10 de jul de 2013

11° Cap. "A garota da porta vermelha"

(preguiça de procurar gif)

All I want for Christmas is…



[N/A: Olá queridas. O capítulo de hoje é especial. Ele será feito através do seu (personagem principal) ponto de vista. Especial de Natal, que nem as séries que eu tanto amo fazem. Espero que gostem].

- Deck the halls with boughs of holly Fa-la-la-la-la, la-la-la-la – a Julia tava se achando a Mariah Carey britânica, só pode. - 'Tis the season to be jolly Fa-la-la-la-la, la-la-la-la.
- Don we now our gay apparel Fa-la-la, la-la-la, la-la-la – ah não! A Catherine entrou na onda da Julia. - Troll the ancient Yule-tide carol Fa-la-la-la-la, la-la-la-la.

- Eu não mereço isso, eu não mereço – eu falava sozinha e sacodia a cabeça, porque cara, quem merece essas duas cantando? E essa felicidade toda? É só natal, nada muito empolgante.
Hoje é dia 24 de dezembro. Tipo, ainda tá cedo, nem almoçamos ainda. Mas essas duas estão numa alegria que, meu Deus. Como sempre, eu tive que dividir as tarefas, porque a Tia Aguiar só vai chegar à noite, então a Julia ficou responsável por arrumar a árvore [já que, ontem à noite, eu estava andando pela casa no escuro, caí bem encima da coitada da árvore e destruí vários enfeites]; Catherine estava arrumando a sala, catando as bagunças, já que o resto da casa estava razoavelmente tudo no lugar; e eu... adivinha o que to fazendo? Cozinhando. É claro que essa tarefa tinha que ficar pra escrava. Brincadeira, eu gosto de cozinhar, e eu já comprei quase tudo semi-pronto, só to preparando uns doces e coisas do tipo.

- Bom dia meninas! – a Sallie aparece na sala, toda sorridente como sempre. As meninas respondem alegres o cumprimento, eu não disse nada, já que estou na cozinha e ela não me viu ainda. – Eu quero ajudar vocês! O que eu posso fazer?
- Hum... A Lua acabou de pedir ajuda pra cortar umas coisas lá na cozinha – Julia linguaruda disse à Sallie.
- Oi Lua – a senhorita perfeição chega na cozinha e me dá um beijo no rosto – Posso te chamar de Lua né?

- Claro que pode Sallie – porque eu não conseguia não gostar dela? Ah como eu queria odiá-la, mas cara, ela é um amor – Você veio me ajudar, certo?
- Certíssimo chef – ela diz rindo e lavando as mãos pra me ajudar – O que você quer que eu corte?
Adivinhem o que eu pensei pra responder? O que você quer que eu corte? Meus pulsos. Daí eu morro logo ou volto pro Brasil e fico longe de você e do seu adorável namorado.
- Batatas! Você pode cortar as batatas – eu engoli a resposta que queria dar, afinal de contas, a culpa não é dela. Ela em seguida começou a descascar as batatas – Hum, Sallie? Cadê o Aguiar? – isso Lua, sua burra, pergunta mesmo, idiota, vai ouvir o que não quer.

- Ah, acho que ele tá ficando gripado – gente, por que o sorriso dela tem que ser tão doce? Não dá pra sentir raiva da garota, eu fico é com raiva de mim por não conseguir arrumar um motivo para o Aguiar largá-la e ficar comigo [n/a: Marii-Marii, roubei tua frase xuxu. Adorei]. Ow! Credo. Olha o que eu to pensando. O Aguiar quer ficar com ela, que seja.
- Hum, deve ser a neve – ok, de onde eu tirei essa teoria? Retardada.
- Lua? Sua chaaata? – minha adorável amiga Cath chega à cozinha e dá um tapa na minha bunda, e ainda ri da minha cara – A Julia e eu estamos numa briga pra escolher um CD pra colocar agora, daí você desempata. Eu quero Paramore ou Goo Goo Dolls, e a Julia quer Lillix ou New Found Glory.

- Hoje a Sallie vai desempatar a briga de vocês. Pode escolher Sallie – eu sorri simpática pra menina que ainda descascava as inúmeras batatas.
- Hum, me deixa pensar... Só meninas na casa, o Arthur é minoria, e pra eu não ter que tomar partido na briga, será Lillix e Paramore.
- Bem pensado, agora eu já sei pra quem eu vou jogar a responsabilidade de agüentar essas duas malucas – eu disse rindo e bati a colher de pau na cabeça da Cath, fazendo Sallie rir também.

Poucos segundos depois, a casa já estava preenchida pela voz da Hayley Williams em ‘Decode’. E logo em seguida Sallie e eu podemos ouvir os gritos de Catherine acusando Julia por colocar essa música só pra lembrá-la de Edward [n/a: a música é da trilha sonora de Crepúsculo *suspira*].
- Sabe, eu adoro esse muralzinho que vocês têm aqui na cozinha – Sallie puxou assunto comigo quando ‘Decode’ parou de tocar, já que eu cantava e dançava enquanto mexia um molho na panela.

- Nossa, é uma briga pra ver quem vai acordar primeiro pra escrever uma música aí – eu suspirei ao lembrar Julia e Cath se estapeando hoje de manhã pelo direito de escrever; depois de jogarem cinco rodadas de ‘Dois ou Um’, Cath ganhou então o mural estava assim:
“He sees you when you're sleeping
He knows if you're awake
He knows if you've been bad or good
So be good for goodness sake!
Oh! You better watch out
You better not cry
You better not pout
I'm telling you why
Santa Claus is coming to town!
Santa Claus is coming to town!
Santa Claus is coming to town!”__ Cath,
a melhor em “Dois ou Um” xx


- Vocês são bem unidas, isso é tão legal. Nunca tive amigas assim – Sallie falou com uma vozinha tão fofa, que eu até dei as costas pro fogão pra olhá-la – O Arthur me contou a ‘história’ de vocês, mas sem detalhes.
- O que ele te disse? – oi? Eu fiquei curiosa, o Aguiar nunca NOS falou dela, e ela parece saber bastante sobre a gente, principalmente sobre mim.
- Ah, ele disse que você veio do Brasil há um ano pra ficar na casa da Catherine, daí os pais dela se separaram, então a Julia te convidou pra ficar aqui – agora ela já cortava as batatas. Gente, eu to escravizando a menina, quantas batatas eu separei?

- Bom, eu sou intercambista, e os Richardson me aceitaram de última hora, mas o casamento dos pais da Cath já não ia muito bem, eles resolveram me aceitar numa tentativa de ter alguém pra distrair a Cath das brigas deles. E bem, a Julia e a Catherine são amigas desde sempre, daí comigo aqui, elas me agregaram ao grupo. Quando os pais da Cath perceberam que não dava mais pra ficarem casados, eles se separam e então a Sra. Aguiar conversou com os meus pais, e eu vim morar aqui. Fazia tanto tempo que eu não pensava em como tudo tinha começado aqui em Londres, tanta coisa mudou, mas tem coisas que não mudam nunca – ops! Percebi que já ia falar besteira pra namorada do Aguiar. – Bom, daí como você percebeu, a Cath mora mais aqui do que na casa dela; e como o Aguiar não mora mais aqui, e a Tia Aguiar viaja de vez enquando, nós três somos uma família, sabe?
- Nossa Lua, que história hein? De verdade, vocês cinco têm que fazer de tudo pra manterem essa família.
- Cinco?
- Julia, Cath, você, Sra. Aguiar e o Arthur – ela sorri como se fosse óbvio.
- Ah, eu já disse pro Aguiar que eu roubei o lugar dele na casa, da família ele ainda é – eu disse rindo; por que era tão fácil falar dele com a Sallie? Estranho.
****

- Cara, quem consegue dormir com essas duas maritacas berrando logo cedo? – o Aguiar entra na cozinha com a cara toda amassada, e fazendo um bico super fofo, ah! E vale ressaltar que ele tava só de boxer – Essas meninas tão precisando levar umas porradas.
- Ô meu Deus, ele acordou de mau humor – Sallie já estava de pé, apertou das bochechas do garoto – Tá melhor? Acha que é gripe mesmo?
Oi? Meu estômago tá revirando de ver essa ceninha apaixonada na minha cozinha. Ok, a cozinha não é minha, mas já que eu to cozinhando... Ah, vocês entenderam.
- Não, acho é gripe mesmo. Deve ser a neve – ele responde fazendo manha e dá um selinho demorado em Sallie, que se afasta dele rindo. – Que foi? Meu beijo é engraçado?
- Não seu bobo. É que a Lua disse a mesma coisa sobre a sua gripe, que é culpa da neve – Sallie olha pra mim sorrindo, e eu retribuo um mini sorriso, e me viro pra lavar uns tomates pra salada – Vocês dois têm cada teoria estranha.
- É nós somos estranhos – o Aguiar disse a contra gosto, e mesmo estando de costas eu vi que ele sentou bem na cadeira mais perto do fogão, garoto idiota.
- Tão estranhos, que nem se cumprimentaram. Arthur seu mal educado, nem deu oi pra Lua – Sallie já tinha voltado à escravidão, digo, a cortar as batatas que pedi.

- Bom di... – eu nem terminei a frase. Sabem por quê? Quando eu virei pra falar com ele, a praga já estava do meu lado e CARALHO! Ele me deu um beijo na bochecha. Tipo, eu comecei a falar, e quando o vi tão perto, eu emudeci na hora. Ele colocou a mão na minha cintura e me beijou [demoradamente] na bochecha. Fiquei com as pernas bambas, fato.
- Bom dia Lua – ele disse sério, e foi até a geladeira. OMG! Ele me chamou de Lua? Essa gripe tá afetando o cérebro dele, só pode ser.
- Chef, terminei uhuul – Sallie me trouxe as batatas, enfim cortadas, comemorando.
- Muito obrigada assistente de chef – eu sorri sinceramente pra ela.
****

Bom, depois de alimentar o batalhão, eu fiz a Cath e a Julia cuidarem da louça enquanto Sallie arruma as roupas dela, já que passaria a noite de Natal com os pais. Eu estava ao telefone falando com minha mãe, depois com meu pai, depois com a minha irmã, depois com minhas tias e tios que estavam lá em casa no Brasil, depois com priminhos que nem sabiam falar direito... Eu acho que até desacostumei com o tanto que brasileiros falam. Meu Deus! Hum, o Aguiar? Me pediu um antigripal, e foi dormir de novo. Me sinto a mãe da casa, fato.
****

- Ô POVO? – eu berrava lá da sala pra ver se alguma alma viva daquela casa iria comigo à casa do Nick.
- Oi Lua – Sallie apareceu na escada, segurando umas blusas nas mãos.
- Erm, oi Sallie. Eu queria saber se alguém topa ir lá no Nick comigo, porque ta nevando muito, e eu não quero ir sozinha.
- O Arthur acabou de reclamar que não agüenta mais ficar em casa. Vou falar pra ele te levar de carro – aaah que garota meiga cara! Meiga e besta fica jogando o namorado dela pra mim – Espera aí que ele já vem.

Ok, a parte estranha foi que eu não ouvi o Aguiar reclamar, nem me xingar, nada. Uns 5 minutos depois, ele estava descendo as escadas vestindo jeans, tênis branco e blusa de frio vermelha, de capuz. E o pior de tudo: ele não parecia bravo e nem forçado a me levar na casa do Nick. CARA! NA CASA DO NICK. Ah meu Deus, Nick e Arthur? Eu to ficando maluca.
- Lua? Vamos? – ele olhava pra mim como se eu fosse sei lá, normal. Ok, não que eu seja anormal, mas vocês entenderam. E que mania é essa de me chamar pelo meu nome e não de Blanco?
- Ah vamos sim – eu disse, peguei o presente do Nick e vesti meu sobretudo laranja acinturado.
****

No carro, ele ligou o rádio e adivinhem o que tava tocando? Musiquinhas de Natal. Eu to tendo um ataque de nervos, oi? Ele tá tão, sei lá, diferente. Nós não brigamos desde quando ele trouxe a Sallie pra casa, ou seja, cinco dias. E não, ele tá cantando junto com a música da rádio. Eu tive que rir, o jeito que ele tava cantando e batucando os dedos no volante, era no mínimo engraçado It's the little Saint Nick (Little Saint Nick...)It's the little Saint Nick (Little Saint Nick...)
Merry Christmas, Santa!Christmas comes this time each year...

- Vai me dizer que você tem algo contra músicas natalinas? – ele perguntou sem me olhar, e com um sorrisinho nos lábios.
- Eu não sou muito fã de natal, e acho essas musiquinhas um tanto tristes – falei sincera e sem sarcasmo algum na voz, o que era bem raro se tratando de uma conversa ‘Lua e Arthur’.
- Tristes? Elas são divertidas – ele disse rindo da minha cara e logo começou a cantar outra música que começou a tocar... Quando percebi qual música era e quem tava cantando, eu tive que rir e cantar junto...Rockin' around the Christmas tree
Let the Christmas spirit ring - (bop shoo wah-dee-wah)
Later we'll have some pumpkin pie
and we'll do some caroling! (do some caroling!)
You will get a sentimental feeling when you hear (ooh...)
Voices singing, "Let's be jolly
Deck the halls with boughs of holly!"
[Se agitando em volta da árvore de natal
Deixe o espírito natalino ressoar - (bop shoo wah-dee-wah)
Mais tarde teremos algumas tortas de abóboras
E faremos algumas canções de natal! (fazer algumas canções de natal!)
Você terá uma boa sensação quando ouvir (ooh...)
Vozes cantando, “Vamos ser alegres
Cubram as salas com ramos de azevinho.”] – Jesse McCartney

- Ué? Mas você não achava triste? E ta aí rindo e cantando junto – o Aguiar disse rindo e me olhando de lado.
- Ah garoto não amola – eu ri também. Tentando ignorar a estranheza da situação.
****

- Olá Senhora Hoult – eu disse sorrindo para a adorável senhora que abriu a porta da [enorme] casa pra mim – Feliz Natal adiantado.
- Lua querida, feliz Natal – cara, a mãe do Nick é um amor. – É muito gentil da sua parte vir visitar o Nicholas na véspera de Natal.
- Imagina, ele me disse que vocês vão para os Estados Unidos amanhã de manhã, então eu vim desejar boa viagem e trazer o presente dele.
- E receber o seu presente – ela disse sorrindo de uma forma estranha. – Pode subir meu amor, ele está no quarto.
- Ah obrigada, mas eu não posso demorar, porque o Arthur esta me esperando no carro – eu apontei pro carro parado em frente á casa, dando pra ver o garoto balançando a cabeça no ritmo de alguma música.

- Nick?
- Oi minha linda – Cara me diz, por que ele tem que ser tão lindo? E tão fofo? Comigo? E vem assim, todo sorridente me abraçando tão apertado que até me tira do chão – Que saudade de você.
- Hoult seu exagerado! Você me viu ontem de manhã – eu dou risada do drama dele.
- É o amor Lua, me deixa contando os segundos pra te ver de novo – ô garoto que consegue me deixar sem jeito – Own ela ficou vermelhinha.

- Pode parar Nick, eu preciso ir embora rápido – eu disse rindo e entregando a caixa de presente pra ele. – Pode abrir agora.
Eu fiquei observando o quarto enquanto ele abria o embrulho. O quarto do Nick era de um tom estranho de azul, nem claro nem escuro, nem xoxo nem escandaloso; um azul diferente e bonito. Tinha vários pôsteres nas paredes, alguns ursinhos dados por fãs, e fotos, muitas e muitas fotos. Mas uma em especial chamou a minha atenção; um porta-retratos no criado-mudo; cheguei mais perto e caraca! É uma foto minha. Lembrei exatamente do dia e do momento em que ele tirou a tal foto.

Estávamos na aula da biologia, e Melody Carter [uma puta da nossa sala] estava se maquiando e olhando no espelho, e eu brinquei que parecia que ela tava tentando seduzir o próprio reflexo; então peguei o celular de Nick pra fingir que era o espelho, e comecei a imitá-la; daí o Nick pegou o celular e tirou uma foto enquanto eu fazia bico imitando a Melody. E era exatamente essa foto que ficava ao lado da cama dele; com muito mais destaque do que as tantas outras fotos espalhadas pelo quarto. Isso me deixou desconsertada.

- Viu que menina linda? – Nick me assustou; ele estava bem atrás de mim, e falou num sussurro. – É a dona do meu coração, mas não conta pra ela, porque tenho medo que ela fuja de mim – oi? Meu coração já estava na garganta; eu quase morri quando ele me abraçou por trás e colocou o queixo no meu ombro.

- Mas ela merece o seu coração? – eu tentei não gaguejar – Só se ela fosse doida pra fugir de você.
- Ela gosta de outro cara, tipo, eu sei que ela gosta de mim, mas não do jeito que ela gosta desse outro cara – ele ainda sussurrava no meu ouvido, e dava leves beijinhos no meu pescoço; mas quando ele falou sobre o ‘outro cara’, eu sai do êxtase, e lembrei que o ‘outro cara’ tava lá fora me esperando.

- Eu tenho certeza que tudo vai dar certo entre você e a dona do teu coração – eu disse baixinho me virando de frente pra ele – Feliz Natal Hoult.
E então ele me beijou. Não foi ‘o beijo’, só encostamos os lábios e sentimos a presença do outro. Foi bom, foi fofo, foi romântico. Mas ainda tinha alguma coisa faltando. Ah, não acredito que eu senti falta de uma briga antecedendo o beijo. Eu tenho merda na cabeça só pode ser.
- Preciso ir – eu disse ao encostar minha testa na dele.
- Fica mais um pouquinho? – own, ele fez um biquinho e acariciou minha bochecha.

- Não posso, e você tem que terminar de arrumar suas coisas pra viagem – eu sorri fraco, e me afastei.
- Eu adorei meu presente – ele disse sorrindo lindamente pra mim e apontou o suéter encima da cama. Eu dei a ele um suéter azul marinho, mas o ‘charme’ estava na manga: eu coloquei um pingente minúsculo em formato de um jacaré. Ele entendeu o significado disso. Porque eu contei a ele que a Blair de Gossip Girl colocou um coração no suéter do Nate, e disse que achei fofo. Então ele brincou que eu não tinha coração, e se tivesse, eu só amaria lagartos e jacarés. Eis, aí, a história do pingente de jacaré. – E o seu está aqui, mas só abra depois da meia noite ok?
- Tudo bem senhor mistério – eu sorri e peguei a caixinha lilás que ele me estendia.

- Feliz Natal Lua – ele disse chegando mais perto, me abraçou de um jeito bem carinhoso acariciando meus cabelos. – Não esquece de me falar o que achou do presente tá?
- Ok, eu te falo – dei um beijo na bochecha dele e saí do quarto. Dei um beijo na Sra. Hoult e cumprimentei o Sr. Hoult, e saí correndo pela neve até o carro do Arthur.

- Demorei? – o Aguiar tava com a cabeça encostada no banco, de olhos fechados prestando atenção na música que tocava. Quando abri a porta do carro, ele olhou pra mim e sacudiu a cabeça.
- Não. Uns 15 minutos. Até achei que você foi rápido, já que vocês trocaram presentes – ele disse ao ligar o carro.
- Hum, eles vão viajar amanhã, estão com pressa... E sua gripe? Tá melhor? – eu não queria falar sobre o Nick justo com o Aguiar.
- A febre passou. Acho que to melhorando... – ele disse prestando atenção ao trânsito, que já estava ficando complicado devido ao horário e a data.
- Que bom – eu não estava muito a vontade de conversar com ele depois de ter beijado o Nick.

- Eu gosto de músicas de Natal, mas as rádios estão exagerando – ele disse rindo sozinho ao mudar de estação. – Ah dessa até você, senhorita Grinch [n/a: gente, quem não conhece o Grinch? O monstrinho verde que odeia o Natal? Eu o amo, fato] vai gostar – eu dei risada da comparação e prestei atenção na música que ele aumentou o volume. Então o Arthur começa a cantar também...
It’s going to be a cold winter
But I won’t need the heat to keep me warm
As long as you wrap yourself around me
On Christmas morning’
Whether it’s now or later
Got to tell you before you go, that
Love is always in your favor
And now you know that
All I want for Christmas...
All I want for Christmas...
All I want for Christmas is us...All I want for Christmas is us...

[Será um inverno frio
Mas eu não vou precisar do calor pra me aquecer
Contanto que você me enrole em torno de si mesma
Na manhã de Natal
Se é agora ou mais tarde
Tenho que lhe dizer antes de ir, que
O amor está sempre a seu favor
E agora você sabe que
Tudo o que eu quero para o Natal...
Tudo o que eu quero para o Natal...
Tudo o que eu quero no Natal é nós...
Tudo o que eu quero no Natal é nós... - Jason Mraz & Tristan Prettyman]

Ah meu Deus. Ah meu Deus. Aaaah meu Deus. Ele tá cantando isso, tipo, pra mim? Ok Lua respira e finge que tá tudo bem. É só uma música que tá passando na rádio, só isso.
- Gostou da música? – esse ser lindo, digo, idiota me pergunta com um sorriso malicioso nos lábios.
- É linda. A voz do Jason Mraz é perfeita – alfinetei e sorri.
****

- Lua? Eu posso falar com você um instante? – Sallie aparece no meu quarto toda arrumada, indicando que já estava de saída para a casa dela.
- Claro que pode. Entra – Eu sentei na cama e fiz um gesto pra que ela sentasse também – Fale o que te aflige – eu disse brincando, mas ela me deu um sorriso sem graça enquanto encostava a porta.
- Olha eu vou ser bem sincera com você, e de verdade, to pedindo pra que você seja comigo também tá? – ela disse doce, mas sem sorrir, indicando que tinha algo de errado.
- Eu prometo que serei sincera, seja lá o que você queira conversar – ok, ela tá me deixando nervosa.
- É sobre você e o Arthur – ela disse me olhando bem nos olhos, e antes que eu tivesse a oportunidade de abrir a boca ela já falou. – Deixa eu falar tudo e depois você fala tá? Porque eu to com medo de perder a coragem.
- Tudo bem – eu disse assentindo com a cabeça.

- Bom, acho que você não sabe de onde eu sou ou que eu faço e nem como o Arthur e eu nos conhecemos. Vou fazer um resumo ok? Eu sou de Oxford, vim pra capital morar com a minha irmã quando comecei a faculdade. E há uns dois anos atrás, eu conheci o Arthur lá em Oxford. E o reencontrei há uns dois meses. Nós começamos a sair com nossos amigos em comum, olha Lua, eu vou ser honesta, eu sempre gostei dele, mas ele nunca me deu muita bola sabe?

Daí, mais ou menos um mês atrás, ele mostrou interesse em mim; pode ser coincidência, mas foi bem na época que ele comentou que você não parava mais em casa, e que as meninas brincavam que você tinha um namorado secreto do colégio. E o jeito que ele sempre falou de você, não é igual ao jeito que ele fala da Cath, por exemplo. O que eu to querendo dizer, é que se eu to atrapalhando alguma coisa, por mínima que seja, entre vocês, eu quero saber. Eu não quero ser a vilã de filme adolescente que estraga tudo entre o casal principal, entende?

Eu juro que se você disser que gosta dele, ou sei lá, que sente alguma coisa, eu vou embora e não apareço mais. Eu to te falando tudo isso, porque eu sei que posso confiar em você; eu não quero me tornar paranóica quando estiver longe dele, achando que ele vai dar em cima de você e coisas do tipo... Agora fala alguma coisa se não eu vou pirar – ela terminou o monólogo com um sorriso ansioso e nervoso.
- Wow – foi a única coisa que saiu da minha boca tamanho o espanto pela sinceridade dela. – Você me pegou de surpresa. Bom, agora é a minha vez de ser honesta. Você não está atrapalhando nada entre o Aguiar e eu. Você pode ficar tranqüila quando estiver longe dele, porque não estaremos fazendo nada pelas tuas costas, eu juro.

- Ah Lua, obrigada mesmo – ela sorriu alegre e me abraçou. – E olha, isso tudo não é um plano maligno pra você gostar de mim e depois eu te dar ‘o golpe fatal’ tá? – ela disse rindo e eu tive que rir junto – Eu realmente quero ser sua amiga.
- Acho que sem perceber, já somos amigas – eu sorri pra Sallie, que se iluminou ao ouvir o que eu disse, me abraçando de novo.
****

Agora era a hora da bagunça: escolher dentre as milhares de roupas novas, as que usaríamos na ceia de Natal. Catherine andava do meu quarto para o de Julia sem parar. Julia estava trancada no banheiro há séculos. Sallie e Arthur estavam na sala esperando o pai da garota vir buscá-la. E eu? Bom, como eu nunca gostei muito desse tipo de comemoração, escolhi facilmente minha roupa, e agora estava deitava em cima de vários vestidos das meninas que estavam espalhados pelo chão encarpetado do quarto da Julia. Eu fiquei ali deitada, ouvindo meu iPod, e dando opiniões sobre as opções de roupas de Cath, e às vezes eu gritava pra Julia sair logo do banheiro.

Finalmente Catherine escolheu um vestido, Julia saiu do banheiro e coloquei uma música no aparelho de som de Julia. Oh não. Mais músicas natalinas. Mas essa era legal, e era o Jesse McCartney cantando... Não resisti e comecei a cantar também, fazendo Catherine me olhar como se eu fosse um bicho estranho e Julia rir da minha cara.

No meio da música, Sallie apareceu na porta do quarto e começou a rir da cena: eu estava encima da cama [pisando nos vestidos que não foram escolhidos] com uma escova de cabelos nas mãos, cantando e rebolando ao ritmo da música.

- Chega mais Sallie. Canta comigo, essas velhas não querem – eu estava estranha, minha voz estava alegre. Sallie riu, tirou os sapatos e subiu na cama.
Oh don’t you know that one way or another
I'll be coming home for Christmas day
Doesn’t matter any kind of weather
You know that I'll always find a way
And we'll be celebrating all the good things we share
Everybody knows who will be there
I going to be there to
Yeah I promise one way or another
I going to get back home to you

Nós dividíamos o ‘microfone’, e ríamos muito. Julia e Cath subiram na cama também, e agora faziam danças estranhas. Estávamos alegres. Estávamos entre amigas. Estávamos nos divertindo juntas. E isso parece ter chocado o Aguiar quando ele chegou ao quarto e nos viu daquele jeito.

- Erm, S.? Seu pai chegou – ele disse sem graça quando nós paramos de cantar e descemos da cama.
- Feliz Natal meninas – Sallie abraçou as meninas, e quando chegou minha vez, ela sorriu largamente me abraçando apertado – Obrigada por ser esse amor de pessoa. Não é pra menos que o Arthur tenha gostado de você – ela sussurrou e eu fiquei sem voz, apenas sorri enquanto ela saía com o Aguiar.
****

- Crianças, cheguei! – nós ouvimos a voz da Sra. Aguiar vindo da sala, assim que terminamos de nos arrumar. Julia estava com um vestido curto e justo num tom vermelho sangue; Cath usava um vestido dourado discreto tomara-que-caia; e eu escolhi um vestido verde rodado um pouco acima dos joelhos, com uma fita roxa na cintura. Quando descemos para a sala eram 21h30min.
- Mãe! Que saudade – Julia foi a primeira a abraçar a senhora, sendo seguida por Catherine e depois por mim.

- Cadê meu filho super responsável, que ficou aqui em casa pra cuidar de vocês? – a Sra. Aguiar procurava Arthur com os olhos.
- To aqui mãe – ele apareceu na escada, e eu quase babei. Hum, calça jeans [que por milagre, era do tamanho certo], tênis cinza, camisa preta e um suéter cinza por cima. O cabelo estava mais arrumado, porém mais despenteado, confuso, eu sei. Ele chegou sorrindo e abraçou a mãe – Senti sua falta.

- Não mais que eu, meu amor. Eu vou te amarrar ao pé da mesa, chega de turnês, chega de shows. Eu quero meu filhinho aqui na nossa casa – uma cena bonita de se ver, o Aguiar até ficou vermelho.
- Bom, chega de mimar o Arthur que já, já nossos convidados vão chegar – Julia mal terminou a frase e a campainha tocou. Era o pai de Cath. E depois uns vizinhos. E depois uns parentes dos Aguiar. E assim a casa foi enchendo e enchendo.

Quase todos os convidados trouxeram algo pra comer, mas mesmo assim todos elogiaram minha comida, e alguns ficaram espantados quando a Sra. Aguiar dizia que eu tinha feito grande parte das guloseimas da sobremesa. A ceia foi maravilhosa. Todos estavam felizes, até eu me animei depois de receber uma ligação dos meus pais. Após a sobremesa, nós fizemos o ‘amigo oculto’; eu tirei a Julia e lhe dei um sapato, o que mais seria? Catherine me tirou, e me deu bolsa Victor Hugo linda!

Depois que todos revelaram seus amigos ocultos [ah, o Aguiar tirou um dos priminhos e deu um mini bug elétrico, o garotinho quase explodiu de felicidade; o Aguiar ganhou passagens de avião e ingressos pro parque ‘Six Flags’ em Nova Jersey, EUA, ele adorou o presente que a tia lhe dera], trocamos presentes aleatórios. As crianças dormiam, os adultos conversavam na sala, os pré-adolescentes estavam no jardim coberto e nós [Julia, eu, Cath, Arthur, duas primas, três vizinhos bonitinhos e bobos e um primo] estávamos no quarto de Julia, que era o maior da casa.

- Alguém já disse que vocês estão formam uma perfeita árvore de Natal? – Cassey, uma das primas, disse rindo ao apontar para os nossos vestidos: Cath de dourado, eu de verde e Julia de vermelho. Todos riram, afinal já estavam alegres. Eu não tinha bebido quase nada, já estava sem paciência pra esse tipo de conversa, então fui pro meu quarto abrir o presente do Nick.
****

A primeira coisa que fiz ao entrar no meu templo sagrado [leia: meu quarto] foi tirar os sapatos roxos que estavam me matando. Sentei na cama, e peguei a caixinha lilás e abri... OMG! Nick me deu o medalhão [n/a: colar que você abre e coloca foto dentro sabe?] que eu queria. Com uma foto nossa dentro dele. Era dourado, com uns desenhinhos por fora; dentro tinha a foto e ao lado estava gravado ‘Eu amo você’; e eu esqueci como se respira.

- Lua? – caralho! O Aguiar quase me matou do coração. Eu coloquei o medalhão dentro da gaveta do criado-mudo e levantei da cama olhando pra ele. Ah meu Deus, por que ele fechou a porta? – Eu... Eu preciso erm, falar com você.
- Pode falar – eu me controlei pra não gaguejar, parei de frente pra ele que me olhava de um jeito esquisito, fofo, porém esquisito.
- Eu vim... Eu vim te dar feliz Natal – ele deu um sorrisinho tímido e um passo na minha direção. Alô? Pernas, eu comando, parem de tremer.
- Feliz Natal... Arthur – já que ele tava me chamando de Lua, eu resolvi mudar também.
Ele chegou mais perto, e mesmo meu quarto estar sendo iluminado só pela luz do abajur, eu consegui ver os olhos dele brilharem. Eu fiquei totalmente trêmula quando ele colocou as duas mãos na minha cintura e me puxou pra perto do seu corpo; eu coloquei meus braços ao redor do pescoço dele, e senti seu perfume me embriagando.

Arthur me apertou contra si mesmo, as mãos me segurando firmemente; eu fechei os olhos tentando guardar esse momento na memória. De repente, ele afrouxa o abraço, mas não me solta; fica alguns segundos analisando meu rosto, sorri e fala com a voz meio rouca:
- Hoje, no carro... A música tinha um significado real – ele sorri de lado, e arruma uma mecha do meu cabelo – É o que eu quero... All I want for Christmas is... Us! [Tudo o que eu quero no Natal é... Nós!] – ele sussurrou a frase perto dos meus lábios.

Eu deveria me afastar, eu prometi à Sallie. Mas alguma força da natureza não me deixou mover um músculo sequer. Ele segurou meu rosto com uma mão e manteve a outra em minha cintura. E então nossos lábios se encostaram de leve, e minha respiração falhou; Arthur então pressionou sua boca na minha, colocando a mão na minha nuca e me deixando mais trêmula e sem ar que antes. Ele passou a língua bem de leve nos meus lábios, sem querer eu soltei um gemido ao abrir a boca, e então o beijo infantil que havia iniciado o nosso contato se transformou completamente em uma dança exótica de lábios.

Eu agora com as duas mãos espalmadas do peito de Arthur, enquanto ele ainda tinha uma das mãos perdidas nos meus cabelos e a outra mão não se decidia entre minha cintura ou minhas costas. Nos beijamos por vários minutos, até que ele se afastou devagar e sussurrou no meu ouvido:

- Feliz Natal Grinch – eu pude sentir seus lábios se curvando num sorriso; ele beijou meu pescoço, me fazendo arrepiar.
- Feliz Natal Cindy Lou – eu disse rindo [n/a: Cindy é menininha loirinha que gosta do Grinch e ama o Natal] e o puxei para outro beijo.


Continua...

Repararam que pela primeira vez, não teve briga?!

Um comentário:

  1. Pois é fica mais emocionante quando tem briga,mas, esse foi muito fofo....e lindo...e perfeito...e tudo de bom...=)mais???

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Não vai sair sem comentar, né?! xD

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