23 de mai de 2013

Jogos Vorazes - Cap 11




- Obrigada - ela sorriu e eu olhei para o chão pensativa 

- Por quanto tempo eu dormi?

- Hm... Uns dois dias, trocamos a pasta três vezes. 

- Obrigada... Alguém morreu? Enquanto eu dormia - perguntei assim que a figura de Arthur me atingiu a mente, o medo de ele estar morto fez meus dedos formigarem, estalei todos e respirei fundo tentando pensar positivo. 

- A garota do 1 e o garoto do 6 - suspirei aliviada 

- E o... Garoto do meu distrito - ela sorriu levemente e me olhou 

- Ah, ele ta bem, nós vimos ele lá perto do rio - Soprei os fiapos do meu cabelo que estavam sobre meu rosto e ela me cutucou. 

- Aquilo tudo é verdade?

- O que?

- Você e ele? - eu ri sentindo meu rosto ficar vermelho ainda tínhamos que fingir, mudei de assunto rapidamente antes que eu explodisse de vergonha. 

- Hum, onde estão Ivo e os carreiristas amigos dele?

- Pegaram os suprimentos e empilharam tudo numa pirâmide enorme em frente à Cornucópia... - vi seus olhos brilharem, ainda estávamos com fome.

- Isso é tentador... - sorri mordendo o lábio e ela sorriu - quando estava no fim de tarde procuramos uma árvore bem densa e alta e escalamos pela altitude maior o frio era maior ainda, tive a breve impressão de que a temperatura havia caído bastante, mas procurei ignorar entramos no saco de dormir. Mel rapidamente dormiu, o meu sono tardou a vir, pois o pesadelo que tive na noite passada ainda rondava incansavelmente minha mente. 

- Essa coisa verde vai fazer muita fumaça, então assim que você acender vai para a próxima fogueira. 

- Huhum - ela balançou a cabeça rapidamente num sim andando em passos largos e silenciosos atrás de mim 

- Acende esta por último e eu te encontro lá 

- Tá - ela me ajudou a empilhar mais folhas resfolegando 

- Ai, eu destruo as coisas deles enquanto nos perseguem. 

- Mas... Precisamos de um sinal, pra saber que estamos bem. 

- Tá, mas que sinal - parei com as mãos na cintura. 

- Tenta isso - assobio retirado do filme 

- Tordos, isso é incrível. 

- Lá em casa os usamos para enviar sinais , tenta você - era incrível como se tornava uma melodia idêntica a que assobiávamos , sorri um pouco e tornei a olha-la  

- É o seguinte se escutarmos isso saberemos que nós estamos seguras e voltamos logo 

- nós vamos ficar bem Mel - ela estendeu os braços e eu a abracei acariciando seu cabelo - A gente se vê no jantar 

- Está bem - Entreguei a ela uma faca só por precaução e ajeitei a mochila nas costas. Segui até a Cornucópia que não estava muito longe dali. Assim que cheguei eles tinham armado uma tenda e cortado as laterais, estavam sentados armados e despreocupados jogando conversa fora, estranho. Quando ia andando percebi outro alguém espiando a Cornucópia, Johanna Mason estava agachada do lado oposto ao que eu estava ela mirava a bolsa com maçãs, ignorei sua presença e utilizei seu foco ao meu favor. Estranho, agora ao lado de nossos círculos onde nós ficamos no inicio dos Jogos, havia ao lado um monte de terra, revirei a mente e retornei aquele dia, impossível, mas, porque daqueles montes de areia? Seriam formigas? Vai saber. Aproximei-me um pouco mais tentando ser o menos ruidosa o possível. 

- Ei, ei, ei venham cá olhem! - Ivo apontou para a nuvem de fumaça que começava a ser formar , sinal de que Mel estava se afastando , suspirei, seria melhor se seu primo ainda estivesse com ela, um pressentimento estranho estava fazendo meu coração martelar doentiamente. 

- Você vai ficar de guarda até a gente voltar - Futura-morta entregou a lança a um garoto mignon e magrelo. Muito fácil demais, eles não deixariam aquele "tesouro" todo na mão daquele menino, não mesmo. Ele se sentou virado para a direção a que os carreiristas seguiam, seus passos eram rápidos e precisos. Será que Mel conseguiria ser mais ágil? Mas ora Lua Blanco claro que sim, estamos falando da garota mais jovem dos Jogos a última criança sobrevivente, e ainda tinha Chay ele era seu protetor. Sorri assim que eles entraram mais a fundo na floresta e comecei a lentamente me aproximar. Encarei novamente os montinhos de terra, balancei a cabeça trincando os dentes, que droga era aqueles montes de terra? A resposta veio a seguir vi Johanna atravessar rapidamente meu campo de visão como ela chegou tão rápido? Ela pulava como numa dança de um lado para o outro como se, estivessem fugindo de fogo, corpos ou minas... Mas é claro, minas distrito 3 tecnologia em eletrônica e explosivos. Por isso o magricela estava vivo ainda. Voltei minha atenção para Johanna e pegava uma mochila e um saco de maçãs, ela se virou na minha direção como se soubesse que eu estava lá e piscou voltando a correr irremediavelmente rápido como Fox faria. Realmente ela era muito inteligente. Obrigada pela ajuda Johanna. Ela deu a volta e voltou passando na frente do garoto que começou a correr atrás dela, mas ela era muito mais rápida seus cabelos enormes e ruivos tremeluziam com a luz forte do sol, sua pele estava avermelhada e seus olhos verdes e felinos estavam faiscantes ela gargalhou e voltou passando na minha frente e depois saindo de perto o garoto parou de correr e começou a andar meio incerto de seus movimentos, mas voltando a Johanna Mason porque ela estava me ajudando? Que se dane o importante é sair logo daqui. Peguei uma flecha e pus no arco o coloquei perto do meu rosto, soprei a linha algumas vezes lentamente e a disparei, mas a flecha só havia deixado um rasgo mediano no saco de peras no alto da pirâmide. Gemi em frustração e respirei fundo pegando outra flecha, ora Lua quem atravessou uma flecha na parede disparando nos idealizadores pode muito bem arrebentar um saco de frutas. Encostei a linha na minha boca e desviei um pouco do alvo como Cato havia me ensinado. Assim que a soltei ela voou em direção ao saco, assim que vi as frutas caindo me afastei tapando os ouvidos. VLAUUU. As bombas começaram a disparar explodindo tudo, armas, comida, tudo. Meu corpo foi jogado bruscamente para trás pelo tremor da explosão, bati com a cabeça sentindo uma pontada leve no lugar. Meu ouvido estava zunindo, abri a boca diversas às vezes procurando diminuir, mas aquilo continuou, mas em menor grau, suspirei em alivio só me faltava ficar surda. Agora só me restava encontrar Mel, devolvê-la para Chay e ir atrás de Arthur. Onde esse garoto se meteu Jesus? Se bem que dês de que acordei não ouvi nenhum canhão, logo os idealizadores dariam um jeito nisso, sem muitas mortes para eles era sinal de perda de dinheiro. Fiquei ali caída na grama um pouco longe dos estilhaços, meu ouvido ainda zunia, mas menos o suficiente para que eu ouvisse os carreiristas voltando. 

- Eu não falei pra você ficar de vigia, seu idiota - Nina o socou e assim que ele caiu no chão Ivo bateu sua cabeça contra um pedaço de tijolo que estava no meio dos escombros até que eu visse partes de seu cérebro voando para longe, me levantei e sai correndo em direção à floresta, Marvel  não estava com eles...

Sai correndo toda tonta até a terceira e última fogueira onde nós combinamos de nos encontrar, mas Mel não estava lá e a fogueira estava intacta, franzi o cenho, será que ela havia encontrado Chay? Assobiei só pra ter certeza, mas não obtive retorno o meu assobio não era mudado só era passado em diante, meu coração deu um solavanco quando o barulho de um canhão soou Mel, não, não deve ser do garoto na cornucópia, mesmo assim meu coração me dizia que tinha algo errado. 

- Lua! - ouvi uma voz me gritar uma voz doce e infantil. Mel! - comecei a correr berrando por seu nome 

- Mel! 

- Lua! Lua! Socorro! Lua me ajuda! Lua!!!!!! Lua! Lua socorro! Chay me ajuda! Chay! Lua! Por favor, me ajudem! - assim que cheguei num campo florido vi seu corpo envolto a uma rede, saquei uma faca e comecei a tranquiliza-la. 

- Tá tudo bem! Tá tudo bem eu to aqui Mel. Você vai ficar bem - a abracei e ela retribuiu ouvi um barulho de folhas sendo amassadas e a soltei assim que me virei Marvel jogou uma lança em nossa direção desviei e acertei uma flecha em seu pescoço, o canhão soou e eu tornei a olhar para Mel, e não acreditei no que eu via a lança estava em seu estômago exatamente onde minha irmã fora atingida, não de novo não! Ela começou a retirar a lança e caiu deitada na grama, pus sua cabeça apoiada em meus joelhos dobrados e acariciei suas marias-chiquinhas, abri seu casaco olhando sua ferida e ela olhou para lá chorando. 

- Tá tudo bem, você ta bem - comecei a chorar junto com ela que me olhava com seu olhar gentil e doce, mas inundado em lágrimas.

- Você explodiu a comida? - ela perguntou com a voz arrastada 

- Não sobrou nada - forcei um sorriso enquanto as lágrimas que desciam apontavam que ele era completamente forçado 

- Legal... - ela falou chorosa 

- Você, Arthur ou Chay um de vocês tem que vencer... 

- Hawn meu bem você ainda vai ficar aqui, vai chegar à final e vai vencer.

- Não, dor...  Lua eu não vou voltar pra casa  nunca mais...

- Claro que vai, pare de chorar, é só um machucadinho você vai ficar bem - acariciei sua bochecha úmida pelas lágrimas. 

- Can-tt-a - ela falou sussurrando seus olhinhos negros trepidavam e eu soube que ela estava indo 

- Claro 
 
.
 
There's a place out there for us - comecei a chorar sentindo um bolo na minha garganta gigante
More than just a prayer or anything we ever dreamed of
So when you feel like giving up 'cause you don't fit in down here
Fears are crashing in
Close your eyes and take my hand, yeah

We could be the kings and queens
Of anything if we believe
It's written in the stars that shine above
A world where you and I belong
Where faith and love will keep us strong
Exactly who we are is just enough
There's a place for us
There's a place for us

When the water meets the sky
Where your heart is free and hope comes back to life
When these broken hands are whole again
We'll find what we've been waiting for
We were made for so much more


Ela apertou levemente minha mão e sorriu, engoli o choro segurando sua mão entre a minha e continuei a cantar. 

So hold on
Hold on
There's a place for us

We could be the kings and queens
Of anything if we believe
It's written in the stars that shine above
A world where you and I belong
Where faith and love will keep us strong
Exactly who we are is just enough
Yeah, exactly who we are is just enough
There's a place for us 

- Hold on Lua... Hã, diz pro Chay q-que e-eu am-mo el... - sua frase morreu, mas um sorriso pequeno ainda estava em seus lábios, encostei minha testa na dela e comecei a chorar.

- Mel! Mel! Melanie! Mel? - ouvi a voz de Chay soar assim que o olhei chorando ele entendeu o que aquilo queria dizer, ele enfiou as mãos no cabelo e começou a chorar fortemente se abaixando ao lado do corpo da prima.

-  Não, Mel heey, por favor, nanica acorda, por favor - ele soluçou - C-como?

- Mar-vel e-le, ele... - chorei junto com ele e juntos fechamos os olhos dela 

- Chay des-culpa, eu... Eu tentei eu juro 

- Tá... Mas eu vou matar todos eles - ele falou trincando os dentes e limpando um pouco da lágrimas 

- Deixe a Dobrev pra mim, eu tenho um acerto de contas com ela...

- Tá, eu não quero deixar o corpo dela assim, mas que droga! Nós somos humanos, é isso que querem ver? Crianças morrendo? Ela só tinha 12 anos e era minha prima, vão todos pro inferno e parem com isso! Joguem no nosso lugar - ele esgoelava e eu comecei a ficar com medo

- Chay... Chay para, por favor! Acalma-se... Vamos fazer como a Branca de Neve, Mel gostava da história... É o que ela merece. - ele soluçou e fomos recolher flores pelo campo, assim que voltamos fechamos o casaco dela e retiramos os elásticos que prendiam seus lindos cabelos e o enfeitamos com flores violetas e amarelas, durante todo o tempo nós chorávamos, ao redor de seu corpo colocamos ramos de pequenas flores brancas, ela perecia uma boneca, não morta apenas, dormindo num lindo sonho, seu corpo tinha endurecido e seu sorriso permaneceu lá. Angelical era assim que Mel era.

- Eu vou indo, vai ficar bem? Quer... Quer ir comigo? 

- Não obrigada, tenho que encontrar Arthur. 

- Boa sorte loirinha. Eu o vi há uns dois dias no rio comece por lá - ele falou com o rosto ainda vermelho pelo luto recente 

- Obrigada Chay, eu  e-eu sinto muito p-ela M-ee-el - solucei novamente o abraçando. 

- Ela gostava muito de você, eu só queria ter estado aqui...

- Sorte Chay, tem certeza que ele estava lá?

- Absoluta... Adeus Lua, até breve... Eu acho - ele forçou um sorriso e saiu pisando duro 

- Chay! - gritei assim que me lembrei do último pedido da doce Mel

- O que?

- Mel disse antes de morrer, na verdade foram suas últimas palavras...

- O-o que ela disse? - ele novamente começou a chorar voltando 

- Que te amava... - deixei lágrimas gordas descerem e ele novamente me abraçou e quando me soltou me deu um beijo na testa, foi até o corpo de Mel e beijou seu rostinho delicado e saiu sem falar nada, assim que ele sumiu olhei para uma câmera que se focava na cena, pus três dedos levemente nos lábios e os levantei, esse era o sinal de respeito máximo, e era isso que eu tinha pela delicada Mel, respeito, amor e carinho...  Era como se eu tivesse minha irmãzinha de volta, mesmo que por meros seis dias, mais estes foram o suficiente para fazer o que eu não pude fazer quando ela estava aqui e eu no 12. Um funeral justo como ela não pode ter.

- Amo você pequenina - sussurrei me afastando rumo ao rio, segurando sua mochila amarela florescente entre meus dedos. Mel ia querer que eu ficasse com isso. Engoli o choro e me foquei apenas em Arthur. 

 O que estão achando da fic? E alguém mais chorou com a morte da Mel sem ser eu? 

7 comentários:

  1. amo essa fic posta mais pfff. :'( muito triste esse capitulo...

    ResponderExcluir
  2. posta mais. chorei junto

    ResponderExcluir
  3. LINDO DE MAIS CHOREI

    ResponderExcluir
  4. posta mais to adorano(hellen)

    ResponderExcluir
  5. eu chorei e não foi pouco...
    detesto mortes de personagens como ela, tão pequena e fragil.

    ResponderExcluir

Não vai sair sem comentar, né?! xD

Copyright © 2015 | Design e Código: Sanyt Design | Tema: Viagem - Blogger | Uso pessoal • voltar ao topo