24 de abr de 2013

New Feelings : Capitulo 11


Mudada

Roberta andava cismada pelos corredores, olhando para todos os lados e rezando para não esbarrar no garoto dos cabelos bagunçados. Também procurava com os olhos impacientemente o namorado que ainda não havia chegado, deixando-a sem notícias e atônita. Mas ele vinha atrás dela, perseguindo-a, Tomás não iria deixar de correr atrás desse selinho na bochecha. Obsessivo e insistente, defeitos do garoto, mas isso é da natureza dele e não a como mudar. Como ainda era muito cedo e a maioria dos alunos estava no pátio aguardando o sinal tocar, o corredor estava tranqüilo para a circulação de alguém. Mesmo assim, a loira não perde o medo. Tomás inteligente aproveita o descuido da menina, parar para recuperar fôlego – já que andava ligeiramente e suava – a pôs contra a parede do mesmo jeito que havia feito na biblioteca no dia anterior.
Aquilo parecia um dêja-vu.
– De novo? Não lhe darei droga nenhuma de beijo Tomás.
– Tem que pagar a aposta.
– Esquece isso menino, que obsessão nesse papo de aposta! Agora me larga que fica muito arriscado do Diego ou a Carla passarem por aqui e nos ver assim.
– Aposta é aposta. – Sorriu manipulador.
– Jogo sujo.
– Você me deve o beijo Roberta!
– Você tá me saindo muito Binho. – Diz Roberta enojada e empurrando Tomás, conseguindo se libertar dos braços do garoto.
– E você parece ter medo de me beijar. – Riu marotamente.
– Olha aqui sua coisa bagunçada, cuida da tua vida e para de me infernizar! – Sussurra feroz e apontando o dedo bem na cara do menino, que chega a ficar estrábico.
– Não vai se livrar de mim tão fácil Beta.
– Pra você é Roberta seu filhinho da mamãe.
– Filhinho da mamãe não, eu posso ter sido tudo na minha vida, menos isso. Exclua essa palavra do meu perfil!
– E VOCÊ ME EXCLUI DA SUA VIDA! – Ela grita exasperada e marcha para a sala. Tomás se mantém em pé rindo, ele ainda queria desvendar o mistério. Por que Roberta sempre ficara alterada quando o papo era esse selinho?
Excluir ela de sua vida? Impossível! Ainda tem a banda e o trabalho. O trabalho! Se isso fosse gibi ou mangá, uma lâmpada surgiria bem em cima dessa cabeça do Tomás. Seria perfeito insistir no beijo durante o trabalho e mandar algumas indiretas. Ele já tinha um divertimento para esses dias de trabalho, não iria morrer na praia e tudo por causa de um beijinho na bochecha, Roberta não precisava fazer tempestade em copo d’água. Tranquilo, ele caminha para o pátio e fica a espera de Carla.
Na sala do 2º ano, a loira bate os pés estressadamente e bufa. O que mais queria naquele momento era matar aula e esquecer-se de seus problemas no porão. A vista apreensiva da jovem passeia por toda a classe vazia, ela tinha duas escolhas: matava aula ou continuaria ali sentada sendo firme e escondendo as coisas dos outros. Resolveu optar pela primeira opção, não estava com clima para aulas, daí lembrou-se que ficar fugindo o tempo inteiro de seu amigo não iria resolver nenhum problema, ainda tinha o trabalho sobre o livro. Roberta, tristonha, fica hesitante entre a primeira ou segunda opção.
Mas para seu azar, o sinal soa sem dar tempo de a loira escolher a opção perfeita. Adentram na sala Alice e Pedro com as mãos entrelaçadas, Diego sozinho a procura de sua namorada e por últimos Carla e Tomás abraçados. Ao notar a presença da menina ali, Tomás sorri provocativo o que faz a loira gerar uma cara de paisagem. Diego passa mão em frente ao rosto da garota para ver se ela parava de encarar o nada.
– Roberta, cê tá bem? – Murmura o menino no tímpano da garota.
– Desculpa Diego, estava meio desligada da realidade. – Sorri amarelo para o namorado.
– Anda muito desligada do mundo não é Roberta? – Interroga o menino, suspeito e arqueando a sobrancelha, enquanto coloca sua bolsa por detrás da cadeira.
– Como assim? – Vira-se para fitar o namorado.
– Parece que se desligou inteiramente do mundo e agora se prendeu em seu próprio mundo, ou seja, em seus pensamentos. – Desenvolve o moreno.
– Sério? – A menina assusta-se diante as palavras do garoto.
– Completamente. Eu tento arrancar de você as informações e tentar entender essa sua nova fase! – Xi. Nova fase? Roberta questiona-se se ela realmente estava indo para uma nova fase.
– Diego, não confunda as coisas! Sou a mesma Roberta de sempre, arrojada e independente, confesso que um pouco mudada desde a chantagem do infeliz do Binho, mas continuo a mesma. – A loira tenta se convencer que é a mesma garota de sempre.
– Mesma garota de sempre? Roberta, você agora parece insegura e temida, não gosto disso em você.
– Meu amor, eu só tenho medo de te perder e magoar.
– Por quê? Relaxa Beta, ninguém irá acabar com o nosso amor! – Confortou a namorada, depositando um beijo na bochecha, outro na testa e o último no pescoço.
– A não ser que esse ninguém seja o Tomás. – Sussurra baixíssimo a menina, exclusivamente só para ela ouvir.
Eles sorriem um para o outro e a loira se vira para frente tendo a visão e os ângulos perfeitos do quadro branco. A primeira aula de Marcelo, professor de história que não costumava atrasar-se para seus compromissos profissionais, mas ninguém entendera a demora do professor pontual. Alguns especulavam que o seu carro havia se quebrado no meio do caminho, outros diziam que ele deveria estar se divertindo com Débora, a psicóloga do colégio, outros achavam que ele deve ter ficado muito cansado e enfadado depois de brincar muito com sua namorada na noite e que ainda está dormindo. Infelizmente, os alunos não chegavam a um acordo e todas as especulações estavam erradas.
A porta se abriu alvoroçadamente pelo professor, que entra perturbado e joga seus materiais em cima da mesa sem preocupação com o barulho que emitira. Os alunos giram-se para encarar o professor.
– O que houve Marcelo? – Pergunta Maria, curiosa.
– Problemas pessoais, nada demais. – Afaga as mãos nos cabelos pretos e suspira pesadamente.
– Nossa! E esses problemas pessoais estão te irritando muito hein? – Tomás implica, logo recebendo uma tapa de Carla.
– É. Mas vamos tentar nos concentrar na matéria de história. – Pega o livro todo desconcertado da mesa e começa a folheá-lo quase rasgando as folhas.
– Em que página parou Márcia? – Ele dirige a pergunta à loira. A pequena lhe olha com um misto de confusão e divertimento pelo estado do homem.
– 223!
– Ah sim, a evolução dos astecas e maias. – O professor não falava coisa com coisa.
– Que evolução dos asteca e maia o que, Marcelo? Isso é assunto ainda no ginásio. – Pedro ri da enrolação do educador.
– Não é? – Marcelo leva o olhar espantoso para cima do moreno, que afirma com a cabeça ainda rindo.
– Aí Marcelo, conversa com a gente. Talvez possamos te ajudar! – Sugere Alice, mexendo nas pontas do cabelo sorrindo meigamente. Alguns alunos apoiaram a sugestão da loira.
– Não dá Alice, assunto de adulto. – Descarta o homem, coçando a cabeça e balançando os calcanhares freneticamente.
– Qualé Marcelo? Somos quase gente grande, manda aí. – Tomás se manifesta felizmente.
– Aconteceu algo inexplicável, eu nem sei como nomear este ocorrido! Não sei se chamo isso de tragédia ou presente de Deus! – Os alunos começaram a ficar ainda mais curiosos.
– Tá bom, chega de mistério e suspense! Desenvolve esse papo aí, Marcelo! – Até Roberta que não demonstrava interesse na conversa, ficou tomada pela curiosidade.
– A Débora está grávida. – A boca de todos escancarou.
Tomás, primo da mulher foi o que mais ficou mexido com a notícia.
– Poxa! Papo caverna. – Pedro sentiu-se desconfortável com a bomba solta pelo seu professor.
– Minha priminha grávida! Quem diria?! – Tomás não perderia tempo para caçoar. Levou outro tabefe da namorada e um olhar indesejável de Marcelo.
– Tipo assim, grávida esperando um filho? – Juju ainda tinha incertezas?
– Depois perguntam o porquê das loiras serem burras. – Vitória ofende a menina, rindo de canto.
– Cala a boca, drogada! – Rebate a menina, pegando pesado.
– Sou eu que vivo por aí tentando acabar com o namoro dos outros? – Vitória não se aflige diante a frase da garota e também replica.
– Ei, ei, ei chega! Sem brigas, por favor! – Marcelo interrompe a discussão das duas adolescentes, antes que resultasse em agressão física.
– Essas duas aí são barraqueiras Marcelo, deixa rolar. – Roberta fez questão de pôr lenha na fogueira.
– Fecha a ostra seu projeto de roqueira. – A morena levantou-se irritada, a garota hoje estava para arrumar confusão.
– Que medinho Vitória! – Debocha a loira gargalhando. – Garota, você não dá medo nem a uma muriçoca!
– CÉUS, CALEM A BOCA! – Marcelo grita exaltado, deixando todos com os ouvidos apitando. – Esqueceremos essa conversa e nos ligaremos no assunto da prova ok?
Pergunta o homem impondo ordem.
– Ok querido professor.
– Sem deboche, por favor! – Todos riem e durante a aula, eles conseguem distrair o professor e tirar aquele medo e tensão de dentro do homem.
Enfim, a aula encerra-se e todos saem fofocando sobre o anúncio da gravidez de Débora. Ao invés de Roberta seguir para a cantina e lanchar juntamente com seu namorado e amigos, decide tomar um rumo diferente, o porão.


Continua...

Luane Caroline 

Um comentário:

Não vai sair sem comentar, né?! xD

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