16 de jun de 2013

Addicted - Capitulos de 1 á 10

Estarei repostando a fanfic, Fanny estou responsável por ela e Sábado á Noite, então por favor por qualquer problema não as tire do ar. Me avise que eu resolverei certo?



‘Lua?’ Ouvi Kátia me chamar e abri os olhos lentamente. Meu corpo inteiro doía, era como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão. Ela sorriu meigamente e se aproximou sentando ao meu lado.

‘Como ele tá?’ Falei tão baixo que mal escutei minha voz.

‘Tá bem, quer dizer... pelo menos ele acordou!’ Ela forçou um sorriso. ‘A gente precisa conversar. ’ O sorriso desapareceu do rosto dela e eu senti um aperto no peito. Balancei calmamente a cabeça confirmando e a olhei tentando me manter calma.

‘Aconteceu alguma coisa?’ Minha voz saiu falha.

‘Aconteceu sim minha querida. Eu conversei com o médico e ele me falou algumas coisas sobre o estado de saúde do Arthur. ’ Ela parou suspirando e cada vez mais eu sentia meu peito ser esmagado. ‘Ele me falou tudo detalhadamente claro, disse que agora o estado dele está estável. Mas que eles não conseguiram evitar uma sequela. ’ Ela pegou minha mão que tremia e suava frio.

‘Kátia, pode falar. Eu aguento. ’ Mentira, eu estava quase desmaiando. Forcei um sorriso.

‘Lua, ele... Perdeu parte da memória. ’ Senti o chão sob meus pés simplesmente sumir e uma dor insuportável em meu coração, por alguns segundos achei que tivesse perdido todos os sentidos, até sentir a mão de Kátia apertando a minha. Olhei para seu rosto tenso ainda tentando assimilar as palavras dela.

‘P-perdeu?’ Gaguejei.

‘Perdeu Lu, não completamente. Ao que parece ele só lembra até mais ou menos uns 14 ou 15 anos. Eu e o médico conversamos com ele, para tentarmos descobrir. Ele se lembra dos amigos, da banda, mas... ’ Ela me olhou apreensiva.

‘Mas?’ A olhei já com os olhos cheios de lágrima.

‘Ele não se lembra de você Lu, e nem do Diego. ’ Soltei um gemido de dor e ela me abraçou forte. Era como se tivessem arrancado meu coração ou então partido ele em milhares de pedaços. O Diego, logo o Diego, ele é uma criança, ele não vai conseguir entender isso. ‘Calma Lu, por favor. ’ Kátia pediu nervosa sem saber direito como agir.

‘Desculpa. ’ Me afastei dela e cobri o rosto com as mãos.

‘Não, tudo bem minha querida. É só que ver você assim me parte o coração, e eu não posso fazer nada pra te acalmar, te tranquilizar. ’ Ela pegou minhas mãos e sorriu. ‘A partir de agora vai ser tudo diferente Lu, por mais que a gente diga ao Arthur tudo que aconteceu, o médico disse que ele dificilmente recuperará a memória, mas que não é impossível. Quem sabe com o tempo, a convivência. ’ Ela falava calmamente enquanto eu ainda soluçava alto atraindo os olhares curiosos de algumas pessoas que passavam por ali.

‘Mas Kátia, o Diego. Ele é uma criança, como ele vai lidar com tudo isso?’ Falei com a voz embargada.

‘Eu sei Lu, vai ser difícil. E eu sinceramente não tenho um bom conselho pra te dar, também estou perdida ainda com tudo isso que aconteceu. Achei que quando ele acordasse tudo voltaria ao normal. ’ Ela começou a chorar e eu me senti um pouco egoísta por estar tão desesperada apenas por mim. A Kátia sempre foi uma mãe coruja, Arthur é o garotinho dela, ela sempre teve tanto medo de acontecer qualquer coisa com ele.

‘Kátia desculpa, eu estou sendo egoísta. ’ A abracei e ficamos lá chorando juntas, sofrendo juntas. Porque tudo isso tinha acontecer?

Comecei a pensar nos últimos três anos da minha vida, tudo tinha ficado de cabeça pra baixo. Mudei-me pra Londres na expectativa de uma vida melhor, queria estudar, me formar e me dedicar ao trabalho, o resto seria consequência. Até eu conhecer o cara perfeito e ver a noite que era pra ser a mais perfeita da minha vida se transformar em um pesadelo. Conheci Arthur em um bar junto com seus amigos de banda. Logo da primeira vez que o vi senti as famosas borboletas no estomago, meu coração bater acelerado e um sorriso idiota tomar conta do meu rosto. Conversamos a noite inteira e acabamos ficando, mas estávamos bêbados demais pra ficarmos apenas nos beijando, precisávamos de alguma coisa a mais. Ele me chamou pra ir ao apartamento dele e eu fui mesmo sem saber direito que estava fazendo, e como dá pra imaginar acabou rolando muito mais do que simples beijos.

Até hoje não me lembro de muita coisa daquela noite, apenas alguns flashes. Acordei no dia seguinte completamente de ressaca e completamente sem roupa, assim como Arthur. Saí da casa dele antes que ele acordasse e deixei o numero do meu celular embaixo do telefone dele. Nem sei por que fiz aquilo, sabia que ele não ia ligar, mas quando estou de ressaca faço as coisas meio inconscientemente. Passei a semana toda pensando em Arthur, lembrando-se do sorriso dele, da risada, dos seus olhos, e quando já tinha certeza que ele nem lembrava mais de mim, meu celular tocou e pra minha surpresa reconheci sua voz do outro lado da linha.

Combinamos de nos encontrar e mais uma vez acabamos a noite no apartamento dele, e mais uma vez acordei completamente sem roupa deitada ao lado dele na cama, e mais uma vez saí pela manhã antes que ele acordasse. Arthur é aquele tipo de cara que você se apaixona de primeira, não por que ele é um conquistador, muito pelo contrario, talvez seja por causa de sua espontaneidade. Ele é divertido, engraçado, tem um ótimo papo, beija bem, é bom de cama. Não que eu seja experiente em se tratando de sexo, pra falar a verdade, a minha primeira vez foi com o Arthur e eu tinha acabado de fazer 16 anos. Pra alguns isso pode ser irresponsabilidade, mas a verdade é que eu nunca tinha me sentido tão segura ao lado de um cara, ele tinha me conquistado da forma mais simples e mais rápida possível. Claro que eu não o amava, mal o conhecia, mas o pouco que já sabia sobre ele foi o bastante para que eu tivesse certeza de que ele era o cara certo pra eu ter a minha primeira vez. Depois dessa segunda vez se passou uma, duas, três, quatro semanas e ele nunca mais deu sinal de vida. E eu também não fui atrás, sabia que eu era apenas uma boa companhia e um bom sexo pra ele, nada mais.

Porque a gente sempre acha que determinada situação nunca vai acontecer com a gente? Vemos tantos exemplos, às vezes de amigos próximos, mas nunca estamos convencidos de que aquilo pode acontecer com a gente, até que realmente acontece. Lembro-me daquele dia como se fosse hoje, cada detalhe, cada sentimento, tudo.

Acordei me sentindo enjoada, achei que tivesse sido apenas alguma coisa que tinha comido no dia anterior, tomei um remédio qualquer e fui pra o colégio normalmente. O enjoo não passou, e logo depois veio à tontura também. Comentei com a Sophia, minha melhor amiga e que sabia de minha vida toda e ela sugeriu de uma forma digamos... sutil, que aquilo poderia ser sintomas de uma gravidez. Sinceramente, na hora a única coisa que e consegui fazer foi rir claro! Imagina se eu poderia estar grávida, eu tinha usado camisinha, não tinha? Amaldiçoei-me pelo fato de não conseguir lembrar-se de quase nada das duas noites que passei com Arthur. Tentei convencer a mim mesma de que eu tinha sim usado camisinha, mas não consegui convencer Sophia, que logo depois da aula me arrastou pra uma farmácia e comprou o teste de gravidez.

Fui até em casa tentando convencê-la de que definitivamente não estava grávida, claro que eu não estava eu não podia estar! Aqueles 5 minutos que esperamos pelo resultado foram os 5 minutos mais longos da minha vida. Sentia meu coração batendo cada vez mais acelerado a cada segundo, minha pernas estavam inquietas e minhas unhas já não existiam mais. Tentei mais uma vez me convencer de que eu definitivamente tinha usado a droga da camisinha, eu não poderia ter sido tão irresponsável. Ouvi Soph gritar meu nome do banheiro e fechei os olhos respirando devagar e mentalizando que eu era responsável e eu tinha lembrado da camisinha. Caminhei lentamente até onde ela estava e a olhei esperançosa. Sophia apontou o pequeno frasco em cima da pia e eu olhei prendendo a respiração. Aproximei-me mais da pia e olhei atentamente tentando me convencer de que eu só podia estar enxergando coisas, ali não era duas linhas vermelhas eram? Não podia ser! Senti Sophia pegar em minha mão e suspirar alto, balancei minha cabeça negativamente pensando que aquele resultado tinha que estar errado, testes de farmácia não são tão confiável.

No dia seguinte fui novamente à farmácia e comprei outro teste, dessa vez sem Sophia, precisava fazer aquilo sozinha. Novamente as malditas linhas vermelhas apareceram. Fiquei ali, sentada no chão do banheiro jurando pra mim mesma que nunca mais colocaria uma gota de álcool em minha boca. Perdi a noção do tempo sentada ali, chorei até meus olhos começarem a doer e eu não ter mais forças nem pra me levantar. Ouvi meu celular tocar alto em algum lugar do quarto, mas não fiz nenhum movimento, eu não conseguia, sentia que qualquer movimento que fizesse iria me partir ao meio. Fiquei mais algum tempo ali apenas pensando no que fazer, teria que falar com meus pais obviamente, e quanto ao Arthur, eu sinceramente não tinha muita certeza se ele ao menos lembraria de mim. Ouvi passos se aproximando e quando dei por mim já estava chorando no ombro de Sophia, sempre me esquecia de que ela tinha a copia da chave do meu apartamento.

Um mês se passou mais rápido do que eu esperava, já tinha ido ao médico, feito exames e já sentia um pedacinho de vida dentro de mim. A parte mais difícil foi contar para meus pais, não sabia se dizia que era de um cara que mal lembrava que eu existia ou se inventava um namorando ou um ficante. Acabei falando simplesmente a verdade, não conseguiria esconder deles durante muito tempo. Meu pai ficou meses sem falar comigo, minha mãe foi para Londres ficar um tempo comigo e como ela mesma dizia, tentar botar um pouco de juízo na minha cabeça. Mas de que adiantava? A besteira já estava feita mesmo. Assim que ela chegou em Londres me obrigou a ir falar com Arthur, afinal eu não poderia dar conta de um filho sozinha né? Eu tinha 16 anos recém-completados, era apenas uma estudante sustentada pelos pais em um país completamente desconhecido.

Acho que nunca tive tanto medo de uma situação, tive menos medo de contar pra meus pais do que pra Arthur. Não sabia como dizer aquilo, ninguém chega pra um cara que transou duas vezes e depois sumiu e fala "parabéns, você vai ser papai!". Eu não sabia se tinha medo dele não se lembrar de mim, se tinha medo dele dizer que não ia sustentar filho nenhum ou de sei lá, ele me chamar de louca e me expulsar de lá, vai saber qual a reação dele. Para minha surpresa ele me recebeu com um sorriso e ao que parecia se lembrava de perfeitamente de mim, inclusive do meu nome. Sentia cada parte do meu corpo tremer com cada palavra que trocávamos, ele provavelmente percebeu meu nervoso já que perguntou várias vezes se estava tudo bem, se eu precisava de água ou qualquer coisa do tipo. Não sabia se tentava primeiro entrar em uma conversa agradável e depois contava, ou se contava logo de uma vez, desejei que minha mãe ou Sophia estivessem ali comigo, seria realmente mais fácil.

Arthur começou a conversar e eu apenas dava respostas monossílabas, tinha vontade de mandá-lo calar a boca e falar que estava grávida de uma vez, e foi o que eu fiz. Quer dizer... Não o mandei calar a boca claro, mas o olhei com medo e disse que tinha uma coisa realmente séria pra falar com ele, e que era exatamente por isso que eu tinha ido procura-lo. Ele se ajeitou no sofá e me olhou sem entender, respirei fundo e soltei a bomba de olhos fechados, o medo e o pânico tinham tomado conta de mim por completo, eu mal ouvia o que estava falando. Quando acabei de falar tudo suspirei e abri os olhos encontrando Arthur estático me olhando, ele não se mexia, nem piscava, fiquei com vontade de perguntar se ele ainda estava respirando, mas não foi necessário já que a boca dele foi abrindo lentamente e ele balançou a cabeça negativamente. Era como se ele quisesse falar alguma coisa, mas não conseguisse. Mordi o lábio já me convencendo de que essa reação era a mais óbvia, claro que ele não ia sorrir e dizer que nós seriamos felizes para sempre. Ele ainda nem tinha feito 17 anos, era um adolescente inconsequente que gostava de sair pra se divertir com os amigos, ele não ia abandonar essa vida por causa de um simples... filho.

Me levantei rápido falando qualquer coisa que nem eu mesma entendi e saí de lá correndo, ele não foi atrás de mim, nem gritou meu nome, acho que ele nem se mexeu do sofá pra falar a verdade. Cheguei a casa já chorando e encontrei minha mãe me esperando como se soubesse exatamente tudo que tinha acontecido, ela nem falou nada, apenas deixou que eu chorasse em seu colo.

Mas a vida nem sempre é exatamente do jeito que a gente espera talvez a maior surpresa que eu tenha tido durante todo o processo foi o dia em que eu encontrei Arthur parado na porta da minha casa, achei que fosse algum tipo de alucinação, ou eu podia estar sonhando acordada. Duas semanas já tinham se passado desde nossa ultima conversa, ele não tinha me ligado e nem nada, tinha sumido exatamente como da segunda vez que transamos. Ele me olhou com aquele olhar de "precisamos conversar" e eu o convidei pra entrar, aquele não era bem o tipo de conversa pra se ter no meio da rua. Minha mãe por sorte não estava em casa, Arthur iria se arrepender amargamente de ter ido até lá se tivesse encontrado com ela.

Talvez eu tenha julgado aquele garoto inconsequente de quase 17 anos cedo demais, nem sempre às pessoas são o que aparentam ser, ou talvez apenas existam algumas exceções, e Arthur sem duvidas é uma delas. Ao contrario de tudo que eu poderia ter imaginado sobre as reações dele, ao contrario de tudo que a maioria das pessoas poderia pensar, ele fez exatamente o que ninguém poderia esperar de um adolescente, talvez nem tão inconsequente assim. Quando ele me falou que iria assumir aquele filho, que iria bancar aquele filho e iria arcar com todas as consequências do nosso erro, eu quase desmaiei. Minha única reação foi sentar rápido no sofá e o olhar como se ele fosse algum tipo de alienígena. Eu não conseguia entender porque ele estava fazendo aquilo, e ele parecia tão decidido, não parecia de forma alguma estar ali por obrigação ou qualquer coisa do tipo. A partir daquele dia eu soube que não importava o que acontecesse, Arthur estaria sempre presente em minha vida.

Seis meses depois eu já tinha sido assunto no colégio, assunto no shopping, na padaria, na rua ou em qualquer lugar que passasse afinal uma garota de 16 anos desfilando grávida por aí não é exatamente comum. Minha mãe ainda estava comigo, mas eu sabia que alguma hora ela teria que voltar para a vida dela, pro trabalho dela, pro marido dela. Marido esse que por sinal ainda não falava comigo. Arthur estava presente o tempo todo, principalmente depois que soube que seria um menino, quem visse o sorriso que ele abriu quando o médico falou pensaria até que nós éramos o casal mais perfeito do mundo, tendo o filho tão esperado.

Não foi exatamente uma surpresa o dia em que eu cheguei a casa e vi as malas de minha mãe já prontas no meio da sala. Ela me olhou como se pedisse desculpa e eu apenas a abracei com a certeza de que mesmo distante ela sempre seria a pessoa que eu mais poderia confiar. E Mais uma vez Arthur conseguiu me surpreender, dessa vez com nada menos que uma proposta para que eu fosse morar com ele. Eu poderia esperar qualquer coisa dele, menos um convite desses afinal nem éramos namorados, o único laço que nos ligava era um projeto de ser humano que pesava cada vez mais dentro da minha barriga. Ele disse que seria melhor, que ele poderia estar mais presente e que eu não poderia morar sozinha estando grávida, de certa forma ele estava certo. Não tive como recusar sua proposta, aliás, ele nunca deixaria que eu recusasse. Menos de uma semana e eu já estava perfeitamente acomodada na casa dele. Tinha um quarto de hospede que ele ajeitou pra mim, já tinha um pequeno enxoval que nós tínhamos comprado algumas semanas antes e a maior surpresa de todas, ele tinha comprado um berço! Seria completamente mentira se eu negasse que a essa altura já estava completamente apaixonada por Arthur, nunca um cara me surpreendeu tanto quanto ele. Durante todo aquele tempo se nos beijamos cinco vezes foi muito, e todas foram apenas consequências de algum momento, a gente se empolgava meio sem querer.

No dia do parto eu tinha a impressão de que Arthur estava mais nervoso do que eu, acho que ele seria aqueles pais que desmaiam no meio do parto! Os amigos de banda dele estavam lá tentando acalma-lo de alguma forma, conseguiram convencê-lo de que não seria bom que ele assistisse o parto, o que me deixou bastante aliviada. Nunca uma dor foi tão recompensadora como a dor do meu parto, quando a enfermeira colocou aquela coisinha pequena e chorona no meu colo senti como se tudo a minha volta tivesse sumido, meu peito se encheu de uma alegria tão imensurável, era como se eu estivesse flutuando. Olhei pela janelinha que agora estava com a cortina aberta e pude ver o sorriso imenso de Arthur enquanto as lagrimas escorriam por seu rosto e os amigos lhe davam tapinhas no braço parabenizando-o. Algum tempo depois já estava no quarto e Arthur estava do meu lado olhando para o bebê em meu colo. Ele sorriu bobo passando o dedo pela cabeça do pequeno e com a outra acariciava minha mão.

Fiquei no hospital 3 dias e depois recebi alta para ir pra casa com o bebê. Eu e Arthur ainda nem tínhamos escolhido o nome dele, achamos melhor esperar um pouco. Pouco tempo depois que chegamos em casa tive um sonho com um bebê que se chamava Diego, achei que era exatamente o que precisava para me decidir pelo nome do meu filho, Arthur adorou o nome e foi assim que batizamos dele.

Vivemos durante dois anos juntos, não como um casal, mas como um pai e uma mãe. Lógico que de vez em quando rolava alguma coisa mais entre a gente, mas respeitávamos os limites um dos outro, era nossa opção não assumir compromisso nenhum. Eu me apaixonava cada vez mais por Arthur, com cada pequeno gesto ou pelas palavras mais simples dele, nunca dissemos as famosas 3 palavrinhas um pro outro, mas eu sabia que o carinho que ele sentia por mim era imenso. Perdi a conta de quantas vezes ele disse que eu e Diego éramos duas das coisas mais importantes na vida dele. Apesar de tudo durante aqueles anos fomos apenas pais.

‘Lu?’ A voz de Katia surgiu em minha mente me despertando. Pisquei os olhos algumas vezes ainda tentando me localizar, parece que em alguns minutos eu tinha revivido os últimos 3 anos de minha vida. A olhei ainda confusa e ela sorriu meiga. ‘Acho que você quer ver ele né?’ A olhei sem entender, ainda não tinha me situado exatamente. De repente a imagem do acidente veio em minha cabeça. Não que eu lembrasse de muita coisa, já que eu desmaiei. Mas lembro de Arthur falando alguma coisa nervoso, de uma freada brusca, o carro rodando algumas vezes e depois de mais nada, só de ter acordado na cama de um hospital.

‘Ah sim, claro.’ Sussurrei tentando afastar as imagens do acidente de minha cabeça. Ela se levantou me puxando pela mão e caminhamos lentamente por aquele corredor que eu já conhecia tão bem. Foram dois meses andando nervosamente por ele, dois meses de agonia, dois meses sem Arthur. Talvez os dois meses mais difíceis da minha vida, como eu poderia explicar pra uma criança de 2 anos que o pai dele está em coma? Eu não tinha como falar isso pra meu filho, mas a desculpa de que Arthur estava viajando já não o convencia mais.
Quando Katia me ligou no meio da madrugada passada avisando que ele tinha finalmente acordado nem pensei duas vezes. Acordei a babá que tinha contratado pra me ajudar a cuidar do Diego durante esse tempo e vim correndo para o hospital. Mais de 24 horas já tinham se passado, e só agora eu finalmente o veria novamente, achei que fosse ser tudo tão fácil que ele iria simplesmente acordar e perguntar pelo Diego, até eu receber a noticia da perda de sua memória.

‘Pronta?’ Mais uma vez a voz de Katia me despertou do transe. A olhei apreensiva e ela sorriu tentando me passar confiança. Balancei a cabeça positivamente e quando ela abriu a porta senti o medo tomar conta do meu corpo. 

Entrei na sala sentindo meu coração querer sair pela boca a cada passo que eu dava, tentei controlar minha respiração que já estava completamente descompassada, mas não consegui. Calma era a única coisa que eu não teria ali naquele momento. Olhei pra Kátia que já estava do lado da cama de Arthur e ela balançou a cabeça como se mandasse eu me aproximar, suspirei pela ultima vez e caminhei devagar até o pé da cama. Meu olhar subiu devagar dos pés até o rosto dele, senti as borboletas em meu estomago exatamente como da primeira vez que o vi, era como se um alivio tivesse percorrendo todo meu corpo trazendo a alegria de volta pra meu coração.

‘Arthur. ’ Kátia o chamou baixo tocando em seu braço e eu senti que podia desmaiar a qualquer momento. Arthur lentamente abriu os olhos e piscou algumas vezes antes de sorrir pra mãe. Eu também sorri, só que pra mim mesma. Ver aquele sorriso novamente era como se eu também tivesse voltado a viver. ‘Filho, essa é a Lu. ’ Ela sorriu apontando pra mim e os olhos de Arthur se moveram lentamente em minha direção. Eu não sabia direito como reagir, uma parte de mim queria correr e abraça-lo, a outra queria sair correndo dali. Olhei para meus próprios pés com medo de encarar Arthur nos olhos e finalmente saber que tudo isso não foi só um pesadelo, aquilo tudo era minha realidade, minha vida. Suspirei mordendo o lábio e levantei minha cabeça calmamente até meus olhos encontrarem os dele eu sentir uma pontada em meu coração. Ele não tinha mais aquele brilho no olhar de antigamente, agora seus olhos tinham uma mistura de angustia e dúvida que me deixavam ainda mais apavorada.

Tentei sorrir apesar do desespero, mas não deu muito certo e eu preferi morder o lábio sem saber direito o que fazer.

‘Lembra que eu te falei da Lu hoje mais cedo?’ Kátia perguntou no mesmo tom de voz baixo. Arthur sorriu balançando positivamente a cabeça. ‘Lembra que eu te falei sobre uma criança... ’ Kátia sorriu meigamente e ele novamente balançou a cabeça.

‘O Diego!’ O ouvir falar o nome do nosso filho foi sem duvidas a maior alegria desses últimos dois meses. Não consegui controlar as lágrimas que escorriam rápido por meu rosto enquanto eu sorria apertando minhas próprias mãos. ‘Ele não veio?’ Arthur olhou sorrindo pra mim e eu passei a mão rápido pelo rosto enxugando as lagrimas e funguei pra controlar o choro. Fiquei alguns segundos apenas observando ele sorrir pra mim, era como se meu coração tivesse voltado a pulsar normalmente.

‘Não, ele... Ele tá na escola uma hora dessas. ’ Sorri nervosa dando ma olhada no relógio do meu pulso. Realmente essa hora Diego está na escola. Falei com ele algumas horas atrás, antes dele sair de casa.

‘Filho, acho que a Lu tem algumas coisas pra contar pra você. Talvez certa história, sobre dois certos jovens inconsequentes. ’ Kátia piscou pra mim eu fiquei sem reação. Achei que ela mesma já tivesse contado tudo pro Arthur. ‘Lu, achei que essa seria a sua parte. Você sabe melhor do que ninguém essa historia. ’ Ela sorriu se aproximando de mim. ‘Não tenha medo Lu, ele não lembra de nada, mas tenho certeza que vai adorar ouvir a historia pra própria vida contada por alguém que fez parte da vida dele nesses 3 últimos anos mais do que ninguém.’ Ela me deu um beijo na testa, beijou a bochecha de Arthur e depois saiu do quarto.

Mordi meu lábio nervosa sentindo o olhar de Arthur sobre mim como se me analisasse. O olhei sem saber direito o que fazer e ele sorriu como se tentasse me passar confiança.

‘Então Arthur, como você tá se sentindo?’ Me aproximei tentando controlar as lágrimas que já enchiam meus olhos. Toquei o braço dele sentindo sua pele quente e sorri instantaneamente. Ele desviou o olhar do meu rosto até seu braço, no lugar em que eu tocava. Retirei minha mão lentamente dali ao perceber seu olhar de duvida, cruzei os braços e sorri pra ele que retribuiu.

‘Agora to melhor, já dormi um pouco, tomei os remédios, comi alguma coisa. Acho que já to pronto pra ter alta.’ Ele falou animado e eu ri balançando a cabeça. Arthur sempre foi ansioso, sempre queria as coisas pra agora, pra esse segundo.

‘Hey, devagar mocinho.’ Falei brincando num tom de reprovação e ele abriu um sorriso imenso. ‘Que foi?’ Falei ao reparar o sorriso dele.

‘Nada, mas você pareceu minha mãe falando.’ Dei risada e lembrei que não era a primeira vez que ele me falava aquilo. Às vezes eu agia como a mãe dele, e ele sempre reclamava quando isso acontecia. ‘Então, qual a historia que você tem pra me contar?’ Ele me olhou sério e eu suspirei sem saber direito o que responder.

‘Olha Arthur, eu sei que pra você é como se eu fosse uma estranha, eu to aqui conversando normalmente, mas sei que na verdade você deve tá se perguntando quem eu sou exatamente.’ Parei pensando um pouco por onde começar.

‘Bom, eu sei que você é a mãe do meu filho, não é como se você fosse uma estranha, quer dizer...de certa forma.’ Ele me olhou em duvida e eu sorri.

‘Hm...eu vou tentar resumir os últimos 3 anos da sua vida ok?!’ O olhei e ele balançou a cabeça. ‘Bom, pelo menos as partes que eu apareço ou sei que aconteceram, claro que não posso saber de tudo.’ Botei as mãos no bolso da calça nervosa e puxei uma cadeira para perto da cama de Arthur.

Resumir os 3 últimos anos da vida de uma pessoa não é fácil, e mais do que resumir a vida dele, tive que resumir a minha e a de Diego também. Era como se eu estivesse revivendo tudo, cada momento, triste e feliz de nossas vidas.

Quase uma hora depois senti um peso sair das minhas costas ao contar a parte do acidente que eu conseguia me lembrar e finalmente parar de falar olhando pra Arthur que ouvia atentamente cada palavra minha. Ele sorriu meigamente e parecia ainda tentar absorver tudo que eu tinha dito, ficou algum tempo encarando o teto como se tentasse lembrar de alguma coisa e depois me olhou.

‘Então...nós não éramos exatamente namorados?!!’ Ele perguntou e eu balancei a cabeça confirmando. ‘Mas de vez em quando a gente se pegava?’ Ele sorriu maroto e eu senti meu rosto arder.


‘Foram 2 longos anos morando juntos Arthur, nós somos humanos, certo?’ Sorri.

‘Certo, certo. E se você me dissesse que nunca rolou nada eu ia começar a duvidar seriamente da minha masculinidade.’ Ele fez uma cara pensativa e eu ri. ‘Mas falando sério Lu, eu posso ter perdido uma parte da minha memória, mas eu ainda me conheço melhor do que ninguém e sei que se eu vivi com você durante 2 anos, mesmo que a gente nunca tenha namorado nem nada, sem duvida é porque você é realmente especial pra mim.’ Ele me encarou com aquele olhar que sempre me deixava sem reação, tão verdadeiro e tão puro. Ficamos nos encarando durante um tempo até meu celular tocar e o numero de casa aparecer no visor, pela hora provavelmente era Diego perguntando se eu não ia almoçar em casa.

‘Hey pequeno.’ Sorri olhando pra Arthur. Desejei que ele lembrasse de tudo subitamente e falasse com Diego também. ‘Eu vou pra casa daqui a pouco tá bom meu amor? Espera a mamãe pra almoçar com você.’ Falei sorrindo e desliguei o celular vi que Arthur também sorria.

‘Como ele é Lu?’ Ele sentou na cama me olhando animado e eu senti meus olhos mais uma vez se encherem de lágrimas. Ele é sem duvidas o cara que mais consegue me surpreender, seja qual for a situação.

‘Ele é lindo Arthur, parece com você.’ Senti meu rosto arder um pouco e ele abriu um sorriso imenso. ‘Você costumava dizer que ele tinha seus olhos e seu nariz e a minha boca. A exata mistura de nós dois.’ Me aproximei um pouco da cama sorrindo.

‘Então ele é realmente lindo.’ Ele estendeu a mão pra mim. Pensei alguns segundos antes de segurar a mão dele, tinha medo de sua reação, mas ele sorriu me passando confiança. ‘Lu, eu posso não lembrar de você, mas depois de ouvir você contando nossa historia sinto como se já te conhecesse há anos. É uma sensação engraçada.’ Ele deu risada apertando minha mão. Ouvimos uma batida na porta e eu me assustei soltando a mãe dele.

‘Posso entrar?’ Kátia botou a cabeça pra dentro do quarto e nós sorrimos balançando a cabeça. ‘Então, já conversaram?’ Ela entrou no quarto sorrindo.

‘Já sim.’ Balancei a cabeça. ‘E bem, eu tenho que ir. Diego fica um pouco inquieto quando chega da escola e eu não to em casa.’ Sorri um pouco sem graça.

‘Tudo bem minha querida.’ Kátia sorriu meigamente. 

‘Quando você vem me ver de novo?’ Arthur perguntou sorrindo e eu senti meu coração dar pulinhos de alegria.

‘Em breve, Arthur.’ Sorri e acenei saindo no quarto em seguida.

 Me encostei numa parede próxima a porta e fiquei sorrindo comigo mesma durante algum tempo. Uma enfermeira passou me olhando estranho e eu acordei do meu pequeno transe, e fui em direção a saída do hospital antes que Diego ligasse de novo.
  
Incrível como toda vez que eu entro nesse hospital meu estomago começa a dar voltas e meu coração acelera de imediato. Agora é tão estranho caminhar por esses corredores que por tanto tempo foram minha segunda casa, cansei de dormir nesses bancos e acordar no outro dia toda dolorida. Já sei o trajeto até o quarto dele de cor, e a maioria das enfermeiras por aqui já me conhecem. Caminhei um pouco apressada e parei suspirando na porta do quarto 311, fiquei alguns instantes fitando minha própria mão encostada na maçaneta, até finalmente resolver gira-la e entrar no quarto.

‘Lu!’ Fui recebida por um sorriso sincero de Arthur e senti as borboletas fazerem uma festa em minha barriga. Katia também me olhou sorrindo e eu retribuí tímida.

‘Olá minha querida. Tudo bem?’ Ela me abraçou e eu balancei a cabeça positivamente. ‘Bom, agora quer a Lu chegou eu vou sair porque tenho alguns problemas pra resolver.’ Ela me soltou e pegou a bolsa. ‘Algum problema pra você Lu?’ Eu balancei a cabeça.

‘Não, nenhum Katia. Pode ir tranqüila.’ Sorri sincera e ela retribuiu mandando um beijo no ar pro Arthur e saindo logo em seguida. Fiquei alguns segundos fitando a porta que acabara de se fechar até sentir Arthur me encarando e me virar pra ele sentindo o rosto arder. ‘Hey!’ Me aproximei da cama sorrindo.

‘O médico falou que daqui a uns 4 dias eu posso receber alta.’ Ele falou animado sentando na cama. ‘Quero voltar logo pra casa, não agüento mais esse quarto. Quero ensaiar com os caras também, se eu ainda lembrar como toca.’ Ele olhou para as próprias mãos.

‘Claro que lembra Arthur, você sempre tocou super bem.’ Sorri acariciando o braço dele.

‘Você demorou pra vir me ver.’ Ele fez bico e eu fiquei com vontade de pular em cima dele. ‘Algum problema?’ Ele me olhou preocupado e eu neguei com cabeça.

‘Não, nenhum. Só fiquei um pouco cheia de trabalho na faculdade, e o estágio também que me cansa.’ Suspirei. Passei a semana inteira querendo ver Arthur novamente, mas cada dia chegava mais tarde em casa. E também não podia deixar o Diego lá todos os dias. ‘Ah, lembrei de uma coisa que eu trouxe pra você!’ Falei sorrindo e pegando uma foto que eu coloquei na bolsa antes de sair de casa.

‘O Diego!’ Ele falou animado olhando para uma foto que havia sido tirada uma semana antes do acidente. Nela estava o Diego fazendo careta no colo de Arthur enquanto ele me abraçava pela cintura e eu ria. ‘Ele é lindo, Lu.’ Arthur sorriu ainda mais.

‘Eu te disse.’ Falei sorrindo. Ele me olhou e depois voltou a atenção para a foto, ficou alguns instantes olhando pra ela e sorrindo. ‘Ele sente sua falta.’ Falei baixo e Arthur me olhou sério.

‘O que você diz pra ele?’ Arthur botou a foto na mesa ao lado da cama.

‘Que você tá viajando.’ Dei de ombros. ‘Antes costumava dar certo, mas agora sinto que de certa forma ele não acredita mais.’ Mordi o lábio tentando controlar algumas lágrimas que insistiam em querer cair.

‘Hey.’ Arthur me abraçou pela cintura de forma que eu sentasse na beira da cama. ‘Lu, eu vou receber alta daqui a alguns dias, e a primeira coisa que eu vou querer fazer é conhecer o meu filho, o nosso filho.’ Ele sorriu meigamente e eu balancei a cabeça concordando. Ficamos alguns minutos abraçados em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro. ‘Será que o Diego sente raiva de mim por eu ter ficado esse tempo todo sem dar noticia?’ Ele me encarou com o rosto próximo ao meu.

‘Claro que não, Arthur.’ Sorri fraco. ‘Você é o pai dele e nada muda isso, ele te ama.’ Encarei os olhos dele que não se decidiam entre olhar para meus olhos ou minha boca. Ele se aproximou um pouco fazendo com que nossos narizes quase se encostassem e meu coração querer sair pela boca. Mais alguns segundos nos encarando e quando eu senti no nariz dele tocar no meu, uma batida na porta fez com que eu pulasse mais de um metro de distância dele.

‘Licença.’ Uma enfermeira entrou sorrindo no quarto e eu respirei um pouco aliviada. Talvez as coisas estivessem indo rápido demais. ‘Então Arthur, como você tá?’ Ela sorriu anotando algumas coisas em uma prancheta.

‘Tô ótimo.’ Ele riu sem graça e me olhou logo depois. Forcei um sorriso e desviei o olhar para a janela.

‘Que tal dar um passeio aqui pelos corredores?’ A enfermeira sugeriu animada.
‘Esticar um pouco as pernas, o que acha?’ Ela olhou pra Arthur e ele balançou a cabeça concordando.

‘Ela pode ir comigo?’ Ele apontou pra mim e a enfermeira sorriu concordando.

‘Vocês formam um casal lindo.’ Ela nos olhou de um jeito apaixonado e eu sorri sem graça.

‘Olha, é o nosso filho.’ Arthur sorriu como uma criança mostrando a foto que eu tinha lhe dado minutos antes.

‘Ah, vocês tem um filho?’ Ela pegou a foto e sorriu. ‘Que menino lindo!! Como ele chama?’ Ela nos olhou devolvendo a foto pra Arthur.

‘Diego.’ Respondi enquanto ele botava a foto novamente na mesinha.

‘Ah que gracinha. Vocês são uma linda família.’ Ela sorriu sincera e eu retribuí.
‘Vamos Arthur?’ Ela abriu a porta para que eu e Arthur passássemos e depois andou ao nosso lado. ‘Bom, normalmente eu acompanho o paciente, mas como você está muito bem acompanhado Arthur, vou olhar outros pacientes.’
Ela sorriu e se afastou virando em um corredor logo a frente. Um silêncio se instalou entre mim e Arthur, talvez ainda estivéssemos confusos sobre a grande aproximação que tivemos instantes atrás.

‘Odeio silêncios constrangedores.’ Ele falou de repente me fazendo rir.

‘Então, quando sair daqui você vai pra casa da sua mãe?’ O olhei séria. Eu ainda morava na casa que a gente dividia, já que tinha vendido meu antigo apartamento desde que me mudei pra casa de Arthur. Na verdade seria estranho agora, porque a gente divide o apartamento, mas a verdade é que ele é do Arthur, sempre foi.

‘Provavelmente. Minha mãe vai querer ficar o dia inteiro grudada em mim.’ Ele sorriu sem graça. Era verdade, do jeito que a Katia é coruja, ela não ia querer se separar dele nem por um segundo. ‘Então, o Diego já estuda?’ Arthur mudou completamente de assunto e eu sorri com o interesse dele pelo filho.

‘Uhum, entrou há pouco tempo, ainda tá se adaptando.’ Botei as mãos no bolso e continuamos andando lentamente pelo corredor quase vazio.

‘Antes ou depois do acidente?’ Ele me olhou e eu sorri fraco.

‘Um pouco antes. Fomos juntos com ele no primeiro dia de aula, aliás, na primeira semana a gente teve que ir porque ele tinha medo de ficar sozinho, depois ele fez alguns amiguinhos.’ Suspirei lembrando de alguns acontecimentos um pouco antes do acidente.

‘É estranho ouvir minha vida contada por outra pessoa.’ Ele riu baixo balançando a cabeça. ‘Se não tivesse acontecido esse acidente, como estaria nossa vida, Lu?’ Ele me olhou sério e eu fiquei algum tempo calada.

‘Não acho que teria mudado muita coisa.’ Dei de ombros. ‘A gente estaria no mesmo apartamento, cuidando do Diego. Você com a banda e eu com a faculdade e o estágio. Seria uma vida normal, Arthur.’ Sorri fraco e ele retribuiu.
Seguimos pelo corredor conversando sobre nossas vidas, Arthur agora perguntava sobre mim, sobre a faculdade, o estágio. E eu estaria mentindo se dissesse que ele não parecia interessado em tudo.

‘Ah, acabou nosso passeio.’ Fiz uma voz de criança e Arthur riu entrando no quarto. ‘Daqui a pouco a Katia deve tá chegando.’ Falei me encostando na cama e Arthur se sentou ao meu lado.

‘Lu, você erm...’ Ele me olhou como se pensasse no que falar e eu levantei a sobrancelha.

‘Eu...’ Mexi a cabeça pra que ele continuasse.

‘O que você...sentia por mim?’ Ele me olhou nos olhos daquela forma que faz com que eu me sinta vulnerável, parece que ele consegue ler minha alma. Fiquei algum tempo encarando os olhos dele sem reação, meu coração batia tão acelerado que fiquei com medo dele ouvir. Sentia o olhar angustiado de Arthur sobre mim e sua respiração pesada que parecia se aproximar cada vez mais. Eu me sentia incapaz de falar qualquer coisa ou de mexer um músculo sequer.

Mais uma vez uma batida da porta fez com que eu pulasse a mais de um metro de distância de Arthur e ele suspirou passando a mão pelo cabelo.

‘Voltei!’ Katia entrou sorridente no quarto e eu agradeci mentalmente.
‘Aconteceu alguma coisa Lu? Você tá pálida!’ Ela me olhou preocupada e eu forcei um sorriso.

‘Não não, tá tudo bem. Eu...preciso ir pra casa.’ Falei rápido pegando minha bolsa. Sorri para Katia e olhei receosa pra Arthur que sorriu fraco, retribuí e saí da sala o mais rápido possível.

Fui o caminho inteiro até em casa pensando nas palavras de Arthur. Por que ele queria saber o que eu sentia por ele? Iria fazer alguma diferença afinal? Bufei pegando as chaves de casa e quando abri a porta fui recebida por um Diego sorridente.

‘Mãããe.’ Ele veio correndo e me abraçou. Minha maior felicidade é sem duvidas chegar em casa e ser recebida com um sorriso do meu filho.

‘Own meu pequeno. Tudo bem?’ Sorri pegando-o no colo e indo sentar no sofá. Ele balançou a cabeça positivamente. ‘Daqui a alguns dias eu acho que você vai ter uma surpresa, meu amor.’ Falei lembrando das palavras de Arthur sobre querer ver logo o Diego.

‘Papai?’ Ele sorriu como se já soubesse. 

‘É surpresa danadinho.’ Mordi de leve a bochecha dele que riu alto. Sem duvidas ele sabia que era alguma coisa relacionada ao Arthur.
  
Vocês podem esperar uns minutos lá fora?’ O médico sorriu simpático e eu e Kátia saímos do quarto deixando-o sozinho com Arthur. Hoje ele enfim receberia alta e voltaria para casa, mas segundo ele, antes de tudo quer conhecer o Diego. Nem preciso comentar que meu sorriso ao ouvi-lo dizer isso quase rasgou meu rosto né? Alguns minutos depois Arthur e o medico saíram do quarto. ‘Pronto meu rapaz, tá liberado. ’ O médico deu uns tapinha nas costas dele que sorriu animado.

‘Brigada doutor, por tudo. ’ Kátia apertou a mão dele e sorriu. Ele acenou pra mim e saiu logo depois nos deixando no corredor. ‘Vamos?’ Kátia pegou a mão de Arthur e ele me estendeu a outra, sorri e fui para seu lado.

‘As duas mulheres da minha vida. ’ Ele sorriu enquanto caminhávamos para a saída do hospital e eu senti meu rosto arder.

‘Então, vamos pra sua casa agora, Lu?’ Kátia me olhou sorrindo e eu balancei a cabeça positivamente.

‘Eu vou ver meu filho!’ Arthur me olhou animado e eu sorri sincera. Fomos todo o caminho até em casa conversando sobre Diego, Kátia parecia tão ansiosa quanto Arthur para vê-lo. Desde o acidente eles tinham se visto muito pouco.

‘To nervoso. ’ Arthur deu um risinho tímido quando paramos na porta do apartamento.

‘Hey, vai dar tudo certo. ’ Sorri e apertei sua mão. ‘Eu entro primeiro e vocês vêm logo depois ok?’ Olhei para os dois e eles sorriram concordando.

Abri a porta de casa respirando fundo e segundos depois Diego veio correndo ao meu encontro. ‘Sua surpresa chegou meu pequeno. ’ Falei baixo e ele sorriu. ‘Fecha os olhos. ’ Ele obedeceu e eu o peguei pela mão, me agachei ao seu lado e sorri pra Arthur que já tinha os olhos cheios de lágrimas. ‘Pode abrir. ’ Sussurrei no ouvido dele que na mesma hora abriu os olhos e estampou um sorriso imenso.

‘Paaai!’ Ele correu para Arthur que se abaixou e o pegou no colo. Na mesma hora senti as lágrimas grossas rolarem por meu rosto, e Arthur não estava muito diferente.

‘Heey campeão, como você tá?’ Ele colocou Diego no chão e se ajoelhou.

‘Sódadi!’ Diego sorriu e abraçou Arthur pelo pescoço. Eu ri baixinho lembrando que ensinei Diego a falar
saudade” um pouco depois do acidente, e desde então ele sempre fala “pai” e “sódadi. Arthur me olhou sorrindo e eu retribuí enxugando as lagrimas. ‘Vó!’ Diego se soltou de Arthur e abraçou Kátia.

‘Então meu amor, gostou da surpresa?’ Me aproximei e Diego balançou a cabeça sorrindo, depois voltou à atenção para avó.

‘Ele é lindo, Lu!’ Arthur sorriu me abraçando pela cintura e eu mexi a cabeça confirmando. ‘Ele tem meus olhos, meu nariz e a sua boca. ’ Ele deu risada lembrando do que eu tinha lhe dito no hospital. ‘Brigada por ter me dado um filho assim. ’ Ele sorriu e me deu um selinho. Sim, assim sem mais nem menos. Sorri sem graça sentindo meu rosto arder.

‘Metade dos créditos são seus.’ Pisquei e ele deu risada.

‘Pai.’ Diego o puxou pela calça e nós dois nos abaixamos pra ficarmos da altura dele. ‘
Páqui.’ Ele sorriu e Arthur me olhou sem entender.

‘Você costumava ir com ele pro parque que tem aqui perto.’ Expliquei e Arthur balançou a cabeça compreendendo.

‘Você quer ir pro parque, filhão?’ Ele bagunçou os cabelos de Diego que concordou sorrindo.

‘Arthur, não é melhor você ir pra casa descansar?’ Kátia perguntou preocupada, mas Arthur balançou a cabeça negativamente.

‘Chega de descanso mãe, já passei tempo demais deitado em uma cama de hospital.’ Ele pegou Diego no colo. ‘Vamos brincar no parque!’ Ele sorriu pra Diego que bateu palmas animado.

Fizemos o caminho de volta até o carro enquanto Diego brincava com os cabelos de Arthur e eu ria da cena. Entramos no carro e Arthur colocou o filho no colo. Diego encostou a cabeça no ombro dele e ficou observando as casas passarem pela janela. Arthur pegou minha mão e sorriu pra mim, eu retribui e desviei o olhar para a janela enquanto ele acariciava minha mão.

‘Páqui!’ Diego apontou pela janela minutos depois quando estacionamos. Soltamos do carro e fomos até um lugar com alguns bancos e um parque onde algumas crianças brincavam sendo observadas de perto por suas mães e babás. ‘Bincá!’ Diego sorriu puxando a mão de Arthur e os dois foram pro parque enquanto eu e Kátia sentamos em um banco observando os dois brincarem.

‘Eu senti falta disso.’ Falei abraçando minhas pernas e Kátia sorriu pra mim.‘Acho que muito mais pelo Diego que por mim, não aguentava mais ter que mentir pra ele.’ Suspirei.

‘Eu sei que não deve ter sido nada fácil Lu, e eu também não fui uma boa avó esse tempo todo, achei até que o Diego nem saberia mais quem eu sou.’ Ela forçou um sorriso.

‘Que nada Kátia, eu compreendo. Você sofreu muito com toda essa historia de acidente, dedicou todo seu tempo ao Arthur. Hoje em dia eu compreendo perfeitamente o amor de uma mãe com um filho, o Arthur é tudo na sua vida, assim como o Diego é na minha.’ Sorri pegando em sua mão.

‘Ah Lu, Arthur não poderia ter arrumado uma mãe melhor pro filho dele.’ Ela riu e eu fiquei sem graça. ‘Sabe que quando ele foi desesperado me perguntar o que ele faria quando descobriu que teria um filho eu sinceramente pensei que você fosse qualquer uma que ele tinha encontrado por aí, que seria uma irresponsável, pensei até que talvez você quisesse tirar o filho, principalmente depois que ele me falou que você só tinha 16 anos. Depois eu te conheci e assim que eu te olhei sabia que você não era assim, por mais que eu ache que você e o Arthur foram irresponsáveis por não terem se cuidado direito, pelo menos ele acertou na escolha da garota.’ Ela sorriu sincera e eu retribuí.

Ficamos algum tempo ali sentadas conversando e observando Diego e Arthur brincarem. Arthur parecia se divertir como nunca, às vezes parecia mais criança que o filho.

‘Ai, to acabado!’ Arthur deitou no banco rindo e apoiou a cabeça em meu colo.

‘Sôveti!’ Diego apontou uma sorveteria ali perto.

‘Vamos Diego, a vovó vai comprar um sorvete pra você!’ Kátia se levantou animada e pegou Diego pela mão levando-o até a sorveteria.

‘E então?!’ Olhei pra Arthur ainda deitado em meu colo e ele sorriu.

‘Achei que ele fosse me odiar pra falar a verdade. Não sabia que levava tanto jeito com criança.’ Ele fez careta e eu dei risada.

‘Você sempre levou Arthur, era sempre você que vinha aqui o com Diego, aliás ele sempre pedia pra você vir com ele. Acho que ele gosta mais de você do que de mim.’ Fiz bico e Arthur balançou a cabeça rindo.

‘Até parece que ele vai gostar mais do pai que o abandonou durante sei lá quanto tempo do que da mãe linda dele.’ Ele piscou e eu senti meu rosto queimar completamente. Balancei a cabeça e voltei minha atenção para as crianças que ainda brincavam no parque. ‘Lu, você até hoje não respondeu minha pergunta.’ Ele sorriu.

‘Que pergunta?’ Me fiz de desentendida ainda sem olhá-lo. Ele sentou virando de frente pra mim e passou um braço por cima das minhas pernas apoiando-o do meu outro lado.

‘Você não sabe mentir.’ Ele sorriu vitorioso me olhando de frente. Eu bufei balançando a cabeça e olhei pro outro lado. Arthur continuou parado na mesma posição ainda esperando alguma resposta.

‘Eu sei.’ Falei quando não aguentava mais o silêncio. ‘Você sempre disse isso e eu sempre odiei!’ Dei de ombros voltando a encará-lo.

‘Lu, dá pra você parar de me enrolar e responder logo?’ Ele falou num tom bravo, mas continuava sorrindo.

‘Eu não sei do que você tá falando, Arthur.’ Dei de ombros ainda fingindo não lembrar da maldita pergunta que ele me fez no hospital alguns dias atrás. 

‘Tá, você quer que eu repita, certo? Então me fala, o que você sentia por mim?’ Ele repetiu a maldita pergunta, eu senti meu estomago embrulhar e suspirei.

‘Pra que você quer saber Arthur? O que importa é o presente não o passado.’ Falei olhando minhas mãos e brincando com meus dedos.

‘Lu, pra mim importa tudo. Passado, presente e futuro! Tudo isso é estranho pra mim, eu te conheço há duas semanas, mas sinto como se te conhecesse da vida inteira. Eu sinto como se conseguisse te decifrar perfeitamente, como se eu te conhecesse melhor do que ninguém entende?’ Ele me olhou sério e eu fiquei sem reação ainda absorvendo as palavras dele.

‘Eu...não sei, Arthur.’ Suspirei evitando seu olhar.

‘Dois anos de convivência e você não sabe o que sentia por mim?’ Ele levantou a sobrancelha.

‘Porra Arthur, que saco! Se eu disser que era completamente apaixonada por você vai mudar alguma coisa na sua vida, droga?’ Falei alto sem paciência e ele sorriu.

‘Muda mais do que você imagina.’ Ele falou aproximando o rosto do meu e eu senti meu coração querer sair pela boca.

Por um lado eu queria sair correndo dali e rezava pra mais uma vez alguém nos atrapalhar, tinha medo de tudo estar indo rápido demais, mas por outro eu queria aquilo mais que tudo. Eu sentia tanta falta do beijo dele, dos toques dele, dos carinhos dele. Suspirei fraco vendo que daquela vez não teria escapatória e senti o nariz dele encostar no meu. Arthur beijou o canto da minha boca e sorriu fraco passando o nariz por minha bochecha. Eu me sentia completamente entorpecida, e estava sem reação alguma. Senti a mão dele em minha cintura e segundos depois sua boca encostou na minha. As borboletas em meu estômago pareciam querer sair voando pela minha boca, minha cabeça girava com algumas lembranças do nosso passado, mas tudo que eu queria realmente estava ali. Ele passou a língua lentamente e eu abri minha boca sentindo novamente o gosto do beijo dele que eu sentia tanta falta. Levei minha mão até sua nuca e fiquei brincando com seu cabelo enquanto ele apertava minha cintura. Uma sensação boa passava por todo meu corpo, era como um formigamento gostoso que me fazia arrepiar por completo. Arthur partiu o beijo e sorriu me dando vários selinhos e depois desceu a boca até meu pescoço.

‘Arthur para, a gente tá num parque com várias crianças.’ Falei rindo puxando-o levemente pelo cabelo.

‘É bom que elas já vão aprendendo.’ Ele sorriu maroto e eu balancei a cabeça dando um tapinha em seu braço. Ouvimos a voz de Diego se aproximando e ele me deu um ultimo selinho sentando-se direito no banco.

‘Hey meu príncipe, tomou sorvete?’ Sorri botando Diego em meu colo enquanto Kátia sentava ao meu lado. Ele balançou a cabeça sorrindo e eu beijei sua bochecha. ‘Vamos pra casa? Papai tá cansado e precisa descansar né?’ Sorri olhando pra Arthur e ele concordou.

Nos levantamos e voltamos pro carro seguindo o caminho até em casa em silêncio. Quando chegamos eu desci com Diego e ele olhou significativamente pra Arthur como se questionasse o porque dele não ter descido ainda.

‘Ei campeão, o papai vai passar um tempo na casa da vovó, mas ele vem te ver sempre, tá bom?’ Arthur falou agachado na frente de Diego que balançou a cabeça concordando, mas mesmo assim fazendo bico. ‘Tchau Lu!’ Ele se levantou me deu um beijo na bochecha e voltou pro carro.

‘Tchau Arthur! Tchau Kátia!’ Sorri para os dois já dentro do carro e eles saíram logo em seguida.

‘Gostou de ver o papai?’ Olhei pra Diego e ele concordou sem dizer nada.
Percebi seus olhos quase fechando e sorri. ‘Ê que sono hein meu amor? Vamos logo entrar pra você tomar um banho e dormir!’ Peguei Diego no colo e entrei em casa sorrindo pra mim mesma


‘Vamos pequeno?’ Sorri pra Diego sentado no sofá e ele balançou a cabeça concordando. O peguei pela mão e fomos até a garagem. Hoje faz um mês que Arthur saiu do hospital e Kátia resolveu fazer um almoço na casa dela para comemorar. Nesse meio tempo Arthur veio praticamente todo dia ver o Diego, ultimamente ele anda bastante ocupado ensaiando com a banda. Ele lembra perfeitamente como se toca, mas se lembra de poucas músicas, então eles ensaiam todo dia para que Arthur consiga estar preparado pra fazer os shows que eles costumavam fazer em alguns bares da cidade. Fui a alguns ensaios e a evolução dele está sendo realmente grande, não vai demorar muito para que eles façam um show.
‘Chegamos!’ Sorri pra Diego e fui tirá-lo da cadeirinha especial no banco de trás.

‘Papai!’ Ele sorriu batendo palmas e eu senti meu coração dar pulinhos tão animados quanto às palmas dele. Depois do beijo no parque parece que as coisas entre mim e Arthur ficaram mais claras. Não estamos namorando e nem nada, mas de vez em quando a gente fica nunca passamos dos beijos claro, cedo demais pra isso.

Atravessei o jardim com Diego em meu colo já ouvindo a música que vinha da parte de trás da casa.

‘Lu!’ Micael me recebeu com um sorriso enorme. Ele é sem duvida um dos melhores amigos que alguém pode ter. Foi ele quem mais deu força pra mim e pro Arthur quando resolvemos morar juntos, não que os outros não tivessem dado, Pedro e Chay também são grandes amigos, mas Micael sempre foi o mais próximo de mim. Eu o trato quase como um irmão. ‘Diego, fala grandão!’ Ele fez cócegas na barriga de Diego que riu alto. ‘Cada dia mais lindo ele, Lu.’ Micael sorriu pra mim.

‘Claro meu bem, já viu a mãe que ele tem?!!’ Falei convencida e ele riu.

‘Muito espertinha você!’ Ele deu língua.

‘Papaaaai!’ Diego sorriu apontando pra Arthur que se aproximava apenas com uma bermuda e metade da boxer aparecendo, além dos cabelos molhados, um óculos escuro e um sorriso imenso no rosto.

‘Faaala filhote!’ Ele pegou Diego no colo e o levantou sacudindo-o arrancando uma risada do filho. ‘Bom dia linda.’ Ele sorriu me dando um beijo no canto da boca.

‘Hmmm, sobrei!’ Micael fez uma cara safada e saiu de perto rindo.

‘Micael é idiota!’ Sorri sem graça. ‘Cadê a Kátia?’ Olhei em volta, mas só vi Pedro, Chay e sua namorada. Acenei sorrindo pra eles que retribuíram.

‘Tá lá dentro! Kate e Vicky também estão aí!’ Ele falou se referindo as primas gêmeas dele.

‘Ok, vou lá ver se elas precisam de ajuda!’ Ele concordou com a cabeça e eu sorri me afastando.

‘Bom dia!’ Entrei na cozinha sorrindo e as 3 retribuíram.

‘Bom dia, Lu!’ Kate e Vicky falaram juntas e eu ri. Além de serem gêmeas idênticas tinham mania de falar as coisas juntas.

‘Querem ajuda?!’ Me sentei na bancada observando Kátia abrir a geladeira.

‘Não minha querida, já tá tudo pronto. Aliás o que vocês três estão fazendo aqui dentro? Lugar de jovem é lá fora, vamos, vão logo!’ Kátia falou fazendo gestos pra que a gente saísse da cozinha e nós rimos.
‘Tia Kátia está um estresse hoje, quer que saia tudo perfeito nesse almoço!’ Kate deu de ombros e eu concordei silenciosamente.

‘Como o Pedro consegue ficar cada dia mais gato?’ Vicky sorriu boba e a irmã bufou. Se tem uma coisa que elas são definitivamente diferentes é no gosto para homens. Kate tem um tal namorado rapper que nunca foi apresentado a família, enquanto Vicky sempre teve uma queda pelo Pedro. Eles já ficaram algumas vezes, mas Pedro nunca foi muito de namorar então ela continua escondendo sua paixão secreta por ele.

‘Lu, você trouxe outra roupa pro Diego?!’ Arthur me perguntou dentro da piscina enquanto Diego estava sentado na beirada. Eu balancei a cabeça concordando e sentei em uma espreguiçadeira ao lado de Micael.
‘Vem aqui pra mamãe tirar sua roupa meu amor!’ Chamei Diego e ele veio correndo até mim. Tirei a roupa dele deixando-o de sunga e ele voltou pra onde Arthur estava.

‘Ele já sabe nadar?’ Micael arregalou os olhos vendo Arthur botar Diego dentro da água.

‘Claro que não Micael!’ Ri alto dando um tapa em sua perna e ele suspirou aliviado.

Voltei meu olhar pra piscina onde Arthur tentava fazer Diego mergulhar. Ia abaixando um pouco até que ele gritava e Arthur o puxava mais pra fora da água.


‘Mããe!’ Diego me chamou batendo na água e eu sorri. Ele levantou o braço fazendo sinal com a mão para que eu fosse pra água e eu suspirei. A vergonha de ficar só de biquíni falava mais alto

‘Vai logo Lu, que maldade com a criança!’ Chay riu e eu dei língua.

Me levantei mentalizando que ninguém olharia pra mim e puxei rápido o vestido pra cima. Olhei pra piscina novamente e vi Arthur me olhando atônito, tive vontade de sair correndo ou de me vestir novamente, mas caminhei rápido até a piscina e entrei na água me aproximando de Diego enquanto Arthur ainda me olhava.

‘Mãe!’ Diego se mexeu nos braços do pai e ele pareceu acordar de um transe. O olhei sem graça e ele sorriu idiotamente. Peguei Diego e brinquei com ele jogando água molhando seus cabelos enquanto ele ria.

‘Tem certeza que ele saiu de dentro de você?’ Arthur resolveu falar e eu o olhei sem entender. ‘Quer dizer...você tá beeem em forma pra uma mãe.’ Ele sorriu idiota de novo e eu senti meu rosto pegar fogo.

‘Cala boca, Aguiar.’ Balancei a cabeça sem graça e ele riu. A verdade é que eu tive que lutar pra ter meu corpo de volta depois da gravidez, claro que a minha idade ajudou bastante, mas foram dias intermináveis na academia pra eu conseguir voltar à velha forma. ‘Hey, vamos mergulhar, príncipe?’ Falei com voz de criança e Diego sorriu. ‘Um, dois, três...’ Puxei Diego pra baixo por alguns segundos e ele emergiu dando risada. Lembrei que minha mãe sempre me falou que era assim que ela fazia comigo.

‘Lu você tá doida?’ Arthur estava paralisado. ‘Ele podia ter engolido água, podia ter se engasgado...’

‘Arthur!’ O interrompi e ele me olhou sem entender. ‘Eu sei o que eu to fazendo ok?!’ Sorri e ele balançou a cabeça ainda sem acreditar muito. ‘Vamos de novo?’ Sorri pra Diego e ele retribuiu.

Ficamos na piscina até Kátia dizer que já ia servir o almoço, então fomos todos nos secar pra entrar em casa novamente. Entrei no banheiro com Diego e troquei a roupa dele, trocando a minha logo depois. Botei uma bata branca comprida e um short jeans por baixo. Voltei pra sala e botei a bolsa no sofá indo me sentar ao lado de Arthur na mesa.

‘Hey garotão, tá com fome?’ Arthur botou Diego no colo e ele sorriu concordando. Uma coisa que Diego sempre tem é fome, puxou ao pai!

O almoço foi tranquilo, e quando todos já tinham terminado Kátia serviu uma enorme torta de chocolate que foi a alegria de Diego. Ele melou até o nariz enquanto comia a torta com um sorriso enorme no rosto.

‘Acho que ele dormiu!’ Arthur falou observando Diego no meu colo, quando estávamos no sofá vendo tv. Olhei pra Diego que tinha os olhos fechados e respirava calmamente. ‘Vem, vamos levar ele lá pro meu quarto.’ Ele se levantou e me ajudou com Diego. Subimos e colocamos ele na cama de Arthur.
‘Será que ele acorda por agora?!’ Ele perguntou enquanto observávamos Diego dormir.

‘Acho que não, por quê?’ O olhei sem entender.

‘Então vamos dar uma volta, aqui pelo bairro mesmo.’ Ele sorriu. ‘É tranquilo, e tem um bosque aqui atrás. Vamos?’ Ele me olhou como se implorasse eu sorri concordando. Saímos de casa logo depois de Arthur avisar pra Kátia que iríamos sair e que Diego estava em seu quarto dormindo.

Caminhamos em silêncio pelas ruas quase desertas exceto por algumas crianças que brincavam por ali. Passamos por um casal de velhinhos nada discretos que apontaram pra gente sorrindo e falando coisas do tipo “que casal lindo”, Arthur acenou pra eles e eu sorri sem graça.

‘O bosque!’ Arthur sorriu observando uma área com alguns bancos e várias árvores. Ele pegou em minha mão e fomos caminhando lentamente por entre as árvores. ‘Cara isso aqui é lindo. Eu sempre vinha aqui quando era criança.’ Ele sorria observando ao redor.

‘Você já tinha me falado daqui.’ Sorri e ele me olhou.

‘Sério?’ Eu concordei com a cabeça. ‘E eu nunca te trouxe aqui?!’

‘Nop!’ Ele concordou silenciosamente e continuamos andando. ‘A gente tá caminhando sem rumo?’ Perguntei olhando ao nosso redor, devíamos estar bem no meio do bosque.

‘Só mais um pouco e acho que a gente chega na hora certa.’ Ele sorriu.
Caminhamos mais alguns poucos minutos e eu olhei a vista boquiaberta. ‘Hm, perfeito.’ Arthur sorriu também observando o pôr do sol logo a nossa frente.
Aquela era uma das paisagens mais perfeitas que eu já tinha visto. O céu estava alaranjado e algumas montanhas já cobriam parcialmente o sol. Fiquei algum tempo parada observando aquilo tudo, até sentir Arthur me puxar e sentar em uma arvore que tinha ali perto. Ele me puxou para sentar entre as pernas dele e me abraçou pela cintura.



‘É difícil recomeçar né?!’ Ele perguntou de repente e eu me virei um pouco pra olhá-lo.

‘É.’ Sorri fraco. ‘Mas a gente consegue.’ Falei passando a mão pela bochecha dele que fechou os olhos suspirando.

‘Eu queria lembrar de tudo.’ Ele abriu os olhos me olhando daquela forma que me faz sentir vulnerável. ‘Não queria te olhar e saber que eu te conheço de algum um lugar, mas não saber de onde. Queria lembrar de cada coisa que a gente já passou junto, queria continuar construindo nossa vida, não ter que reconstruí-la.’ Eu sorri ouvindo aquilo tudo e aproximei meu rosto do dele.

‘A gente vai reconstruir, e vai ser bem melhor do que antes. E eu vou te ajudar a lembrar porque você me conhece melhor do que qualquer outra pessoa.’
Sorri e senti ele grudar os lábios nos meus. Passei meu braço por seu pescoço e ele me puxou mais pra perto aprofundando o beijo. Dois anos beijando aquela mesma boca, e a sensação ainda era como se fosse a primeira vez, as borboletas, o nervosismo, tudo exatamente igual. Senti Arthur deslizar a mão pra minha coxa descoberta e acaricia-la, escorreguei minha mão pra dentro de sua blusa e toquei seu abdômen que se contraiu imediatamente, sorri no meio do beijo e ele fez o mesmo. Passaram-se minutos e mais minutos e nossas bocas continuavam coladas, como se fossem ímãs.

‘Ok, eu preciso respirar!’ Arthur partiu o beijo rindo ofegante. Eu gargalhei e observei a boca dele completamente vermelha imaginando que a minha devia estar do mesmo jeito. Ele encostou a cabeça na árvore fechando os olhos e eu resolvi provocar, fui beijando o pescoço dele e dando pequenas mordidas.
‘Isso, provoca que você vai ver só.’ Ele riu apertando minha cintura e eu continuei trilhando o caminho do pescoço até a orelha dele.

‘Quero ver então.’ Sussurrei beijando a orelha dele que se arrepiou e soltou um risinho safado. Nem consegui falar mais nada já que no segundo seguinte ele já tinha novamente colado a boca na minha e apertado ainda mais minha cintura como se quisesse fundir meu corpo ao dele. Arthur passou uma mão por dentro da minha blusa e acariciou minhas costas, eu puxei levemente seu cabelo fazendo-o soltar um gemido abafado. Novamente os minutos foram se passando sem que nós nos separássemos, até o celular dele vibrar no bolso da bermuda e eu me separei para que ele atendesse.

‘Ok, já vamos.’ Ele falou rápido e desligou. ‘O Diego acordou!’ Ele sorriu e eu concordei.

‘Então é melhor a gente ir!’ Ia me levantar, mas ele me puxou de volta e eu o olhei sem entender.

‘Erm, hm...espera um pouco. Você sabe né?’ Ele encolheu as pernas e eu abri a boca ficando um pouco sem graça.

‘Ok.’ Segurei o riso e fiquei observando o pouco do sol que ainda não estava coberto pelas montanhas.

Alguns minutos depois ele falou que já podíamos ir e nós fizemos o caminho de volta pra casa de Kátia.

‘Ei, que festa hein?’ Entrei em casa sorrindo ao ver Pedro e Micael brincando com Diego fazendo a maior bagunça.

‘Mãããe!’ Diego se levantou e correu até mim, eu o carreguei e beijei sua bochecha. ‘Bincá!’ Ele apontou pro chão onde Pedro e Micael continuavam se divertindo como duas crianças.

‘Também quero brincar!’ Arthur entrou em casa logo depois de mim e sentou no chão ao lado dos meninos me fazendo rir. Botei Diego de novo no chão e ele foi sentar no colo do pai para brincar.

Fui para o quarto das gêmeas e ficamos conversando até eu me dar conta da hora. Desci e encontrei os meninos vendo desenho animado rindo, fiquei observando Arthur deitado no sofá com Diego deitado em cima dele, quando estavam juntos percebia-se ainda mais a semelhança entre os dois. Arthur me olhou sorrindo e fez sinal com a mão para que eu me aproximasse.


‘Hey mocinho, não tá na hora de ir pra casa não?!’ Sentei no chão de frente pra Arthur e observei Diego quase dormindo.

‘Dorme aqui Lu.’ Arthur sorriu e eu me assustei com a proposta dele.

‘Ná, que isso Arthur. A casa tá cheia, suas primas tão aqui, suas tias também. É melhor ir pra casa.’ Sorri fraco e percebi Diego despertando. ‘Hey filhote, vamos pra casa?!’ Ele concordou com a cabeça e eu sorri agradecendo, se ele tivesse a mesma idéia que Arthur ia ser realmente difícil recusar. Me despedi de todo mundo na casa e peguei a bolsa enquanto Arthur me seguia com Diego no colo.

‘Bom, então...até mais.’ Falei depois de colocar Diego na cadeira do banco de trás.

‘Aparece quando quiser, pra...sei lá, tomar um banho de piscina e tal.’ Arthur sorriu e eu concordei balançando a cabeça. ‘Tchau.’ Ele me puxou pela cintura e me deu um beijo, ou melhor dizendo O beijo de despedida.

 ‘Erm...tchau!’ Falei sem graça quando nos separamos. Sorri e entrei no carro observando Arthur pelo retrovisor, aos poucos a imagem dele foi diminuindo até desaparecer por completo.

‘E então, como andam as coisas?’ Sophia me perguntou enquanto caminhávamos pelo campus da faculdade, estávamos em um tempo livre e resolvemos passear um pouco e conversarmos.

‘Tranqüilo, nada fora do normal.’ Sorri fraco e ela concordou balançando a cabeça. 


‘Quer dizer, o Arthur sempre aparece lá em casa pra ver o Diego, ou então eu passo na casa da Katia.’ Dei de ombros.

‘Hm, só pra ver o Diego, é?’ Soph me olhou sorrindo desconfiada e eu ri sem graça. ‘Quero saber como andam vocês, digo, você e o Arthur.’

‘Na mesma.’ Falei baixo. ‘Não é um relacionamento, a gente apenas gosta de ficar de vez em quando. Isso tudo é muito novo pra ele Soph, eu tenho medo que a gente apresse as coisas, é melhor deixar as coisas como estão. O que importa mesmo é o Diego.’

‘Ah não Lu, não começa com essa de novo de meter o Diego entre você e o Arthur.’ Ela falou séria.

‘Sophia, ele é nosso filho!’ Falei sem acreditar. 


‘Lu, você sabe do que eu tô falando! Pelo amor de Deus, já se passaram dois anos, você vai deixar tudo voltar a ser como era?’ Ela parou na minha frente. ‘Não comete os mesmo erros de novo, não tenta começar de onde parou Lu, recomeça.’ Ela sorriu meigamente e eu mordi o lábio sem saber o que falar. 


‘Eu...vou tentar.’ Falei suspirando e sorri fraco.

A verdade é que eu e Arthur nunca fomos realmente um casal, a gente morava junto, tínhamos um filho, mas não um relacionamento propriamente dito. Querendo ou não, Arthur ainda era um garoto de 18/19 anos e queria se divertir, e quem era eu para impedi-lo? Perdi as contas de quantas vezes ele chegou bêbado em casa depois de uma noitada com os meninos da banda. A gente nunca discutiu sobre isso, talvez por isso nunca tenha mudado. Brigávamos algumas vezes quando ele passava dos limites. 


Lembro de uma vez que ele saiu de casa sexta de noite e só reapareceu domingo no final da tarde, acho que foi a pior briga de tivemos, passei quase duas semanas sem falar direito com ele. Claro que tínhamos nossos momentos de casal também, às vezes saíamos para jantar, ou ficávamos em casa vendo filme, como um casal de namorados normal. Sophia sempre me criticou por isso, insistia pra que eu conversasse com Arthur, contasse que eu realmente gostava dele, mas eu nunca consegui fazer isso. Nunca fui muito boa pra lidar com essas coisas do coração, sou péssima pra demonstrar meus sentimentos, mesmo que eu ame muito a pessoa.

‘E os meninos da banda?’ Soph me acordou do meu pequeno transe e eu sorr

i.
‘Os meninos, ou o Micael?’ Cutuquei ela que ficou séria. 


‘Não tô falando nele, só quero saber como andam as coisas agora com Arthur de volta.’ Ela balançou a cabeça. Sophia e Micael já namoraram durante algum tempo a quase 2 anos atrás. Até ele fazer a burrada de trair a Sophia no dia do aniversário dela. Micael se defende dizendo que ela tinha pedido um tempo, e Sophia diz que ele não podia ter feito isso bem no aniversário dela. Eu prefiro não me meter, sou a favor do velho ditado que diz que em briga de marido e mulher não se mete a colher. 


‘Ah tudo bem, Arthur tá tendo um progresso enorme. Acredito que em pouco tempo eles voltem a velha forma.’ Sorri sincera e ela retribuiu.


‘Hey!’ Sorri pra Arthur parado na porta de casa. Ele retribuiu e me deu um beijo na testa entrando logo em seguida. 


‘Iai garotão?’ Ele carregou Diego que tinha corrido até ele. Reparei que ele estava arrumado, vestia uma calça jeans escura com uma camisa amarela e um casaco escuro com zíper aberto. 


Resolvi não perguntar nada, se ele quisesse dizer alguma coisa, diria por si mesmo.
‘Tudo bem?’ Sorri sem graça vendo-o sentar no sofá com o filho no colo. 


‘Tranqüilo.’ Ele me olhou por alguns segundos e depois voltou a atenção pra Diego. Fiquei um tempo parada observando os dois brincarem, até acordar do transe e ir até a cozinha. 


‘Quer uma água? Café? Cerveja?’ Ofereci e ele negou movimentando a cabeça. 


‘Então, acho que mês que vem vamos tocar em um bar aqui perto.’ Ele sorriu pra mim. 


‘Sério? Arthur, que ótimo! Achei que fosse demorar mais um pouco.’ Falei sentando no sofá um pouco afastada dos dois. 


‘Eu também! Mas parece que os ensaios estão realmente dando resultado, então Chay nos falou que um amigo dele trabalha nesse bar e está procurando alguma banda para tocar no mês que vem. Se tudo der certo, seremos nós!’ Ele sorriu ainda mais e eu fiz o mesmo. 


‘Eu fico muito feliz de ouvir isso Arthur, muito mesmo.’ Sorri sincera.
Arthur ficou lá brincando com Diego durante quase uma hora e nós mal conversamos. Senti que alguma coisa o agoniava. Eu prestava atenção na televisão, mas vez ou outra sentia o olhar dele em cima de mim, como se quisesse falar alguma coisa.

‘Eu...preciso ir.’ Ele se levantou sorrindo sem graça. Ele se despediu de Diego e eu o acompanhei até a porta. 


‘Arthur.’ O chamei enquanto ele esperava o elevador e ele me olhou. ‘Tá tudo bem?’ Franzi a testa e mordi o lábio. 


‘Hm...acho que sim.’ Ele tentou fazer uma cara engraçada, mas só conseguiu dar um risinho sem graça. Eu fiz o mesmo e pedi licença fechando a porta em seguida. 


Uns trinta segundos depois a campainha tocou, eu estranhei e fui atender encontrando Arthur parado lá novamente. 


‘Na verdade não.’ Ele riu passando a mão pelo cabelo. ‘Olha Lu, eu...na verdade eu não sei.’ Ele suspirou e eu sorri com o nervosismo dele. 


‘Arthur, vai em frente.’ Falei tentando encoraja-lo, mas na verdade talvez eu soubesse exatamente o que ele queria me dizer e o porque de estar tão nervoso. 


‘Eu vou sair com os caras. Nós vamos a um bar, o Micael vai encontrar uma nova garota e...’ 


‘Arthur.’ Eu o interrompi. ‘Não precisa, você não me deve satisfação.’ Balancei a cabeça e ele suspirou. 


‘Tá. É só que...’ Ele me olhou como se pensasse no que falar. ‘Nada. Se cuida.’ Ele sorriu e eu acenei fechando a porta. 


Segundos depois senti as lágrimas já começando a cair sem controle, sentei ali mesmo encostada na porta e abracei meus joelhos. Tudo ia voltar a ser exatamente como era, Sophia tinha razão, sempre teve. Eu sou uma idiota por nem ao menos conseguir dizer pra um cara com quem eu convivo há dois anos que eu o amo. Senti Diego me abraçar e o olhei sorrindo, ele passou as mãozinhas pelo meu rosto secando minhas lágrimas e eu o abracei apertado. 


‘Vamos dormir meu príncipe.’ Me levantei carregando-o e fui até meu quarto. Ajeitei Diego em minha cama e fui ao banheiro trocar de roupa. Voltei minutos depois e encontrei Diego já dormindo tranquilamente, deitei ao lado dele com cuidado e fiquei o observando. Cada dia ele se parecia mais com Arthur e menos comigo, sorri fechando os olhos e adormeci logo em seguida.

Acordei com Diego puxando meu braço e segundos depois ouvi o barulho da campainha. Sentei na cama ainda um pouco zonza e dei um beijo em Diego correndo pra porta em seguida.

‘Bom dia!’ Abri a porta e dei de cara com uma Sophia sorridente. 
 
‘Bom dia... acho!’ Falei em duvida e abri espaço pra ela entrar.
 
‘Lu, não acredito que você tava dormindo! São quase duas da tarde!’ Ela me olhou sem acreditar e eu abanei o ar.
 
‘Hoje é domingo, tá legal? Eu ando cansada com o estágio e a faculdade. ’ Dei de ombros.
 
‘Ok ok, não importa!’ Ela me puxou pro sofá. ‘Tava entediada em casa e resolvi passar no mercado e vir pra cá! Comprei chocolate, chocolate, chocolate, e erm... mais alguns chocolates!’ Ela falou sorridente tirando barras de todos os tipos da sacola. ‘Também peguei alguns filmes, vejamos... Um Amor pra Recordar, Elizabethtown, Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você e A Casa do Lago.’ Ela empilhou os DVDs na mesinha de centro.
‘Nossa, preparativos pra uma fossa?’ Ri.
 
‘Ah, que seja. ’ Ela deu de ombros. ‘Hey Diego, vem aqui!’ Ela sorriu quando Diego entrou na sala. ‘Você gosta de chocolate?’ Ela pegou uma barra e ele sorriu concordando.
 
‘Soph, para de ensinar maus hábitos alimentares pro meu filho!’ Falei rindo. ‘Vou tomar um banho e venho. ’ Ela concordou e ficou brincando com Diego enquanto eu corri pra tomar um banho.

Quinze minutos depois voltei pra sala encontrando Diego sorrindo todo sujo de chocolate.
‘Sophia, não acredito que você fez isso!’ Falei rindo.
 
‘Ah, qual é, Lu! Deixa o garoto aproveitar as coisas boas da vida!’ Ela deu língua e eu balancei a cabeça pegando Diego no colo. Fui até a cozinha e limpei a boca dele.
 
‘Então, vamos começar nossa sessão?’ Sophia me perguntou quando eu voltei pra sala.
 
‘Yep! Vou fechar as cortinas!’ Falei botando Diego no sofá. Quando fechei a cortina parecia que já era de noite já que o dia estava nublado. ‘Vamos ver Elizabethtown primeiro? Tem tempo que eu não vejo.’ Pedi sorrindo e Soph concordou. ‘Me dá que eu boto.’ Falei pegando dvd e indo até a estante onde fica o aparelho.
 
‘Lu, você vai no show dos meninos né?’ Ela me perguntou em dúvida. Uma semana atrás Arthur me falou que eles tinham conseguido confirmar o show, que agora seria em dez dias.
 
‘Claro que vou, e você também!’ Sorri. Ela abriu a boca pra falar alguma coisa, mas fechou logo em seguida balançando a cabeça.

Quase duas horas depois já tinham papeis de chocolate por todos os cantos, eu e Sophia estávamos deitadas no sofá e Diego estava no quarto dormindo. Um Amor pra Recordar estava começando e nós levamos um susto quando a campainha tocou.
 
‘Tá esperando alguém?’ Sophia me olhou em duvida e eu dei pause no filme.
 
‘Nop!’ Me levantei e fui atender a porta.
 
‘Hey!’ Me assustei vendo Arthur e Micael parados na minha porta. Fiquei algum tempo encarando os dois sem saber o que falar.
 
‘Erm... oi.’ Forcei um sorriso e os olhei com cara de interrogação.
 
‘Então, a gente tava meio sem nada pra fazer, e sei lá, resolvemos aparecer pra ver o Diego, levar ele no shopping, sei lá.’ Arthur deu de ombros sorrindo.
 
‘Quem tá aí, Lu?’ Soph chegou perto de mim e congelou quando viu Micael.
 
‘Hey!’ Os dois disseram juntos e eu percebi um pequeno sorriso no rosto de Micael.
 
‘Então, erm...’ Olhei pra Soph em duvida, mas ela realmente parecia congelada com a visão de Micael parado ali na porta. ‘O Diego tá dormindo. A gente tá vendo alguns filmes e ele acabou pegando no sono.’ Sorri sem graça.
 
‘Ah, bom então deixa. Não quero acordá-lo.’ Arthur balançou a cabeça. ‘Bom, a gente vai indo, né, Micael?’ Ele olhou pro amigo ao seu lado que parecia em uma espécie de transe olhando pra Soph. Eu ri baixinho e Arthur me olhou sorrindo.
 
‘Vocês não querem erm...entrar?’ Sorri e Sophia pareceu descongelar de imediato e me olhou de olhos arregalados.
 
‘Ah não, a gente não quer incomodar.’ Arthur abanou o ar e Micael concordou também saindo do transe.
 
‘Hm, tem certeza? Não é incomodo nenhum!’ Dei de ombros e levei um beliscão de Soph. Arthur e Micael se entreolharam como se conseguissem se comunicar sem palavras e sorriram.
 
‘Bom, se não for incomodo...’ Micael sorriu e eu balancei a cabeça abrindo espaço pra eles entrarem em casa.
 
‘Nossa, tavam descontando as frustrações no chocolate?’ Arthur riu olhando a mesinha de centro com vários chocolates. Eu e Sophia rimos.
 
‘Cara vocês tavam em uma sessão fossa ou o quê?’ Micael riu observando os dvd’s.
 
‘É, talvez.’ Dei de ombros sentando no sofá um pouco afastada dos dois e Sophia sentou na poltrona.
 
‘Tem pipoca?’ Arthur sorriu.
 
‘Yep, na cozinha.’ Falei me acomodando no sofá e ele levantou a sobrancelha. ‘A casa é sua meu bem, se vira, vai lá fazer.’ Dei de ombros e ele deu língua indo pra cozinha. 

Ficamos em silêncio na sala e eu sentia a tensão entre Soph e Micael, preferi não falar nada. Minutos depois Arthur voltou com dois baldes enormes de pipoca, deu um pra Micael e sentou mais perto de mim com o outro deixando a entender que era pra Soph e Micael dividirem.
 
‘Vou começar!’ Falei antes de apertar o play.



"I might kiss you."
"I might be bad at it."
"That’s not possible."

‘Eu podia ter a mesma idéia que o Landon.’
Ouvi Arthur falar baixo em meu ouvido e me arrepiei. Estava tão concentrada no filme que não percebi ele se aproximando, e agora ele já tinha uma mão na minha cintura e estava com o queixo apoiado em meu ombro.

‘Você podia ser mais criativo, Aguiar.’ Ri baixo balançando a cabeça.
 
‘Eu posso ser.’ Ele beijou meu pescoço e eu suspirei tentando voltar minha atenção pro filme. Senti ele me puxar mais pra perto ainda beijando meu pescoço e fechei os olhos tentando me controlar, ele foi subindo os beijos e depois mordeu de leve minha orelha.
 
‘Arthur, eu quero ver o filme.’ Falei com a voz falha.
 
‘Aposto que você já viu.’ Ele riu.
 
‘Já, mas eu quero ver de novo, posso?’
 
‘Não!’ Num movimento rápido ele puxou minhas pernas me fazendo ficar de frente pra ele e me beijou com uma certa urgência, eu correspondi da mesma forma. Quase um mês sem ficar com Arthur e eu ainda não tinha me dado conta de como sentia falta disso. Passei meus braços em volta do pescoço dele enquanto Arthur apertava minha cintura, senti ele passar uma mão por dentro da minha blusa e contraí o abdômen. Mordi com seu lábio fazendo-o soltar um gemido abafado, a essa altura parece que já tínhamos esquecido que ainda tinham mais duas pessoas na sala e que Diego estava em casa. A mão de Arthur subiu minhas costas em direção ao meu sutiã e eu puxei o cabelo dele partindo o beijo, ele fez uma cara um tanto quanto desesperada e eu ri baixo.
 
‘Eu ainda quero ver o filme!’ Sorri e me virei de novo pra tv. Arthur suspirou alto e se levantou logo depois falando alguma coisa como “banheiro”.

Alguns minutos depois ele voltou sentando do meu lado.
 
‘E não pense que isso vai terminar aqui!’ Ele falou em meu ouvido e eu ri baixo dando de ombros.
 
Consegui ver o resto do filme sem mais nenhuma interrupção da parte de Arthur. Já Sophia reclamava o tempo todo que a poltrona é desconfortável. O filme terminou e ela se levantou rapidamente.
 
‘O que vai ser agora?’ Ela mostrou os dois dvd’s que faltavam.
 
‘Ai calma, Soph! Preciso esticar minhas pernas.’ Falei me levantando. ‘Vou lá ver o 
Diego.’ Sorri saindo da sala. Quando estava no corredor senti meu braço sendo puxado e só pude ver Arthur me prensando contra parede e me beijando novamente. Dei alguns tapas no braço dele até que finalmente consegui empurrá-lo um pouco.
 
‘Arthur, pelo amor de Deus, o Diego tá aqui!’ Falei num tom desesperado e ele riu. ‘E sem essa de que ele tem que aprender cedo, Arthur!’ O olhei séria e ele suspirou.
 
‘Ok, ok. Vamos ver o Diego!’ Ele desgrudou o corpo do meu e pegou minha mão até o quarto de Diego. Entramos fazendo o mínimo barulho possível e vimos Diego dormindo tranqüilo. ‘Cara ele tá crescendo.’ Arthur sorriu bobo.
 
‘Ele fica cada dia mais parecido com você.’ Eu ri sem olhá-lo. ‘Vai, vamos voltar antes que a Soph e o Micael se matem, ou melhor, que a Soph mate o Micael.’ Arthur me olhou como se não entendesse. ‘Ah não, o Micael nunca te contou o que rolou entre ele a Sophia?’ Ele negou. ‘Então depois pergunta pra ele, vamos!’ O empurrei pra fora do quarto.

Quando estávamos chegando à sala ouvimos os dois conversando e eu peguei na mão de Arthur para impedi-lo de entrar na sala e interromper a conversa.
 
‘Shh!’ Fiz sinal pra Arthur não falar nada quando ele abriu a boca. ‘Não vou interromper a conversa dos dois, deixa que eles se entendam.’ Falei baixo.
 
‘E a gente vai ficar aqui? Parados no corredor esperando?’ Ele levantou a sobrancelha e eu dei de ombros. ‘Tenho uma idéia melhor.’ Ele sorriu malicioso e me puxou pra dentro do meu quarto fechando a porta em seguida.
 
‘Arthur você não desiste?’ Perguntei rindo e o vi balançar a cabeça e me puxar pela cintura me beijando em seguida.

O beijo foi ganhando cada vez mais intensidade e eu senti Arthur me empurrar em direção a cama, ele me deitou delicadamente sem parar de me beijar e depois passou a mão por dentro de minha blusa. Meu cérebro processava tudo rapidamente e eu sabia que ainda era cedo demais pra aquilo acontecer, mas de alguma forma meu corpo parecia reagir de forma contraria e eu correspondia a cada toque e cada beijo de Arthur. 

Ele desceu os beijos pra meu pescoço e eu suspirei tendo certeza de que uma marca feia seria deixada ali, a mão dele também desceu até minha coxa e ao invés de eu interromper logo aquilo a única coisa que eu consegui fazer foi puxar o cabelo de Arthur fazendo com que nossas bocas se encontrassem novamente.
 
Ele foi subindo minha blusa lentamente e quebrou o beijo pra conseguir tirá-la por completo, antes de voltar a me beijar tirou a dele também e sorriu, nossa respiração já estava pesada e o quarto abafado. As mãos de Arthur caminhavam por meu corpo livremente, ele mordeu meu lábio inferior me fazendo soltar um gemido realmente alto e novamente desceu os beijos pra meu pescoço. Eu fechei os olhos como se fosse me ajudar a passar as ações certas pra meu cérebro, eu precisava parar, mas não conseguia de jeito nenhum. Suspirei sentindo uma lagrima escorrer por meu rosto, mas Arthur não viu.

O barulho de uma porta batendo finalmente me despertou daquilo tudo.
 
‘Merda!’ Falei baixo e empurrei Arthur que caiu ao meu lado na cama se encolhendo. Peguei minha blusa e vesti rapidamente, passei a mão pelo cabelo enquanto tentava regular novamente minha respiração. Quando cheguei à sala encontrei Micael sentado no sofá com a cabeça baixa.
 
‘Ela nunca vai me perdoar, não é?’ Ele perguntou baixo ainda sem me olhar.
 
‘Micael...não é isso. Ela gosta de você, eu sei que gosta, mas é difícil. Tenta ver o lado dela.’ Cheguei perto dele e me agachei. ‘Vai com calma, a Soph sofreu muito com tudo isso.’ Sorri sincera e ele me olhou sorrindo fraco.
 
‘É melhor eu ir, avisa pro Arthur tá?’ Eu concordei e ele me deu um beijo na bochecha saindo em seguida.
 
Sentei no chão encolhida e cobri meu rosto com minhas mãos, segundos depois não consegui mais controlar e comecei a chorar ali mesmo. Sentia as lágrimas grossas caindo sem controle sobre meu rosto enquanto eu continuava sentada e encolhida ali pensando na besteira que quase tinha feito minutos antes.

‘Lu?’ Arthur apareceu na sala e eu continuei ali sentada chorando baixo. ‘O que aconteceu?’ Ele se agachou ao meu lado tocando em meu ombro e eu balancei a 
cabeça sem olhá-lo. ‘Lu, você tá chorando?’ Ele virou meu rosto antes que conseguisse impedir e viu meus olhos completamente vermelhos e cheios de lágrimas.
 
‘Arthur, vai embora, por favor.’ Falei baixo tirando meu rosto de sua mão e abraçando meus joelhos.
 
‘Lu o que aconteceu, me fala!’ Ele tentou me abraçar, mas eu o empurrei levemente.
 
‘Por favor, Arthur, apenas vá embora.’ Repeti baixo escondendo meu rosto em minhas mãos.
 
Ele suspirou e me deu um beijo na cabeça, logo depois ouvi a porta bater e me deitei no chão da sala chorando realmente alto, pra meu alivio Diego não acordou para me ver ali naquele estado. Nem sei por quanto tempo eu fiquei ali chorando e me amaldiçoando de todas as formas por ser tão fraca. Porque Arthur sempre conseguia invadir meus espaços sem minha permissão, e porque eu nunca era capaz de parar tudo aquilo? Era como se ele fosse uma força muito além de mim e eu simplesmente não conseguisse controlar. Me levantei sentindo a cabeça pesada e demorei alguns instantes até conseguir me equilibrar e fazer tudo parar de girar. Fui até o banheiro e me enfiei embaixo da água fria rezando pra que todos os meus pensamentos descessem pelo ralo junto com água. Saí do banho e vesti uma camisola confortável, quando voltei pra sala encontrei Diego no sofá. Sorri sentando do lado dele e ficamos lá vendo desenho animado e rindo de qualquer besteira.
 

O dia do primeiro show dos meninos era coincidentemente o mesmo dia em que completavam dois meses desde que Arthur tinha saído do hospital. Cheguei cedo no bar acompanhada de Soph, tinha deixado Diego com a babá, afinal o show era um pouco tarde e eu sabia que ele ia acabar dormindo se o trouxesse.

‘Lu!’ Chay me chamou quando estávamos entrando. 

‘Hey, Chay!’ Sorri e Sophia acenou ao meu lado. 

 ‘Que bom que vocês vieram!!’ Ele sorriu. ‘A gente tá sentado numa mesa ali perto do palco, os meninos estão lá no camarim, mas eu fiquei fazendo companhia a Mel.’ Chay falou apontando para a namorada que agora estava sozinha na mesa. ‘Tem lugares pra vocês lá!’ Ele nos acompanhou até a mesa.

‘Hey, Mel !’ Sorri e ela se levantou me abraçando e abraçando a Soph em seguida. Elas se viam muito raramente. Apesar do namoro do Chay e da Mel já ter quase 1 ano, depois do acontecimento no aniversário da Soph, ela raramente saía pra algum lugar onde Micael estivesse.

‘Bom, vou lá pro camarim!’ Chay deu um selinho em Mel e sorriu entrando logo depois em uma porta na parte lateral do pequeno palco. 

‘Ai, tô ansiosa.’ Falei baixo e ri. 

‘Pra falar a verdade eu também tô!’ Mel sorriu e pegou minha mão. ‘Mas vai dar tudo certo, o Arthur tem ido super bem nos ensaios, tenho certeza de que ele tá preparado!’ 

Eu sorri nervosa e ela apertou minha mão. 

 Quase uma hora depois o local já estava cheio. Os meninos não tinham mais aparecido na mesa e eu, Sophia e Mel ficamos conversando e bebendo algumas coisas.

‘Ai eu soube que nessa banda só tem gatinhos.’ Duas loiras aparentando menos de 18 anos passaram pela mesa cochichando e rindo. Nós rimos balançando a cabeça e logo depois um senhor subiu no palco. 

‘Boa noite!’ Ele cumprimentou e sorriu. ‘Fico feliz em ver a casa cheia hoje à noite. A banda que veremos a seguir é de um grande amigo meu e garanto que vale muito a pena. Com vocês...McFLY!’ Ele saiu do palco e as cortinas abriram revelando quatro garotos sorridentes. Eles cumprimentaram o publico agradecendo a presença de todos e em seguida começaram a tocar.

À medida que eles tocavam o publico parecia cada vez mais animado. Arthur estava ótimo no palco, sorridente e confiante exatamente como antes do acidente. Quando nossos olhares se encontraram ele sorriu pra mim e eu retribuí um pouco sem graça. As duas loiras que tinham passado pela nossa mesa estavam bem na frente do palco com mais duas amigas, todas cochichando entre risinhos. Os meninos deviam estar amando aquele assédio todo, se agora já tem isso, imagina quando eles ficarem realmente famosos. 

Sorri imaginando Arthur sendo perseguido nas ruas e a gente tendo que mudar o numero do telefone porque as fãs sempre descobriam. Fiquei algum tempo perdida nesses pensamentos até me dar conta que eu estava criando um futuro que nem é tão provável assim, claro que era o que eu mais queria; eu, Arthur e Diego juntos como uma família de verdade, mas o futuro é realmente incerto.


Os meninos tocaram sete musicas e foram muito aplaudidos. Eles saíram do palco e a principio sumiram da nossa vista, logo depois Chay apareceu suado e sorrindo muito. Mel pulou em cima dele distribuindo beijos por todo seu rosto e ele riu. 

‘Iai, gostaram?’ Ele olhou pra Mel e depois pra mim e Sophia. 

‘Foi perfeito, amor!’ Ela o abraçou. 

‘Foi mesmo Chay, vocês foram ótimos!’ Sophia sorriu e eu concordei. 

‘Ufa, acho que não fomos tão mal, né?’ Ele sorriu sentando ao lado de Mel . 

‘E os meninos?’ Ela perguntou como se lesse os meus pensamentos e acho que os de Sophia também. 

‘Micael tá vindo ali.’ Ele apontou para um garoto sorridente que passava cumprimentando todo mundo. ‘E o Arthur e o Pedro eu não sei, devem estar com umas meninas que estavam nos esperando do lado de fora do camarim.’ Mel deu um tapa discreto em Chay como se o repreendesse por dizer isso e ele riu sem graça. ‘Quer dizer, talvez não né? Não sei.’ Ele tentou se consertar e eu ri sem graça. 

‘Arrasamos dude!’ Chay fez um high five com Micael quando esse sentou na mesa. 

‘Sério?’ Ele olhou de mim pra Soph. 

‘Vocês foram ótimos, Micael!’ Sorri sincera.

Ficamos conversando na mesa durante quase uma hora, e ainda nenhum sinal de Arthur ou Pedro. Pensei ter o visto algumas vezes, mas acho que foi só coisa da minha cabeça, a essa hora ele já devia estar em algum motel barato da cidade com alguma vadia loira. 

‘Hey!’ Uma voz conhecida me despertou do meu transe e eu sorri quando vi Arthur parado na minha frente. Ele sentou do lado de Micael e os dois começaram uma conversa animada. As coisas entre a gente ainda estavam um pouco estremecidas, desde o dia em que ele me viu chorando lá em casa logo depois de a gente ter quase... passado dos limites. A gente ainda não tinha ficado de novo, e ele evitava ficar lá em casa, sempre que ia visitar Diego o levava pra algum outro lugar. Parece que ele entendeu que eu não queria tocar mais naquele assunto, então ele não perguntou por que eu estava chorando naquele dia. 

‘Soph, será que a gente pode conversar?’ Micael a olhou apreensivo. Ela ficou algum tempo o encarando, até que eu a cutuquei por debaixo da mesa e ela sorriu fraco confirmando. 

‘Boa sorte!’ Falei baixo rindo e ela balançou a cabeça se levantando.

A mesa ficou em silêncio por alguns minutos, exceto por Chay e Mel que soltavam risinhos e se beijavam, eu olhava pra todos os cantos do bar evitando encontrar os olhos de Arthur. Me distraí observando um casal que dançava engraçado ali por perto e só fui perceber Arthur ao meu lado quando seu braço tocou no meu. 

‘Gostou do show?’ Ele sorriu e inexplicavelmente eu não consigo não sorrir junto com ele. 

‘Foi ótimo, você foi muito bem.’ Desviei o olhar dele e mexi as mãos nervosa com aquela nossa primeira conversa “amigável” depois do incidente lá em casa. ‘O Diego ficou em casa dormindo?’ Percebi que ele também mexia as pernas nervosamente. 

‘Ficou, achei melhor não trazê-lo. Muito barulho, e ele tá acostumado a dormir cedo.’ Dei de ombros e ele balançou a cabeça concordando. ‘Mas ele tava doido pra vim te ver tocar.’ Sorri olhando pra ele que sorriu de volta. 

‘Arthur, posso falar com você?!’ Uma loira sorriu pra ele como se eu nem existisse. Olhei pro rosto dela e percebi que era uma daquelas garotas que estavam em frente ao palco durante o show. 

‘Claro, Gabby.’ Ele sorriu amigável pra ela. Hm...Gabby? Já tem essa intimidade toda? A olhei forçando um sorriso e ela deu aceninho no mínimo cínico. Vadia. ‘Já volto, Lu!’ 

Arthur sorriu pra mim e me deu um beijo na cabeça, pelo menos isso. 

Acompanhei os dois com o olhar até que eles sumissem na multidão. Bufei apoiando o queixo na mão e fiquei lá apenas observando a movimentação. Me lembrei de Sophia e Micael e fiquei imaginando se os dois já estavam se matando ou se pegando, sorri sozinha rezando pela segunda opção. Minutos depois Arthur voltou com o cabelo um pouco bagunçado, fingi que não percebi e sorri quando ele voltou a sentar do meu lado. Eu realmente precisava sair dali, aquilo estava me magoando.

‘Eu acho que eu já vou.’ Falei já me levantando. 

‘Eu te levo.’ Ele também se levantou sorrindo. Como ele consegue ficar com uma menina e logo depois se oferecer pra me acompanhar até em casa? 

‘Não precisa Arthur, minha casa é aqui perto, eu vou andando.’ Abanei o ar. 

‘Por isso mesmo, você acha que eu vou te deixar ir andando a essa hora? E também eu me ofereci pra te levar a pé mesmo, tô sem carro.’ Ele riu e eu balancei a cabeça. 

‘Vamos?’ Ele fez um gesto para que eu fosse na frente e eu concordei silenciosamente. Caminhamos durante algum tempo em silêncio, eu sentia o ar gélido bater em meu rosto e passei a mão pelos braços sentindo frio. ‘Melhor a gente se apressar, senão vamos acabar congelados no meio da rua.’ Ele riu pegando na minha mão e andando mais rápido. A mão dele estava quente e eu me senti bem com seu toque.

‘Então, se divertiu hoje?’ Me pronunciei depois de mais alguns minutos. Ele levantou a sobrancelha pra mim como se não tivesse entendido. ‘Ah, vai dizer que não gostou de ver várias menininhas babando por vocês no palco.’ Ri. 

‘Ah!’ Ele deu de ombros. ‘É legal, eu acho.’ Ele passou a mão livre pelo cabelo bagunçando-o ainda mais. Me perdi durante alguns segundos admirando seu perfil. Arthur é um cara realmente bonito, mas não é aquele tipo de beleza que enjoa, é uma beleza natural, como se todo o rosto dele tivesse sido cuidadosamente desenhado. Ele é definitivamente o tipo de garoto que qualquer garota poderia se apaixonar, não importa se ela tiver algum tipo preferido. 

‘Que foi?’ Ele me olhou com um pequeno sorriso no canto da boca. 

‘Ahn?’ Acordei do transe e ele riu baixo. ‘Desculpa.’ Botei o cabelo atrás da orelha querendo me enterrar em algum buraco. 

‘Chegamos.’ Ele sorriu apontando a entrada do prédio. ‘Tá entregue, madame.’ Ele fez uma reverência e só então eu reparei que ainda estávamos de mãos dadas.

‘Brigada, Arthur.’ Sorri. ‘Quer subir? Tomar uma água, ou um chocolate quente.’ Ele balançou a cabeça. 

‘Não brigada, ainda tenho que voltar pro bar. Provavelmente hoje eu vou ter que voltar dirigindo, duvido que aqueles três ainda estejam sóbrios.’ Ele riu. 

‘Ai cara! Esqueci da Soph e do Micael.’ Bati na minha testa. 

‘Bom, pelo que o Micael me contou da historia deles, ou estão se matando, ou se agarrando.’ Eu ri percebendo que ele pensou a mesma coisa que eu. ‘Espero que seja a segunda opção.’ Ele sorriu e eu o olhei achando que ele era uma espécie de telepático. Ficamos nos olhando uns segundos até eu balançar a cabeça como se despertasse.

‘Melhor eu entrar, cuidado Arthur, andar sozinho a essa hora é perigoso. Não é melhor chamar um táxi?’ Mordi o lábio olhando as ruas quase desertas. 

‘Não precisa Lu, sério. Amanhã te ligo pra dizer que ainda to vivo.’ Ele riu e eu dei língua. ‘Tchau pequena.’ Ele me deu um beijo na cabeça e eu sorri lembrando que ele costumava me chamar de pequena. 

‘Tchau.’ Soltei nossas mãos e entrei pelo portão fechando-o em seguida. 

‘Lu!’ Arthur me chamou e eu olhei pra trás ainda segurando a grade de portão. ‘A Gabby...ela é ficante do Pedro.’ Ele sorriu fraco e virou refazendo o caminho que tínhamos feito minutos atrás. Continuei parada segurando o portão e observando-o se afastar chutando pedrinhas. Sorri comigo mesma e resolvi entrar antes que congelasse.

‘Há, vingança é um prato que se come cru meu bem!’ Sorri vitoriosa quando Soph abriu a porta da casa dela com a cara amassada e os cabelos bagunçados. ‘Naquele dia você me acordou, hoje é a minha vez!’ Fiz um joinha e ela mandou dedo. 

‘Aproveita aí a casa, vou voltar a dormir e depois venho.’ Ela acenou entrando no quarto e eu fui atrás.

‘Nãnãnão mocinha! Nem pense nisso.’ Falei me jogando na cama de casal que ela estava deitada. ‘Quero saber tudo, nos mínimos detalhes!’ Sorri ansiosa e ela levantou a sobrancelha.

‘Não entendi essa animação.’ Ela deu de ombros enfiando o rosto no travesseiro.

‘Não se faça de desentendida Sophia, quero saber sobre ontem, você e o Micael!’ Sorri.

‘Ah Lu, eu to com dor de cabeça. E além do mais, como você sabe se eu não matei o Micael?’ Ela sorriu e piscou.

‘Ah, ontem quando eu tava saindo eu vi vocês dois quase se engolindo.’ Joguei verde, sabia que a Soph ia acreditar.

‘Você viu?!?!?!?!’ Ela me olhou desesperada e eu ri alto.

‘Não, não vi, idiota! Mas agora já sei que é verdade. Vai me conta!!’ Sentei na cama batendo palminhas parecendo o Diego quando fica animado.

‘Cara porque eu ainda caio nessas suas brincadeiras?’ Ela bufou sentando de frente pra mim com as pernas cruzadas. ‘Bom, você quer que conte tudo mesmo?’ Ela fez uma cara derrotada.

‘Claro, nos mínimos detalhes! Quer dizer...não precisa exagerar né?’ Falei imaginando que a Soph ia querer contar coisas erm...não muito agradáveis de se imaginar.

‘Hm...ok. Ele me chamou àquela hora lá na mesa, você viu.’ Balancei a cabeça concordando. ‘Fomos pra um canto mais reservado do bar, e ele começou a pedir desculpas pelo que aconteceu na sua casa e essas coisas.’ Ela suspirou e ficou um tempo olhando pro nada.

‘E daí...’ Fiz um gesto ansioso pra que ela continuasse.

‘Daí, daí, daí que eu beijei o Micael, oras!’ Ela falou rápido e escondeu o rosto com um travesseiro.

‘Você o quêê?!?!’ Comecei a tossir e rir ao mesmo tempo e Soph deu alguns tapinhas nas minhas costas e riu do meu rosto completamente vermelho. ‘Sophia, você e o Micael! Vocês se entenderam!!’ Pulei em cima dela gritando e rindo.

‘Menos Lu, bem menos!’ Ela falou rindo e me empurrando. ‘Só porque a gente se beijou não significa que a gente tenha se acertado, oras!’ Ela deu de ombros.

‘Mas vocês não se beijaram, foi você quem beijou, sua safada!’ Dei risada e ela mandou o dedo do meio. ‘Mas e ai? Qual a reação dele?’ Sentei novamente na cama.

‘Ah, ele correspondeu ué, até parece que você não conhece o Micael!’ Ela riu sem graça. ‘Não sei como vai ser daqui pra frente Lu, mas a gente resolveu ir devagar.’ Ela suspirou e eu a abracei sorrindo.

‘Tenho certeza que vai dar tudo certo dessa vez.’ Sorri sincera. Meu celular começou a tocar e eu corri até a bolsa, me assustei quando li o nome de Arthur na tela. ‘É o Arthur!’ Olhei pra Sophia que sorriu fazendo gestos exagerados pra que eu atendesse logo.

‘Vai, idiota!’ Ela gritou e eu ri.

‘Hey!’ Sorri comigo mesma.

‘Liguei pra avisar que cheguei vivo, tá vendo? Nem precisei gastar dinheiro com táxi.’ Arthur riu.

‘Ah, bom saber que meu filho ainda tem um pai.’ Falei a primeira coisa estúpida que me veio na cabeça e bati na minha própria testa. ‘E os meninos estão bem?’

‘Tudo certo, estamos todos vivos.’

‘Ahn, ok!’ Sorri e ficamos um tempo em silêncio apenas escutando as respirações.

‘Lu, você quer, sei lá...jantar hoje a noite comigo?’ Ele perguntou um pouco inseguro e eu mordi o lábio olhando pra Soph.

‘Erm...claro Arthur, eu adoraria.’ Falei sem muita convicção e Soph sorriu mesmo sem nem saber do que estávamos falando.

‘Então, posso te pegar as oito?’

‘Tudo bem.’ Sorri.

‘Hm...até mais!’ Ele desligou depois que eu mandei beijos e a Soph começou a dar pulinhos histéricos me fazendo rir.

‘Conta, conta, conta!’ Ela me puxou pra sentar novamente na cama.

‘Ele me chamou pra jantar.’ Falei indiferente e o sorriso dela aumentou ainda mais.

‘Você não me engana mocinha, eu sei que você está nervosa e doida pra dar uns pegas no Aguiar de novo.’ Ela riu safada.

‘Sophia!’ Dei um tapa no braço dela, mas não aguentei e ri também

‘Vem, vamos ao shopping comprar uma roupa pra você ir!’ Ela se levantou animada.

‘Soph, eu tenho roupa pra ir.’ Dei de ombros.

‘Tem nada, Lua! Vamos sair e comprar uma nova, não discuta comigo!’ Ela botou o dedo na minha cara. ‘Vou tomar um banho e me arrumar rápido!’ Ela entrou no banheiro e eu suspirei derrotada.

O celular começou a tocar em cima da cama enquanto eu dava o ultimo retoque na maquiagem que estava bem simples, apenas uma sombra clara, lápis e um gloss. Não gosto muito de ficar me entupindo de maquiagem. Peguei o celular, mas antes que eu pudesse atender ele já tinha parado de tocar, vi o nome de Arthur na tela e deduzi que ele já estava chegando. Peguei minha bolsa e dei a ultima olhada no espelho, até que eu estava me sentindo muito bem com aquele vestido novo que Soph tinha escolhido. Preto e tomara que caia, nem muito curto e nem muito longo, na medida certa. Sorri comigo mesma e saí do quarto.

‘Hey filhote, se comporta tá?’ Me agachei ficando na altura de Diego que assistia tv na sala com a Kat, a babá. ‘Kat qualquer coisa me liga, meu celular vai ficar ligado o tempo inteiro.’ Ela concordou e eu mandei beijos no ar pro Diego saindo de casa em seguida.

‘Wow!’ Foi a única coisa que saiu da boca de Arthur quando ele saiu do carro e me viu. Sorri sem graça e ele balançou a cabeça. ‘Você tá linda!’ Ele abriu a porta do carro pra mim.

‘Brigada, você também.’ Falei baixo sentindo meu rosto arder. Ele estava realmente lindo com aquela camisa preta social com as mangas dobradas e o tênis de skatista. ‘Então, pra onde vamos?’ Perguntei quando ele deu partida no carro.

‘Surpresa!’ Ele sorriu e eu concordei silenciosamente. Se existe uma coisa que Arthur Aguiar sabe fazer, é me surpreender. Fomos o caminho todo em silêncio exceto pelas musicas que tocavam em uma rádio qualquer. ‘Chegamos.’ Ele sorriu parando o carro e logo um manobrista abriu a porta para mim e pegou a chave do carro de Arthur. Ele estendeu a mão pra mim e eu sorri sentindo o calor da mão dele.

Entramos no restaurante que parecia ser realmente caro além de ser lindo.

‘Não sabia direito qual restaurante seria legal, então minha mãe indicou esse.’ Ele riu sem graça depois que sentamos na mesa.

‘Isso aqui é lindo, Arthur.’ Sorri olhando em volta. O restaurante tinha o teto espelhado e tudo por ali parecia ter detalhes em bronze. Eu já tinha ouvido falar muito bem sobre o lugar, mas nunca tinha realmente frequentado.

Ficamos conversando sobre coisas banais e rindo de qualquer besteira até o nosso jantar ser servido. Jantamos deixando que o silêncio predominasse, exceto quando Arthur falava alguma besteira e me fazia rir como sempre.

Um rapaz simpático começou a tocar em um palco improvisado perto da nossa mesa, todo o lugar parecia agora prestar atenção nele. Ele fazia alguns covers acústicos que parecia realmente agradar a todo mundo, pelo menos a mim agradava muito. Blind do Lifehouse começou a ser tocada e eu sorri sozinha, amava essa musica.

‘Que dançar?’ A voz de Arthur pareceu me acordar e eu olhei pra frente vendo-o parado com a mão estendida, olhei pro lado e vi que vários casais já dançavam ali perto, num espaço vazio. Sorri pegando a mão de Arthur e deixei que ele me guiasse. Passei meus braços por seu pescoço e ele me abraçou pela cintura aproximando nossos corpos.

"I was young but I wasn't naïve
(Eu era jovem, mas não era ingênuo)
I watched helpless as you turned around to leave
(Eu assisti sem poder fazer nada enquanto você ia embora)
And still I have the pain I have to carry
(E eu ainda tenho a dor que devo carregar)
A past so deep that even you could not burry if you tried.
(Um passado tão profundo que nem você não poderia enterrar se tentasse)" 

Eu respirava o perfume de Arthur com o rosto quase afundado em seu pescoço enquanto ele se movimentava calmamente no ritmo da musica. Eu apenas deixei que meu corpo se movimentasse em sincronia com o dele.

"After all this time
(Depois de todo este tempo)
I never thought we'd be here
(Eu nunca pensei que nós estaríamos aqui)
Never thought we'd be here
(Nunca pensei que nós estaríamos aqui)
When my love for you is blind
(Quando meu amor por você era cego)
But I couldn't make you see it
(Mas eu não consegui fazer você ver isto)
Couldn't make you see it
(Não conseguia fazer você ver)
That I loved you more than you'll ever know
(Que eu te amei mais do que você jamais vai saber)
and part of me died when I let you go.
(E uma parte de mim morreu quando eu deixei você ir)" 

Sorri com essa parte da musica, sentia como se ela fosse sobre mim. O fato de eu nunca ter contado ao Arthur o que sentia por ele, e agora nós dois estávamos juntos novamente depois do acidente. Senti o rosto de Arthur se afastar um pouco e o olhei, ele sorriu e apertou mais seus braços em minha cintura e diminuiu a distância entre nossos rostos. Ele encostou o nariz no meu fazendo carinho e eu sorri boba, senti ele beijar o canto da minha boca e dar uma mordidinha no meu lábio inferior antes de começar a me beijar.

"I would fall asleep only in hopes of dreaming
(Eu dormiria somente na esperança de sonhar)
That everything would be like it was before
(Que tudo seria como era antes)
But nights like this it seems are slowly fleeting
(Mas noites como essas parecem estar passando lentamente)
They disappear as reality is crashing to the floor.
(Elas desaparecem conforme a realidade vem a tona)"

"After all this time
(Depois de todo este tempo)
I never thought we'd be here
(Eu nunca pensei que nós estaríamos aqui)
Never thought we'd be here
(Nunca pensei que nós estaríamos aqui)
When my love for you is blind
(Quando meu amor por você era cego)
But I couldn't make you see it
(Mas eu não consegui fazer você ver isto)
Couldn't make you see it
(Não conseguia fazer você ver)
That I loved you more than you'll ever know
(Que eu te amei mais do que você jamais vai saber)
and part of me died when I let you go.
(E uma parte de mim morreu quando eu deixei você ir)" 

Me afastei lentamente quebrando o beijo, mas deixei nossas testas encostadas. Arthur sorriu me dando um selinho em seguida. Deitei minha cabeça em seu ombro e fechei os olhos querendo aproveitar cada segundo daquele momento.

"After all this while
(Depois de tudo isto)
Would you ever wanna leave it
(Você gostaria de partir?)
Maybe you could not believe it
(Talvez você não pudesse acreditar)
That my love for you is blind
(Que meu amor por você era cego)
But I couldn't make you see it
(Mas eu não consegui fazer você ver isto)
Couldn't make you see it.
(Eu não consegui fazer você ver)"

"That I loved you more than you'll ever know
(Que eu te amei mais do que você jamais vai saber)
and part of me died when I let you go
(E uma parte de mim morreu quando eu te deixei ir)"
 

A musica acabou, mas nós continuamos na mesma posição até que outra musica começasse a ser tocada, e depois outra e mais outra. Várias musicas depois resolvemos voltar pra mesa e pedir a conta, já era tarde e eu estava preocupada com Diego, como sempre.

‘Então, gostou da noite?’ Arthur perguntou enquanto caminhávamos até o carro.

‘Claro que sim! Brigada, Arthur.’ Sorri sincera e ele me deu um selinho abrindo a porta do carro e fazendo uma reverencia.

Fizemos o caminho de volta comentando sobre as musicas tocadas e a comida do restaurante. Arthur não me deixou nem mesmo ver a conta, eu quase implorei pra que dividíssemos, mas ele não deixou de jeito nenhum.

‘Hm...então, brigada pela noite, Arthur. Foi realmente maravilhosa.’ Sorri quando ele estacionou o carro em frente ao meu prédio.

‘Brigada por ter aceitado jantar comigo, Lu.’ Ele piscou e me deu um selinho, quando eu ia me afastar ele me puxou de volta intensificando o beijo. Passei meus braços por seu pescoço enquanto ele me puxava pela cintura pra que eu sentasse em seu colo, quando eu consegui, ele empurrou o banco pra trás e eu ri imaginando como ele tinha feito aquilo sem quebrar o beijo. Senti a boca dele descer até meu pescoço e suspirei tentando me lembrar que estávamos em um carro e parados numa rua deserta a noite, mas não tive muito tempo de pensar nisso já que segundos depois Arthur voltou a beijar minha boca e eu esqueci o que ainda nem tinha conseguido lembrar. 


Ficamos alguns minutos ali até o carro começar a ficar realmente abafado, puxei o cabelo dele quebrando o beijo e ele me olhou meio desesperado.

‘Tenho que ir.’ Dei um selinho nele e saí rapidamente de seu colo. Ele soltou um gemido de indignação e eu ri.

‘A gente ainda vai terminar isso.’ Ele falou um pouco ofegante e sorriu.

‘Claro que vamos.’ Pisquei e mandei beijos no ar saindo do carro e entrando no prédio em seguida.

A semana pareceu se arrastar, talvez pelo fato de eu ter voltado ao trabalho depois de algumas semanas de férias. Mal tive tempo pra mim mesma e pro Diego, minha chefe parece que resolveu descontar meu tempo de férias. Arthur sempre aparecia pra ver o filho, mas eu raramente estava em casa, só ficava sabendo por que  Katniss sempre me contava.

‘Hey!’ Entrei em casa e pra minha surpresa encontrei Arthur no sofá brincando com Diego.

‘Heey, finalmente! Achei que fosse se mudar pra empresa!’ Arthur riu e eu mandei língua. Ele não deixava de estar certo, ultimamente tenho passado mais tempo na empresa que em casa, chego da faculdade e já tenho que ir correndo pro trabalho, vida de estagiário não é fácil. ‘A Kat teve que sair mais cedo, então eu fiquei com o Diego.’ 

Concordei balançando a cabeça e Arthur botou Diego no chão, ele veio correndo me abraçar.

‘Sódadi!’ Ele me olhou fazendo bico e eu carreguei ele e o abracei forte. Na verdade acho que quase matei meu filho sufocado, mas é que eu estava morrendo de saudade de ficar em casa com ele vendo desenho na tv e comendo besteira. Ainda bem que a sexta-feira chegou.

‘Ai que saudade de você também, meu príncipe!’ Mordi a bochecha dele que soltou uma gargalhada gostosa. ‘E essa bagunça aqui na sala, você e seu pai vão arrumar depois?’ Ele olhou pra Arthur e depois pra mim, eu sorri e olhei pra Arthur que estava com o pé na mesinha de centro. ‘Tira o pé daí folgado!’ Brinquei e ele deu língua.

 ‘Você parece minha mãe, Lu!’ Ele riu. ‘Não tem nada pra comer aí não? Tô com fome!’ Ele passou a mão na barriga.

‘Não fiz mercado ainda!’ Dei de ombros. ‘Pede pizza se quiser!’ Joguei o telefone pra ele que sorriu.

‘Calabresa?’ Ele me olhou.

‘Mussarela!’ Sorri me levantando do sofá.

‘Metade de cada e não se fala mais nisso.’ Ele sorriu já discando o numero da pizzaria e eu ri.

‘Vou tomar banho, já volto!’ Gritei já entrando no quarto e encostando a porta. Separei um short e uma blusa básica, botei em cima da cama e entrei no banheiro.

Demorei um pouco embaixo do chuveiro, estava realmente cansada e aquela água morna me ajudava a relaxar. Desliguei a água e me enrolei na toalha, fui até o espelho, penteei o cabelo apenas jogando-o para trás já que estava molhado. Quando abri a porta do banheiro dei de cara com Arthur e Diego sentados na cama, os dois se viraram para me encarar e eu fiquei sem reação.

‘Wow, Lu!’ Arthur tapou os olhos de Diego e eu não aguentei e comecei a rir.

‘Larga de ser idiota Arthur, quem devia tapar os olhos era você!’ Balancei a cabeça controlando o riso.

‘O Diego é uma criança inocente Lua, eu já estou acostumado!’ Ele sorriu convencido.

‘Ah, desculpa então, garanhão!’ Dei língua e ele riu. Fui até a cama pegar as roupas que tinha separado e percebi Arthur acompanhando cada movimento meu.

‘Pára, Arthur!’ Joguei uma almofada em cima dele já sentindo meu rosto arder.

‘Quê? Só tô apreciando!’ Ele sorriu safado e eu ri sem graça.

‘Idiota!’ Entrei no banheiro e fechei a porta. Enquanto estava me vestindo Arthur disse que a pizza tinha chegado e que ele ia descer pra pegar. Saí do banheiro, já vestida e peguei Diego que ainda estava na minha cama levando-o pra sala.

‘A pizza chegou!’ Arthur entrou novamente em casa sorrindo feito uma criança.

‘Piça!’ Diego bateu palminhas animado e eu sorri. Fui até a cozinha pegar pratos e talheres e coloquei na mesinha de centro, depois sentei no chão colocando Diego no meu colo.

‘Qual você quer, meu amor?’ Perguntei mostrando a pizza, Diego ficou alguns segundos analisando e apontou pra pizza de calabresa. Até nisso ele tinha que ser igual ao pai?

‘Esse é o meu garoto!’ Arthur sorriu orgulhoso cortando um pedaço e botando no prato.
Comemos a pizza assistindo alguma reprise de Friends que passava na tv, deixando o silêncio prevalecer na sala, exceto pelas nossas risadas histéricas.

‘Daqui a três meses alguém faz aniversário!’ Arthur sorriu olhando pra Diego. A reprise já tinha terminado, assim como a pizza, estávamos apenas olhando pra tv em silêncio. Sorri olhando de Diego pra Arthur.

‘Ai céus, como eu tô ficando velha. Meu filho vai fazer 3 anos!’ Fiz uma cara dramática e Arthur riu. ‘Acho que vou fazer uma festinha pra ele!’ Sorri vendo Diego no meu colo quase dormindo.

‘Oba! Adoro festa de criança, tem várias porcarias pra comer!’ Arthur esfregou as mãos sorrindo com a maior cara de criança e eu ri.

‘Você é uma criança, Arthur!’ Balancei a cabeça voltando minha atenção pra tv. Arthur levantou tirando as coisas da mesa e levando pra cozinha, eu sorri agradecida já sentindo meus olhos pesados de tanto sono.

‘Aposto que você dorme antes do Diego!’ Arthur falou baixo se agachando do meu lado e eu sorri fraco negando com a cabeça. ‘Vou botar ele na cama!’ Ele pegou Diego do meu colo e eu me levantei logo depois.

‘Vou com você!’ Sorri acompanhando-o até o quarto de Diego. Arthur botou o filho na cama e eu parei ao seu lado. Ficamos algum tempo apenas observando-o respirar calmamente.

‘Sabe, às vezes eu fico imaginando se o Diego não se incomoda com essa confusão de eu não morar mais aqui, e ficar vindo toda hora.’ Arthur falou sério e eu o olhei sem entender muito bem o que ele queria dizer. ‘Era mais fácil quando eu morava aqui, não era?!’ Ele me olhou e eu demorei um tempo pra responder, ainda estava tentando processar as palavras dele. Talvez fosse por causa do sono, mas acho que ele tinha acabado de dar uma indireta de que queria voltar a morar comigo e com Diego.

‘Era.’ Falei sincera e voltei meu olhar pra Diego. Ele suspirou pesadamente, mas não falou mais nada.

‘Vai pra cama Lu, você tá dormindo em pé!’ Arthur riu baixo e eu balancei a cabeça. Pra falar a verdade acho que cheguei a cochilar em pé. ‘Vem!’ Ele passou um braço pela minha cintura e me carregou.

‘Arthur, eu sei ir pro quarto sozinha.’ Falei com a voz embolada de tanto sono.

‘Tô vendo!’ Ele riu. Segundos depois ele me botou na cama e me cobriu ajeitando os travesseiros.

‘Brigada Arthur.’ Sorri lutando pra manter meus olhos abertos enquanto ele estava sentado do meu lado me observando. Ele botou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e desceu a mão pelo meu braço acompanhando todo o caminho com o olhar, quando chegou em minha mão ele entrelaçou os dedos nos meus e me olhou sorrindo. 

Acariciou minha bochecha com o polegar e se inclinou deixando o rosto a centímetros do meu, passou o nariz no meu como num beijo de esquimó e eu sorri inconscientemente.

‘Boa noite, Arthur.’ Sussurrei baixo. Ele sorriu e roçou a boca na minha me fazendo sentir um arrepio passar por todo o corpo.

‘Boa noite, Lu.’ Ele beijou o canto da minha boca e se afastou soltando minha mão.
Fechei os olhos e sorri comigo mesma, instantes depois ouvi a porta de casa ser fechada e adormeci em seguida.





Muitas emoções no próximo capítulo! Beijos
   

5 comentários:

  1. ++++++++++(++ ass catarina

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  2. Maaaaaaaaaaais perfeitooo

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  3. Essa web e mt boaa amo muitooo¡
    Rapha L.

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Não vai sair sem comentar, né?! xD

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