4 de abr de 2013

New Feelings : Capitulo 8


Aposta Não Muito Justa 


Tomás andava aperreado pelos ângulos de sua casa, Pedro tentava em vão acalmar o rapaz que não sabia ao certo o que lhe deu para cometer aquele ato com sua amiga rebelde. Desde que chegara da casa da menina não conseguia tirá-la da cabeça, queria abri-la para arrancar seu cérebro e Pedro já achava que o garoto estava virando um alucinado.

– Acalme-se meu bebê! Assim você me deixa tonto.
– Que bebê o que Pedro? O papo aqui é sério e você vem com brincadeirinhas de mau gosto pra cima me mim, me poupe!
– Como assim papo sério? Seu panaca, você ainda não me explicou qual o motivo de tanto desespero e porque se desesperar.
– Roberta cara, Roberta! – O rapaz falava o nome da amiga quase que com um nó na garganta. Pedro entendeu o recado.
– Houve algo a mais hoje na casa dela? – Perguntou maroto.
– Eu mordi sua orelha no colégio hoje quando a escola estava quase vazia, e depois em sua casa quase a beijei. – Pedro encarou Tomás com um olhar tipo: “meu filho, você tá encrencado”.
– Cê tá doido moleque? O Diego é nosso amigo e você ferirá o coração frágil da Carla, imagina só o Diego voltando a beber e a Carla comendo compulsivamente e depois indo para o banheiro vomitar tudo?! – Alertara o amigo. Tomás sentou-se em sua cama, apoiando seus cotovelos na coxa e juntando as mãos como se quisesse dizer que ele estava rezando, batia os pés impaciente e suava.
– Eu perdi o controle mental, veio uma vontade involuntária de fazer aquilo. Não tem como esclarecer o que aconteceu.
Suspirou desanimadamente. Pedro notando a tristeza de seu amigo aproximou-se do rapaz e deu três batidinhas fracas nas costas do mesmo como se aquilo fosse um conforto para o menino desesperado.
– Será? – Pedro perguntou ao rebelde. Tomás soltou um olhar confuso, sua mente não entendia a tal pergunta do moreno.
– Será o que Pedro?
– Que você está se apaixonando pela Roberta. – Tomás engasgou-se com a própria saliva e começou a tossir de modo escandaloso.
A mandado de Pedro, ergueu os braços para cima enquanto o rebelde lhe dava pequenas tapas nas costas para ver se ele retomava a voz. Quando o rapaz, desta vez, mais recuperado do “trauma”, levou o olhar irritado para o amigo.
– A Roberta é como uma amiga para mim e nós só viemos ter uma aproximação exata depois daquela chantagem do Binho e agora por esse trabalho, não significa que todo esse meu desespero é porque estou me atraindo pela Roberta, sem lógica sua teoria cara!
– Tomás, vê só. Ela combina contigo, vocês dois são loucos e estranhos.
– Não, discordo completamente. Roberta tem mais a ver com você, são aventureiros, sagazes, explosivos, impulsivos, amam proteger os amigos e deixar os namorados em segundo plano.
– Corta Tomás, quem deixou o Diego em segundo plano foi ela, e eu nunca fiz isso com a Alice. – Pedro se defendeu.
– Ela não combina com nenhum de nós, pronto, falei! Ela é do Diego e eu sou da Carla, está bem como está e não vamos mudar. – Falou confiante.
– Se é isso que você diz. Mas olha cara, se você realmente perceber que sente algo forte pela maluquinha, me avisa que eu quero ser o primeiro, a saber. – Pedro provocou rindo sinicamente.
– Cê num tem cabeça né Pedro? Anda passando que xampu aí nessa sua cabecinha? Acho que eles estão afetando os neurônios que ainda te restam!
– Não passo xampu, passo sabonete. – Tomás desprezou o comentário de seu companheiro.
– Não é da minha conta.
– É óbvio! A conta nem é minha nem é sua, pertence à matemática. – O moreno replicou sorrindo colgate.
– Então vamos deixá-la com a matemática. Chega de números em minha vida, vou tomar um banho e vê se você não cutuca no meu baixo!
– Que isso meu bebê, magoou.
Tomás riu sem humor. Apanhou sua toalha e foi entrando no banheiro.
– Sabe Tomás, por falar em banho, xampu e sabonete. Você deveria pentear esse seu cabelo para ver se que com os fios em seu devido lugar, você racionaria melhor.
O menino abriu a porta do banheiro rapidamente e jogou na cara do amigo, espumas produzidas pelo seu xampu, eles riam e se divertiam enquanto em outro lugar uma garota estava mergulhada em seus pensamentos.
Roberta, a selvagem estava tristonha encarando a sua raque sem piscar. Naturalmente pensando em Tomás, preocupada com a conversa que tivera com Alice, suas pálpebras enchiam-se de lágrimas, tinha medo de magoar alguém nessa história. Ainda amava Diego, mas Tomás balançava com a garota de forma que o seu namorado nunca balançou. E a Carla? Sua amiga? Roberta não quer ter fama de traíra e puta, por isso não pode ceder aos charmes do garoto.
Limpou os olhos e levantou-se da cama. Decidiu ir vagar pelas ruas para ver se distraia com alguma coisa diferente. Vestiu-se com uma blusa preta com estampa de caveira, jeans surrado, all star velhos e sujos, braceletes e luvas pretas, um colar dado pelo seu namorado o Diego e uma maquiagem preta, porém leve.
Mas quando abriu a porta, se deparou com todos os rebeldes ali, a pessoa que ela menos desejava encontrar nesse momento estava presente. Seu plano para tentar esquecê-lo havia ido por água a baixo. Alice ao vê-los, sorriu abertamente e abraçou o namorado lhe dando um selinho demorado.
– Por que aqui? – Perguntou a loira bravamente.
– Deu vontade. – Diego beijou o pescoço da namorada, que riu de canto.
– Não to a fim de ensaiar.
– Nós viemos especialmente pra isso, mesmo estando tarde.
– Vamos a uma balada! – Sugeriu Carla animada com sua própria ideia, todos acharam uma boa.
– Beleza.
– Demorou, quero aventura! – Tomás mordeu o lóbulo de sua namorada. Roberta teve a rápida lembrança do que ele havia feito com ela mais cedo no colégio.
– Vamos logo antes que eu mude de ideia! – Roberta disse apanhando sua bolsa de cima do sofá.
– Preciso trocar de roupa? – Alice e suas tolices.
Todos giraram os olhos diante a estupidez que Alice falara, excluindo Pedro.
– Não amor, você já é linda e não precisa se emperiquitar mais. Vamos!
– Só não acho que essa blusa e essa saia estão apropriadas... – Alice foi cortada.
– Esquece essas coisas de babados, frufrus e tal Alice! Anda, apressa o passo. – Diz a selvagem frenética.
Alice calou-se e chamou o motorista de seu pai. O mesmo os levou a balada que eles costumavam freqüentar, uma simples baladinha onde eles podiam cantar e dançar. Ao entrarem na casa, o som alto de Blackout contagiou a Carla que logo teve a ideia de convidar o namorado para dançar, uma lâmpada acendia-se sobre a cabeça da jovem.
– Tomás, dança comigo? – Pediu meigamente usando o famoso olhar de cachorrinhos pidões. O rapaz tinha um fraco por olhares assim, tanto que não resistiu à olhada de Roberta dias atrás.
– Sabe o que é Carlinha, é que você sabe que isso aí é muita aventura pra mim. – Gagueja o rapaz envergonhado. A namorada apenas se diverte da situação fofa do garoto.
– Não era você que queria se aventurar?
– Do jeito que me agrade, dançar não é minha praia. – Abraçou a namorada pela cintura a prendendo contra o seu peito.
– Não estamos debaixo de um guarda-chuva e um protetor solar, portanto isto aqui não é a praia e o senhor dançará comigo sim, sem objeções! – Baixou à senhora autoritária.
Acabou dando-se por vencido, cedeu à exigência de sua companheira e tentou atingir os seus passos de dança. Sem negar, Tomás estava se saindo muito bem pra uma pessoa que odiava dança. Alice e Pedro só faziam se beijar em um canto escondido da parede, digno de um casal apaixonado. Roberta e Diego preferiram ficar sentados em uma mesa bebendo um coquetel sem álcool.
– Me vê um coquetel sem álcool aí garçom! – Pediu Diego, o rapaz de cabelos negros desfiados para cima assentiu com a cabeça timidamente e seguiu para o bar onde se encontrava o barman dançando com as garrafas impressionando alguns.
– Di. – Roberta o chamou pelo seu apelido carinhoso, o garoto respondeu meigo:
– Aqui estou Beta. – Lembrou-se de Tomás a chamando de “Beta”, tentou ignorar, mas as imagens continuavam em sua cabeça.
– Você me ama? – A pergunta realmente assustou Diego profundamente, ela ainda duvidava de seu amor? Hum... Roberta estava estranha.
– Claro que sim meu amor. Ainda duvida?
– É óbvio que não, saiu no automático.
Por coincidência, uma música chamada Automatic começou a tocar, era de uma banda alemã, Tokio Hotel.
– Se eu te traísse, o que faria? – Agora Diego não tinha mais dúvidas que Roberta estava completamente estranha e diferente desde aqueles dias pra cá, o nervosismo lhe pegou.
– Tentaria de alguma forma te perdoar e retomar a confiança em você, quando se ama de verdade, fazemos de tudo. – A frase deixou emocionada Roberta que sem querer, permitiu que uma lágrima escorregasse pela sua face molhando-a.
– Está me traindo? – Os dois arregalaram os olhos, um com receio da resposta e a outra indignada com a pergunta feita para ela.
– É óbvio que não, nunca né? Só foi curiosidade!
– Tem certeza? Você de repente ficou nervosa e agiu estranhamente.
– Diego! – Clamou. – Pelo amor de Deus, foi só curiosidade!
O rebelde engoliu em seco, Roberta demonstrou arrependimento por ter agido grossamente com seu namorado.
– Tudo bem, não vou insistir em nada que não aconteceu e que jamais acontecerá. – Roberta tremeu-se ao ouvir aquelas duas últimas palavras serem soltas pelo seu namorado. – Não vamos ter uma DR bem aqui no meio da balada com todos nos olhando e nós passando a maior vergonha.
Ela sorriu de canto e acarinhou o rosto do namorado. Trouxe seu rosto próximo ao seu e roçou seus lábios, apenas concluindo um selinho. Mas aos poucos, ele foi abrindo a boca e Roberta cedeu, dando-lhe passagem imediata para suas línguas dançarem. Uma coisa que Roberta notara enquanto beijava seu namorado era que a sensação de borboletas na barriga havia sumido misteriosamente, não sentia mais aquela sensação de que fosse seu primeiro beijo com aquele rapaz, seu coração já não batia descontroladamente e não sentia muito mais aquele gosto perfeito de morango na boca do garoto, foi estranho.
Desgrudaram-se, Diego sorriu apaixonadamente enquanto Roberta simula um sorriso verdadeiro em seu rosto. Eles voltam a beijar-se, mas são interrompidos pelo celular de Diego que recebe um torpedo.
– Iiih, é do meu pai!
– Vê o que é.
Diego leu pacientemente o torpedo enviado por seu pai e não escondeu o desespero. Roberta preocupada e assustada questionou:
– Aonde vai?
– A Sílvia passou mal de novo e eu tenho que ir socorrê-la juntamente com meu pai, não se importa se eu for né? – Deu uma rápida olhada para a rebelde.
– Não, lógico que não baby. Pode ir! – Não ocultou a mágoa de ser deixada para trás, mas Roberta tinha que compreender, família em primeiro lugar.
– Fica assim não olhos lindos. – Selou seus lábios com os da namorada. – Amanhã nos vermos no colégio, beleza?
– Beleza. – Respondeu indiferentemente.
Diego apressado e inquieto deixou a balada. Logo depois a rebelde alcançou com sua visão, Pedro e Alice deixando o local, com eles não se importou muito. Continuou a beber seu coquetel em paz como se não tivesse ninguém ali, apenas ela curtindo seu momento, sozinha.
– Que saco. – Murmurou brincando tediosamente com seu canudo que usara para sugar o líquido da taça. Nem percebeu que Carla se retirava do ambiente as pressas também, sobrou Tomás e Roberta ali, naquele local agitado.
– Oi. – Sussurrou bem próximo ao seu ouvido. Roberta sentiu um arrepio percorrê-la até sua espinha, ignorou a presença do amigo.
– Vai dar uma de esnobe agora? – Sentou-se ao lado de Roberta que ainda não o encarava. Medo de terem contatos visuais.
– Cadê a Carlinha?
– Foi para casa, recebeu um telefonema da Becky que chorava litros.
– Por quê?
– Vicente ou coisa de família, sendo assim a Carlinha teve que voltar para o loft para tentar acabar com o pranto da Becky e consolá-la.
Suspirou tedioso.
– Tá chato aqui né? – Roberta o olhou de soslaio.
– Total. Vamo dá um role por aí? – Sua voz já parecia demonstrar estimulo e euforia.
– Agora, aqui tá muito sem sal.
Abandonaram a balada e foram caminhando sem rumo, não dando importância a hora que já era, mas um pouco desconfortáveis devido o clima que havia rolado no colégio e na casa da rebelde. Emudecidos e quietos, pensavam consigo mesmo o porquê de estarem naquele clima chatão e silencioso se eles eram só amigos. Amigos, apenas bons amigos.
– Vai encarar? – Tomás apontou para o balanço sorrindo igualmente a uma criança de oito anos feliz por ganhar sua primeira bicicleta.
– É um desafio?
– A é. – Olhou desafiadoramente para a menina, ela tinha um sorriso simples e sarcástico na boca.
– Já perdeu mané! – Bagunçou os cabelos do menino e correu para o balanço já dando impulso para saltar.
– Assim não vale Roberta, não venha com trapaças. Mas não preciso dar bola pra isso, eu te ganho de qualquer maneira. – Disse com tom de voz desafiador.
Roberta encarou Tomás descrente de suas palavras, como esse garoto se acha o dono da certeza.
– Beleza senhor da certeza, vamos ver quem detona nessa coisa aqui.
– Que tal uma aposta? – Aquilo soou ruidosamente para Roberta.
– Aposta? – Não tropeçou nas palavras, apesar de estar tensa.
Pensou consigo mesma: “Sou foda!”
– É. Se eu perder...
– Se você perder terá que pagar meu lanche por uma semana.
Aquilo era injustiça.
– Não Roberta, eu lavo suas roupas, mas isso não! – Implorava que até a pessoa pior da face da terra teria pena dele.
– É isso ou terá que me pagar muito mais do que pagará pelos lanches rapazinho. – Riu da derrota do menino.
– Ok, mas agora é a minha vez de jogar sujo!
– O que você quer dizer?
– Se você perder terá que me dá um selinho. – Roberta escutou bem? Ouviu aquilo mesmo? Não estava virando uma doida? Seu amigo havia dito aquilo? E de modo picante? Seu rosto dava pra assar um ovo de tão queimado e vermelho que estava. Não era só raiva que sentia, mas também vergonha.
– GAROTO, CÊ TÁ LOUCO? JÁ PENSOU SE O DIEGO SOUBER DISSO? MINHA VIDA ACABA! – O desespero de Roberta era impagável, a careta de ódio que ela fazia não tinha nenhum dinheiro que pagasse por elas. Incompreensivelmente hilário.
– Primeiro Roberta, respira e inspira. – A garota obedeceu ao pedido do amigo e fez o que ele mandara. – Segundo, é um selinho na bochecha.
A face ruborizada da menina era visível em Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno. Não vou ficar aqui citando nenhum planeta, pois era visível em qualquer parte do sistema solar.
– Foi mal aí pelo vexame, é que eu dupliquei o sentido da frase. – Desculpou-se tímida e abaixando o olhar.
– Queria que fosse aonde? Na boca mesmo? – Perguntou o rapaz cheio de malícias.
– MORRE TOMÁS!
Ele gargalhou e deu impulso para também pular. Essa aposta estava feita e a Roberta estava encrencada.
Continua...

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