26 de mar de 2013

New Feelings : 2 Capitulo - Ventos Novos

O toque estridente do sinal alertou os alunos que já era hora de entrar em suas devidas salas. Roberta seguira acompanhada de seu namorado para a sala do 2º ano, primeira aula seria de Vicente, a melhor de todas. Os alunos desfrutavam divinamente das aulas do professor confuso. Eles viam na maneira do Vicente ensinar, um jeito de se expressarem, mostrarem quem realmente era. Rebeldes e corajosos, prontos e destemidos. Fortes e sagazes.


A loira girou a maçaneta da porta de sua classe e logo seguiu rumo para o fundão da sala, onde costumava sentar. Roberta não era uma má aluna, ao contrário, tinha notas excelentes, mas uma aluna exemplar Roberta estava longe de ser. Como sempre, seu professor de literatura e português se atrasava o que dava chances deles ficarem fofocando sobre as últimas do colégio. Como temas, eles abordavam um dos principais: Vitória e as drogas. Não tinha quem calasse a boca desses jovens curiosos e astutos. Mas Roberta aproveitava os momentos vagos antes do professor chegar, para dar umas beijocas em seu namorado.
– Eita, quanta troca de saliva meu povo! – Tomás. O mais piadista da turma, o mais soltinho e maluco por discos de vinis. Antes de conhecer Carla, sua fama era de galinha, pegava todas e não se cansava. Parecia um trator, pegava uma e depois esmagava. Não tinha pena, mas a morena conseguiu concertar Tomás, que tinha receios de se apaixonar, pois não queria sofrer.
– Nem fala Tomás, você e a Carla são altos beijos pelos corredores do colégio. – Roberta esperta, rebateu.
Carla corou, o garoto de cabelos bagunçados sorriu sem graça. Seus amigos começaram a caçoar de sua expressão vergonhosa, até que foram parados por Vicente.
– Bom dia alunos! – Exclamou alegremente.
– Nossa Vicente, quanta animação! Viu o passarinho verde hoje? – A morena piscou para o professor, já sabia o motivo da tamanha felicidade.
– Melhor! Aplicarei hoje um novo livro lançado em vocês. – Todos suspiraram desanimadamente. Alguns pousaram a cabeça na mesa e fingiu dormir, outros murmuravam palavras desconexas, enfim, todos estavam chateados.
– Poxa gente. O livro não é tão ruim assim, o autor é novo e foi ontem a inauguração de seu livro, marcou presença de gente famosa, outros escritores e até atores e cantores estrangeiros. – Roberta pareceu mostrar interesse no assunto.
– Como é o nome do livro?
– E do autor? – Tomás completou.
– Ventos novos, autoria de Renato Cadilac. – A capa era linda. Uma garota deitada na sombreia da árvore e seus cabelos sedosos e brilhantes esvoaçados. Algumas folhas de árvores caindo e ela parecia ter uma feição de sentimentos confusos.
– Aborda qual tema? – Pedro, namorado de Alice, moreno e musculoso interrogou também demonstrando interesse no livro. Vicente começara a animar-se com o interesse de seus alunos.
– Traição, amizade, drama, comédia e o mais importante, o amor! Uma garota que se descobre apaixonada por um de seus melhores amigos, mas ambos já são comprometidos. O pior de tudo é que seus sentimentos são correspondidos.
Aquele enredo, aquele tema atraiu a todos, inclusive os que não eram chegados à leitura.
– O livro tem cara de ser fascinante. – Téo comentou fitando a capa do livro sobre seus óculos.
– E é. Por isso, eu já comentei com o Jonas para encomendar esse livro. Iremos trabalhar com eles, vamos desfrutar de sua essência, entender o seu significado, interpretar a história. Captaram?
– Já vi que vou gostar desse trabalho. – Roberta sussurrou para o namorado que sorriu com malícias.
– Será em dupla! – Aquela frase soou como música para alguns e como um ruído áspero para outros.
– Podemos escolher nossas próprias duplas? – A loira de cabelos encaracolados perguntou. Não sabia o porquê de sua pergunta, ela já sabia que a resposta seria sim.
– Não. – Todos arregalaram os olhos. Ele iria fazer o que então? Sorteio? Ele mesmo escolher?
– Escreverei seus nomes em papelzinhos e vocês vêm aqui tirar. Tipo um sorteio.
– Coisa mais infantil, parece até aquelas brincadeiras de crianças de amigo secreto. – Diego resmungou. Vicente girou os olhos, nada a ver a frase do moreno.
– Não Diego. Não tem nada a ver com infantilidade, compreendam. Quem sabe você pode tirar a Roberta? – Mandou uma piscadela marota para o Diego, rindo.
Na sala reinou um silêncio. Grande parte estava ansiosa para saber com quem seria sua dupla, incluindo os rebeldes e os que não davam muita importância eram em especial, Márcia e Téo. Alice roia as unhas e nem percebia que estava as estragando e tirando todo o seu esmalte rosa cobre, seu nervosismo falava mais alto. Tomás já estava chateado, Carla mexia na ponta dos cabelos, Diego roçava os dedos com os de sua namorada, Pedro e Roberta eram os que estavam mais calmos.
– Pronto. Quem se habilita a vir tirar o primeiro papelzinho? – Pilar ergueu o braço levantando-se.
– Eu vou professor. – Sorriu falsamente e se aproximou do birô do educador. Apanhou o primeiro papel sem receios e o desamassou, um sorriso queria surgir em seus lábios, mas ela impediu.
– Binho!
Ambos trocaram olhares salientes. A segunda a levantar-se foi Márcia.
– Téo! – Exclamou contente e envolveu seus braços com os do seu namorado.
Assim sucessivamente, até que chegaram os últimos. Os rebeldes.
Alice tentando parecer corajosa guiou-se para a bancada do seu educador e ficou em dúvida em que qual papelzinho pegar, até que depois de 25 segundos chatos. Ela pegou o primeiro papel e o desamassou.
– PEDRO! – Deixou o grito satisfeito ecoar pela sala. Logo seu rosto corou devido à vergonha passada.
Todos riram para aliviar a tensão. Diego habilitou-se a ir pegar o papel, confiante em que tiraria sua namorada. Mas para surpresa de Diego, ele tirou Carla.
– Carla. – Disse surpreso.
– Então ficou: Alice e Pedro, Sosso e Beto, Vitória e João, Maria e Guto, Luíza e Júlio, Márcia e Téo, Duda e Juju, Pilar e Binho, Carla e Diego, Tomás e Roberta.
Os quatro ainda estavam indignados e incrédulos de com quem seria sua dupla. Não que quisessem fazer com seus respectivos amigos, mas sim que esperavam que fossem tirar a sorte grande ficar com seus parceiros. Mas tudo desandou e esse trabalho aguardava muitas surpresas para dois deles.
Vicente também ficou meio desorientado, estranho e diferente. O professor mudou então de matéria e passou para português, gramática. Roberta copiava do quadro o que o professor escrevia, mas sua cabeça estava em outro planeta, em seu mundo tentando achar que sua dupla não seria com Tomás. De relance, encarou o amigo que afagava as mãos em seu cabelo de estilo único e bufava, iria ser realmente estranho fazer um trabalho com esse seu “amigo”.
–x-
A aula havia se encerrado já, teriam agora o intervalo inteiro para aproveitar. Mas a pequena loira decidiu ir vagar pela quadra sozinha, não estava em clima de namorar. Ventos novos, esse título não saia de sua cabeça e também a fazia lembrar-se do Tomás, mas porque diabos ela estava pensando em Tomás?
E por que tinha certo receio de trabalhar com o amigo? Por que de uma hora pra outra, dispensou o namorado para ficar sozinha na quadra? Qual o motivo de ter fitado o Tomás de relance hoje na hora da aula de português? E por que achou tão bonitinho o jeito que o rapaz ficou depois de do sorteio? Ela não devia pensar nisso e sim em seu namorado, na banda, em besteiras e não em “Tomás e ventos novos”.
– Sozinha também? – A voz de quem menos queria ouvir agora, ecoou pela quadra.
Roberta estremeceu.
– Sem clima para os rebeldes.
– Saquei, eu também to assim! – Suspirou pesadamente e deitou-se no chão.
A garota sentou ao seu lado com as pernas em formato de borboleta.
– Não faço ideia de como iniciar esse trabalho.
– Somos dois.
– A Carla ficou enciumada? – Roberta não entendeu nada do que ela mesma tinha falado. Estava malucando?
– Nem sei. – Levou os seus olhos castanhos ao encontro dos dela. – Talvez tenha ficado chateada, mas ela confia em mim. Além do mais, somos só amigos.
Roberta abaixou a cabeça sorrindo envergonhadamente.
– E o Diego? – Tomás não via a hora de soltar logo essa frase, as palavras estavam coçando em sua garganta.
– Depois de tudo o que passamos, acho que só um pouco. – Falou decepcionada.
Tomás olhou para Roberta sorridente, aquele sorrisinho já dizia tudo.
– Tomás, nem pense em fazer isso. Eu decepo sua cabeça! – Roberta disse afastando-se de perto do garoto, ela ria nervosa.
– É melhor correr Roberta Messi, que eu vou te pegar! – Mexeu os dedinhos e começou a correr atrás da garota.
Pela quadra antes com clima de tensão, era substituído pelas risadas contagiadas dos colegas de banda. O brilho no olhar da menina era intenso, seu sorriso a tornava única, um sorriso gracioso e belo demais para uma garota de gênio tão forte como essa loira. Tomás agarrou a garota e começou a enchê-la de cócegas, que ria descontroladamente.
Os outros rebeldes que ali presenciavam a cena, mantinham-se quietos para não estragar o momento “amizade” dos dois. Diego por dentro morria de ciúmes, depois da proximidade de Tomás com Roberta desde aquele plano do Binho de ferrar com a vida de Pedro, o moreno sente-se com medo de perder a namorada e desconfia até do próprio melhor amigo. Carla estava mais calminha e não achava nada de estranho na cena produzida por Roberta e Tomás, mas sentia algumas pontadas de ciúmes.
– ROBERTA! – Diego gritou-lhe e a garota cessou suas risadas e passou a olhar o namorado espantosamente.
– Oi Di. – Correu para os braços do namorado dando-lhe um abraço gostoso.
– Oi Carlinha! – Cumprimentou a namorada com um selinho na bochecha.
– Oi Tomás!
Pairou um silêncio constrangedor entre os seis amigos, Alice e Pedro sentindo o clima pesar, saíram sorrateiramente.
– Vamos Di? – Chamou sua namorada ao ver os olhares que o garoto lançava sobre o outro.
– Claro.
Tomás e Carla também abandonaram a quadra para irem aproveitar o intervalo no porão.
A vida desses rebeldes iria começar a tomar rumos diferentes desde já.
Continua...

Postagem de Luane Caroline :D

Um comentário:

Não vai sair sem comentar, né?! xD

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