele falou doce e eu por um segundo achei que tava fora da encenação, recostei no seu peito e deitei um pouco o corpo voltando a jantar. Enquanto recebia um cafuné gostoso.

- Você tá quente. - falei enquanto estávamos agarrados no saco de dormir ouvindo a tempestade rugir do lado de fora e ecoar do lado de dentro um milhão de vezes pior. 

- Eu sou quente Lua - ele riu e eu o acompanhei 

- Convencido. Eu to com medo. 

- De que Lua?

- Eu não sei... De morrer, de no final eu não conseguir sair viva daqui.

- Ei linda, nós vamos sair juntos. 

- É o que eu espero... E o machucado 

- Tá doendo... tanto 

- E porque você não falou nada - me apoiei nos cotovelos olhando para seu rosto 

- Pra você não ficar preocupada oras 

- Bobo... Boa noite Thur 

- Boa noite Luinha, sonha com os anjos. 

- Então vou sonhar com você - eu falei de olhos fechados e senti seus lábios levemente pressionados sobre os meus 

- E eu com você - me ajeitei tentando ao máximo não esbarrar no seu machucado, coloquei meu rosto em seu pescoço e o seu cheiro de menta e canela ainda era bem presente e isso me deu sono, e uma noite bem tranquila como eu nunca tinha tido. 

Continua ...

Comentários! Pode ser ? Espero que tenham gostado :)

2 comentários:

  1. Mto bom esse cap

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  2. ++++++ , web muito legal essa... *-*

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Não vai sair sem comentar, né?! xD

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