26 de jul de 2013

Addicted - Cap 28

 


‘Já falei que eu odeio filosofia?’ Sophia falou irritada se sentando no mesmo banco em que eu estava. Ela tinha acabado de sair da prova e eu como terminei antes fiquei a esperando no pátio da faculdade.
  
‘Foi tão mal assim?’ A olhei com a sobrancelha arqueada. Sophia nunca se dá mal das provas apesar dos escândalos que ela dá.

‘Nem tanto.’ Ela deu de ombros e eu ri. ‘Tá afim de ir lá pra casa do Micael?’ Sophia sorriu.

‘Depende, o que vai ter lá?’ Me levantei e caminhamos pra fora da faculdade. O sol já começava a sumir no horizonte, já que a prova tinha sido num horário diferente das aulas.

‘Nada demais até onde eu sei, ele só disse que ia chamar os meninos e que provavelmente iriam ensaiar. Vamos?’ Ela botou a mão em meu ombro sorrindo com a cara de criança que ela sempre faz quando quer alguma coisa.

‘Ok, ok!’ Falei bufando e ela deu um gritinho.

‘Hm, tem certeza que não vai ter nada por aqui?’ Perguntei baixo para que só Sophia ouvisse. Na casa de Micael tinham quase dez pessoas; Pedro e uma garota que eu não conhecia, Chay e Mel , Charlie e uma garota e James estava sozinho conversando com um outro garoto que eu não conhecia.

‘Ele me falou que seria só um ensaio.’ Ela deu de ombros e foi ao encontro de Micael. ‘Hey amor, não sabia que estava rolando uma festa aqui.’ Ela falou de uma forma engraçada e Micael riu me dando um beijo na testa.

‘Nah, só chamei os caras pra uma reuniãozinha.’ Ele deu de ombros.

Eu e Sophia sorrimos para todos que estavam na sala e sentamos no sofá onde James estava com o carinha ainda desconhecido. Olhei pra James um pouco sem graça e sorri.

‘Hey!’ Dei um beijo na bochecha dele.

‘Não sabia que você vinha!’ Ele sorriu largamente. Nota mental: resistir ao sorriso do James.‘Então, esse é um amigo nosso, Pete.’ Ele apontou para o desconhecido ao seu lado e só então eu reparei que ele parecia o Julian Casablancas do Strokes.

‘Tudo bem?’ Ele se esticou e me deu dois beijinhos. Eu sorri balançando a cabeça. Quando olhei pro lado vi que Sophia não estava mais ali. Passei meus olhos pela sala e vi que ela estava conversando com Micael um pouco mais afastados do sofá.

‘Achei que não fosse mais te ver depois daquele dia da festa.’ James falou atraindo novamente minha atenção.

‘Ah!’ Sorri morrendo de vergonha por ter que lembrar que quase fiquei com James. ‘Desculpa por aquilo, erm...’ Me enrolei um pouco.

‘Nah, não precisa se preocupar.’ Ele me interrompeu e sorriu. Eu agradeci mentalmente, não estava preparada pra inventar alguma desculpa convincente. ‘Então, o que tem feito?’ Ele perguntou mudando de assunto.

‘Ah, nada demais. A velha correria da faculdade e do estágio.’ Dei de ombros ele concordou. ‘E você, escrevendo muitas músicas?’

‘Ah, não muitas. Mas é meu hobby favorito!’ Ele sorriu ainda mais, e eu achava que era impossível. ‘Quer beber alguma coisa?’ Ele falou apontando pra mesa que tinha vinho e wisky.

‘Hm, vinho!’ Sorri e ele concordou se levantando e caminhando até a mesa.

‘Ele tá caidão por você!’ Ouvi alguém falar e me virei encontrando Pete sorrindo.

‘Quê?’ Perguntei em duvida e ele riu.

‘O James, ele só dá esses sorrisos idiotas quando tá gostando de alguém.’ Ele apontou pra James que botava vinho em dois copos e continuava sorrindo.

‘Nah, a gente mal se conhece. Na verdade essa é a segunda vez que a gente se encontra.’ Dei de ombros sorrindo um pouco sem graça.

‘Uau, então o cupido foi rápido dessa vez.’ Ele piscou e se levantou indo conversar com Chay e Pedro. Fiquei algum tempo o olhando e pensando que ele só podia ser maluco.

‘Aqui, Lu.’ A voz de James me despertou e eu peguei o copo que ele me estendia e sorri agradecida.

‘Então, você conhece os meninos a muito tempo?’ Quebrei o silêncio ele me olhou.

‘Um pouco! Conheci primeiro o Chay e depois os outros caras.’ Balancei a cabeça concordando. ‘E você, conhece eles a muito tempo?’

‘Hm, uns três anos.’ Respondi rezando pra que ele não perguntasse como eu os conheci. 

‘Estranho a gente nunca ter se batido.’ Comentei e ele concordou.

‘Tava pensando nisso.’ Ele sorriu me olhando. Fiquei algum tempo viajando no sorriso dele, até uma voz conhecida chegar até meus ouvidos. ‘Finalmente, cara!’ Micael gritou rindo. Observei ele se afastar de Sophia que olhava pra porta um pouco assustada, segui seu olhar e senti um soco no estomago ao ver Arthur de mãos dadas com Perola.

‘Outch.’ Falei sentindo uma pontada no peito e me virei de costas pra porta. Senti alguém sentar ao meu lado e me virei encarando Sophia que me olhava como se não acreditasse. Balancei a cabeça ainda um pouco desorientada e me concentrei num ponto fixo no chão tentando respirar calmamente.

‘Tá tudo bem?’ James perguntou reparando minha tensão.

‘Tá sim.’ Sorri fraco.

‘Hey, Arthur!’ Sophia falou com ironia e eu senti vontade de chutar a perna dela. Me virei a tempo de ver Arthur sorrindo sem graça, mas pelo menos ele não estava mais de mãos dadas com Perola. Nos encaramos por alguns segundos em silêncio.

‘Erm... a Perola vocês já conhecem, né?’ Ele apontou para a garota ao seu lado que sorria.

‘Já sim! Tudo bem, Perola?’ Sophia falou, dessa vez mais simpática.

‘Tudo bem sim!’ Ela sorriu olhando pra mim e pra Soph.

‘Fala, Aguiar!’ James se levantou e abraçou Arthur.

‘James! Virou presença constante agora!’ Ele respondeu rindo e James balançou a cabeça confirmando.

‘Arthur Aguiar!’ Pedro gritou da varanda da sala e Arthur foi até lá rindo.

‘Senta aí, Perola.’ Sophia apontou para uma cadeira que tinha perto do sofá em que estávamos e ela sentou. ‘Então, a festa do seu irmão foi ótima!’ Ela falou animada, mas se eu bem conheço Sophia, ela apenas disse isso pra não deixar o silêncio cair entre a gente.

‘Ah, que bom que você gostou. Mas eu nem vi você e a Lu depois do show.’ Ela me olhou sorrindo.

‘Eu não me senti muito bem!’ Falei interrompendo Sophia que já tinha aberto a boca pra responder. ‘Tava com uma dor de cabeça e tal.’ Fiz uma careta.

‘Ah, que pena! O final da festa foi tão bom, ficamos ali na varanda conversando. A maioria de nós bêbados, claro.’ Nós rimos. ‘Mas foi realmente legal!’ Ela falou como se estivesse lembrando e eu sorri fraco.

Olhei pro lado e percebi que James não estava mais ali. Quando voltei meu olhar pra varando vi ele e Arthur conversando animadamente. Fiquei algum tempo os observando, até Sophia tossir ao meu lado chamando minha atenção.

‘Hey, Mel, vem pra cá!’ Sophia chamou Mel e a garota que estava acompanhando Pedro. Elas se aproximaram sorrindo.

‘Hey, meninas!’ Ela sorriu para nós três. ‘Essa daqui é a Becky.’ A menina ao lado dela sorriu acenando.

 ‘Prazer, Becky!’ Sorri e cheguei pro lado para que ela se sentasse, enquanto Mel sentou na mesinha de centro.

Engatamos uma conversa animada sobre a banda dos meninos, depois falamos sobre Justin Timberlake, sobre Londres, e íamos emendando um assunto no outro e não calávamos a boca nunca. Enquanto conversávamos bebíamos também, então o nível de álcool em nosso sangue já estava começando a ficar elevado, assim como nossas vozes.

‘Ai, preciso ir ao banheiro.’ Falei rindo e me levantando sem jeito. Saí da sala e entrei num corredor que tinha alguns quartos e um banheiro para visitas. Antes de entrar no banheiro ouvi duas vozes saindo de um dos quartos.

 ‘Por que você não me falou que ela vinha, cara?’ A voz de Arthur estava um pouco histérica.

‘Eu não sabia, Arthur! Ela e a Sophia apareceram aqui, mas era um pouco obvio que a Soph ia chamar ela, né?’ Micael respondeu um pouco alterado também.

‘E o que eu faço agora? Eu mal posso chegar perto das duas!’ Senti meus joelhos vacilarem.

‘Sei lá, cara, se vira. As mulheres são suas, você que se meteu nessa!’ Ouvi passos se aproximando da porta e corri pro banheiro fechando a porta rapidamente.

 Não demorei muito tempo lá dentro, saí do banheiro trocando um pouco as pernas e ri comigo mesma. Ok, eu precisava parar de beber. Caminhei lentamente de volta pra sala, mas no final do corredor uma cena me chamou atenção. Perola stava na frente de Arthur, ele com os braços envolvendo a cintura dela, enquanto ela tinha as mãos apoiadas no peito dele, brincando a corrente no pescoço de Arthur. Ele falou alguma coisa que a fez rir e lhe deu um selinho demorado.

Fechei os olhos dando um passo pra trás para que ninguém me visse e respirei fundo, ia continuar e seguir pra sala, mas quando dei novamente um passo pra frente, vi que os dois estavam se beijando e não era apenas um selinho.

‘Merda, merda, merda, merda!’ Entrei na primeira porta do corredor e reparei que era um quarto, provavelmente de Micael. Sentei na cama apoiando minha cabeça e minhas mãos e me senti um pouco tonta.

‘Lu?’ A voz de James me fez olhar pra porta e ele entrou no quarto preocupado. ‘Tá tudo bem?’ Ele se agachou na minha frente e passou a mão por meus cabelos.

‘Tá sim, James. Só to um pouco tonta. Brigada por se preocupar.’ Sorri fraco e ele concordou balançando a cabeça.

‘Quer que eu fique aqui com você?’ Ele sentou ao lado na cama.

‘Na verdade, quero sim. Fala qualquer assunto comigo, James. Me distrai.’ Falei deitando minha cabeça em seu ombro e ele passou um braço pela minha cintura.

‘Ok, hm...’ Ele pensou por alguns segundos e eu fechei meus olhos. ‘Me conta sobre a sua faculdade, você gosta?’ Eu sorri fraco por causa da tentativa frustrada dele em me distrair, ele definitivamente não era bom em inventar assuntos.

‘Hm, gosto! Algumas matérias são um pouco chatas, tipo filosofia, mas faz parte.’ Dei de ombros. ‘Fora que eu gosto dos meus colegas, e tem a Sophia lá.’ Completei e ele falou alguma coisa baixinho. ‘Que foi?’ Virei meu rosto pra ele, mas me arrependi no mesmo instante ao perceber que estávamos próximos demais.

James não falou nada, apenas sorriu e apertou mais o braço em volta de minha cintura, como se quisesse impedir que eu saísse correndo novamente. Ele sorriu largamente enquanto aproximava nossos rostos e eu não me senti capaz de impedi-lo. Uma voz em minha cabeça gritava para que eu me afastasse, mas a cena do beijo entre Arthur e Perola ainda estava muito clara em minha mente. “Se ele pode, eu também posso” pensei e instantaneamente fechei os olhos sentindo a boca de James encostar na minha.

 ‘Cara, aquela musica que...’ Uma voz fez com que eu e James pulássemos.

Olhei pra porta com o coração acelerado e vi Micael e Arthur nos olhando. Os olhos de Arthur passaram por James, depois pra mim e depois pra mão de James em minha cintura. Eu o olhei sentindo que meu coração sairia pela boca a qualquer momento, ele também me encarou em silêncio. Tentei ler nos olhos dele, mas não consegui ver nada lá, era um olhar vazio e machucava quase tanto quanto o olhar magoado da noite do meu aniversário.

‘Erm... Desculpa, a gente só ia...’ Micael falava desconcertado.

‘Não, Micael. Sem problemas.’ Me levantei e James fez o mesmo. Respirei fundo tentando me acalmar e saí do quarto passando direto por Arthur e sentindo seu olhar me acompanhando.

Voltei pra sala ainda tentando fazer meu coração bater normalmente e parei na mesa pegando a garrafa de whisky e botando no copo sem gelo nem nada.

Senti a bebida passar por minha garganta queimando e fechei os olhos.

‘O que aconteceu?’ Abri os olhos assustada e Sophia estava do meu lado.

‘Merda, como sempre! Ultimamente é só isso que tem acontecido na minha vida.’ Dei de ombros e botei mais whisky no copo.

‘E você acha que se beber tudo isso vai parar de acontecer?’ Ela me olhou séria e eu dei de ombros.

‘Ah, me deixa, Sophia.’ Esvaziei novamente o copo sentindo o ardor em minha garganta. Ela resmungou alguma coisa e voltou para o sofá. Botei o copo na mesa e respirei fundo olhando pra James, que parecia completamente alheio a conversa que rolava na varanda, mas não olhava pra mim.

Enchi um copo com vinho e fui me sentar novamente no sofá, nem prestei atenção ao que as meninas conversavam, apenas fiquei tomando o vinho esperando Arthur ou Micael aparecerem na sala.

Quando Micael apareceu, Sophia levantou num pulo e o puxou para a cozinha. Aposto que ela ia perguntar se ele sabia o que tinha acontecido comigo. Olhei novamente pro corredor, mas Arthur não apareceu.

‘Hey, Lu. Como anda o Diego?’ Perola sentou ao meu lado atraindo minha atenção.

‘Ah, tá bem.’ Sorri fraco sem conseguir ser fria com ela. Por mais que eu tentasse a odiar, ela sempre era simpática comigo, e eu não podia culpá-la por meus problemas com o Arthur, na verdade a culpa de tudo que estava acontecendo era minha, eu que arcasse com as consequências.

‘Ele é um amor, né?’ Ela sorriu. ‘Ele parece muito com o Arthur!’ Ela comentou com uma cara pensativa.

‘Muito! Quando ele era mais novinho ele costuma ser a exata mistura entre mim e Arthur, mas agora ele tá perdendo meus traços e ficando idêntico ao Arthur.’ Ela riu.

Começamos a conversar sobre filhos e ela contou que o sonho dela é ter uma filha, mas que estava cedo demais e ela queria primeiro ser bem sucedida no emprego, pra depois pensar nisso. Ela falou que queria estudar na França e que estava tentando conseguir alguma bolsa nas faculdades de lá, mas que suas chances agora já eram quase zero já que o período de recebimento das bolsas estava praticamente acabando. Sem que eu percebesse já estava desejando loucamente que ela ganhasse logo várias bolsas e fosse embora de uma vez.

‘Desculpa interromper, posso roubar a Lu uns minutos, Perola?’ Sophia sorriu e Perola concordou balançando a cabeça. Ela me puxou até a cozinha e antes de falar, ficou alguns segundos me olhando.

‘Você ficou com o James.’ Não era uma pergunta.

‘Não, não fiquei. Mas teria ficado se seu namorado não tivesse interrompido.’ Fui sincera e ela balançou a cabeça.

‘O meu namorado e o Arthur você quer dizer.’ Ela cruzou os braços e eu falei um “que seja” baixo. ‘Lu, isso não é justo com o Arthur, não é justo com você mesma, e principalmente, não é justo com o James! Você tá iludindo o cara, você sabe que no máximo vai ficar com ele algumas vezes e na mesma hora que o Arthur estalar os dedos você cai nos braços dele.’ Sophia abaixou o tom de voz para que ninguém nos ouvisse.

‘Não é justo com o Arthur? Sophia, que tipo de amiga é você?’ Perguntei indignada.

‘Eu sou do tipo de amiga que tentar abrir os olhos da outra pra que ela perceba a besteira que tá fazendo, Lua.’ Odeio quando ela me chama pelo nome. ‘Eu não quero jogar isso na sua cara, mas você sabe que a culpa disso tudo é sua.’ Ela tinha um tom de receio na voz.

‘Eu sei que a culpa é minha, e eu já tenho essa realidade esfregada na minha cara o tempo todo, não preciso que minha melhor amiga faça isso pra mim.’ Fiquei séria e ela suspirou.

‘Desculpa, Lu. E só quero que você perceba a besteira que tá fazendo. Eu não to defendendo o Arthur e nunca ficaria contra você. Na verdade vocês dois tem um pouco de culpa por tudo isso que tá acontecendo, e você não faz idéia de como eu me sinto vendo tudo isso acontecer de novo.’ Ela me abraçou e eu não resisti e comecei a chorar.

‘Eu não consigo ver ele com a Perola, não consigo perceber que ele realmente gosta dela. Eu tento odiar ela, mas ela é sempre simpática comigo e isso me dá uma raiva enorme.’ Eu já estava soluçando alto e comecei a escorregar pela parede até cair no chão sentada.

‘Lu, levanta daí.’ Soph tentou me puxar, mas eu neguei.

‘Não, Soph, me deixa aqui. Minha vida tá voltando a ser exatamente como era a dois anos atrás e eu não consigo evitar tudo isso. Eu sou uma fraca, uma perdedora.’ Minha voz era completamente abafada por meu choro e meu rosto já estava encharcado.

‘Lu, pelo amor de Deus, levanta daí.’ Ela tentava me puxar, mas eu me recusava a me mexer. 

‘Espera aqui, não se mexe!’ Ela ordenou e saiu da cozinha.

Olhei a cozinha com minha vista embaçada por causa das lágrimas e vi que na bancada tinha uma garrafa de vodka. Nem pensei duas vezes, engatinhei até lá e comecei a beber sentindo minha garganta pegar fogo em cada gole que eu dava.

‘Lu?’ A voz de Sophia apareceu na cozinha minutos depois. Ela me olhou e viu que eu estava com a garrafa de vodka na minha mão. ‘Ai meu Deus, Lua me dá isso.’ Ela correu até mim e só então eu vi que Micael estava atrás dela.

‘Não, me devolve isso, sua chata!’ Falei tentando agarrar a garrafa, mas Micael segurou meus braços. ‘Cara, como vocês são chatos, me deixem beber pra esquecer essa merda de vida.’ Falei com a voz embolada. A mistura de vinho, whisky e vodka corria no meu sangue me deixando entorpecida.

‘Lu, pára de botar o peso pra baixo.’ Micael riu tentando me carregar.

‘Me deixa, Micael. Vai ficar com seu amiguinho e a namoradinha nova dele, vai.’ Falei sentindo as lágrimas descerem por meu rosto. Micael fez uma careta e finalmente conseguiu me carregar.

‘Amor, abre a porta desse quartinho aqui de trás.’ Ele falou pra Sophia, apontando para uma porta que estava fechada. Encostei minha cabeça no ombro de dele e voltei a chorar.
Senti ele me colocar deitada em uma cama e sentar ao meu lado. Eu continuava chorando sem falar nada, minha cabeça girava e minha garganta ardia enquanto eu segurava o braço de Micael com força.

‘É melhor ela ficar por aqui, ela não pode voltar pra casa.’ Sophia falou baixo agachada ao meu lado.

‘Não, o Diego. Meu filho precisa de mim.’ Falei esticando minha mão para alcançar Sophia, mas acabei batendo no rosto dela, que soltou uma exclamação de dor. ‘Eu quero meu filho, Sophia.’ Gemi alto.

‘Calma, Lu. Ele tá lá com a Kat, a gente liga pra ela e pede pra ela ficar lá com ele.’ Ela falava calmamente passando a mão em minha cabeça.

‘Micael?’ A voz de Arthur surgiu do outro lado da porta e eu me encolhi.

‘Não, Micael. Não deixa ele entrar, tira ele daqui, tira ele!’ Falei cobrindo meu rosto como travesseiro.

‘Se você soltar meu braço, eu posso tentar o impedir de entrar aqui!’ Ele falou puxando delicadamente minha mão que estava firmemente agarrando seu braço.

‘O que aconteceu?’ A voz de Arthur agora estava mais próxima e só então eu percebi que já era tarde demais, ele já tinha entrado no quarto.

‘Cara, vamos lá pra fora.’ Micael falou enquanto eu continuava chorando com o rosto enterrado no travesseiro.

‘Não, Micael, me solta. O que aconteceu?’ A voz de Arthur foi se distanciando, até eu ouvir a porta do quarto ser fechada.

‘Eu não quero que ele me veja assim.’ Tirei o travesseiro do rosto e meu choro ganhou o quarto.

‘Calma, Lu. Ele não vai...’ Antes que ela conseguisse terminar a porta abriu e Arthur apareceu dentro do quarto.

‘Arthur, sai daqui!’ Falei alto escondendo meu rosto com o travesseiro novamente.

‘Soph, você pode deixar a gente a sós?’ Ele me ignorou.

‘Não, Sophia! Você não vai sair, quem tem que sair é ele!’ Falei segurando o braço de Soph.

‘Sophia, por favor.’ Arthur pediu com a voz calma e eu olhei pra ela implorando.

‘Por favor, amiga.’ Pedi baixinho mal conseguindo focar minha visão nela, já que as lágrimas impediam.

‘Deculpa, Lu.’ Ela me olhou e soltou o braço que eu segurava.

‘QUE DROGA!’ Gritei escondendo novamente meu rosto enquanto Sophia saía do quarto.

‘Arthur, sai daqui!’ Falei sem ter certeza se ele tinha realmente ouvido já que minha voz saiu completamente abafada.

‘Lua...’ Ele falou sério, mas eu o interrompi jogando o travesseiro em cima dele, ou pelo menos eu tentei.

‘SAI DAQUI!’ Gritei novamente e minha garganta doía horrores.

‘Eu não vou sair daqui.’ Ele falou firme e se aproximou da cama.

‘Não chega perto de mim, Arthur. Vai embora!’ Me encolhi e senti a borda da cama afundar quando ele sentou.

‘Vem cá.’ Ele puxou meu braço e eu tentei puxar de volta, mas ele estava usando toda a força possível.

‘Me deixa, Arthur.’ Pedi já sem força e mais uma vez ele me ignorou. Com uma mão ele me puxou pelo pulso e a outra ele me puxou pela cintura. ‘Não, sai.’ Falei entre soluços o empurrando pelo peito com a mão livre. Meu choro ficou mais alto enquanto ele tentava em silêncio me abraçar, até que eu finalmente cedi, completamente sem força e o abracei enterrando minha cabeça em seu peito e chorando livremente.

Ele me abraçou com força e começou a acariciar meu cabelo, enquanto eu encharcava sua camisa.

‘Porque tudo isso tá acontecendo com a gente?’ Perguntei com a voz embolada. ‘Não era pra isso tá se repetindo, eu lutei tanto contra isso. A gente tá se machucando tanto, pra quê afinal? Eu já vi essa história toda antes, e eu não quero passar por tudo aquilo de novo, eu não aguento.’ Parei de falar tomando fôlego já que tinha dito tudo de vez. Arthur não falou nada, só continuou me abraçando e acariciando meus cabelos.

Ele começou a cantar baixinho uma musica lenta que eu não conseguia entender por causa do meu choro e se ajeitou na cama me fazendo ficar no colo dele, sem parar de me abraçar.
Aos poucos eu fui parando de chorar e a sonolência tomou conta de mim. Meu corpo ia ficando mole, enquanto Arthur continuava a cantar baixinho em meu ouvido.

‘Lu?’ Arthur me chamou depois de um tempo e eu apenas soltei algum som pela boca. ‘Você quer dormir?’ Ele perguntou e eu novamente apenas emiti algum som que nem eu mesma conseguia decifrar. Meus olhos já estava fechados a muito tempo e por mais que eu tentasse abri-los eu não conseguia, parecia que eles pesavam uma tonelada.

Senti Arthur me deitar na cama e sentar ao meu lado. Tentei abrir os olhos novamente, e mais uma vez foi uma tentativa frustrada. Ele pegou em minha mão e eu senti sua respiração bater em meu rosto. Eu continuei sem me mexer, me sentindo fraca demais pra isso. Senti a boca de Arthur encostar delicadamente na minha e depois ele ir beijando minha bochecha até chegar em meu ouvido.

‘Eu sinto muito.’ Ele sussurrou. Eu tentei falar alguma coisa, mas minha boca estava seca e nenhum som saiu dela.

Arthur beijou minha testa e se levantou saindo do quarto. A ultima coisa que eu ouvi foi a porta batendo e ele fungando do outro lado.

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