20 de jul de 2013

17° Cap. "A garota da porta vermelha"

"O segredo é continuar respirando"



- O quê, Arthur? Fala mais alto! Tente ligar de novo, eu não tô ouvindo nada – Lua praguejou baixo ao fechar o celular enquanto andava até a entrada do metrô. A manhã de sábado estava fria e chuvosa, deixando a garota mais frustrada por ter de ir à escola no fim de semana para terminar um trabalho de biologia.
O McFly estava em turnê pela Ásia há exatas quatro semanas; faltavam apenas dois meses para as garotas terminarem o ensino médio; dentro de três meses Cath se mudaria para a casa da mãe, que tinha se casado recentemente, na Itália; Julia estava mais feliz que nunca: tinha sido aceita em Cambridge; Arthur voltaria em cinco dias; e Lua tinha um grande dilema, ou melhor, uma bomba relógio nas mãos: recebera três cartas de aceitação em universidades... Uma no Brasil, que era da vontade de seus pais. Uma em Londres, que era a opção mais óbvia. E uma nos Estados Unidos, universidade na qual sempre desejou estudar, porém nunca tinha visto como uma real possibilidade. Lu tinha pouco mais de dois meses pra decidir seu futuro...

- Finalmente, mocinha! Já ia começar o trabalho e tirar seu nome dele! – Nick estava sentado na sala de aula vazia, arrumando os materiais que usariam no projeto. – Que bela parceira de laboratório o Profº Stuart foi me arrumar, ainda bem que logo me livro de você.
- Cala a boca, Hoult – Lua mostrou língua ao tirar o casaco e colocar a bolsa sobre a bancada. – Nem todo mundo mora colado no colégio.
- Se for mal educada comigo, não te dou o que a Ashleigh mandou – ele sorriu maroto, indicando um pacote perto de sua mochila.
- Isso não vale, Nicholas! Ela mandou pra mim, você tem que me dar! – Lua tentou afastar as mãos do garoto e alcançar o embrulho. – É alguma coisa doce, minhas lombrigas dizem que é. Me dá!
- É uma coisa que vocês comentaram enquanto assistiam ‘O casamento do meu melhor amigo’. – Nick ficou de pé, segurando o pacote no alto, deixando-o totalmente fora do alcance das mãos de Lua.
- É Crème Brûlée ! Ah! Cuidado, você vai destruí-lo! – a voz da garota produzia ecos pela sala de aula – Por favor, me dá meu docinho?
- Eu entendo por que o Aguiar nunca nega nada, essa sua carinha é adorável – o garoto riu e entregou o refinado doce à Lua, que o saboreou como se fosse a coisa mais deliciosa do mundo, enquanto Nick começava o trabalho de biologia.
- Nick, você não pode deixar a Ashleigh escapar de você – ela disse quando terminou de comer e arrumava as coisas do projeto. – Se no primeiro ano da faculdade de gastronomia ela já é assim, imagine quando se formar?
- É como dizem, ela me ganhou pelo estômago – ele riu alto, sendo seguido por Lua. – E pelo visto te ganhou por alimentar suas lombrigas, né?
- Totalmente!

Horas depois...

- Nicholas, eu vou deixar o Senhor Matthews te trancar ai dentro. Anda logo! – Lua gritava, rindo ao ver Nick tentando carregar diversas coisas pelo gramado do colégio.
- É fácil falar né, bonequinha, já que você não carrega nada e sobra tudo pra mim – ele resmungou, rolando os lindos olhos azuis. – E pode parar de rir, senão eu nunca mais trago nada que minha namorada fizer pra você comer.
- Não me ameace, Hoult – Lua cerrou os olhos diante do sorriso vingativo de Nick, em seguida os dois riram. – E sabe, a Ashleigh é muito boazinha pra negar alguma coisa...
- Você é quem pensa – o garoto disse distraído, fazendo Lu gargalhar e lhe dar um tapa no braço. – Ai, que foi, sua doida?
- Eu entendi o que você quis dizer, seu pervertido! – ela ria e batia nele ao chegaram ao carro do garoto. – Me dá a chave, que hoje eu tô boazinha e vou te ajudar a guardar esse monte de tranqueiras.
- Nossa, que amor de pessoa que ela é! – Nick ironizava quando terminou de colocar as coisas no banco traseiro e fechava a porta. – Quase uma irmã de caridade.
- Cala a boca – ela riu ao dar um soco no braço do garoto, que também ria.
- Lua – ela ouviu seu nome, pronunciado por aquela voz tão conhecida; ao olhar para o outro lado da rua, viu Arthur encostado em seu carro, os braços cruzados, usando óculos escuros, mas que não conseguiam esconder a feição séria dele.
- Oi, amor! – a garota abriu um largo sorriso e atravessou a rua correndo, se jogando nos braços de Arthur. – Você não disse que só voltaria daqui a cinco dias?
- Era pra ser uma surpresa – ele disse baixo, os olhos fixos em Nick, que fingia arrumar sua mochila, mas Lua não pôde ver isso devido aos óculos de sol que o namorado usava.
- Senti sua falta – ela disse baixinho ao abraçar Arthur pela cintura, que a abraçou de volta mecanicamente.
- Também senti a sua – ele disse ainda sério, sem olhá-la. – Vá se despedir do seu amigo, ele está esperando.
- Só vou pegar minhas coisas e já volto – a garota percebera a frieza do namorado, com isso saiu sem dizer mais nada; Nick pegou sua bolsa e a entregou. – Obrigada, Hoult. Agradeça à Ashleigh pelo Crème Brûlée, diga que estava maravilhoso.
- Ela vai adorar saber que acertou a receita – ele disse meio sem graça, coçando a nuca. – Lu, vai logo antes que você arrume briga com o Aguiar por minha causa.
- Eu vou demorar o quanto eu quiser, ele não é meu dono – a garota disse magoada, respirando fundo. – Não estamos fazendo nada de errado, ele que se acalme.
- É, mas é melhor você ir, nos falamos na segunda – Nick apenas sorriu fraco e entrou no carro. – Espero tirar pelo menos um B nesse trabalho.
- Eu dou um soco no Profº Stuart se não tirarmos um A – Lua sorriu desanimada, e acenou quando Nick arrancou com o carro. A garota respirou fundo antes de atravessar a rua mais uma vez; naquela manhã quando acordou, tudo o que queria era Arthur de volta, e agora queria que ele voltasse só daqui a cinco dias como o planejado.
- Quer ir pra casa ou pro meu apartamento? – ele disse quando ela se aproximou, não havia mudança no jeito frio de falar. Lua suspirou antes de responder.
- Preciso ir pra casa, hoje à noite tem uma festa de uma colega e eu prometi ajudar as meninas com os preparativos. – Sem olhá-lo, ela entrou no carro e esperou que ele fizesse o mesmo.
O caminho até a casa dos Aguiar só não foi completamente silencioso devido ao CD do Dashboard Confessional que tocava.

- Lu, espera – a garota ouviu a voz do namorado quando bateu a porta do carro, quando chegaram e casa; ele deu a volta no carro e parou diante dela, tirando os óculos escuros e olhando meio sem jeito para a garota. – Eu... Desculpa pelo modo que agi. É mais forte que eu.
- O que é mais forte que você, Arthur? – a voz dela ainda soava magoada.
- Esse... Ah, Lu, essa merda de ciúme! Eu não... Quando eu te vi com ele... – o garoto respirava fundo, tentando fazer a namorada entender tudo o que sentia sem ter de colocar isso em palavras. – Eu sabia que você estava com ele, mas não consegui controlar... Lu, esse cara quase te violentou!
- Não jogue a culpa no Nick, não hoje – ela disse séria, os braços cruzados, olhando fixamente para Arthur. – Ele errou, mas se redimiu por isso. Eu o perdoei, e isso já é passado. Agora, não venha com essa historia só pra encobrir a sua infantilidade, essa insegurança boba.
- Amor, não quero brigar, sério – ele disse num tom de derrota, tocando a face de Lua com as pontas dos dedos. – Me perdoa, ok?
- Se você prometer nunca mais me tratar assim, me magoa... Ofende – ela disse baixo, se rendendo ao olhar arrependido que o namorado lhe lançava; Arthur acenou de leve, antes de abraçá-la pelos ombros, afundando o rosto nos cabelos de Lua.
- Eu senti tanto a sua falta – ele sussurrou ao senti-la passar os braços ao redor de sua cintura, e deixar o rosto contra seu pescoço. – O idiota do seu namorado te ama demais, sabia?
- Diz pro meu idiota do meu namorado que eu também senti saudade – ela disse baixinho, sentindo o cheiro maravilhoso que só ele tinha – E que da próxima vez que ele me fizer sofrer sem eu ter feito nada de errado, eu vou...
- Você não vai fazer nada – Arthur a interrompeu, segurando o rosto de Lua entre as mãos, olhando em seus olhos. – Porque não vai acontecer nada do tipo outra vez...
- Eu amo... – ele nem esperou que ela terminasse a frase, logo pressionou seus lábios contra os dela, tentando mostrar através disso, que a saudade que sentia era muito maior que qualquer outro sentimento momentâneo.

***

- Lu, querida, mussarela ou calabresa?
- Hum, as duas? – Lua riu ao descer as escadas, respondendo a pergunta da Sra. Aguiar.
- Não ajudou muito, não é mocinha? – a senhora sorriu de lado, logo fazendo o pedido da pizza pelo telefone. Lua mostrou a língua e foi até a cozinha, voltando no momento em que a mais velha finalizou a ligação. – Você devia ter ido à festa com as meninas.
- Não estava muito animada pra todo aquele barulho e pessoas bêbadas – a garota deu de ombros ao sentar-se no sofá da sala dos Aguiar. – Eu não tinha planos de ir, ainda mais com essa volta antecipada do Arthur.
- Ele ainda está dormindo? – a Sra. Aguiar sorriu para a menina, vendo seus olhos brilharem ao falar do namorado.
- Sim, ele praticamente desmaiou. – As duas riram. – É claro que eu prefiro ficar em casa com o seu filho quase zumbi, do que ir a outra festa da escola.
- O Arthur teve muita sorte em te achar, Lu – a senhora disse de repente, fazendo as bochechas da menina corarem instantaneamente. – Digo isso do fundo do meu coração. Hoje em dia as pessoas não acreditam no casamento, e compromissos duradouros... Mas eu realmente te vejo sendo alguém muito importante no futuro do meu menino.
- Er... Obrigada – Lua sorriu sem jeito, passando a mão pelos cabelos – As coisas sempre mudam e eu não sei o que o futuro reserva pra mim... Mas se eu pudesse decidir agora, eu escolheria seu filho para ser o meu ‘para sempre’.

- Lua! – a garota ouviu Arthur lhe chamando do andar superior da casa, quando terminava de comer o primeiro pedaço de pizza. – Você pode subir aqui?
- Já vou! – olhou para a Sra.Aguiar e sinalizou com a mão que estaria lá em cima, vendo a senhora que falava ao telefone assentir. Subiu as escadas rapidamente e não encontrou Arthur no quarto da porta azul – Arthur?
- No seu quarto – a voz saiu baixa, vindo de dentro do quarto de porta vermelha; a garota chegou sorrindo de lado, pronta para brincar com o fato de ele estar em seus aposentos; porém nem o ar saiu corretamente dos pulmões de Lua quando a mesma entrou em seu quarto.
- Acho que eu não preciso perguntar o que é isso, não é? – Arthur estava parado, a postura rígida, o olhar furioso e magoado; ele segurava um medalhão dourado nas mãos. O medalhão. Que Nick dera a Lua no natal retrasado, aquele que tinha uma foto dos dois e a inscrição ‘eu amo você’ dentro. – E a sua reação só piorou as coisas...
- Não, Arthur! – a garota saiu do estado de choque em que se encontrava, avançando na direção do namorado e tirando o medalhão de suas mãos. – O Nicholas me deu isso há muito tempo. Isso não tem nenhum significado pra mim...
- Então por que você guardou? – Arthur alterou a voz, tentando controlar a raiva que sentia no momento.
- Fala baixo, não se esqueça que sua mãe está lá embaixo – Lua sibilou ao fechar a porta, não antes de se certificar que a Sra. Aguiar não tinha percebido a agitação vinda dali. – Pra começar, você é quem não devia estar mexendo nas minhas coisas.
- É você tem razão... Me desculpe se você tem tantos segredos que eu acabo tropeçando neles por acaso – a voz do garoto estava mais baixa, porém mais acusatória; o casal estava frente a frente, ambos respirando fundo. – Que merda, garota! Parece que você faz de tudo para arruinar essa porra de namoro!
- Eu? Você é paranóico, Arthur! Acabou de dizer que eu mantenho coisas em segredo... Não acha que se eu não te mostrei essa porcaria de medalhão foi justamente pra evitar uma situação como essa? – ela apertou o medalhão entre os dedos, sentindo os olhos marejarem devido à raiva que sentia. – Quem sempre tenta sabotar esse relacionamento é você! Sempre arranjando motivos pra brigar! Esse ciúme idiota vai acabar te matando, Aguiar! E eu não vou ficar por perto pra presenciar isso, eu não vou! – a voz de Lua saiu estrangulada ao fim da frase; ela jogou o medalhão contra a parede, com toda a força que tinha, vendo o objeto se desmontar em vários pedaços antes de atingir o chão; a garota virou as costas, decida a encerrar a discussão e sair do quarto antes que as coisas piorassem entre eles.
- Que esse ciúme desgraçado me mate então – Arthur disse rápido ao segurar firme o braço de Lua e virá-la de frente para si. – Se for um jeito de mostrar o quão importante você é, que eu morra então – ele disse tudo tão rapidamente, que Lua mal teve tempo de entender, e já sentiu seu corpo sendo prensado pelo de Arthur contra a tal porta vermelha; o garoto segurava o rosto da namorada firmemente, a fazendo dar livre passagem a sua língua e puxá-lo para mais perto pela cintura. Rapidamente o beijo se transformou em algo lascivo, beirando a agressividade; Arthur puxava os lábios de Lua com os dentes, sem delicadeza alguma; essa por sua vez, passava as unhas com força pelas costas do namorado, ouvindo-o por vezes gemer de dor; quando o ar foi necessário, Arthur passou a dar fortes mordidas e chupões pelo pescoço e colo da garota, enquanto a empurrava até a escrivaninha, fazendo-a sentar e acomodá-lo entre suas pernas; Lua jogou a cabeça para trás, puxando os cabelos da nuca de Arthur, sentindo-o descer os agressivos beijos até entre seus seios, por cima da vestido que usava; o garoto deslizou as mãos pelas coxas da namorada, chegando á calcinha, que sem cerimônia alguma puxou entre os dedos e a deixou cair no chão...
Ambos só visualizaram flashes do acontecimento.
As mãos trêmulas da menina abrindo a calça de Arthur... Ele mesmo abaixando a boxer que já o incomodava... Lua reprimindo o primeiro suspiro ao senti-lo dentro de si... Arthur abafando os próprios gemidos contra o pescoço da garota... Ela apertando as pernas em torno do namorado, delirando com a sensação... O garoto com uma mão apoiada na escrivaninha e a outra no quadril de Lua... Ele puxando o rosto da menina contra o seu, ouvindo e sentido os gemidos dela contra sua boca... O prazer máximo, atingido quase no mesmo momento...

- Você sabe que nem tudo pode ser resolvido desse jeito, não sabe? – Lua disse ao terminar de arrumar a bagunça no quarto, quando Arthur saiu do banheiro.
- Vai negar que foi ótimo? – ele sorriu malicioso ao abraçá-la por trás, passando o nariz pelo pescoço da menina. – Lu, não fique brava... Mas acho melhor você passar um pouco de maquiagem pra cobrir uma arte que eu fiz no seu pescoço.
- Por que será que eu não me surpreendo com isso? – ela suspirou sentindo a respiração quente do namorado contra os prováveis hematomas que se formavam em seu pescoço.
Ao chegarem à sala, encontraram a mãe de Arthur dormindo no sofá, ambos sorriram com a sorte que tinham, ela provavelmente não suspeitara nada.

***

Uma semana depois...

- Eu vou sentir tanta falta de momentos assim – Julia comentou ao olhar para Cath, que tentava escolher entre milhares de roupas que estavam jogadas pelo quarto, e Lua, que estava no computador mandando fotos recentes para o Brasil. – Por mim, ficaria mais uns três anos no colégio.
- Você prometeu não começar com as lamúrias antes da hora – Cath resmungou ao segurar dois vestidos e esperando a opinião de Lua, que veio em forma de uma careta para o vestido preto e um assovio para o vermelho.
- É, Julia, dessa vez eu tenho de concordar com a Cath... A situação já é bem complicada, então não sofra por antecipação – Lu virou a cadeira, ficando de frente para a bagunça que o quarto de Julia havia se transformado. – Você acha que pra mim ta sendo fácil? Saber que a Cath estará na Itália, você aqui e eu provavelmente no Brasil?
- Você disse que não tinha decidido – a voz de Cath saiu aguda, sinal de acusação. – Lu! Você prometeu ficar aqui, eu não mais vou te ver se você voltar pro Brasil!
- Tá feliz, Julia? A culpa é sua, você sabe que a Catherine se desespera facilmente – Lua suspirou ao tirar os óculos e abraçar Cath pelos ombros. – Relaxa, cretina, eu ainda não resolvi nada.
- Eu ainda acho que a Cath deveria aceitar a proposta do pai dela, e deixá-lo pagar Cambridge... E você, dona Lua, ainda não entendo o porquê da demora em decidir entre o amor da sua vida, as amigas e uma ótima universidade ou quatro anos no meio de caipiras – Julia fingia indiferença enquanto olhava algumas sapatilhas.
- Você esqueceu que eu também tenho a opção: ótima faculdade no Brasil, família e um emprego legal na empresa do meu tio – Lua apontou para uma sapatilha verde musgo, indicando que aquela era a escolha perfeita para Julia usar à noite. – E que eu saiba, as pessoas no Texas não têm nada de caipira.
- Eles escutam country e usam xadrez! – Julia disse levantando as mãos pro alto, logo Cath jogou um cinto na amiga.
- Hei! Algo contra xadrez? – ela disse rindo, e Lua deu um tapa em Julia, já que ela própria estava de meias com estampa xadrez.
- Certo, certo. Erro meu... Acho melhor mudarmos de assunto...
- Concordo – Cath agora escolhia um All Star que combinasse com o vestido. – Já mudando o assunto... Lu, cadê Arthur? Quase não vi vocês juntos desde que ele voltou do Japão.
- Ele e os meninos estão com algumas idéias pro novo CD... Estão trabalhando nisso – a garota respondeu tentando sorrir, porém as amigas notaram a expressão dela.
- Você tá triste! O que foi, meu bem? – Julia sentou ao lado de Lua na cama, e a abraçou de lado. – O que o idiota do meu irmão fez dessa vez?
- Não, é só que... Ah, meninas, eu fico tão magoada com algumas coisas que ele diz e faz – Cath sentou na cadeira do computador, ficando de frente para as outras duas, e fez sinal para que Lua continuasse. – O ciúme que ele tem de mim com o Nick tá passando dos limites. E ultimamente ele tem falado umas coisas...
- O Aguiar sempre foi possessivo – Cath comentou. – Mas o que ele tem te falado? Pra conseguir te abalar assim?
- Como eu contei pra vocês, sábado passado, ele deu seu típico ataque de ciúme quando foi me buscar no colégio... Quando chegamos em casa, ele achou o medalhão que o Nick me deu e bom, vocês sabem o que fizemos depois disso.
- Sem detalhes, por favor, sou muito jovem pra ouvir sobre os atos sexuais do meu irmão – Julia tampou os ouvidos, fazendo Lua e Cath rirem. – Desculpe a interrupção. Continue.
- Então ele foi embora no domingo, e não atendeu o celular durante o dia todo... Me encontrou na saída do metrô da Avenida Warwick na terça-feira! Como se nada tivesse acontecido, apenas disse que estava com os meninos e o celular estava sem bateria... Sendo que a Mel me ligou na segunda, e disse que Chay, Micael e Sophia estavam na casa dela, e o Maker tinha levado a Maira para uma viagem romântica na Irlanda! - Lu falava rápido, desabafando. – Eu deixei pra lá, afinal, ficamos dois meses juntos e o que menos precisávamos eram mais motivos para brigar.
- Mas, Lu! Você deveria ter feito alguma coisa! Falado pra ele que a Mel desmentiu a história dele! – Cath disse, exasperada.
- Eu senti que não ia gostar da verdade... Ele ficou dois dias sem ao menos me ligar, e se ele mentiu... Ah, eu não sei explicar, só sei que não quis descobrir a verdade – Lua suspirou. – Daí na quinta feira tínhamos marcado uma saída de casais... Ele me ligou dizendo pra eu ir e que ele me encontraria lá... Meninas, ele chegou duas horas depois, e não disse nada! Quando eu perguntei o que tinha acontecido, ele disse que tinha pegado trânsito... Ele parecia nervoso, então eu continuei conversando com a Sophia e a Mel, e o deixei pra lá com os meninos.
E bom... Vocês presenciaram a maior parte da briga de ontem... Eu agi por impulso, sei que errei, mas não consegui evitar... – as meninas assentiram ao lembrar do acontecido na noite anterior em um restaurante tailandês, onde elas e Arthur foram jantar.

Flashback On

- As comidas são bem temperadas – comentou Julia ao tomar um pouco de água, seu rosto começava a ficar avermelhado.
- Eles gostam de tempero, os tailandeses – disse Cath, que não estava muito diferente da amiga.
- Vocês pareciam duas esfomeadas, agora ficam ai morrendo – Lua e Arthur riam das meninas quando uma garota por volta dos seus dezenove anos, longos cabelos negros, usando um vestido curto que valorizava os seios bem avantajados que tinha, chegou à mesa, parando ao lado de Arthur.
- Ai, que vergonha... Mas eu não pude evitar vir... Arthur, eu sou sua maior fã – ela nem ao menos se desculpou por interromper o jantar. Arthur logo levantou para cumprimentá-la. – Você pode ir ali à minha mesa tirar uma foto com as minhas amigas?
- É claro – ele sorriu e a garota piscou para ele. Arthur olhou para Lua e moveu os lábios em um ‘É rápido, volto já’, e ela apenas assentiu. Lu sempre agia da forma mais natural e calma possível perto das fãs de Arthur, vendo que a maioria delas suspeitava do relacionamento dos dois. Porém quinze minutos se passaram; Cath, Julia e Lua terminaram de comer, e Arthur ainda estava na mesa das fãs; não eram meninas como a que havia vindo até a mesa, eram mulheres, por volta de vinte e cinco anos; Arthur ria abertamente de algo que uma delas falava, fazendo todas rirem junto. A calma e discrição de Lua sumiram no momento em que a ruiva tocou a coxa de Arthur e deu um leve apertão; ela cansou de fingir que não estava prestando atenção a eles, levantou da mesa e anunciou às amigas que estava indo embora.
- Nós vamos com você – Julia disse séria, pronta para levantar, assim como Cath, mas foram impedidas por Lua.
- Não. Vocês vão esperar a sobremesa que pediram e vão sair pra dançar, como estava combinado. Não admito que estraguem a noite de vocês por minha causa – a garota tinha a feição séria, um pouco irritada. – Eu pego um táxi.
- Mas, Lu... O que a gente diz pro Arthur? – Cath perguntou baixinho, evitando olhar para a mesa em que ele estava com as tais mulheres.
- Vocês não dizem nada – Lua respondeu simplesmente, antes de jogar um beijo no ar para as amigas. Saiu andando decidida, olhando para frente, os passos rápidos e firmes; chegou à rua e viu que não tinha nenhum táxi por ali no momento. De repente seu braço foi puxado, ela se virou para encarar Arthur.
- Posso saber o que foi isso? Esse showzinho que você acabou de dar? – ele disse baixo e sério, sem soltar o braço da namorada.
- Primeiro você vai me soltar, tá me machucando – ela sibilou e ele obedeceu – E segundo, quem tá dando showzinho é você. Eu simplesmente quis ir embora.
- Ir embora sozinha? Assim, do nada? – Arthur se aproximou de Lua, fazendo-a dar um passo para trás, ficando encostada no bonito muro que cercava o estacionamento do restaurante.
- Algo de errado nisso? Eu não tenho direito de querer ir embora sozinha? – a garota afastou o namorado com uma mão, quando ele fez menção de se aproximar mais.
- Você veio comigo e você vai voltar comigo – a voz dele era autoritária, cerrando os olhos para a menina séria que estava em sua frente.
- Vai me obrigar? – Lua disse sarcasticamente. – Quer saber, Aguiar? Eu não quero discutir com você no meio da rua.
- Nem eu. Quem esta causando cena é você – ele colocou as duas mãos na parede atrás de Lu, deixando a encurralada. – Quer deixar de ser nervosinha e voltar lá pra dentro?
- Eu não vou – ela disse pausadamente. – Volte para as suas fãs e me deixe ir embora em paz.
- Ah, é isso? – Arthur riu de um jeito convencido. – É ciúme? Ah, por favor, Lua, você não era infantil assim.
- Então, por gentileza, dê licença para que eu e minha infantilidade possamos ir embora – ela disse sem olhá-lo, tirando Arthur de perto com as duas mãos.
- Lu... – ele segurou seu braço mais uma vez, quando ela saía. – Eu não quis dizer isso... Vem cá – o garoto tentou beijá-la, mas ela deu um passo para trás, Arthur a soltou como se tivesse sido queimado, ficara irritado por Lua ter negado o beijo. – Quer saber? Vá pra casa, e pense nas suas atitudes.
- Como sempre, você sai como a vítima – ela sussurrou antes de olhá-lo nos olhos. – Boa noite, Aguiar.
- Pode ter certeza que será uma noite incrível – Arthur sorriu de um jeito vingativo e voltou para o restaurante.

Flashback Off


- Lu, se o Arthur passar aqui ou ligar, o que eu digo? – Mag, a empregada dos Aguiar, perguntou quando as garotas desceram as escadas prontas para sair.
- Mag, meu amor, que saudade – Cath, que ainda não a tinha visto desde que fora levar Liza para a casa do pai na Escócia, abraçou a mulher. – Essa casa não é a mesma sem você.
- Ah, Catherine, carinhosa como sempre – a mulher retribui ao abraço, beijando a testa de Cath antes de voltar-se para Lua. – E então? O que eu falo pro Arthur?
- Ele sabe que vamos pra festa na casa do Nick – a garota disse sem emoção. – Mas não se preocupe, ele não vai me procurar.
- Ainda brigados? – a Sra. Aguiar perguntou ao se unir ao grupo aos pés da escada.
- É... Mas logo a gente se acerta – Lua sorriu fraco.

***

- BLANCO! Você veio! – Nick encontrou as garotas assim que essas entraram em sua casa – Cath e Julia! Que bom que vieram!
- Você acha que eu não estaria aqui comemorando com você? – Lua o abraçou, sorrindo. – Nicholas! Você é oficialmente um astro Hollywoodiano!
- Não é bem assim, é só um filme – o garoto sorriu sem graça antes de Cath abraçá-lo.
- Ah, fica quieto, Hoult. É um super filme, você vai morar em Los Angeles! – Cath disse alegremente. Julia apenas deu um rápido abraço em Nick, murmurando um ‘parabéns’.
- Julia, ele percebeu a sua cara emburrada – Catherine ralhou com a amiga assim que Nick foi receber mais convidados.
- Foi mal, mas eu não consigo evitar... É coisa de irmãos... Querendo ou não, eu tomo as ‘dores’ do Arthur – Julia deu de ombros, em forma de desculpas.
- Tá tudo bem amiga, sério – Lua a abraçou pelos ombros. – Agora eu quero ver um sorriso lindo.
- Lindo é meio complicado né, Lu? – Cath brincou, Julia lhe deu um tapa, logo as três riram.


- Lu?
- Aqui, querida.
- Oi, florzinha – Julia sentou ao lado da amiga num belo sofá vermelho, que ficava num dos únicos lugares vazios da enorme casa dos Hoult. – Você sumiu da pista de dança. O que foi?
- Eu sou uma idiota – Lua suspirou – Eu não consigo me divertir sem me sentir culpada...
- Lua Blanco, eu defendo meu irmão, mas ele não é nenhum santo! E você não tá fazendo nada de errado, apenas dançando com as suas amigas lindas e maravilhosas!
- E muito modestas – Lua sorriu de lado. – Eu sei, Julia, mas enquanto eu não acertar as coisas com o Arthur, nada vai ter a mesma graça pra mim.
- Então por que ainda não acertaram? – a garota não suportava ver como a amiga e o irmão se gostavam e conseguiam criar situações ridículas entre eles.
- Porque eu já dei o primeiro passo em ligar pra ele e avisar sobre a festa, em nenhum momento eu disse que ele não poderia vir... Mas ele não respondeu nada, e não me ligou mais – Lu indicou o celular em seu colo.
- Eu vim aqui exatamente por isso – Julia sorriu pegando o próprio celular e entregando-o à amiga. – Ele mandou uma mensagem de texto. Leia.

‘Oi, maninha. Minha namorada está por perto? Tentei ligar no celular dela, mas parece estar fora de área. Me liguem! xx Arthur’.

- Agora desamarra essa tromba e vá achar um lugar com boa recepção de sinal do seu celular – Julia puxou Lua pelas mãos, fazendo-a se levantar.
- Cunhadinha, você é a melhor! – Lua deu-lhe um beijo na testa, antes de sair em direção à sacada no quarto de Nick.


- Hei quem tá no meu quar... Ah, oi, Lu! – Nick pareceu surpreso ao vê-la debruçada no parapeito da sacada – O que tá fazendo sozinha aqui em cima?
- Tentando achar área pro meu adorável celular – ela fez uma careta balançando o objeto nas mãos. – Desculpe entrar sem permissão.
- Imagina, você pode – ele sorriu fraco ao encostar a porta e sentar na cama.
- Hei, o que foi? – Lua sentou ao seu lado, constatando o olhar triste do garoto. – Que carinha desanimada é essa? Você tem de estar feliz! Vai fazer um filme importante em Hollywood!
- Parece meio difícil ficar feliz pro isso quando se é chutado – ele respondeu baixinho sem olhar para a garota ao seu lado.
- O que? Nicholas como assim? A Ashleigh...
- Terminou comigo – Nick olhou de lado para Lua, dando de ombros. – Ela disse que era melhor assim, do que tentarmos uma relação à distância que não teria futuro.
- Mas... Mas, Nick! Ela não tem como ter certeza disso – a garota levantou da cama e começou a andar pelo quarto. – Os cursos de gastronomia são ótimos em L.A. Ela é talentosa, conseguiria um ótimo emprego em algum restaurante famoso...
- Eu disse tudo isso a ela – o garoto respirou fundo ao se jogar de costas na cama – Mas ela preferiu me ligar dez minutos atrás e dizer que achava melhor terminarmos tudo.
- E você vai deixar por isso mesmo? – Lua perguntou um pouco mais alto. – Você não vai lutar?
- Pra que lutar quando ela já desistiu? – Nick disse de olhos fechados. Alguns minutos se passaram até ele levantar e andar até onde Lua estava parada. – Obrigada por ter vindo... Eu vou descer e curtir a minha festa.
- É o melhor que você faz – Lua sorriu fraco – Você merece celebrar.
- Obrigado princesinha – o garoto deu um beijo na testa de Lu. – Quando sair tranque a porta, não quero ninguém... Fazendo coisas na minha cama.
- Pode deixar – ela acenou enquanto Nick saía do quarto. Voltou para a sacada, vendo que ali a recepção de sinal do celular era ótima; discou os números e esperou, até que no sexto toque, uma voz atendeu em meio a ruídos.
- Alô? – a tal voz era feminina. E Lua tinha uma leve impressão de conhecê-la.
- Esse é o celular do Arthur? – disse um pouco mais alto, devido à musica e conversas misturadas que ouvia do outro lado da linha.
- Arthur...? Toma! É a sua namorada... A ligação ta horrível – Lua ouviu tudo quieta, apenas sentindo as pernas ficarem cada vez mais bambas. Ela reconhecera a voz. Era de Sallie. A ex-namorada de Arthur. Até que ela ouviu a voz do próprio dizendo: – Pode desligar.
A respiração de Lua se tornou mais pesada e profunda. A visão ficou embaçada, devido às lágrimas que rapidamente se acumularam em seus olhos. A garota quase não conseguia se manter de pé, tamanha a fraqueza que sentia nas pernas.
Porém, antes de se deixar levar por suspeitas, Lu tentou ligar para Arthur mais uma vez... Porém a ligação foi direto para a caixa de mensagens.
Ela ficou sentada no chão da sacada do quarto de Nick por mais de uma hora. Não se permitiu chorar... Mas a cada momento flashes das discussões e brigas com Arthur vinham-lhe a mente. Por vezes sussurrou para si mesma: ‘Deixe de ser doida. Lua, é só coincidência. Ele... Ele não faria isso... Não... ’.

- Olá! – Lua chegou sorrindo de um jeito estranho ao pegar o copo de Julia e bebê-lo num único gole – Por que estão aqui sentadas? Vamos dançar!
- Lu? Você tá legal? – Cath estranhou a atitude da amiga desde o momento em que a viu descendo as escadas da sala da casa dos Hoult.
- E por que não estaria? – Lua sorriu antes de pegar uma dose de tequila numa bandeja.
- Além do fato de que você não bebe? – Julia indicou o copo que já estava vazio nas mãos da garota. – Lua, o que deu em você?
- Nada! Eu só estou sendo normal, e curtindo uma festa como todo mundo faz! – ela falou alto e puxou as duas amigas para a pista de dança.
Enquanto dançavam, Lua continuou bebendo como todos, mas aquilo já era muito pra ela. Julia sabia que o irmão tinha alguma coisa haver com a brusca mudança de comportamento de Lua; por estarem no meio da pista de dança, a garota optou por mandar uma mensagem de texto para Arthur: O que você fez? A Lu ta agindo de uma forma muito estranha. Dê sinal de vida! 
Após algumas musicas e algumas doses de marguerita, Julia e Cath pararam de se preocupar com Lua, esquecendo o acontecido, e começaram a se divertir.

- Lu? Hei, linda – a garota ouvia uma voz distante, mas não tinha vontade de responder, a preguiça falava mais alto. – Lua!
- Que é? – ela resmungou ao abrir os olhos. Deparou-se com a festa que ainda estava animada e cheia. Então viu Nick sentado na ponta do sofá no qual estava deitada.
- Acho que você bebeu demais – ele disse ao tirar alguns fios de cabelo do rosto da menina. – Vem, pode dormir no meu quarto – ao dizer isso, puxou a garota fazendo-a ficar de pé, para logo cambalear. – Você não deveria ter bebido tanto.
- Aposto que você bebeu muito mais que eu – a voz de Lua saia falha e um pouco embolada, enquanto Nick a pegava no colo e desviava das pessoas, levando-a para o andar superior.
- Eu bebi mesmo, mas eu não sou fraco para bebidas como a senhorita é – ele respondeu ao colocá-la em sua cama, sentando na beira; tirou os scarpins vermelho dos pés de Lua, depois arrumou sua franja, tirando-a dos olhos da menina – Agora fica quietinha aí, ok?
- Escuro. Não gosto de escuro - a garota resmungou, fazendo Nick rir de sua carinha de medo.
- Você é tão incrível – ele sussurrou ao afastar a franja da garota para o lado.
- O Arthur não acha... O Arthur não... Ele e a Sallie... A perfeita – de olhos fechados, Lua falava coisas sem sentido. – Ashleigh é uma idiota por não te querer...
Nick já estava bem próximo da garota, respirou fundo e tocou seus lábios nos dela. O contato não durou mais que segundos. Quando ele fez menção de se afastar, Lua lentamente separou os próprios lábios, deixando Nick sem condições de conter o impulso de aprofundar o beijo...

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